Fiscais do amor.



Sobre o ciúmes.

Todo ciumento é surdo, cego, paranóico, um tanto psicótico e um consumista de mão cheia. Quem mais, além do ciúmes, encontra cabelo em ovo, transforma formiga em elefante e pingo d’água em tempestade? Quem além do ciúmes carrega essa vontade de possuir, de querer ter sempre mais o que nunca será seu, a liberdade e o livre arbítrio do outro? Quem além dele torna tudo na sua volta uma ameaça em potencial, nos coloca os óculos da desconfiança e distorce a vida? O ciúmes cega e deixa surdo os ouvidos que ficam impedidos de perceber uma grande verdade sobre os relacionamentos, a vida e o amor: as pessoas estão ao nosso lado por escolha e nada poderá lhes impedir de partir se assim o quiserem. Assim como nenhuma fiscalização irá impedir o outro de nos deixar ou trair. Elas o farão, caso escolham, queiramos ou não. O ciúmes, junto com o orgulho e a vaidade são venenos para o amor. Engana-se quem acredita que o ciúmes é natural e faz parte do amor. O ciúmes nasce ali onde o fantasma da rejeição faz sombra. O ciúmes é um sentimento dos infernos que acaba por devorar a mão daquele que o alimenta transformando miragem em certeza, ervilha em montanha, formiga em elefante.

Andréa Beheregaray.

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