quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dezembro.






Todas as pendências agitam-se em dezembro. Todas as angustias, culpas, contas, amores mal resolvidos, conflitos de família, desejos de mudança. Todas as promessas que não foram cumpridas acordam ruidosas e ressentidas. Tudo aquilo que se deixou para trás por incapacidade, negligência ou medo perturbam o sono, não lhe deixando escapar. Todos os seus sonhos e desejos, os mais simples e os mais radicais, vem sacudir seus sonhos e atormentar seu sorriso. Seus planos, metas e programações atravessam a rua, trocam de calçada, espiam debochadas da esquina sua fantasia infantil de querer controlar o tempo e apreender a própria vida. Em dezembro as decisões pautadas pela sua razão rigorosa, estão secas e mortas, sedentas da coragem que você não teve, das emoções insensatas que você calou. Em dezembro quando as contas do correio chegam duplicadas você estende os olhos sobre os meses e conta nos dedos os dias em que foi feliz. Em dezembro então você nota que o sentido escorreu pelo ralo, que se a conta por sorte está cheia, seu coração parece bater vazio. Dezembro é um mês que não pode ser quitado a prazo, que todos correm como se o fim do ano fosse o fim do mundo. Dezembro agita as saudades, acorda os conflitos, acende a luz das nossas verdades escondidas. Dezembro é um mês que não nos deixa escapar, não nos deixa enganar sobre a vida e o fato que não temos tempo, que a hora é agora e que a felicidade não pode ser vivida no ano que vem. Felicidade não faz rima com o amanhã. Felicidade não pode ser adiada. Ano que vem é hoje.

E você, fez seu ano valer a pena ou dezembro lhe dói?

Andréa Beheregaray.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Gente protocolar.



"Educação é diferente de protocolo. Não gosto de gente protocolar. Soam falsos, rígidos, parecem cumprir uma cena com atos e falas determinados sem fluidez nenhuma. Tentam parecer educados e gentis mas não o são, são apenas vaidosos. Gente educada é diferente é gentil, fluida, natural, te deixa à vontade, não está preocupada com bons modos, mas com o prazer da convivência. Protocolo e formalidades me asfixiam, pessoas e espaços assim não me interessam."

Andréa Beheregaray.

Frida Kahlo.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por que Te Amo.

Surpresa boa ouvir essa canção! Presente do músico Ricardo Gama do grupo Sambô que fez música da minha poesia . Sabes que adorei, obrigada! 

Por que Te Amo.

E quando fui pranto, tu foste meu alívio. 
E foste tu a segurar minha mão
quando meu coração era feito de dor.
Foste a certeza quando eu não tinha nada,
o meu abrigo nas noites de escuridão.

Te fez estrada quando perdi o rumo,
Foste o porto quando eu já não podia mais.
No teu amor é que encontro pouso
No teu abraço reencontrei a paz.

Andréa Beheregaray.


Palavras.






O que escrevo, o que diz de mim? O que conta do que sou, do que sinto? Resumo, pista, confissão? O que escrevo me reduz ou conduz a imaginação? Eu sou minha palavra ou elas me são? Escudo, ponte, brincadeira, janela, carícia, açoite ou ventania? O que seu olho pode ver? E seu coração, o que diz? 

A tradução que você faz, não diz de mim, diz de você. Se para você eu sou apenas palavras, filograma de um mundo tão particular assim, tão resumido é porque, por distração, desinteresse ou incapacidade tuas mãos tocaram apenas a superfície desse universo tão vasto e profundo que é ser uma pessoa. Não me resuma apenas por não ser capaz de me compreender. O que sou não cabe aqui e nunca caberá. Eu sou uma pessoa. 

Eu sou uma pessoa.

Andréa Beheregaray.

domingo, 10 de novembro de 2013

Luxúria.







O sujeito não valia praticamente nada, descaradamente canalha, praticamente um psicopata, mas era tão bom, tão bom no que fazia que elas o amavam. Sofriam mas amavam. Seu prato predileto? Mocinhas românticas. Devorava-as, depois cuspia os restos. e elas? Pasmem, nunca mais o esqueciam. Ele despedaçava almas porque a sua era destroçada. Vingava-se do amor, ferindo.

