terça-feira, 30 de agosto de 2011

Boicote afetivo e receita do bom amor.






Muitas vezes esperamos daqueles que amamos mais do que eles tem pra dar. Afeto é especiaria que não se cobra, não se pede, não se exige, se não deixa de ser afeto e vira obrigação que é coisa muito diferente.

A impossibilidade afetiva não é uma escolha, mas antes uma condição. Admiro, no entanto, aquele que tem a coragem, honestidade e consideração de assumir essa impossibilidade. 

Isso nos tira do lugar da espera, sempre tão passiva, do lugar de aguardar aquilo que não vem. Que, apesar de dolorido, nos ajuda a entender que o outro não tem para dar agora, ou talvez nunca tenha.

Ficar ou não nesse lugar, passa a ser responsabilidade daquele que, conhecendo a verdade, escolhe o que fazer com ela. 

Exigir afeto de quem não tem, e assumi isso, é uma cilada afetiva. Puro boicote. Exigir de quem não tem é tão injusto quanto prometer aquilo que não se pode cumprir.

O primeiro, aquele que exige de quem não tem,  gosta do papel de vítima e de não assumir a responsabilidade por suas escolhas. O segundo, que promete o que não pode cumprir, geralmente tem uma autoestima baixa e tem medo de , assumindo seu não-afeto, perder o amor de quem exige.  Mas em uma coisa são parecidos, parecem gostar pouco de si mesmos.

A melhor receita no amor é jogo limpo!   





Andréa Beheregaray

Convite : III Jornada de Pesquisa em Psicologia: desafios atuais nas práticas da psicologia.





Sexta – feira (25/11)
13:30 – Credenciamento (Sala 101)

14:00 – Abertura
(Sala 101)
  • Prof. Ms. Vilmar Thomé – Reitor da UNISC
  • Prof. Dr. Rogério Leandro Lima da Silveira – Pró-Reitor Pesquisa e Pós-Graduação
  • Prof. Dra. Ana Luiza Teixeira de Menezes – Pró Reitora de Extensão e Relações   Comunitárias
  • Prof. Ms. Dulce Grasel Zacharias Chefe de Departamento de Psicologia
14:30 – Mesa Abertura (Sala 101)
  • Prof. Dr. Rogério Leandro Lima da Silveira – Pró-Reitor Pesquisa e Pós-Graduação
  • Prof Dra. Rosangela Gabriel - Coordenação do Strictu Senso
               
    “Incentivo das agências de fomento à pesquisa na área das ciências humanas” – Representantes dos órgãos de fomento: CAPES, CNPq e FAPERGS
15:30 – Coffee Break
16:00 – Conferência de Abertura “Temas Atuais de Pesquisa em Saúde Mental” (Sala 101)
  • Dra. Magda Diniz Bezerra Dimenstein- UFRN
    Doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-doutorado em Saúde Mental pela Universidad Alcalá de Henares/ES. Porfessora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
17:30 – “Temas Atuais de Pesquisa em Psicologia Social” ( Sala 101)
  • Dr. Pedrinho Arcides Guareschi-UFRGS
    Doutorado em Psicologia Social pela University Of Wisconsin At Madison
    Professor convidado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil.
19:00 – Coquetel de Abertura com apresentação da Orquestra Jovem da Unisc e Sessão de Pôster (SEDE DA ADUNISC)

Sábado (26/11)
08:30 – “Temas e Práticas Atuais em Psicologia Jurídica” (Sala 101)
  • Ms. Marcelo Spalding Verdi – Defensoria Pública - Mestrado em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

09:30 – Coffee Break
10:00 – “Temais Atuais de Pesquisa em Saúde”(Sala 101)
  • Dr. Ricardo Burg Ceccim- UFRGS
    Doutorado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
     
