terça-feira, 15 de maio de 2018

O dedo podre, o fracasso amoroso e a terapia que você não faz.



Amar se aprende amando e os descaminhos do amor fazem parte da trajetória do aprendizado amoroso. Experiências amorosas ruins podem nos ensinar ou traumatizar, podemos evoluir com elas, regredir ou paralisar. Podemos melhorar quem somos, ou piorar infinitamente. Experiências ruins nos ensinam quais são as ciladas e as cenas que não devemos repetir, mas repetimos.O inconsciente é traiçoeiro e nos faz criar às condições para incessantes repetições. Repetimos sem perceber situações do passado na tentativa da elaboração da dor.
Então presos na repetição destruímos novos relacionamentos por causa das dores do passado. Surtamos de ciúmes porque um dia fomos traídos. Perdemos a capacidade de confiar, adoecemos, brigamos, sofremos de insegurança, viramos canalhas porque um dia alguém foi canalha com a gente. Nos desiludimos, iludimos e demoramos muito tempo para construir expectativas reais, leais e possíveis. Impomos feridas porque fomos feridos. Queremos que o relacionamento atual pague a conta dos antigos.
O psiquismo é ardiloso, mas visa a saúde mental. Não permite que dores e traumas sejam engavetados sem elaboração, resolução do conflito. Cedo ou tarde o que você colocou para baixo do tapete, vem à tona. Se a paralisia afetiva e a recusa em se relacionar for a saída, o corpo adoece a depressão acomete. A conta vem, quer queira, quer não.
Recordar, repetir para elaborar, ensinou o mestre Sigmund Freud. Mudam os atores e repetem-se as cenas traumáticas.
A sucessão de relacionamentos amorosos ruins, o dedo pobre que tantos lamentam, nada mais é que o compromisso do neurótico com a sua doença.
Eis a função da terapia, nos ensinar a conscientizar e identificar as repetições para que possamos elaborar e curar definitivamente nossas feridas escapando das repetições. Conscientizar as feridas é a delicada tarefa do processo terapêutico. Dói? Dói, mas liberta e te faz livre para ser autor de novas histórias, novos cenários, livres de emoções passadas.
E não mais sujeitos de repetição, que neuróticos, adoecidos e feridos, reescrevem cegos suas dores e angustias de um passado sobre o qual já não podem mais atuar.
Então não esqueça, o dedo não é podre, você que tem medo de assumir a responsabilidade, infelicidade também é escolha. E a verdade mais difícil é que dores pessoais são intrasferíveis. Não transfira a conta das suas dores para seus amores. Eles não podem pagar essa dívida. A conta é sua, a responsabilidade também.
A trajetória é sua e o roteiro está escrito na coragem que tens para enfrentar a si mesmo, e a mais ninguém.
Terapie-se
Andréa Beheregaray.

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