Eu e Pedro - Diários Revelados







Quando a chuva apertou lembrei de Pedro. Eu e o Pedro nos usávamos. Ele estava na fossa, na solidão, afundado como eu. Pedro é um daqueles homens que não sabe amar, apesar de parecer saber. Nos procurávamos pouco, às vezes no meio da semana ele ligava, na outra semana quem ligava era eu, ríamos, jogávamos charme,  prometíamos nos ver, mas não nos víamos. Era como se disséssemos, sem dizer, que só queríamos ter certeza que o outro estaria ali caso a solidão começasse a doer demais. Esse pequeno engano, como eu gostava de chamar nosso encontro, interrompia a sensação de desamparo que atravessava os dias. Ele estava lá para mim, mesmo que não estivesse de verdade; eu estava lá para ele, mesmo que nunca tenha estado. Devorando um ao outro, íamos disfarçando a fome.



Comentários

  1. Conheço situações como esta... por certo que traz certa calmaria, mas um sentimento utópico de se sentir-se segura! :-)

    bbju gde
    Nâna

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  2. Pequenos enganos também salvam...rsrs.

    Beijos Nâna.

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