Andréa Beheregaray.
A história do homem que não amei In Luxúria.

Mais além.






Quem vai me amar agora além de você? Quem vai me amar embaixo das águas? Amar como quem navega em mistérios? Quem vai agora acender a lua? Quem mais vai transformar geleiras em sol? Quem? Em que corpo poderei encontrar tesouros escondidos? Em que prazer vou nascer o meu? Quem vai me levar no fundo, mais fundo de mim? E meu ar, quem há de roubar? E a fome que morre na boca, quem vai devolver? Devorar-me de amor, descobrir outras formas, estender os limites, quem vai me levar agora além de você?



Andréa Beheregaray

sábado, 9 de novembro de 2013

Quem além de você?



Quem, Além de Você?

Leoni

Foi só um sorriso e foi por amor
Nenhuma ironia, não foi por mal
Foi quase uma senha pra te tocar
Nem foi um sorriso, foi um sinal
Por trás das palavras, da raiva de tudo
Sorri pra tentar chegar em você
Foi como fugir pra nos proteger
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Porque
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Ninguém tem razão, tenta me entender
E a gente é maior que qualquer razão
Foi só um sorriso e foi por amor
Te juro do fundo do coração
Foi como tentar parar esse trem
Com flores no trilho e acenar pra você
Parece absurdo, eu sei, mas tentei
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Deixa isso passar, e quando passar
Vou estar aqui te esperando
Pra te receber
E sorrir feliz dessa vez
Que esse amor é tanto
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ele(a) não está tão afim de você, como saber?.



Da série, Ele não está tão afim de você: simples e básico, relacionamento seja de que tipo for, funciona como uma dança, dança do (des)interesse e da (des)atenção. Você pode contá-la em passos dois pra cá, dois pra lá, avança, recua, rodopia mas existe um ritmo, um vai e vem, aquilo que chamamos de via de mão dupla. Conheço um monte de gente que acha que tem um relacionamento (já fiz isso também, quem nunca?), mas quando olhamos bem não passa de fantasia, e as mulheres geralmente são as maiores vítimas de si mesmas pois adoram fantasiar. No amor 2+2 não são 4, mas um pouquinho de pé no chão e praticidade é preciso para não cairmos no erro de que 20 + 1 significa um relacionamento.  

Calcule: aparecer e sumir não é ritmo, é ruptura, sinal claro de não envolvimento. Na dança do interesse e da procura não se engane quem quer vem quem não quer arruma uma desculpa.

Vocês ficam juntos há algum tempo e se veem com frequência mas se você não procura o outro procura você ou desaparece sem dar sinal de vida até o seu próximo contato? Se só vem quando você procura não é dança de intenção, é comodismo, manutenção de 'disponibilidades', sexo fácil.

Vocês acha que não é apenas sexo, será? Vocês saem juntos? Pense, seus convites são incluem lugares públicos e privados, os do outro(a) são sempre para ir em lugares privados? Repense os passinhos. 

Vocês sempre conversam você me dirá, se falam com tanta tanta frequência, tem certeza? Vamos lá, olhe seu whatsApp, seu face, suas mensagens e seu viber. Você escreve textos e mais textos no suposto bate-papo e ele(a) só responde com 'carinhas', risadinhas e meias palavras? Só se da ao trabalho de escrever mais de duas linhas quando quer lhe ver, e isso antes de lhe ver, depois ele volta para o básico e monossilábico estilo?

Os horários em que ele procura você são sempre os mais tardes e fim de festa? Ou ele chama você para participar da festa?E por ai vai...

