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PROGRAMA TPM - TUDO PARA MULHER SOBRE O LIVRO PONTO G- UNIVERSO FEMININO SOB TENSÃO.
PROGRAMA TPM - ENTREVISTA SOBRE O LIVRO TPM- CRÔNICAS DE UMA MULHER. 





LANÇAMENTO DO LIVRO TPM - CRÔNICAS DE UMA MULHER. 




CRÍTICA LITERÁRIA - PÁG.5

http://www.jornalempresasenegocios.com.br/jornal_ed_1801.pdf


SOBRE A CASA DE CAIO FERNANDO ABREU.

RÁDIO GAÚCHA
Gaúcha entrevista
21 de dezembro.



Link para a entrevista:

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=156571&channel=232


PROGRAMA DE 12 DE AGOSTO DE 2010.


http://tinyurl.com/salveacasadocaiofernandoabreu


ARTIGO DO LEITOR: À MEMÓRIA DE CAIO F.

clique para ampliar.

ZERO HORA - SEGUNDO CADERNO

12 de agosto de 2010 N° 16425

CAPA

Tesouro à mercê da boa vontade

Faltam recursos humanos e financeiros para digitalizar acervo de Caio Fernando AbreuCaio Fernando Abreu deixou um acervo literário de mais de mil itens. Fazem parte desse material manuscritos e anotações – entre eles textos inéditos, correspondências, fotografias e fortuna crítica.

O tesouro foi cedido por empréstimo pela família do escritor ao Instituto de Letras da UFRGS, onde está à disposição apenas para pesquisadores.De acordo com a coordenadora do acervo, a professora Márcia Ivana de Lima e Silva, o plano é digitalizar todo o material para ser apresentado online ao público, mas não há verbas nem pessoal destinado para esse fim.

– Tenho combinado com meus orientandos que eles se responsabilizem pela digitalização do que vão usar em suas teses de mestrado ou doutorado. Assim, o que já foi digitalizado foi por improviso e graças à boa vontade desses alunos que escanearam o material. Não temos um programa ou recursos nesse sentido, nada institucional, infelizmente – comenta Márcia Ivana.

E isso que Caio tem sido alvo de renovado interesse. Seus livros foram todos reeditados ao longo da última década (em formato convencional pela Agir e em edições de bolso pela L&PM). Um volume, Caio Fernando Abreu: Cartas (Editora Aeroplano), foi publicado em 2002 coletando parte de sua correspondência – o autor foi um missivista prolífico e despachava cartas longas, minuciosas e cheias de afeto para amigos e colegas. Uma biografia foi publicada em 2008, Caio Fernando Abreu, Inventário de um Escritor Irremediável (editora Seoman), de autoria da jornalista Jeanne Callegari, e novas teses e estudos têm sido publicados sobre sua obra, dando conta do impacto que a literatura de extremos do autor teve sobre mais de uma geração de fiéis leitores.

Agora, alguns desses leitores se juntaram em um movimento para preservar a casa onde ele passou seus últimos dias em Porto Alegre, o sobrado de estilo colonial espanhol que pertenceu à família de Caio por décadas e que foi tema e cenário de algumas de suas crônicas porto-alegrenses. Localizado no Menino Deus, é uma construção em um amplo terreno em um dos bairros que mais têm apresentado valorização imobiliária, e está à venda ou para ser alugado (leia mais no texto abaixo).

Como a especulação na região já substituiu por edifícios de apartamentos muitas das casas antigas que davam feição ao bairro, o grupo de admiradores de Caio quer evitar que o mesmo aconteça com a casa que era dos pais do autor.

– Antes que a casa seja comprada por alguém interessado apenas no terreno, por que não poderia ser feito um centro cultural ali? Ou mesmo a colocação do acervo do Caio naquela casa? Seria uma pena que mais esse pedaço de memória se perdesse – comenta o escritor e professor Fábio Fabrício Fabretti, que participou, com Italo Moriconi, da organização do livro Caio Fernando Abreu: Cartas.