11:00 – “Temas Atuais de Pesquisa em Avaliação Psicológica” (Sala 101)
  • Dra. Solange Muglia Wechsler- PUC-Campinas
    Doutorado em Educational Psychology pela University of Georgia, Estados Unidos
12:00 - Confraternização de ex-alunos e professores da Psicologia da UNISC (Almoço por adesão)
14:00 – Apresentação de Trabalhos
Prática e Pesquisa em Avaliação Psicológica (Sala 102)
  • Dra. Maria Lucia Tiellet Nunes -PUCRS
    Doutorado em Psicologia Tratamento e Prevenção pelo Freie Universität Berlin, Alemanha
Prática e Pesquisa em Educação (Sala 103)
  • Dra. Betina Hillesheim-UNISC
    Doutorado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Prática e Pesquisa em Saúde (Sala 106)
  • Dra. Edna Linhares Garcia - UNISC
    Doutorado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Prática e Pesquisa em Psicologia Social (Sala 107)
  • A definir
Prática e Pesquisa em Psicologia Jurídica (Sala 108)
  • Dr. Andréa Beheregaray
    Mestre em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
       
15:30 – Coffee Break com sessão de pôster
16:30 – Mesa de Encerramento com apresentação do Corpo de Danças da UNISC

Entrega dos Certificados


http://www.unisc.br/eventos/2011/jornada_pesquisa_psicologia/index.html

Mana.

 
 
 
 
 
 
"Nininha-maninha
maninha-nininha
tem gente que tem irmã
tem gente que tem amiga
e eu tenho você
...que é uma 
 
MANAMIGA!"
 
 
 
Andréa Beheregaray

Culpa.







"A culpa adoece, a culpa trava, a culpa cega. A culpa é o maior veneno das relações afetivas. Nos impede de sermos bons pais, bons amantes, bom amigos. A culpa é uma cilada que criamos para nós mesmos e da qual precisamos nos libertar para seguir em frente mais inteiros e mais felizes."
 
 
 
 
Andréa Beheregaray

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Horas tristes.




Fui te esquecendo
aos poucos
Como quem adormece
embalada pelas horas
tristes e o cansaço
de quem se arrasta
e se deixa cair.

Sem nojo, sem asco
sem lembranças
Depois que tu te foste
Tudo foi só
solidão e abandono.

No escuro do quarto
tua ausência
ecoando alta,
bandida
a roubar-me a paz
e os sentidos.

Exausta,
depois que tu te foste
Tudo voltou a ser
nada.





Andréa Beheregaray

domingo, 28 de agosto de 2011

As Marias.






Existe a Maria chuteira

A Maria tatame

A Maria gasolina.

Eu sou Maria Cafezinho.

Não nego nunca um convite para tomar café!

Adoro!




Andréa Beheregaray

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sobre homens e valores.





"A fortuna material não me impressiona

Já a fortuna intelectual

toca-me profundamente.


É que inteligência

é mais excitante que músculos e bunda

e mais duradoura também"


Andréa Beheregaray



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bicho homem.



"O homem é bicho.

Bicho que pensa, ou acha que pensa,

 mas bicho."








Andréa Beheregaray



Uma vida equilibrada, por Jung.




"Considero bem infeliz a vida de um homem, vivida em perfeito equilíbrio durante 65 anos. Estou satisfeito por não ter escolhido tal milagre. Isto é tão inumano que não vejo a menor graça nisso. É sem dúvida maravilhoso, mas pense bem: ser maravilhoso ano após ano!"







Carl Gustav Jung
Cartas 1947  


Hehehe, perfeito!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Novidade das boas - Projeto MYOPIA!!!

Recentemente fui convidada para participar de um projeto cinematográfico muito especial chamado MYOPIA. Junto com a Bel Brito participo da elaboração do texto, do script - do off na língua das telinhas. O projeto é realmente fascinante e estou muito feliz em poder participar de algo tão interessante. MYOPIA combina documentário e narrativa dramática na construção de um painel impressionista do pensamento contemporâneo.

O filme conta com narração da cantora e compositora inglesa Cousin Alice, o novo teaser tem a participação da atriz brasileira Luciana dos Anjos.

A veiculação na internet, que você pode conferir no site, é das chamadas do filme e não do filme em si.

Conheça um pouco mais sobre o projeto e confira no site :  






"Novo projeto de Sinapse, Myopia combina documentário e narrativa dramática para traçar um painel impressionista do pensamento contemporâneo. Uma experiência de mundo construída através de metáforas. Com linguagem própria e longe dos clichês cinematográficos, Myopia esboça os contornos de uma identidade cultural híbrida.

