quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cores do mundo.




Aos olhos de um apaixonado

Toda esquina é Paris,
Toda janela um quadro,
Qualquer traço, Picasso
Um sorriso Mona lisa

Aos olhos de um apaixonado

Passarinho é Quintana,
Cama, paraíso
Qualquer adeus fim de mundo
Toda canção confissão

Aos olhos de um apaixonado

Todo sussurro, uma prece
Sessão da tarde, Felinni
Um rodopio, Fred Astaire
Telefone é evento e todo dia, feriado

Aos olhos de um apaixonado.

Andréa Beheregaray

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre Relacionamentos.




As pessoas são confusas e tem lá suas feridas e isso precisa ser entendido. Essa ideia de gente super bem resolvida, feliz e pronta para enfrentar tudo em nome do amor é uma falácia dos tempos modernos. Todos nós temos medos, medos e marcas, herdeiros dos complexos dos nossos pais, donos dos nossos. E com isso, e apesar disso, todos os dias buscamos a melhor forma de seguir em frente, às vezes meio aos trancos e barrancos, outras vezes meio às cegas, mas tentamos do melhor jeito que sabemos.  

As pessoas são complexas e por isso os relacionamentos não são fáceis. Na verdade 'relacionar-se' é uma das tarefas mais difíceis que enfrentamos. Um emaranhado de desejos, expectativas, carências, anseios e frustrações. Pegue tudo isso e misture com amor, com o amor e todas as suas contradições, e perceba então que enorme tarefa essa, a de se relacionar.

Para quem me lê agora e acha que exagero, que relacionar-se é algo simples, bom, espere mais alguns anos e alguns relacionamentos longos e então volte e me diga. Claro que com o tempo e a experiência, quando assumimos a responsabilidade da nossa história e realmente buscamos nos conhecer as coisas podem ficar mais fáceis, ou não.

Eu sei que amar demais deveria bastar para uma história de amor dar certo, mas não basta, infelizmente. Aceitar a complexidade do que significa 'relacionar-se' talvez seja a única chance de construirmos um relacionamento de amor honesto, real e verdadeiro.   

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe.









Vietnã

Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.

Wislawa Szymborska

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Carne.











Cortei a carne e arranquei o coração
com as mãos, deixei ali batendo
para que pulsasse até morrer
diante dos meus olhos.

Superei o ímpeto e o desespero
de vê-lo aos poucos sangrar até
finalmente parar.

E então da dor profunda
eu me transformei no que sou hoje.
No que tinha que ser.
Essa mulher que pulsa
e busca um novo jeito de ser
amor.

Andréa Beheregaray.