O conto do que não conta.






Ele parecia não compreender. Fora ele sempre o responsável pelo fim dos relacionamentos, mas não desta vez, não desta vez.
Ela não o enganou, foi sempre clara, mas ao que parece ele não acreditou nas palavras dela. Ela nunca se apaixonou por ele, coisa que a vaidade dele não deixou ele perceber. Para que você se apaixone por alguém é necessário que algo do outro receba algo que é seu. Ele não possuía esse "algo", essa coisa que nos faz "linkar" nas pessoas. Nascera com uma grave deficiência, ele tinha consciência disto, ela também.
É possível se apaixonar por alguém assim?
Claro! Muitas mulheres se apaixonavam por ele. Não por ele exatamente, mas pela imagem que ele criara de si mesmo, para fazer frente e mascarar sua grave deficiência. Ou melhor se apaixonavam por elas refletidas, envaidecidas, cegas na expectativa de converte-lo!
Então um dia ela decidiu que era hora. Não quis passar por todos os trâmites afetivos daqueles que não se querem mais. Que inventam desculpas para abandonar o outro com a consciência tranquila. Desculpas são necessárias apenas quando existe culpa, o que não era o caso.
Conhecendo ele como ela conhecia, mentiu. Inventou uma história torta das boas, meio fantástica, meio boba, daquelas que fariam ele correr léguas. E assim foi. Ele saiu em disparada, sem olhar para trás.
Vendo ele partir, como um dia ela previra, sorriu. Calma ela sorriu.
Tendo certeza de que ele a abandonava, disparou confiante na sua acelerada vaidade. Se ele tivesse olhado para trás talvez percebesse seu sorriso aliviado. Ela impôs seu desejo de um jeito divertido. Não podia negar que era divertido vê-lo correr como uma lebre assustada. Sempre tão convicto de que ele que rejeitava. Tão preso na primeira cena, a grande cena primordial. A fantasia e o desejo de ser ele a rejeitar estava a serviço de quê afinal? Não importa mais. Vai passar ele disse. Tivesse ele condições de ouvir, escutaria : não há nada para passar. Nunca houve nada. Nada.             





Comentários

  1. ixeeeeee.....sai de baixo..e eu pensava que tinha entrdo numa fria...esse daí se estatelou mesmo..rs..custa acreditar que acontece ...não é...dá até arrepio..bjs...bom dia..

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  2. rsrsrs
    Depois somos nós que fantasiamos...
    Tu és ótEma!
    Beijos!

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