Renunciando ao conforto das verdades pré-concebidas para poder percorrer uma região muitas vezes incômoda, o episódio introdutório desta série de documentários traçará as linhas mestras de um processo de identificação e desconstrução, com o intuito de desenvolver novas formas de olhar e entender.

Neste contexto - ora transgressivo, ora poético - antagonismos como tirania e liberdade, razão e ignorância, raiva e amor incondicional, se reúnem para procurar, além da superfície, profundos significados ocultos. Ampliar o campo de visão não é uma ameaça à identidade cultural, mas uma forma de se desviar de um futuro homogeneizado e de uma noção monolítica sobre o mundo.

Percorrendo os meandros da miopia cultural e da era da globalização, Myopia traz um diálogo provocativo sobre o tema, não a partir de uma perspectiva sociológica, mas através de uma visão crítica."









terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coração.







"A intuição é a linguagem do coração"








Andréa Beheregaray

Certezas.








"Se não for hoje, um dia será.
Algumas coisas, por mais impossíveis
e malucas que pareçam, a gente sabe,
bem no fundo, que foram feitas pra 
um dia dar certo"  






Caio Fernando Abreu

Chegadas e partidas.






"Quando me entrego, me atiro. Mas quando recuo, não volto mais."


Clarice Lispector.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sobre solteiros e comprometidos.




Balada
movimento
madrugada
diversão!

No inverno
com a galera
o esqueleto
balançar

Sem essa 
de jantarzinho
o negócio   
é festiar
para cama
com a "pegada"
boa performance
demonstrar

pirueta, 
estripulia
pra causar
boa impressão

Dom Juan
femme fatale
A vida de solteiro emagrece,
 é muita agitação!

Já o amor...Amor engorda!

tem beijinho, tem carinho, tem calor e edredon,  fondue de chocolate, jantar romântico, almoço também, tem vinho e sushi e mais beijinho, e mais calor!

Por que amor alimenta!!

E eu não gosto de passar fome!





* Inspirado na Fernanda e no Ricardo! 

Andréa Beheregaray






De que vale sua inteligência...




Já vi homens inteligentes que não sabem acolher um amigo em um momento de dor.

Ai me pergunto, de que serve sua inteligência se não sabem ao menos abraçar?









Andréa Beheregaray
Da série,
As crianças sabem mais.

domingo, 21 de agosto de 2011

Insônia.







O amor nos faz perder a cabeça
a hora, a noção, o sono.

Por causa dele muita gente tem inSÔNIA

Outros inLAURA
inFÁBIO
inLISIA
inGABI
inJOÃO

A perda do sono tem motivos muito particulares
Que nome tem a sua? 








Andréa Beheregaray

Sem Ana, sem Blues - completo.

 
 
 
 
Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.

Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.

Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.

De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.

Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.

Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar ¿ então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.

Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés ¿ ela volta, garantiam, mas ela não voltava - e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.

Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.
 
 
Caio Fernando Abreu
 
Os dragões não conhecem o paraíso.
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O que o olho vê.



O que só criança enxerga  : bicho-bolinha




O que só mulher enxerga : celulite





O que só homem enxerga: impedimento!




O que só mãe enxerga : beleza em filho feio.





O que só sogra enxerga : defeito.





O que só narciso enxerga: espelho.




O que só psicólogo vê? Símbolos fálicos.




O que só o artista enxerga: beleza escondida.



O que só gente estranha enxerga: beleza em homem de sunga 






O que só o ciumento enxerga: maldade




O que só os apaixonados enxergam: um ao outro.



Por que não basta ter olho, é preciso saber olhar!













Mais presentes!!


Mais um presente! Desta vez da Lizandra Mendes!! Uma caneca TPM.

"Olhei para caneca, lembrei de ti!" 

Por que será? hehehe.

Adorei, claro!

Caderno novo, caneca nova.

Escrever, escrever, tomar café, tomar café, escrever, escrever!

Lizandra obrigada!!

Obrigada gurias!!


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O presente que ganhei!!!




Ganhar presente é bom, ganhar um presente feito especialmente para você é muito bom, agora ganhar um presente lindo feito especialmente para você dado por uma pessoa que mora longe e não te conhece pessoalmente é melhor ainda!!