São tantos e tão variados os sinais que podem nos poupar de investir energia em que não está afim, basta estar atenta e sensível e não se deixar cegar pela carência de nossas fantasias românticas, para que você não fantasie que tem uma relação com quem você não tem. Ficar entre adultos pode ser uma aventura honesta, lúdica e um ótimo exercício de liberdade, mas se você quiser mais que isso não disfarce intenções e se o outro disfarçar pule fora porque quem gosta vem, quem curte procura, quem está afim te chama, o contrário disso é coisa de adolescente, gente problemática que fica adiando desejo por medo de se envolver. Deixe os adolescentes para os adolescentes. Porque quando encontramos alguém realmente bacana a dança rola naturalmente afinal os adultos já descobriram que não tem tempo à perder ;)


Andréa Beheregaray.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Amor.




Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar
Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer que eu não posso chorar
Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar
Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Plena!




Há quanto tempo eu não sentia isso? Essa essa energia que transborda, essa sensação de completude, paz e alegria, essa plenitude? Há muito tempo...Tem algo dos dias de sol da infância e aquele cheiro de noite repleta de estrelas que cobria meus passos de criança livre, solta, correndo a brincar.

Não é contínuo, tampouco permanente, mas é pleno e me acompanha. Uma alegria muito batalhada resultado de muita luta e dor. Muita dor! Após um longo período de trevas, despedaçamento e transformação meus olhos encontram certezas e desvendam alguns mistérios.

Acho que é isso que chamam de felicidade, plenitude é a palavra. Felicidade Fênix. Retorno aos tempos de infância sendo exatamente o que gostaria de ser: livre sob um céu de estrelas cintilantes, cercada de amor!

Eu sou muito grata à vida e aos amores que ela me deu

Andréa Beheregaray.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Porque Te Amo.


 E quando fui pranto, tu foste meu alívio.
E foste tu a segurar minha mão
quando meu coração era feito de dor.
Foste a certeza quando eu não tinha nada, ...
o meu abrigo nas noites de escuridão.

Te fez estrada quando perdi o rumo,
Foste o porto quando eu já não podia mais.
No teu amor é que encontro pouso
No teu abraço reencontrei a paz.

Andréa Beheregaray.

https://www.facebook.com/EscritosMalditos
 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Perdão.

 
 
 
Não perdoar a si mesmo é o mais devastador de todos os sentimentos.

Andréa Beheregaray.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aquela mulher.


 Amava como vivia. E vivia com delicadeza a maior parte dos dias, interrompidos de tempo em tempo por explosões intermitentes e súbitas de raiva, ciúmes e paixão. Seus emoções desdiziam seus atos e corrompiam sua lógica. Seu pensamento era claro e refinado, mas suas emoções eram densas, turbulentas e selvagens. Amava como vivia, na mais sagrada contradição.


Andréa Beheregaray.

https://www.facebook.com/EscritosMalditos

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Ares.



Sempre que olhava para ele me ocorria a ideia de reencarnação. Sua postura soberana e viril lembrava a de um Faraó egípcio, de um cavalo negro indomável. A própria imagem da energia mercurial fulminante e repentina. Imagem da potência, erótica e arrebatadora. A simples lembrança daquele homem, do seu olhar, atravessava meu coração como uma flecha, certeira e fatal.


Andréa Beheregaray
     

sábado, 24 de agosto de 2013

Sobre a luz da escuridão.




Sobre a luz da escuridão

Teus dentes rangem
Teu desespero arde
Tenho sede
Teu grito agudo,
dilacerado
Corre alto 
no meu sangue

Curva tua agonia
no meu corpo ventre
Sou pouso
da tua pele em carne viva
Travessia da noite
em tempestade
Lasciva, 
me alimento
dos teus desejos 
afiados


Minha mente
aquieta teus fantasmas
cavalgo teus medos
e meus gemidos
silenciam teus demônios
Tua alma antiga
Teu sexo sujo
E teu prazer soberano
secam o gozo
das minhas verdades frias

Te acolho em pleno voo
Te toco em chamas
Na escuridão dos teus dias
Veloz a tua raiva em desatino
rasga outra vez tuas defesas
te acompanho em solidez
e fortaleza


Corre teu veneno 
primitivo em minhas veias
Instintos famintos
A inflamar a boca
derreto tua ira
Sossego teu pranto
te acolho em minha calma.
Te sou
Não temo a escuridão
da tua alma.

