terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Amor






Não quero o azar de um amor tranquilo.
Eu não, eu quero mais.



Diários revelados.






Fui entendendo aos poucos a semelhança entre as palavras precipício e precipitar-se. As duas contém o risco mortal da queda no vazio. O temido desconhecido, o desconhecido desejado. Impossibilitada de recuar, assustada para seguir em frente,  saltar sem garantias de encontrar o chão era minha única chance de sobrevivência. A esperança de salvação embalada nos braços da morte, eis o que se encontra no fundo azul destas palavras tão semelhantes.



Andréa Beheregaray.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Momento de pânico.



"A única coisa que devemos temer é o próprio medo."
Franklin Roosevelt.




Da série ,

Fotos especiais.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Assim começam os problemas de relacionamento...



Elas aprendem  

 uma linda menina + um lindo castelo um lindo príncipe que nunca a decepcione = felicidade
 

 

Eles aprendem

um lindo menino + um lindo carro + muitas princesas lindas = felicidade.





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Origem da família Beheregaray.


Hoje o primo Rodrigo Beheregaray inspirou-me a escrever sobre a origem da família Beheregaray. 

Beheregaray não possui um siginificado claro. De acordo com minhas pesquisas Behere significa "casa de cima"  garay " parte de baixo". Como os primeiros Beheregaray vieram dos Alpes franceses do País Basco, na minha fantasia o pessoal da casa de cima casou com o pessoal da casa de baixo dando origem ao nome. Mas provavelmente o significado encontrado pelo Rodrigo em um dicionário Basco faz mais sentido - BERE: seu/próprio; GARAI: tempo/oportunidade/alto/elevação/eminente/triunfo. Beheregaray então significaria "aquele que triunfa".

Seguindo com minhas investigações e construção da árvore genealógica dos Beheregaray no Brasil descobri que três irmãos embarcaram em um navio no país Basco e cruzaram o oceano, indo cada um para um lugar diferente. Um deles ficou na Argentina, outro no Uruguai e um deles em Uruguaiana - Brasil. Na reunião de família reunimos muito material, inclusive o cartão de embarque desta viagem. 

Quem chegou ao Brasil foi François Beheregaray, este sujeito barbudo da foto, junto com sua Catharina. De lá pra cá já nos tornamos mais de 500 pessoas. 

Não estou com os documentos em mãos agora, mas atualizarei depois com as datas corretas.

Pois hoje, o Rodrigo, nas suas consultas ao dicionário basco/espanhol. diz ter encontrado, entre tantas coisas interessantes, uma frase (máxima) que eles dizem no país basco:

"Andrea, sua ta itsasoa, guztiz da gaiztoa"

traduzindo: "a mulher, o fogo e o mar, são coisas muito perigosas"!


Andrea significa, portanto, "a mulher"!

ADOREI!!!!

Segundo ele Andrea Beheregaray significaria

"A mulher altiva" ou "A mulher que voa". 

Rodrigo, adorei, obrigada!!

O Rodrigo mantem atualizado o site do pai dele, o artista plástico Luiz Alberto Pont Beheregaray, conhecido por Berega.

"Sua temática foi recorrente às impressões da cultura de sua terra, sua região e suas impressões de sua infância em meio ao pampa gaúcho: sua gente, sua cultura e suas coisas e o inseparável cavalo. Neste quesito, rompeu fronteiras e o retratou em inúmeras raças, nos infinitos movimentos, usos, culturas e esportes."





Vale a pena conferir




Filosofia para crianças.







Quem disse que a vida é fácil?








domingo, 19 de fevereiro de 2012

Diários revelados.






