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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quase um conto erótico - A casamenteira.




 
A encalhada virou tia casamenteira de todos aqueles que não conseguiam casar. Gente que muito queria mas de jeito nenhum conseguia. Gente que passou da hora.

Casou seu Antônio, velho esquisito, com dona Ofélia, proprietária de um enorme bigode. Casou Pedro, conhecido sovina, com Fabíola mulher que todos sabiam, não gostava muito de banho.

Casou, casou e foi ficando sozinha. Casou, casou até não sobrar mais ninguém. Casou, casou na ânsia de que fazendo o bem e ajeitando amores Santo Antônio se compadecesse e lhe desse um alguém. Santo Antônio não se compadeceu.

Depois de casar todo mundo, virar madrinha de honra em mais de 50 casamentos, pegar uns 30 buquês, um dia a tia casamenteira percebeu que na cidade só sobrará ela. A única solteira da cidade "Aguas Mornas", agora oficialmente encalhada, virou motivo de dó. 

Um dia fez as malas e disse que voltava logo, ia dar "um giro" na cidade grande. Logo se foi e todos compadecidos comentavam - quem sabe os ares da cidade grande lhe fizessem bem? Quem sabe arranjava um marido por lá?

Ela então, logo voltou com mais malas do que foi e um sorriso feliz estampado no rosto. Desde este dia abria a janela todas as manhãs com um olhar largo e um sorriso de felicidade. E a vida seguiu seus dias e os dias seguiram a vida e ninguém mais notou que a tia casamenteira não tinha com quem casar.

Um dia não mais abriu a janela, notaram apenas 4 dias depois. Bateram na porta e nada. Gritaram na janela e nada. Arrombaram a tranca da porta atrás de vida e nada.

Acudiu a cidade inteira, a tia casamenteira estava morta e todo mundo queria ver. Cada um entrava saia de lá mudo de espanto e nada podia dizer.

A tia foi encontrada nua, entrelaçada num moço feito de plástico, de pinto sempre bem duro, era bonito o tal bem dotado. Ao lado da cama no porta-retrato o casal sorria abraçado. Comentavam à boca pequena que estava de olhos fechados e sorria com o mesmo sorriso que usava todas as manhãs.  

Agora o povo entendia o que naquela viagem a tia tinha ido fazer. Do mais das malas que trouxe a tia, para sempre encalhada, foi buscar na cidade grande o seu amante inflável. 

Foi enterrada assim, do jeito em que ficou, abraçada a seu amante. Ela sorrindo, ele de pinto duro, os dois ali naquele caixão. O povo todo fez fila, por devoção e gradecimento a tia casamenteira encalhada mas feliz, agora todos sabiam.

A encalhada virou santa junto com seu amante inflável, o túmulo lugar de peregrinação. Santa dos amores impossíveis, Santa de quem quase desistiu, Santa do pau duro eterno, Santa da esperança de viver um grande amor seja ele de que tipo for. 

Amem. Amém. 



Andréa Beheregaray




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