Sobre Deus, Jung e o Junguianos que não entenderam nada.




Nota breve: Jung é genial, genial, sou apaixonada por ele. Entrei em contato com seus estudos apenas no último ano da faculdade de Psicologia. A faculdade de psi da PUC-RS apresenta aos alunos basicamente Psicanálise do início ao fim, tendo aberto um espaço para o cognitivismo em função de um professor extremamente competente, Ricardo Wainer, e o humanismo, da mesma forma, por causa do professor Carlos Veit. De Jung tive apenas 2 semanas de aula com uma professora substituta e ponto,depois fui buscar por conta própria.  

 A lastima é que temos poucos profissionais de orientação junguiana. No RS o Instituto Junguiano fundou recentemente a primeira turma, da qual faz parte minha terapeuta a Corina Post. O Instituto do RJ é mais antigo. E os motivos pelos quais existem poucos e bons profissionais é que muitos Junguianos não entenderam a obra de JUNG! Foi isso que conclui no evento " O lado Mal dito de Jung" que aconteceu em Gramado exatamente com a intenção de esclarecer pontos confusos sobre a teoria. No entanto, para minha decepção, muitos profissionais que foram lá esclarecer só confundiram. Confundiram pois estão confusos em relação ao que Jung queria dizer realmente.

Não sou analista junguiana, minha orientação é junguiana, exatamente por que sei que não compreendo a obra dele em profundidade. Mas aquilo que sei, sei. Diferente de alguns profissionais que deveriam saber (por que escolheram estudar a teoria profundamente)  e fazem uma salada teórica, um horror.  

Além do engano básico reproduzido por leigos de que JUNG era nazista ( ouvi isso no meu mestrado de uma colega psicóloga que estudava  psicanálise e não sabia droga nenhuma de Jung e chegou lá dizendo isso - dica, não buscou a informação em fonte segura? Então, silêncio). Jung não era, claro, mas o que mais me incomoda é a mistura que fazem de Jung e práticas místicas e espirituais. Jung não era nem um nem outro, era um cientista, um pesquisador,um investigador da vida psíquica. Ele estava aberto à estudar tudo o que fosse parte da experiência humana e isso incluía os fatos religiosos. O que não significa que não tivesse suas crenças pessoais em relação a isso ( todos nós temos) mas isso não estava nos seus estudos.

Então, como ele sempre deixou claro, fatos religiosos são fenômenos psíquicos. Ele estudava a imagem de Deus, não como crente ou teólogo (quem leu suas cartas sabe que ele sempre deixou isso claro).

A imagem de Deus , não como entidade espiritual, mas como imagem psíquica que muda de acordo com o tempo e a cultura. "Os deuses são imagens da psique".


Recomendo,para quem se interessa, beber direto na fonte, as obras completas do Jung ou os três volumes de cartas reunidas que são muito boas. 

Tenho a impressão que se ele pudesse ouvir alguns Junguianos (que aliás ele achava péssimo essa expressão, "ser junguiano") ele ficaria de cabelos em pé! 

Não me admira que exista um preconceito em relação a obra dele, o evento, em alguns momentos, me lembrou  uma suruba-teórico-mística, infelizmente. Claro que houve profissionais da mais alta competência teorica.

A psicanálise foi mais feliz em difundir de forma clara a obra de Freud, já os Junguianos tem muito caminho ainda.   
  

Comentários

  1. Rsrsrs
    E olha que muita gente que considero inteligente e bem informada cai nessas ciladas sobre Jung! Mas tens razao, soh se fala e da importancia a Freud. Por certo os seguidores (e ate msm opositores) tiveram mais competencia ao estudar a obra dele. Bj, Madame Inquieta!

    ResponderExcluir
  2. Adoro Jung! Li "O homem e seus símbolos" e adorei. Já leste "He", "She" e "We", uma trilogia do Robert Johnson Déia? Tem uma abordagem interessante sobre o homem, a mulher e as relações amorosas. Se não leu tens que ler.
    Bjs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

É a vida!

Ser.

Amores mortos