Tudo desmorona e eu permaneço calma. Observo o chão ruir ao meus pés, mil pedaços. Penso em você. Essa noite sonhei que procurava o número do seu telefone e não encontrava. O encontro marcado que não poderia confirmar. Combinamos o lugar e agora não saberia dizer onde. Quando perceber minha ausência então você fará essa ligação ou voltará.
Tudo é calma, nunca me senti assim antes diante de uma tempestade iminente. Será certeza, confiança de que tudo acabará bem? Não, sei que tudo vai acabar e mesmo assim permaneço calma. Talvez por que preveja e destruição fora, dentro tem algo muito sólido, que me sustenta.
Observo, apenas observo-me. Atenção extrema as minhas emoções. A falta ou não que você faz, a minha capacidade de ser alegre na sua ausência, emoção que sinto quando olho em teus olhos. Os outros, os rostos, os jeitos, os cheiros, os tipos, todo gesto fica em evidência.
Nunca entreguei assim a vida nas mãos do destino, até por que sempre desconfiei que a crença no destino nada mais é do que passividade disfarçada, desejo de não se comprometer, de fazer escolhas. Ação ou omissão, palavra ou silêncio são formas de escolher.
Mas agora essa minha total ausência de vontade de controlar. Eu que sempre levei a vida com a mão firme, solto na corrente os processos da vida, que sejam. 
Assisto as cenas e sei que poderia reverter, conduzir, encaminhar para o resultado que quero e no entanto não o faço! Não levanto a mão para conter a pedra que rola e ameaça desmoronar toda a estrutura. Estou espantada comigo, apenas deixo o barco correr. 
Não vou interferir nos sentimentos de ninguém, sem obrigações ou insistências, eu quero o desejo puro. Sem avanços ou recuos, sem forçar ou desistir, do amor quero a dança. 
É como colocar a mesa do café enquanto, por trás dos meus ombros, orquestra-se a tempestade. É como preparar a casa e sentar para ler o jornal aguardando a destruição que se avizinha. E eu não tenho mais medo.
Trata-se do meu desejo agora. Estou profundamente ligada ao meu desejo. Uma vida inteira de controle e agora eu só quero estar mergulhada no que sou e no que sinto.
Estar perto de ti, tem me levado a estar muito próxima de mim. Se fora ameaça desabar, dentro sou solidez. Sinto a vida se expandindo e estou curiosa para ver no que vai dar.               

Nara Leão - Manha Do Carnaval

                      
           
                   


Manhã de Carnaval
Luiz Bonfa

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor

Carnaval






"O dia em que a realidade,
disfarçada de fantasia, 
cai livre na folia
é tempo de carnaval." 





Andréa Beheregaray

sábado, 18 de fevereiro de 2012













"O amor recebido superou o negado"

Anaïs Nin.


 Incesto
Diários não-expurgados de Anaïs Nin (1932-1934)



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Conversas com Caio F e a Placa da casa dele ficou pronta!!!

Esquizofrenia poética

Eu posso ficar horas dialogando com o Caio F, entre páginas inteiras e frases soltas, ele sempre tem a coisa certa para me dizer. 

As vezes rebato, outras me calo, mas ele quase sempre acerta. Ôh cara sabia das coisas. E continua sabendo, lá do lugar em que está, entre as estrelas maiores. O Caio foi, é e sempre será uma dessas pessoas raras, que já nascem sábias e por isso aparentam ter um ar pesado desde a infância. Por que saber demais pesa e o corpo infantil não sustenta. Escreveu um dia "Aquele menino trazia na testa a marca inconfundível: pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar. Essas são as escolhidas — as que vão ao fundo, ainda que fiquem por lá."Em algumas das nossas conversas ele me dá a impressão de não saber que sabe tanto. Mas é que além de enorme sabedoria o Caio nasceu transbordando de sensibilidade e por causa disso primeiro quase afogava, depois volta à tona e tirando da quase morte uma lição especial. 


Ele não gosta muito que eu diga isso, lição especial parece coisa de se aprender nos bancos da escola, o Caio não, ele aprendia a lição, esquecia, ignorava, retomava, ia em frente, cada dia ele se reinventava, ou então só dormia e escrevia e fumava e ficava aliviado quando conseguia passar algum tempo sem pensar ou sentir. Haviam outros períodos também, de pura melancolia, e em dias assim a palavra era seu único bote salva-vidas. 