Andréa Beheregaray




  
   

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Palavras.


 
 
 
 
 
 
 
 
Eu habito palavras.
E elas queimam.
Eu habito palavras incendiadas.
Palavras secas, palavras mortas.
E elas ecoam
Durante a noite...
Feito o uivo dos cães (...).

Andréa Beheregaray.
Poema incompleto
In O livro dentro do livro.
Ver mais

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Escuto Histórias de Amor.




Faz tempo quero colocar este projeto em prática, um grupo (gratuito) sobre o AMOR. A idéia é que ele aconteça de 15 em 15 dias aqui em Porto Alegre, com mulheres de todas as idades que queiram compartilhar suas experiências amorosas e refletir sobre. Quem se anima? Mais informações Inbox :)




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Quando casar sara.

 
 
 
 
Eu fui uma menina muito bagunceira, tinhosa mesmo, aprontava muito, me divertia muito também. Da minha infância trago as marcas nos joelhos, memórias de muitas aventuras, amizades que me acompanham, algumas vítimas de mordidas, escaladas em janelas, fugas de vizinhos e muita alegria. Me diverti muito na infância, é de lá que vem esse gosto pela liberdade e essa capacidade de não me preocupar muito com o que os outros vão pensar. Porque já naquela época, por aprontar tanto eu já era assunto da vizinhança. Resumindo, eu fui uma criança arteira, arteira e feliz. E o que é uma criança arteira se não uma pequena especialista na arte de ser feliz? Foi o que aprendi de melhor nos meus primeiros anos de vida.
 
Minha mãe teve trabalho, verdade, mas eu também sofri na pele as consequências das minhas estripulias, trago no corpo as marcas das minhas aventuras. Especialmente nos joelhos carregos as cicatrizes como prova de que fui feliz, mas não sem dor.
 
Hoje eu sei, depois de tanto tempo, que não há felicidade sem dor, aventura sem risco, sorriso sem lágrimas, mas naquela época eu não sabia. Quando eu me machucava e ia chorar para minha mãe ela me atendia e às vezes colocava Metiolate - aquela coisa horrorosa, pânico de qualquer criança. Parênteses,  quem inventou o Metiolate deve ter sido algum farmacêutico ressentido por ter sido proibido de brincar na infância. Com o Metiolate aprendi que tem dores que é melhor calar, porque dependendo para quem falamos, vai doer dobrado. E no final de tudo isso minha mãe dizia uma frase que me intrigava: quando casar sara.
 
Do alto da minha pequenez eu ficava espantadíssima com mil perguntas rodando na minha cabecinha - E se eu não casar? Vai parar de doer só quando eu casar? E se demorar pra casar vou ficar doendo um tempão? Porque o casamento cura dores? Não pode ser noivado, namoro, namorico? E se o Chiquinho não me quiser? E se eu não quiser o Chiquinho? E se eu levasse a sério meu plano de virar freira, como ficaria minha dor? Teria que doer até o fim, até meu último dia?    
 
Eu não entendia aquilo, mas ela repetia tão convicta e serena que mal percebia minha perplexidade e indignação com o que eu considerava uma tremenda injustiça, ter que esperar tanto tempo para conseguir me livrar da minha dor! 
 
Carreguei comigo essa frase, das dores que levam tempo para curar. É dessa ideia que tiro meus ensinamentos. É verdade que quase tudo passa, mas nem tudo passa rápido como gostaríamos. Tem dores que vão doer pra sempre, como a perda de um filho por exemplo; já outras são dores agudas e inflamadas, doem intensamente mas um dia sem percebermos passa, como a perda de um amor; outras ainda doem quase nada, são aquelas que a gente chora de susto e depois sorri aliviada quando percebe que foi melhor assim. Há dores que curam sozinhas, já outras precisam do cuidado de alguém. Na vida tem coisas que vão doer sempre que lembramos delas e outras que só vão parar de doer quando finalmente tivermos a coragem de encara-las e as tirarmos definitivamente do fundo do baú de nossas memórias. Tem dor que exige tempo, muito tempo,  o luto, a lágrima, o grito para curar, algumas no entanto requerem silêncio. 
 
