sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Jota Quest -- Só Hoje - Clipe Oficial

Cafe com psicologia.








"O sujeito perverso não consegue reconhecer o belo, o raro, e o sincero. Duvida de tudo, das intenções de todos, projeta no mundo sua forma interesseira de se relacionar, perverte o amor por que é incapaz de sentí-lo. Do amor só ouviu falar, tem vaga ideia. Falta-lhe, o essencial, o que nasce no vínculo primeiro, do olhar da mãe e na confiança de seu amor. Quando a falha se instalou ai o mundo se torna um lugar sombrio e perigoso pois o sentimento de confiança básica não se instalou, passamos então a duvidar do amor de todos, afinal não sentimos confiança no amor básico e primeiro. O sujeito perverso perverte o amor pois se sabe incapaz de vivê-lo".
                                                                                                             


                                                                                                               Andréa Beheregaray.

sábado, 16 de fevereiro de 2013





Ando muito delicada, acho que não sei mais lidar com as pessoas. Acho que perdi o jeito e meus escudos também, tudo que toca, toca muito. Ai me fecho, recuo, me transformo em silêncio . Por que ando em carne viva, sabe? Descobri que sou muito sensível.

Andréa Beheregaray
In Cartas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Quarto de hotel.





Não conseguia dimensionar aquela experiência. Só sabia, que não sabia dizer. Depois do beijo, depois de tudo, atônita, Sofia se recolheu. Naquela noite não conseguiu pronunciar uma única frase a respeito. Seu cérebro não respondia, o corpo estava inerte. Era assim que costumava reagir as grandes experiências, que ela só sabia serem grandes, por intuição. E também por já conhecer a si mesma, um pouco, ao menos, e por isso sabia que quando corpo,alma e coração ficavam em silêncio era por que algo importante estava acontecendo. Sofia, sempre tão esperta, sempre como uma resposta para tudo, como sua mãe dizia, poucas vezes emudecia. E quando isso acontecia, Sofia, por intuição, sabia que aquilo que calava estava repercutindo dentro dela, percorrendo imensidão. E só depois, como uma pequena pedra lançada n`agua, pequenas ondas formadas, suave e larga expansão, ela então, como a pedra acomodada no fundo, saberia.



Naquela noite, no hotel, ela logo dormiu. Incapaz de pensar sobre. Se sabia em processo de digestão. No meio da madrugada perdeu o sono, na cama acompanhando o contorno dos desenhos daquele papel de parede, Sofia era incapaz de formular uma frase se quer, sobre o acontecido. Perder o sono era um sinal de alerta. Sabia. Levantou e foi até o banheiro. Fazia tudo de forma automática. Era assim que reagia sua alma em choque. Olhou no espelho sua cara de soo e susto, cabelos emaranhados, blusa amassada. Não viu no reflexo nenhum vestígios das grandes transformações que se operavam em seu interior. Nenhum sinal escapando pelo seu olhar. Pensou, diante do espelho, que ela, sempre tão cheia de respostas, não sabia naquele instante, nem mesmo quais eram as perguntas. Até aquele momento, previra, agora sabia que estava de mãos vazias. Caminhando às cegas, sem direção.



Lembrou do beijo e de seu sorriso. Sorriu. Não gostava de ir assim, na direção do desconhecido. Desconhecido e grandioso, lembrava-lhe abismo. Como caminhar próxima a um abismo, na escuridão. Mas Sofia não tinha mais escolha. O processo havia se inciado, já não era possível recuar.



Sofia, que sempre tinha respostas para tudo, ficou sem ter o que dizer, sem saber o que pensar.Perdeu o sono, perdeu a língua e o rumo também. Adormeceu aos poucos, no silêncio cinza do quarto. A chuva embalando seus sonhos, seus medos. Sofia voltou a dormir. 




Romã.
A história de uma mulher que não sabia amar.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre o que somos.




  
"Na ponta da chama, o grito sai direto e cria suas palavras, que, por sua vez, o repercutem. Estou falando daquilo que todos nós, artistas, incertos de sê-lo, mas seguros de não ser outra coisa, esperamos, dia após dia, para, finalmente consentir em viver."
                                                                                                  Albert Camus in O Avesso e o Direito.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Enfrentamentos.





 

Sempre chega a hora de enfrentar o dragão, o dragão da dor, da perda, da solidão. A dor como experiência necessária e fundamental. A dor vivida até o último instante do seu esgotamento à transformação genuína. Da morte na dor ao renascimento de uma vida plena. Não fuja da dor, eu vos convoco a atravessá-la de olhos abertos e coração nas mãos. É da dor vivida até o fim que vemos nascer em nós uma força inabalável. Eis o segredo dos fortes, o enfrentamento do sofrimento sem artimanhas, subterfúgios ou escapatórias. É preciso aprender a encontrar a luz nas noites escuras. O encontro com uma certa paz passa pela certeza de que somos capazes de enfrentar as tormentas que a vida nos apresenta.   

Andréa Beheregaray.