Diários revelados.




O vento e a chuva continuam a cair sobre mim, silêncio. O vento e a chuva, já não os posso sentir. Estou afundando dentro de mim, estou diminuindo e entrando cada vez mais fundo no que sou. Não escuto mais nada que se passa fora, não sinto mais aquilo que encontra os limites do meu corpo. Água, vento, lama, larvas, folhas secas, restos mortos. Tudo passa. Tudo passa por mim e escoa em outras direções.

Posso ouvir meu coração, batida oca, pesada e lenta. Meu sangue quente circula rápido e vermelho e escorre entre meus pés atingindo meus olhos que agora também estão vermelhos. Vermelho-sangue. Respirar é o último movimento de dentro pra fora, fio de ar que me mantém conectada com o que está lá e já não posso sentir. Respiro.



Andréa Beheregaray



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