Ele era lindo, mas, às vezes, não gosta muito de mim, acha que sou loira demais, arrumadinha demais, pé no chão demais. Eu tento argumentar e ele não quer nem saber, acha que devo pintar os cabelos, soltar as amarras e cair no mundo, diz que fui feita para isso. Ignora minha natureza contraditória de mãe aventureira. Responde irônico : _ e isso lá é possível??

Outro dia me disse que se eu continuar assim só vou escrever merda. Brigamos. Voltou no outro dia, pediu desculpas em um tom de voz quase imperceptível, pediu café. Seu jeito de fazer as pazes. Pousou a xícara no braço da poltrona verde, com o olhar perdido me disse que no fundo entendia meu jeito de tentar ficar numa boa com o mundo meu mundo:

_ "Nada é muito terrível. Só viver, não é? A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa." C.F

Mas bom mesmo é falar de amor com o Caio. Mostro pra ele, só pra ele, coisa que nem terapeuta viu. Todas as minhas dúvidas, meus medos, minhas inseguranças, todas as minhas feridas, minha solidão e meu desespero. Ele olha sem nojo ou medo, ele olha e com as palavras vai dando forma ao que não sei dizer. E ninguém tem a palavra mais certa.

_“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo (…) Uma cicatriz significa: Eu sobrevivi. ”

Essa manhã ele passou a mão nos meus cabelos e me puxou pra perto dele. Lhe contei as novidades, que precisava ouví-lo, que ele não se afastasse de mim agora pois eu tinha medo de acordar esperanças adormecidas. Então ele me olhou sorrindo. Não um sorriso largo, aberto e feliz, mas um sorriso suave e profundo de quem entende dessas coisas. Eu disse:  

_ Aquilo que você diz...acho tão lindo. É a definição de força e amor mais bonita que já li. Toda vez que leio eu choro. Vou chorar agora outra vez. Já estou chorando antes mesmo de te dizer " Eu enfrentaria o mundo com uma mão, se você segurasse a outra." C.F  

- A placa ficou pronta! Interrompo a melancolia com um grito.

Sei que no fundo não precisamos de uma placa para lembrar da importância de alguém, mas que esse era meu jeito simples e concreto de agradecer a presença dele na minha vida, no meu bairro, na minha cidade, na minha alma. Minha forma de dizer obrigada por ele ter tido a coragem de estar nessa vida de jeito lindo, louco, intenso, inteiro, aos pedaços...de ter feito da sua dor, poesia. Por que ele me ensina tanto, inclusive que podemos amar uma pessoa que nunca vimos, que foi de um outro tempo. 

Digo pra ele que ele não partiu, que ele permanece pois só o amor é capaz de vencer a morte, por que o amor perpetua as pessoas que partiram dentro do coração e o que vive no coração não morre jamais.

Ele sorri, diz que estou começando a entender as coisas da vida.  

_ Mocinha... "Então e assim, somos presente, passado e futuro. Tempo infinito num só, esse é o eterno." C.F

Caio Fernando Abreu

E eu amo você e esse é meu jeito de dizer obrigada.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cafezinho em dose tripla!!








Charles.




"a velha Biblioteca Pública
muito provavelmente evitou que eu me
tornasse um
suicida
um ladrão
de bancos
um
espancador
de mulheres
um carniceiro ou um
policial motorizado
e ainda que algumas dessas possibilidades
não sejam más
é
graças
à minha sorte
e a meu destino
que aquela biblioteca estava
lá quando eu era
jovem e procurava me
agarrar a
alguma coisa
quando parecia não haver quase
nada ao meu
redor"



Charles Bukowski

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Hora do cafezinho!



Sobre o amor.






O amor é uma corda esticada
entre seu desejo
e o desejo do outro.

O diálogo permanente
entre o possível e o impossível,

O encontro  
do sonho e da realidade.

O amor é limite tênue
entre a loucura e a sanidade  

É aquilo que sabemos
sem saber como dizer

A maldição que bem dizemos
A impossibilidade de escolher 

O amor é o lugar
do sim e do não

Para encontrá-lo
é preciso se perder 

O amor é o único sentimento 
que contém e suporta
todas as contradições.




Andréa Beheregaray