Pra mim é isso que a frase conta através da imagem da "cura pelo casamento", - não esse casamento formal, dado, estipulado, estrangulado, mas esse novo casamento que vemos despontar por ai, o casamento por amor, negociado, criativo, como projeto em comum, de livre desejo. Esse casamento que representa o AMOR,  que cura e fortalece, que abastece, que é encontro, pouso, alívio e acolhida, que é escolha, escolta, suporte. Porque é através do amor, e apenas através dele, que nossas dores podem ser amenizadas, curadas, elaboradas, apaziguadas. Porque o amor é balsamo, sentido. É só o amor que faz a vida, a luta as dores valerem a pena. Porque na vida a dor é inevitável, mas aquele que vive sem amor, sofre dobrado. 
 
 
 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Música & Poesia!

Ano passado Rodrigo Munari da dupla Enzo e Rodrigo, me convidou para fazer uma canção. E eu que não sei fazer música, tampouco sertaneja, topei o desafio, eis aqui o resultado...

"Já é hora de te esquecer", linda e triste!

Vai aqui uma versão no iphone! Que tal?!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre a força da fragilidade.


 
 
 

Um erro comum ao lidarmos com pessoas que consideramos 'fortes' é achar que porque são fortes dispensam determinados cuidados. Confundem força com falta de sensibilidade, capacidade de suportar com rudeza, resiliência com ausência de sofrimento.

Por que afinal acreditamos que pessoas 'fortes' aguentam, se recuperam mais rápido, se viram, seguem em frente, superam, dão a volta por cima. Para os fortes nos autorizamos a dizer as coisas 'sem rod...eios', 'sem meias-palavras', sem tato ou delicadeza. Para os fortes nos permitimos deixá-los para trás quando precisam de apoio, a soltarmos sua mão quando precisam de ajuda, a não poupá-las dos pesos e cargas da vida, porque afinal possuem ombros fortes.

É verdade que os 'fortes' suportam grandes pesos, é verdade também que os fortes dão a volta por cima e seguem em frente apesar de suas dores, suas marcas e suas feridas. Isso não significa que não sofram, que não precisem de ajuda, de amparo, de amor. A gente segue, a gente avança, aos trancos, aos prantos, despedaçados mas a gente continua a caminhar. O preço é tão alto quanto os daqueles que param no caminho.

Lidar assim com gente que consideramos 'fortes' nada mais é do que uma forma de nos desresponsabilizarmos com essas pessoas. De não assumirmos a parte que nos cabe na relação, de nos livramos rapidamente dos pesos lançando nos braços alheios. Cabe aos 'fortes' não permitirem isso.

Erro comum na educação das crianças essa dicotomia entre força/fragilidade. Poupamos os frágeis e sacrificamos os fortes, com isso reforçamos muitas vezes a mensagem de que pessoas mais frágeis são incapazes e as impedimos de tentar, já nos fortes reforçamos a ideia de solidão e desamparo, e os fortes desaprendem a pedir ajuda quando precisam.

E disso nasce um perigoso ciclo de crenças reforçadas e imagens cristalizadas. Os fortes, cada vez mais solitários e independentes aprendem a não contar com ninguém, se fecham, vendem uma ideia falsa de que força tem a ver com isso, confundem força com rigidez e o erro mais grave, confundem demonstração de sentimentos com fragilidade!

Não existe nada mais corajoso, nenhuma demonstração maior de força e grandeza do que a de alguém forte, que tem a coragem de demonstrar sua fragilidade. Não existe nada mais bonito também.

Isso sim é força, a coragem de baixar os escudos, se desfazer da armadura, de deixar falar as emoções, assumindo o risco da entrega. Força é ter a humildade de pedir ajuda porque só quem sabe pedir ajuda tem condições de ajudar com o coração. Força é seguir em frente carregando marcas e sonhos desfeitos e mesmo assim continuar. Força é antes de mais nada manter a sensibilidade diante da brutalidade da vida!

