sábado, 29 de dezembro de 2012

O que a vida ensina - 2013!




Haja o que houver, não desista, acredite nos seus sonhos, acredite em você, abandone fantasias infantis de perfeição, encare seus erros como experiências, suas derrotas como degraus, os "nãos" que a vida te apresentar como certezas para os "sins" que ela nos oferece. 

Não se vitimize, frenquentemente pessoas que escolhem o papel de vítimas estão tentando camuflar sua covardia e seus medos. Não confunda pena com amor, adeus com rejeição, conhecidos com amigos verdadeiros, carência com relacionamento, solidão com desespero.

Aprenda a ser só, a encontrar beleza e paz na sua presença, seja seu melhor amigo. Não se contente com pouco, mas também não se perca desejando demais. A ambição cega, desvia o olho daquilo que realmente importa e o que realmente importa, você descobrirá nos momentos de dificuldade, é o amor. O amor genuíno e desinteressado de quem está ao seu lado nos momentos bons e nos momentos ruins, de quem não tem nada a ganhar que não seja o amor.

Tudo o que realmente importa você encontrará dentro de você. As armas mais poderosas, no enfrentamento das grandes tormentas da vida, são invisíveis aos olhos: esperança, fé, amor e vontade. São estes os sentimentos que nos guiam nas noites de escuridão. 

Mantenha o foco, se esforce para encontrar o equilíbrio. Você atinge isso quando aceita que o mundo pode ser injusto, e que as pessoas nem sempre são corretas e isso também se aplica a você. Caráter é exercício, bondade também, exercite-se. Alguns erros são escolha, outros impossibilidade. Cada um tenta da melhor forma que pode e isso nem sempre será suficiente.

Por isso, quando errar, não tenha vergonha de reconhecer o erro, aprenda a pedir desculpas ao invés de querer ter razão. As pessoas que sempre querem ter razão geralmente são estúpidas, inseguras e infantis. Deixe a razão com elas, é só o que elas terão no futuro, razão e mais ninguém. 

E por fim encare a morte com serenidade, é ela que torna a vida mais valiosa e nos faz dar atenção ao que é realmente importante, nos faz deixar para trás tudo o que é fútil, vazio e inútil.   
E avança, avança na direção dos teus sonhos e daquilo que te faz feliz!

Que 2012 tenha trazido as lições necessárias para um 2013 mais consciente, pleno e mais bonito. Eu aprendi muitas lições, começo o ano em paz.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Espelhos d`água.








Eles me disseram que você era pior do que meu amor permitia enxergar, disseram que já haviam te visto fazer isso antes, que tinhas duas faces, duas vidas, talvez um só coração. Um coração apenas, mas tinham dúvidas a esse respeito, sobre você realmente possuir um coração. Que não te importavas, que realmente não te importavas e eu me questionava como pude ser tão cega, tão surda em relação ao nosso amor. Ao meu amor apenas. Que nunca amou era agora uma certeza. Olhos que desfazem nós e avançam.



In
Dqvp
Andréa Beheregaray 



sábado, 22 de dezembro de 2012

Querer





Eu realmente acho lindo essa coisa de duas pessoas não quererem nada que seja bom no mundo além de uma a outra. E eu queria você, muito. O querer mais bonito que pode existir era seu, só seu.


Caio Fernando Abreu.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sobre o poder das palavras.







 As palavras acariciam, esquentam, penetram, lambem, invadem, arrepiam, envolvem, roubam o ar. Desfazem os nós, desmontam defesas, aceleram os passos, que beijam, abraçam, palavras que escorrem. Palavras que tiram a roupa, que tocam e prendem, que queimam, que acedem desejos, vontades, que ardem. Palavras que pulsam. Palavras que roubam palavras.

 



Andréa Beheregaray.


Boudoir.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Amor, sexo luxúria e outros venenos.





 
Ando livre, leve e solta, mas bem inteirinha por dentro e hoje na mesma energia daquela agitação que de vez em quando aparece. Insana, debochada, libertina. 

Já desisti de entender de onde vem essa compreensão, essa capacidade de ver tão dentro de você. Só consigo pensar que te quero. O desejo me guia na tua direção enquanto teus olhos de predador sorriem manso na certeza do abate.

