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domingo, 19 de abril de 2015

Hora marcada.


 
Reencontro.

Pensamentos voando, invadindo as horas, tudo que foi dito, e principalmente tudo aquilo que não foi possível dizer. Em pé, diante da porta, a um passo do reencontro tanto tempo depois. Pensei em dizer tanta coisa. Detalhes, desdobramentos. Calei. Quis te ferir, confesso, cravar lenta a navalha afiada das palavras não ditas, enferrujadas. Recuei. Silenciarei a agressão para que fiques... até o fim, até o fundo daquilo que não foste capaz de viver . Suave recolhi o desejo de te fazer sentir culpa. A culpa que te faria perceber a dor causada. Despedaçamento. Diante da porta recuo . Melhor seria falar sem deixar transparecer emoção alguma, para que te confundas sobre o que sinto. sumulando um afastamento impossível?

Repassei milhares de vezes, poderia eu desculpar, tirar de dentro de mim, do fundo dos meus olhos aquela imagem? Sabia que não. Desejava profundamente que sim.

Durante esses meses todos perdoei teus enganos, teus silêncios, tua loucura, tua indecisão. Todos aqueles retornos que nunca vieram. Desfiei o tempo desdobrando as migalhas de atenção que alcançavas displicente. Teus mudos diálogos tortos que visavam apenas prolongar aquilo que já se sabia terminado.

Fechei meus olhos para teus equívocos e tua explicita falta de consideração. Acumulei e-mails que nunca enviei, além de todos os outros que você nunca desejou responder. E todos eles guardavam sempre o mesmo tom. Eram amargas as cores do desamor. Quando tempo precisamos para aceitar o desamor daqueles que amamos? desconfio que uma vida inteira.

Relendo cada uma das cartas guardadas, vejo que o novo é velho . Que tua negligência é antiga, assim como são antiga tuas mentiras. Mentiras que nem mesmo te dá ao trabalho variar. Não renovo o espanto ao ouvi-las, estou cansada. Será mesmo que acreditavas que acreditei? Te consideras bom mesmo na arte do engano...

Parada diante da tua porta guardei o tom irônico e sarcástico, transformando em passividade toda minha angústia. A vida é feita de fatos, não de argumentos. Palavras são apenas palavras, fatos é que demostram o que sentimos. Os fatos sempre contrariaram teus palavras. Procurei o teu amor nos meus dias, teu cuidado nas minhas noites de solidão. As lágrimas me impediram de encontrar o amor em atos. Gritavam alto os fatos em noites escuras de tempestade e confusão. Impedida, não pude ver.
Estranho hábito de machucar quem te quer bem. Criança que nada entendes de amor e consideração. És um homem que não sabe amar. Teu coração é leviano. Guardei as armas que mantive afiadas, prevendo que ao usá-las estaria decretando o fim de alguma coisa que só ameaçou.

Sem arrependimentos e sem tristezas. Quando disseste não à nós dois, disseste não a tua parte mais bonita. Não pelo que sou, mas pelo que você demostra ser quando é amado. Não existe álibi para consciência, a vida não aceita desculpas.

Acaricio a porta...recuo...recolho o amor desperdiçado, os estilhaços deixados...memórias delicadas conservam o pó do descaso.Penso em você atrás da porta, no seu sorriso...suas mãos... guardo as poesias desfeitas, as expectativas, o encontro. Guardo o toque suave por baixo da mesa, o sorriso malicioso, as noites de lua, o céu de estrelas que cobriu nosso amor. A mala sempre pronta, o amor profundo agora esquecido. Penso em você e meu coração se enche de emoção. Guardo em mim o grande amor que tive, os sonhos interrompidos pela insônia do abandono. Madrugada antiga. Não foi a mim que você perdeu, foi a você mesmo. Construindo a escada do lado errado, num mar de orgulho e ilusões. Na hora incerta diante da porta é muito tarde para voltar atrás. Falar não serve. Quando há tanto a dizer o muito vira muito pouco. Da porta que nunca abri, parto enfim. Chegou a hora do reencontro. O reencontro em mim.

Andréa Beheregaray.
 

3 comentários:

  1. Encantada com as suas palavras!
    Voltarei sempre!
    Beijos!

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  2. Que bom !
    É sempre bom voltar p/casa ...não importa o tempo as cicatrizes até o novo cenário .
    Bom retorno !

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