segunda-feira, 24 de julho de 2017

Árvores Floridas



Seguidamente eu paro na rua, a pé ou de carro, e fico contemplando às árvores floridas. Eu conheço às arvores da minha cidade. Sei quando é tempo das rosas, das roxas, das vermelhas e amarelas. Todos os anos às vejo renascer e desflolharem-se para aguardar então uma nova estação. 
Amo árvores floridas.Passei muito tempo sem perceber a existência de tal beleza. Então hoje eu paro e as contemplo. Elas me lembram sempre que em meio ao caos de dias acelerados desta cidade naufragada, confusa e barulhenta, existe uma beleza invencível que se oferece gratuita. Poesia materializada em forma de flor. De uma delicadeza sólida e profunda, como são as suas raízes. 
Porque, assim como elas, é aquilo que não podemos ver que nos mantém em pé. Estão sempre lá dispostas e gratuitas lembrando que a vida é bruta e bela a um só tempo, profunda e frágil , sólida e delicada. Contraditória por excelência. 
Árvores floridas são pra mim a definição do que é a vida.

Andréa Beheregaray

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amores mortos




Os grandes amores acabam sim. A idéia de que se for verdadeiramente grande então nunca acaba é herança do período romântico e seu ideal de alma gêmea. Ideal que nos aprisiona e nos faz desmerecer os amores vividos como se grande e verdadeiro fosse um apenas.
Sem fita métrica para o amor, por favor. Todo amor, mesmo que findo, é uma experiência transformadora que nos revela. Alguns doem para sempre, outros não. Existem aqueles que jazem adormecidos até o reencontro, mas todos, esquecidos ou não, nos fizeram vibrar um dia.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Memórias literárias.



Menina, muito menina ainda, eu já era uma afixonada em histórinhas. Ouvia repetidamente, na vitrolinha vermelha, Lps das minhas fábulas prediletas. Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos e a coleção completa dos discos de Roberto Carlos. 

Mas foi aos 9 anos que descobri a magia dos livros. Meu pai levou a mim e minha irmã para passear na Feira do Livro de Porto Alegre. Em frente a banca de livros, não muito maior que ela, observava aquele aquele novo universo que se abria, quando ele disse que cada uma de nós poderia escolher um livro. Ali, diante da escolha, senti pela  senti pela primeira vez o delicioso prazer de comprar um livro. O livro escolhido foi 'Férias em um orfanato'.  Com ele descobri que ler também é VER. Ler era mágico, uma aventura possível do sofá da sala. A cada página eu consegui visualizar aquelas crianças e eu estive com elas quando conheceram o mar pela primeira vez.

Mas foi através do Círculo do Livro que fui definitivamente fisgada. Minha mãe era assinate e recebia a visita da representante e seu catálogo. Novamente me foi data a oportunidade de escolher o melhor presente que poderia receber, um livro. Escolhi Monteiro Lobato. Uma coleção linda e colorida composta pelas letras do nome do autor. Acho que não chegamos a completar seu primeiro nome, ficamos em MONTE e eu já estava completamente apaixonada pela leitura. Mergulhei nas aventuras de Emília, através do livro em 'Reinações de Narizanho', meu Deus como eu amava aquelas aventuras! Quando terminei o livro senti, e me lembro claramente, um misto de orgulho por ter lido meu primeiro livro grande ( grande em todos os sentidos) e um sentimento de vazio, pois agora, por tê-lo acabado, acabei também com o prazer de lê-lo. 

Deve ser nesse momento que adquira o hábito de comprar muitos livros e não concluir a leitura, só para depois ter o prazer de retornar à eles de novo e realizar assim novas e prazerozas descobertas. 

Na 6 série descobri a poesia. Alugava livros constantemente, um deles gostei tanto que nunca devolvi, tenho ele até hoje. Eu sei, é errado, mas quem pode me condenar por roubar poesia? Foi na biblioteca da escola João XXIII que conheci Cecília Meírelles, inspirada por ela e pelo professor de português Ricardo Silvestrin comecei a escrever poesias. Lembro da aula dele sobre a composição de Haikai ou Haicai, a poesia em 3 linhas. Aqui nascia o prazer de brincar com as palavras. As aulas de crase e vírgula eu pulei, desculpe professor, mas estas, estas eu trago viva nas minha memória afetiva literária. Muito obrigada.