Hoje o correio me entregou uma supresa, um lindo presente enviada pela Sabrina Souza, leitora do blog, blogueira que conheci através do mundo virtual e que alegrou meu dia com esta surpresa. Ganhei um lindo caderno feito a mão com duas canetas-flores!

Pela delicadeza do ato, pela gentileza da lembrança, pela confiança das palavras enviadas, pelo afeto depositado em cada fita, pelo carinho em forma de flor Sabrina querida muito obrigada! 

Teu presente será muito bem utilizado, quem sabe um livro novo nasce nessas páginas?

Um beijo grande!



Gente-abacaxi.



Tem gente que é que nem abacaxi

esquisito por fora

e uma delícia por dentro!



Coisas que só descobrem os corajosos

ou aqueles que conseguem ver mais além.




Da série, 
tipos de gente.

Andréa Beheregaray 


  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A loucura no país das maravilhas.








_Nesta direção. Disse o gato, girando a pata direita,”mora o Chapeleiro”.

_“E nesta”, apontando a pata esquerda, “mora uma lebre de Março. Visite quem você quiser, são ambos loucos.

_Mas eu não quero encontrar gente louca. Observou Alice.

_Você não pode evitar isso. Replicou o gato.Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca.

_Como sabe que eu sou louca? Indagou Alice.

_Deve ser –disse o gato- se não, não teria vindo aqui.
 
 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quando faltam as palavras.






Quando maior é o amor que sentimos por alguém, menor é a nossa capacidade de explicá-lo.

Onde sobra amor faltam palavras.







Andréa Beheregaray.

Sobre o Chapeleiro de Alice - uma curiosidade.





Antigamente os chapeleiros utilizavam mercúrio na fabricação de chapéus e essa substância causava lesões neurológicas permanentes. Os sintomas mais comuns eram confusão mental, dificuldade na fala e motoras. 

Isso fez com que loucura e chapeleiro virassem sinônimos.

Interessante isso, de como se constroem associações simbólicas e o sentido de alguns personagens.

Moral da história : de tanto tentar tapar a cuca alheia o chapeleiro destapou a sua!

É sempre assim, quem muito cuida do que é dos outros esquece cuidar o que é seu! 



     


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O mundo é um ovo, uma ervilha, um milho, como queira.





As redes sociais provaram o que muita gente já suspeitava : o mundo é espantosamente pequeno!

Sempre tem alguém que conhece alguém que conhece alguém, amém.
 
E isso pode ser fascinante ou perigoso, depende o que você anda fazendo!





Andréa Beheregaray




Explicação.




Explicação

Explica a ação

E o que explica o sentimento?

Explicafeto?

Não, afeto não se explica

se sente.










Andréa Beheregaray
em Ponto G - Universo feminino sob tensão


Mestrado Novo!





Começo este semestre um novo mestrado no IEBE - Instituto de Educação Brasil Espanha. Mestrado em Arte, Educação e Cultura. 

Meu tema de pesquisa? Amor e erotismo na obra de Amedeo Modigliani. 

Para quem, como eu, que realizou o primeiro mestrado em um tema super pesado - Sintomas de psicopatia - estudar Amedeo Modigliani é um prazer. O primeiro mestrado nem de longe foi como eu gostaria. A linguagem mais formal da academia e a pretensão de verdade que ronda não me servem, fico paralisada. Como disse uma vez "sem pretensão de verdade em um mundo onde tudo é hipótese". Eu gosto é da liberdade de pensamento, da possibilidade de navegar entre possibilidades e principalmente da linguagem poética. 

Esse mestrado vai ser poesia, tenho certeza. 

E a título de curiosidade essa foto é no túmulo de Modigliani no Cemitério Père Lachaise - Paris. Não é muito fácil encontrar, fica bem próximo do túmulo da Edith Piaf. Lá também estão Jim Morrison, Abelardo e Heloise, Allan Kardec entre outros. Cemitério mais pop de Paris, fico viajando que durante a noite eles se reunem. Já imaginou o que deve sair desses encontros espirituais? :D       


Segue o site do IEBE    http://www.iebeonline.com/