Porque ninguém é tão frágil que não posso se suportar suas dores e ninguém é tão forte que não precise de amor.


Andréa Beheregaray.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Eros e Psiquê.

 
 
 
 
 
 
"O amor é a paixão fraturada que sobreviveu a morte de uma ilusão".

Andréa Beheregaray.
 
Da série Eros e Psiquê IV estágio do amor.

Motivos.

 
 
 
 
As pessoas ficam juntas...Em nome da solidão, em nome da carência, do desespero, do medo da morte, do medo da vida, em nome de dinheiro, de interesses, de status social, em nome de comodidade, de vaidade, da loucura, em busca de cura, em nome da família, do medo de não ter filhos, por causa de uma certa idade ou da angustia existencial. Pouco gente se relaciona de verdade em nome do amor.

E você, quer se relacionar em nome do quê?

Andréa Beheregaray.

Insônia.

 
 
 
Insônia daquelas bem largas que deixa o tempo suspenso e faz viajar sem sair do lugar.
Insônia daquelas brabas que vem levantando poeira, sacode, revira, na beira e deixa de fora as arestas, que puxa e amassa os lençóis da memória, histórias. ]
Insônia desperta e não presta, que vem bagunçando lembranças de tudo aquilo o que somos nós...
Nós, são laços insones, insanos, em chamas, recuerdos, são fendas, são frestas,
incertas, certezas do que já nem sei.
Insônia, insônia é o nome, teu nome meu amor e eu bem sei.

Andréa Beheregaray.
 
 
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cores do mundo.




Aos olhos de um apaixonado

Toda esquina é Paris,
Toda janela um quadro,
Qualquer traço, Picasso
Um sorriso Mona lisa

Aos olhos de um apaixonado

Passarinho é Quintana,
Cama, paraíso
Qualquer adeus fim de mundo
Toda canção confissão

Aos olhos de um apaixonado

Todo sussurro, uma prece
Sessão da tarde, Felinni
Um rodopio, Fred Astaire
Telefone é evento e todo dia, feriado

Aos olhos de um apaixonado.

Andréa Beheregaray

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre Relacionamentos.




As pessoas são confusas e tem lá suas feridas e isso precisa ser entendido. Essa ideia de gente super bem resolvida, feliz e pronta para enfrentar tudo em nome do amor é uma falácia dos tempos modernos. Todos nós temos medos, medos e marcas, herdeiros dos complexos dos nossos pais, donos dos nossos. E com isso, e apesar disso, todos os dias buscamos a melhor forma de seguir em frente, às vezes meio aos trancos e barrancos, outras vezes meio às cegas, mas tentamos do melhor jeito que sabemos.  

As pessoas são complexas e por isso os relacionamentos não são fáceis. Na verdade 'relacionar-se' é uma das tarefas mais difíceis que enfrentamos. Um emaranhado de desejos, expectativas, carências, anseios e frustrações. Pegue tudo isso e misture com amor, com o amor e todas as suas contradições, e perceba então que enorme tarefa essa, a de se relacionar.

Para quem me lê agora e acha que exagero, que relacionar-se é algo simples, bom, espere mais alguns anos e alguns relacionamentos longos e então volte e me diga. Claro que com o tempo e a experiência, quando assumimos a responsabilidade da nossa história e realmente buscamos nos conhecer as coisas podem ficar mais fáceis, ou não.

Eu sei que amar demais deveria bastar para uma história de amor dar certo, mas não basta, infelizmente. Aceitar a complexidade do que significa 'relacionar-se' talvez seja a única chance de construirmos um relacionamento de amor honesto, real e verdadeiro.   

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe.









Vietnã

Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.

Wislawa Szymborska

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Carne.











Cortei a carne e arranquei o coração
com as mãos, deixei ali batendo
para que pulsasse até morrer
diante dos meus olhos.

Superei o ímpeto e o desespero
de vê-lo aos poucos sangrar até
finalmente parar.

E então da dor profunda
eu me transformei no que sou hoje.
No que tinha que ser.
Essa mulher que pulsa
e busca um novo jeito de ser
amor.

