Num dia qualquer, amor sem igual.

Ela estava na porta, parada, no final da ruazinha que levava até a entrada do seu apartamento. Atenta acompanhou minha chegada. Do alto dos seus 84 anos, lúcida como pouco gente, ela é toda amor. Parada ela permaneceu fixada no meu caminhar, um olhar para além de mim, de longe pude sentir. Minha força, minha querida, passado, presente e futuro num só lugar. Nenhum sorriso e eu chegando cada vez mais perto, nenhum sorriso e ela olhava dentro de mim.

_ Oi vó, o que houve?
_ Vontade de chorar...
_Por que vó?
_Enquanto cozinhava passei o almoço pensando em ti...vontade de chorar.
_Eu sei vó...
_Eu rezo pra ti todos os dias, eu quero te ver feliz e hoje eu choro e hoje eu choro por ti minha filha.

Um abraço profundo e silencioso e a certeza de um amor que não tem fim. Que sorte a minha ter uma avó assim.          

Comentários

  1. conviver com sábias e vividas criaturas, sendo da família é mesmo sorte, alegrias e aprendizado. A longevidade é uma prova de utilidade na vida

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

É a vida!

Ser.

Amores mortos