Quando eu morria


Quando eu era pequena
Gostava de brincar de morrer
Simulava uma morte
E morria aos poucos
ia fechando os olhos
lentamente
*
Dai ficava ali
morta
esperando que alguém
notasse minha morte
quase nunca notavam
conclui que não era boa em morrer
*
mas, o que mais me impressionava
quando eu morria
é que, apesar de morta
a vida continuava acontecendo
lá fora
apesar de minha ausência
tudo continuava igual
*
o programa na televisão preto e branco
passando
o comida na panela que
continuava a fritar
as pessoas da casa seguiam
nos seus afazeres
indiferentes à minha morte
*
Hoje ainda morro
de vez em quando
e pouca gente percebe
é interessante como na morte
as pessoas desaparecem
deixam de existir
e a vida continua pra maioria
*
isso prova que são poucas
as pessoas importantes
na nossa vida
e que realmente nos fariam falta
*
Morra um mês
e descubra quem notou
provavelmente são essas, as que importam.

Comentários

  1. Texto perfeito!
    Fiquei imaginando vc pequenina se figindo de morta! Criança tem dessas invenções engraçadas e mirabolantes, né!
    E muito bem verdade suas reflexões... já fiquei morta algumas semanas. Não por querer, mas por forças maiores. Poucas, mas mto importantes pessoas perceberam. Fiquei satifeita, enfim!
    Abraço!

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  2. olá minha querida tudo bem!! quem é vivo sempre aparece!!!Esse ano teu aniver vai ser assim:11022011 numeros iguais que se simplificam e se anulam...xiiii Mixtério... ah, ia me esquecendo, bonito poema..

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  3. É bom morrer de vez em quando, Jaina, dai a gente descobre com quem devemos usar nosso dias de vida!

    Faeco, sim, eu já tinha notado que nosso aniver esse ano é especial. É o nosso ano! 2011!!

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