O mundo de Sophia.




Sophia ficava perdida sempre que alguma coisa vinha acordar esperanças adormecidas. Esse era seu perigo maior, voltar a acreditar na idéia de amor, de grande amor.

Havia demorado tanto tempo, tinha sido um longo processo aquele, o de desacreditar.
Começou cedo, ainda mocinha, no pátio da escola quando os meninos vinham levantar as saias das meninas. Curiosos, num tempo de impedimentos e surpresas. Nunca levantaram a saia de Sophia. Ela era rude demais, esperta demais, rápida demais para que eles, os meninos, quisessem levantar sua saia.
Talvez o rosto de Sophia fosse hostil ou ela inspirava respeito e distância. Sophia nunca soube. O fato é que os meninos nunca vieram, e ela viu, dos bancos escolares, as outras meninas se tornarem alvo do desejo daqueles garotos.
Ainda pequena, Sophia desconfio não possuir a delicadeza necessária, tão comum as coleguinhas, para estar em uma posição vulnerável o suficiente ao ataque dos meninos. Nunca esteve. Sophia sempre-alerta, sabia se defender como ninguém. Defesa era o sobrenome de Sophia.
Talvez os meninos não ousassem por terem percebido que a menina não corava. Não seria capaz de corar apenas, quando sua saia fosse levantada. Sophia tinha o hábito de revidar, desde pequena. Eles sabiam que, caso tentassem, ela revidaria cruelmente - simulando indignação. Apesar da cena ultrajante, Sophia desejava aquela violação.
Os meninos não ousaram. Ela também não. Não ousou demonstrar seu desejo, por vaidade. E guardar seu desejo em silêncio foi um habito que Sophia nunca abandonou.

Comentários

  1. Vale a pena concertar o seu som, os trialogos sao verdadeiramente extraordinários, mui enriquecedores. Isso foi o que o Drummond chamaria de um "achado precioso"
    Um beijo, fofa.

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  2. Acho que sua Shopia poderia ser Érica...;)
    bjos minha querida

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  3. Sophia menina com alma de mulher e por vezes mais decidida que muitas mulheres por aí...
    Bjs*

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