Blábláblá...


É tempo de prostituir a poesia, 
a música, filosofia
tempo de atrofiar o pensamento
em drops de frases curtas
de gente que tem preguiça
de pensar.

É tempo de banalizar às palavras
em trocadilhos baratos
que se pretendem Pessoa, 
Quintana, Hilda Hist
e que não são mais que nada
poesia ruim, frase de efeito, 
plágio, raso, autoajuda, blábláblá. 

É tempo música enlatada
de melodias esvaziadas
canções sem poesia
essência, melancolia
música de cofrinho
feita para faturar
pra não durar

É tempo de enlouquecer os filósofos
perverter o pensamento
em trechos curtos, virtuais 
filosofia de botiquim
para sábios que nunca leram
livro um livro até o fim  

Autoajuda
e amor infinito
baboseiras românticas
de salvação, de negação 
do que humano

é tempo de moralismo barato
deuses raivosos e homofóbicos
que faturam alto para abrir as portas do céu 

Tempo de falcatrua
de gente que se apropria 
de frases e pensamentos
muda duas, três palavras 
assina o plágio sobre juramento
de pura sabedoria
de que aquele pensamento lhe pertenceu
  
É tempo de bláblábláblá
muita letra dizendo nada
Na nau dos desesperados
que insistem em se agarrar
em bóias de faz de conta
e pensamentos de bom dia positivos
na negativa do enfrantamento
do autoconhecimento
na preguiça de pensar.

É tempo de blábláblá, 
de atrofia
palavras vazias
burburinho
De gente que diz muito 
sem ter nada a dizer
É tempo de manada
e pensamentos mortos.

Andréa Beheregaray.
   
   


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