Aquela tarde, nu em pé no marco da porta, você me perguntou se eu havia sentido teu cheiro a distância. Sorri fazendo graça, intuição é coisa de fêmea no cio. Há quanto tempo não nos falávamos? Um, dois anos? Um ano e meio você respondeu. Pois é, um ano e meio de silêncio e esquecimento. Distrações, eu e você, não sentimos um a falta do outro, mas ter ficado assim, tanto tempo distante rendeu um reencontro da melhor qualidade. Desejo puro escorrendo em favos.

Possessão. Fantasias intercaladas de posse e submissão. Truques do desejo. Quero te dedicar palavras mais doces e poder acariciar os teus cabelos, mas não o farei. Tu visão distorcida me impede. Fiz isso, você nota, mas não diz. Eu sei que fiz. Fomos pegos de surpresa pelo encontro súbito e pelo desejo ávido, não tive tempo de colocar a armadura, recostado no meu corpo, pouso, pode sentir a pele macia e frágil que sempre te escondi. A pequena agitação que atravessou o quarto denunciou os riscos. Recuas e me invades outras vez com teus olhos confusos e astuciosos. Quantas vezes dancei no reflexo deste olhar? Você me olha fixamente e repete que estou linda. Não diz isso para mim, diz isso de um lugar tão profundo em ti que percebo, um pensamento que escapa em voz alta.

Era arrebatador, e sabia disso. Tinha nascido equipado com todos os instrumentos para moer corações de mocinhas ingênuas e sonhadoras. Andava no limite com seus olhos de solidão. Fio de navalha embaixo dos meus pés descalços. Gostávamos do jogo, o jogo de não fazer jogo, puro gozo. Jogadores experientes do prazer parcial, deliciosas jogatinas no ir e vir do desejo. Estrategistas natos, não tivemos outra saída a não ser o jogo aberto. Vaidoso demais para te fazer de tolo, inteligente demais para te desmentir. Mantínhamos a corda esticada sobre o abismo do prazer puro. O amor era um luxo que não nos permitiríamos. Jogar foi o jeito que encontramos de nos distrair da ensurdecedora clareza do que somos nós. Te digo convicta fazendo ecoar a frase da poeta “Não temos mais a tranquilidade da ignorância”, tivemos um dia?

Você não vale nada. Eu estou valendo um pouco mais. Em mim restam partes, partes maiores que tuas partes deterioradas. São elas que te fazem partir e não o medo, como supõe tuas tolas amantes. Não é medo, é incapacidade.

Estou perdendo o jeito, perdendo a forma, ando muito transparente. Quem ensina a disfarçar uma louca vontade? Onde se aprende?

Você me mostra a verdade sobre você pra me proteger. Você me mostra a verdade sobre você para não me perder. Teu gesto de amor. Quando me esqueço e a falta de memória desagua em entrega, você atento injeta mais uma dose do seu veneno para que eu desperte e você possa permanecer um pouco mais. Enquanto não partimos, devoramos um ao outro um pouco mais.





Do livro
Diários de uma sedutora
ou
Amor, sexo e luxúria e outros venenos.


     


Eu te amo.



















terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Uma mulher.

Depois de tanto tempo tenho sido a mulher que sempre desejei.

Eu sou,
eu quero,
eu faço,
desejo,

desfaço,
eu mudo o passo,
aperto laço,
em mil abraços,
meus desenganos,
eu mudo os planos,
eu pulo os anos,
eu sigo em frente,
eu volto atrás.

Eu recomeço,
eu me procuro,
sou desencontro,
eu seco o pranto,
curo feridas
sou despedida
eu sou adeus.

Sou tantos sonhos
eu sou beleza
tormento
paixão,
sou ira
poesia
silêncio

delicadeza.
solidez
sou fortaleza.

Sou tudo
sou nada
Eu sou uma mulher.

Uma mulher
Inacaba.

Andréa Beheregaray.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sobre o perdão.






