Dezembro.






Todas as pendências agitam-se em dezembro. Todas as angustias, culpas, contas, amores mal resolvidos, conflitos de família, desejos de mudança. Todas as promessas que não foram cumpridas acordam ruidosas e ressentidas. Tudo aquilo que se deixou para trás por incapacidade, negligência ou medo perturbam o sono, não lhe deixando escapar. Todos os seus sonhos e desejos, os mais simples e os mais radicais, vem sacudir seus sonhos e atormentar seu sorriso. Seus planos, metas e programações atravessam a rua, trocam de calçada, espiam debochadas da esquina sua fantasia infantil de querer controlar o tempo e apreender a própria vida. Em dezembro as decisões pautadas pela sua razão rigorosa, estão secas e mortas, sedentas da coragem que você não teve, das emoções insensatas que você calou. Em dezembro quando as contas do correio chegam duplicadas você estende os olhos sobre os meses e conta nos dedos os dias em que foi feliz. Em dezembro então você nota que o sentido escorreu pelo ralo, que se a conta por sorte está cheia, seu coração parece bater vazio. Dezembro é um mês que não pode ser quitado a prazo, que todos correm como se o fim do ano fosse o fim do mundo. Dezembro agita as saudades, acorda os conflitos, acende a luz das nossas verdades escondidas. Dezembro é um mês que não nos deixa escapar, não nos deixa enganar sobre a vida e o fato que não temos tempo, que a hora é agora e que a felicidade não pode ser vivida no ano que vem. Felicidade não faz rima com o amanhã. Felicidade não pode ser adiada. Ano que vem é hoje.

E você, fez seu ano valer a pena ou dezembro lhe dói?

Andréa Beheregaray.

Comentários

  1. Olá Andréa.
    Sinto sinceramente,sua ausência , nos meu blogues.
    São tão ruins assim? (rs)
    Feliz tudo para você e muita saúde,principalmente.
    Um abração carioca.

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