E com Cecília aprendei a navegar. Li, reli e declamei Naufrágio, que hoje esbarrei sem querer nas redes sociais e descandearam todas essas memórias que vos relato. 

Cecília, te sei até hoje! Cecília quanto beleza!

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,

com as mão para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul, do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas

O vento vem vindo de longe ,

a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso, 

para fazer com que o mar cresça 
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça

Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas
(Cecília Meireles).



Ler para mim é puro deleite. Quanto prazer encontro nas palavras! Que sorte a minha ter
tido a oportunidade de descobrir os livros. Fonte de prazer e possibilidade de conhecimento. O livro nos aproxima de universos distantes e diversos, nos faz melhores diluindo nossa cegueira e ignorância. Ler é uma porta aberta para um mundo. Escrever é alquimia, ler é mágico. E eu sou apaixonada por magia.        

Andréa Beheregaray   

sábado, 15 de julho de 2017

Ser.




(...)
''O que escrevo, o que diz de mim? O que conta do que sou, do que sinto? Resumo, pista, confissão? O que escrevo me reduz ou conduz a imaginação? Eu sou minha palavra ou elas me são? Escudo, ponte, brincadeira, janela, carícia, açoite ou ventania? O que seu olho pode ver? E seu coração, o que diz?

A tradução que você faz, não diz de mim, diz de você. Se para você eu sou apenas palavras, filigrama de um mundo tão particular assim, tão resumido é porque, por distração, desinteresse ou incapacidade tuas mãos tocaram apenas a superfície desse universo tão vasto e profundo que é ser uma pessoa. Não me resuma apenas por não ser capaz de me compreender. O que sou não cabe aqui e nunca caberá. Eu sou uma pessoa. Eu sou uma pessoa."

quinta-feira, 13 de julho de 2017

É a vida!




Mudança, 1 filho, 2 filhos, 3 filhos, 4 filhos. 


busca, conversa, auxilia, encaminha.
É viagem. É Santa, Rio Grande, Errej, 
Jetiqui, açai, Paraná. 
De carro, de ônibus, carroça, 
patins, jetski, de barco, avião.


Tem frete, bagunça, pacote, 
Backyardigans, pintura, loucura. 
Tem caixa, caixote, tempero. 
Tem conta, corrida.
Te perde, te encontra 
é a vida é a vida querida.


É a vida!

Te apressa! Te apressa! 

Tira, puxa de lá, de cá, acolá. Perdeu ? Procura. 
Não achou? Eu acho. 
Mãe tu sempre resolve. 
Verdade, resolvo, eu sempre resolvo. 
Dou um jeito, me viro.

Eu acho a saída que sempre está lá. .

Não para! 

Te estica, levanta, 
de frente, 
em frente, 
enfrente! 

Psiu...

Agora respira e aprecia.
É a vida, é a vida. 
Não é todo dia, mas hoje, só por hoje, espia 
O dia é de paz na Lagoa.

Andréa Beheregaray

Opostos iguais






Ele mar, eu asfalto.

Ele pé no chão, eu salto alto.
Ele sempre a mil, eu calmaria.
Ele onda, eu céu de pradaria .

Ele 7h, eu meio dia.
Ele ação, eu poesia.
Ele malha, eu contemplo.
Ele levanta e eu sento.
Ele ordeiro, eu no meu tempo.

Ele aventura, eu leitura.
Eu radical, ele ponderado.
Ele passional, eu também.
Ele inteligência emocional, eu invocada.
Ele fúria disfarçada, eu guerra declarada.

Ele simples, eu complexa.
Ele intenso e eu convexa.
Ele pé na África, eu na Alemanha.
Eu reservada, ele simpatia.
Ele preto no branco, eu colorida.
Ele coragem, eu determinação.
Eu pensamento e ele coração.

Ele carinho, respeito, aconchego e demonstração. Eu em dobro. Relacionamento sem jogo.

Somos a combinação perfeita, opostos sem contra-mão. O nosso encontro é no melhor lugar. Na mesma direção.

Porque ele é amor e eu também. .

Andréa Beheregaray.
Da série, Poeminhas caipiras.