As relações são sempre uma corda esticada entre nosso desejo e o desejo do outro. Frequentemente magoamos as pessoas que amamos sem intenção, da mesma forma somos magoados pois o amor e o encontro de expectativas, sonhos, desejos que nem sempre fecham e não é porque não fecham que deixa de ser amor. Amor sem tensão é uma ilusão, idéia nascida nos braços de Adão e Eva, fantasia de uma vida sem conflitos, portanto sem crescimentos. O amor na sua plenitude suporta tensões, embates, conflitos sem ser destruído por isso, o que não significa masoquismo, humilhar-se ou submeter-se aos desejos egoístas do outro. Amar não é completar-se ou encaixar-se como supõe o amor romântico. Amar é agregar, somar diferenças e construir um mundo particular, do casal. O perdão só não é necessário para seres perfeitos. Não somos perfeitos, temos falhas, cometemos erros, nos enganamos, ferimos sem intenção. Ninguém nasce sabendo amar, amar se aprende amando e quem está disposto a aprender assume o erro como condição da caminhada. Somente quem ama e tem consciência do seu erro é capaz de perdir perdão. Somente aquele que ama é capaz de perdoar.

                                                                                                                                   Andréa Beheregaray

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quase um conto erótico - A casamenteira.




 
A encalhada virou tia casamenteira de todos aqueles que não conseguiam casar. Gente que muito queria mas de jeito nenhum conseguia. Gente que passou da hora.

Casou seu Antônio, velho esquisito, com dona Ofélia, proprietária de um enorme bigode. Casou Pedro, conhecido sovina, com Fabíola mulher que todos sabiam, não gostava muito de banho.

Casou, casou e foi ficando sozinha. Casou, casou até não sobrar mais ninguém. Casou, casou na ânsia de que fazendo o bem e ajeitando amores Santo Antônio se compadecesse e lhe desse um alguém. Santo Antônio não se compadeceu.

Depois de casar todo mundo, virar madrinha de honra em mais de 50 casamentos, pegar uns 30 buquês, um dia a tia casamenteira percebeu que na cidade só sobrará ela. A única solteira da cidade "Aguas Mornas", agora oficialmente encalhada, virou motivo de dó. 

Um dia fez as malas e disse que voltava logo, ia dar "um giro" na cidade grande. Logo se foi e todos compadecidos comentavam - quem sabe os ares da cidade grande lhe fizessem bem? Quem sabe arranjava um marido por lá?

Ela então, logo voltou com mais malas do que foi e um sorriso feliz estampado no rosto. Desde este dia abria a janela todas as manhãs com um olhar largo e um sorriso de felicidade. E a vida seguiu seus dias e os dias seguiram a vida e ninguém mais notou que a tia casamenteira não tinha com quem casar.

Um dia não mais abriu a janela, notaram apenas 4 dias depois. Bateram na porta e nada. Gritaram na janela e nada. Arrombaram a tranca da porta atrás de vida e nada.

Acudiu a cidade inteira, a tia casamenteira estava morta e todo mundo queria ver. Cada um entrava saia de lá mudo de espanto e nada podia dizer.

A tia foi encontrada nua, entrelaçada num moço feito de plástico, de pinto sempre bem duro, era bonito o tal bem dotado. Ao lado da cama no porta-retrato o casal sorria abraçado. Comentavam à boca pequena que estava de olhos fechados e sorria com o mesmo sorriso que usava todas as manhãs.  

Agora o povo entendia o que naquela viagem a tia tinha ido fazer. Do mais das malas que trouxe a tia, para sempre encalhada, foi buscar na cidade grande o seu amante inflável. 

Foi enterrada assim, do jeito em que ficou, abraçada a seu amante. Ela sorrindo, ele de pinto duro, os dois ali naquele caixão. O povo todo fez fila, por devoção e gradecimento a tia casamenteira encalhada mas feliz, agora todos sabiam.

A encalhada virou santa junto com seu amante inflável, o túmulo lugar de peregrinação. Santa dos amores impossíveis, Santa de quem quase desistiu, Santa do pau duro eterno, Santa da esperança de viver um grande amor seja ele de que tipo for. 

Amem. Amém. 



Andréa Beheregaray