Reportagem sobre o Caio F e a votação da frase no blog TPM!

Caio Fernando Abreu: acima de tudo, um escritor.

Paola Oliveira



Estagiária de Jornalismo


Orkut, MSN, blogs, Facebook ou Twiter. Em qualquer rede social ou espaço na internet que você entrar, certamente encontrará uma frase de Caio Fernando Abreu. O escritor gaúcho que faleceu há 15 anos, vítima de complicações decorrentes da AIDS, nunca esteve tão vivo. Sua obra parece tão vasta quanto seu sucesso. Ator, astrólogo, jornalista, roteirista, lavador de pratos, viajante, jardineiro, dramaturgo, hippie, mas acima de tudo um escritor, como ele mesmo definiu. Caio Fernando Abreu foi um pouco de todos os personagens de seus livros.



Na web


“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi”

Caio Fernando Abreu ganhou prêmios e agradou à crítica literária. Teve amigos que foram ou que hoje são a alma da cultura do Brasil e morreu quando começava sua consagração. Em nenhum momento foi tão amado como é agora, por essa que chamam de Geração Y. Os jovens que conheceram Caio exclusivamente por meio de seus escritos, principalmente em frases soltas na internet, sentem como se tivessem descoberto, mais do que um escritor, um amigo, um igual. Parte deles mal conhece o rosto de Caio, sua história conturbada e intensa, seu amor incondicional à literatura, que o fazia viver quase tudo que escrevia: amam-no pelo que criou.

Ler Caio Fernando Abreu é como abrir um diário que nunca escrevemos, mas que revela tudo que sentimos e pensamos, tudo que queremos esconder dos outros e de nós mesmos. Este parece ser o diferencial de Caio: seus contos jogam-nos na cara coisas que não sabemos sobre nós mesmos, obrigam-nos a fazer uma limpeza interna, pensar sobre o que realmente somos e o que representamos ser. Terrivelmente crua e ao mesmo tempo amorosa e bela, a obra de Caio Fernando nos captura justamente por essas contradições.

Caio tornou-se um mito literário, “melancolicamente póstumo”, como bem profetizou.

Mauro Castro, taxista e cronista, conheceu Caio quando o levava para tratamento no hospital em Porto Alegre, em seus últimos meses de vida.

Sobre a obra de seu passageiro, Mauro admite não ser um profundo conhecedor. “Se hoje tenho em minha casa praticamente tudo o que ele escreveu, se comprei todos os seus livros, não é porque eu o admire tanto”, reconhece. “Na verdade, quem pediu que eu comprasse todos esses livros do Caio foi minha filha Bruna.” Adolescente, no alto de seus 16 anos, Bruna conhece mais Caio Fernando Abreu do que o próprio pai, que conviveu com o autor. “Não é preciso muita conta para concluir que ela tinha apenas um aninho quando Caio morreu…mas isso não importa”, sublinha.

Tendo um exemplo em casa da admiração que Caio provoca na juventude de agora, Mauro tenta explicar: “Essa admiração tardia não me surpreende. Minha filha também curte Cazuza, está tirando Bohemian Rhapsody do Queen, está ensaiando uma peça de Shakespeare no colégio… A noção de tempo não existe quando o assunto é arte. Some-se a isso certa onda nostálgica da gurizada atual, vintage, anos 80, máquina de escrever, câmera fotográfica analógica, trabalho escolar sem o Google (Googless)… Caio Fernando Abreu se encaixa como uma luva nessa parada.”

Os admiradores usam todos os tipos de redes sociais para homenagear o autor. No blog Sem amor, só a loucura, os organizadores oferecem grande parte dos contos de Caio na íntegra. Mais recentemente, Vilmar Ledesma criou o blog Caiofcaio, que contém artigos, resenhas e reportagens que Caio escreveu para jornais e revistas, além de crônicas jamais publicadas, demonstrando que só seus livros já não são suficientes para aqueles que querem desvendar cada vez mais os mistérios da vida desse escritor que só conheceram por foto, vídeo ou textos.

Na maior comunidade do Orkut sobre Caio Fernando Abreu, com mais de 62 mil membros, foi lançada a pergunta “Por que você acha que a obra de Caio Fernando Abreu é tão popular e amada por uma geração que vive em um mundo totalmente diferente daquele em que o autor viveu?”. Foram obtidas as seguintes respostas:

“Acredito que a popularidade das frases do Caio se deve à maneira simples, objetiva, porém profunda com a qual o autor escreve. Essas coisas de amor, sentimentos, emoções que acontecem com as pessoas são extremamente profundas, tocam lá no fundo, e quando lemos o que o Caio escreve, sobre sofrimento, choro, amor, envolvimento, nestas frases, a identificação é rápida; palavras simples para emoções profundas. É como se ele organizasse o que sentimos.” Marcia Biavati Messias , 24 anos, estudante, Rio de Janeiro (RJ)

“O capitalismo, atrelado ao individualismo, molda seres cada vez mais introspectivos, que assim se adéquam à obra do autor gaúcho, tornando sua obra popular e amada. Acredito que Caio Fernando Abreu seja muito digno de admiração e, por isso, o resgate da sua obra e vida, na íntegra, deve ser valorizado.” Marien Édina Foresti, 18 anos, estudante, Santa Maria (RS)

“Todas obras do Caio escritas há tanto tempo se encaixam perfeitamente no nosso dia a dia, isso porque ele sempre escreveu com sua alma e com o seu coração. Vivemos atualmente numa sociedade carente em diversos segmentos, e as obras do Caio são como pontos de apoio e equilíbrio para essas pessoas que se veem sem respostas, pois cada texto dele torna-se essa resposta procurada.” Élem Araújo do Rosário, 19 anos, estudante, Bom Jesus da Lapa (BA)

A pesquisadora Lara Souto Santana, durante a elaboração de sua dissertação de mestrado, apurou como andava a popularidade de Caio Fernando Abreu nos meios acadêmicos. “Até 2000 havia cerca de nove trabalhos (dissertações/teses) sobre o autor”, compara. “A partir de então, a quantidade só aumenta. Até 2005 há por volta de 11 trabalhos acadêmicos que abordam a obra de Caio Fernando Abreu, mas esse número cresce ainda mais ao considerar que até 2011 foram feitos cerca de 34 trabalhos”.

Em 2010 Andréa Beheregaray, psicóloga, escritora, professora universitária e vizinha de Caio no Menino Deus, teve a ideia de transformar a casa onde o escritor passou seus últimos dias em um espaço cultural. Para isso, criou o blog Salve a Casa do Caio Fernando Abreu. No começo deste ano, a casa acabou sendo vendida, e Andréa resolveu usar outra tática.

“A casa foi vendida para uma família que a restaurou”, conta. “Com a venda, tive a ideia de colocar uma placa. Entrei em contato com a família e eles concordaram. Sugeri a placa para o (secretário Municipal de Cultura) Sérgius Gonzaga e ele gostou da ideia e deve financiar a placa.”.

Por meio de seu blog pessoal, TPM, Andréa fez uma votação para escolher uma frase de Caio para a placa que será colocada na casa que foi da família Abreu. No dia 30 de agosto, às 17h, encerrou-se a votação. A autora da enquete ainda não divulgou a citação escolhida.

Mais no site :

http://portal3.com.br/wp/caio-fernando-abreu-acima-de-tudo-um-escritor






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