Andréa Beheregaray.

domingo, 28 de abril de 2013

Tempo...



 Não vamos apressar o tempo, deixa ele resolver.
Não tenha medo do tempo, ele não apaga o que tiver que ser.
O tempo cura e esclarece, o tempo nos faz entender.
O tempo é senhor das verdades, e de tudo o que deseja com intensidade. Não tenha medo do silêncio que mora no tempo, ele não atenua o sons do que se viveu. Confia. O tempo é aliado dos amores verdadeiros.

Andréa Beheregaray.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Fidelidade X lealdade.








Fidelidade X lealdade.

Lealdade, pra mim, é bem mais valioso do que fidelidade.
Existe muita gente fiel que não é leal e muita gente leal que não é fiel. Lealdade nasce da alma, do amor profundo; fidelidade nasce, muitas vezes de padrões sociais, de modelos inquestionáveis, do medo da perda, da posse, da insegurança. Lealdade não acaba nunca, já a fidelidade tem prazo de validade. Tem gente que é fiel só para colocar o outro na mesma posição/obrigação, barganha de exclusividade, abrem mão do seu desejo na tentativa de obrigar o outro a não viver o seu. Muita gente opta pela fidelidade por que se não o outro “também vai fazer”. Em casos assim a fidelidade é prazer perverso do tipo “se eu não posso brincar, você também não pode.” 


Casais fiéis não são necessariamente leais um ao outro, podem ser fiéis enquanto a relação durar sem que isso venha de dentro ou perdure na separação. Já casais leais, mesmo separados, seguem em nome da lealdade honrando e respeitando a história de amor que compartilharam. Muitas vezes a lealdade leva a uma fidelidade “natural”,a fidelidade do corpo, que acontece quando o nosso desejo é capturado pela admiração que o outro provoca, outras vezes não, e o desejo continua parcialmente solto e precisamos decidir o que vamos fazer com isso. 


A fidelidade dos corpos não tem nada a ver com a fidelidade da alma. Se eu tivesse que escolher entre um parceiro leal e um parceiro fiel, sem dúvida nenhuma escolheria um parceiro leal. Lealdade é algo raro como diamante em tempos de laços tão rasos e frágeis. Lealdade é certamente amor para uma vida inteira.

Andréa Beheregaray

quinta-feira, 25 de abril de 2013

De onde estiver Freud revira-se de rir! ;)


 Imagens obtidas pelo robô Curiosity, enviado a Marte pela Nasa, a agência espacial norte-americana, deixou os responsáveis pela missão um tanto envergonhados. A trilha feita pelo veículo - segundo os cientistas, de forma acidental - formou o desenho de um pênis na superfície do planeta vermelho.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fiscais do amor.



Sobre o ciúmes.

Todo ciumento é surdo, cego, paranóico, um tanto psicótico e um consumista de mão cheia. Quem mais, além do ciúmes, encontra cabelo em ovo, transforma formiga em elefante e pingo d’água em tempestade? Quem além do ciúmes carrega essa vontade de possuir, de querer ter sempre mais o que nunca será seu, a liberdade e o livre arbítrio do outro? Quem além dele torna tudo na sua volta uma ameaça em potencial, nos coloca os óculos da desconfiança e distorce a vida? O ciúmes cega e deixa surdo os ouvidos que ficam impedidos de perceber uma grande verdade sobre os relacionamentos, a vida e o amor: as pessoas estão ao nosso lado por escolha e nada poderá lhes impedir de partir se assim o quiserem. Assim como nenhuma fiscalização irá impedir o outro de nos deixar ou trair. Elas o farão, caso escolham, queiramos ou não. O ciúmes, junto com o orgulho e a vaidade são venenos para o amor. Engana-se quem acredita que o ciúmes é natural e faz parte do amor. O ciúmes nasce ali onde o fantasma da rejeição faz sombra. O ciúmes é um sentimento dos infernos que acaba por devorar a mão daquele que o alimenta transformando miragem em certeza, ervilha em montanha, formiga em elefante.

Andréa Beheregaray.