A ideia de que o sobrado, alugado pelo Estado ou mesmo pelo município, poderia ser o abrigo para o acervo é elogiada por Márcia Ivana:

– Os familiares do Caio, na condição de herdeiros, continuam sendo proprietários do acervo. E, se desse certo esse movimento, eles seriam os primeiros a querer que esse material voltasse para aquela casa. Só seria preciso que essa mobilização fosse incorporada pelo poder público de algum modo.

 
CARLOS ANDRÉ MOREIRA
 
Reportagem Zero Hora.

12 de agosto de 2010 N° 16425Alerta

Memória: vende-se ou aluga-se



As crônicas que Caio Fernando Abreu escreveu durante os quase dois anos em que viveu em Porto Alegre, após ser diagnosticado com o vírus da aids, dão testemunho de um reencontro com a cidade da qual havia partido ainda muito jovem para fazer carreira como jornalista no centro do país. São textos que traduzem uma difícil aceitação da própria finitude – oscilam entre o sereno e o passional – e fazem um balanço de sua relação com a Capital (“Manaus no verão e Moscou no inverno”, como definiu certa vez).

Muitos desses textos têm por cenário a casa dos pais, onde o autor foi acolhido depois de voltar ao Estado após anos morando primeiro no Rio e depois em São Paulo. São crônicas nas quais Caio, como o equivalente arrebatado de um mestre zen, reflete sobre o que estava descobrindo a respeito da própria vida e da vizinhança do Menino Deus, para onde havia retornado em 1994. Como escreveu em crônica publicada em Zero Hora em 1995, na qual falava dos girassóis de sua casa e, elipticamente, de si mesmo: “Pois como eu ia dizendo, depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa, uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu?”.

Por recomendação médica, Caio fazia longas caminhadas pelo bairro. Ali ele começou sua reconciliação com Porto Alegre, cidade à qual ele sempre teve muitas críticas – lembra a professora da UFRGS Márcia Ivana de Lima e Silva, coordenadora do acervo do autor.

É essa casa, na Rua Oscar Bittencourt, no Menino Deus, que agora está à venda. Devido a questões judiciais, o imóvel, construído em 1941, foi posto em leilão após a morte dos pais do escritor e foi arrematado pelo corretor gaúcho Alexandre Hartmann em 2006. Agora está sendo oferecido para venda ou aluguel.

– Eu estava procurando um imóvel para me estabelecer, mas questões judiciais do inventário se arrastaram por anos, e, quando ela finalmente ficou à disposição, eu já estava instalado com a família em outro lugar – conta Hartmann.

Ao ver a placa, em uma visita recente a Porto Alegre, o escritor Fábio Fabrício Fabretti começou, com amigas leitoras da obra do Caio, um movimento para tentar dar uma nova destinação à casa – a instalação de um memorial ou centro de cultura ligado ao nome do autor.

– Tenho 36 anos e me tornei escritor em grande parte pelo impacto que a leitura do Caio me provocou. Acho uma pena que um de seus vestígios na cidade esteja ameaçado – diz Fábio.

Uma das participantes do movimento, a psicóloga Andrea Behegaray lançou um apelo em seu blog na internet (leia em www.wunschelrute.blogspot.com/2010/08/salve-casa-do-caio-fernando-abreu.html) e montou uma corrente de e-mails enviados a intelectuais e artistas do Estado.

A campanha, ainda incipiente, já começou a ter suas primeiras adesões, reproduzida em outros blogs e comentada no serviço de microblogs Twitter. Diz Andrea:– O Menino Deus está transformado em um campo de obras, e estamos divulgando essa ideia para que chame a atenção de alguém. O trabalho do Caio tem várias referências àquele espaço. Talvez uma entidade privada qualquer pudesse instalar ali um espaço cultural.

Hartmann, o proprietário, não se opõe:– Se houver uma ideia nesse sentido, eu locaria ou venderia a casa para esse fim, sem problema. Minha intenção é mesmo preferencialmente alugar.