O mar não está para peixe: dicas e truques para enfrentar o verão.



Eu sempre fui uma pessoa com muita imaginação, capaz de dar novas cores à realidades desbotadas, e isso costumava funcionar. Não gosto de malhar, na verdade odeio, mas contei sempre com uma genética razoável e não malhar nunca fez muita diferença. A não ser na adolescência que eu tinha uns 10 quilos a mais e peitos enooormes! Meu apelido era Fafá de Belém, era tudo muito constrangedor já que ninguém conseguia falar comigo olhando no meu rosto. No entanto, isso sempre distraiu os meninos (de uma geração mal amamentada), do meu excesso de gordura.

De qualquer forma, mesmo acima do peso, não malhava. Tocava o ano, encarava o verão e os biquínis numa boa. O que realmente me incomodava nesta época eram meus pés. Eu tenho pés horríveis, feios mesmo. Meu pé, além de longo e magro tem dedos de lagartixa. Alguém já viu uma lagartixa? Observe seus dedos, parecem amendoins. Sabe aquele formato de casquinha de amendoin? Pois é são meus dedos. Brancos, cumpridos, magros e com cinco amendoins na ponta. Terríveis! Mas essa tragédia de base eu resolvia com alpargatas. Usava alpargatas na praia e ninguém notava. Foram as alpargatas, ficaram os dedos.

Mas então, para encarar a praia com um corpo nunca malhado, eu desenvolvi uma série de técnicas. Uma delas era pura imaginação mesmo. Como a parte detrás é a primeira a despencar, e a da frente está em ordem, eu imaginava, com fé, muita fé, que a partie de l'arrière era dura e redonda feito pêssego. Não era, mas a técnica funcionou por dois Verões.

Outra muito boa é ter sempre um livro a mão. Não vale revista, tem que ser livro, livro inteligente. Nunca vou à praia sem um, e quando aquelas menininhas saradas começam a circular eu começo a ler com ares sérios de intelectual. Leio, leio, leio e nego a realidade. Leio, leio, leio e tomo muito banho de mar. Repetindo mentalmente que logo o verão acaba e que cérebro malhado é muito mais resistente que bum bum malhado, não costumam, inevitavelmente, serem atingidos pela lei da gravidade. Minha academia é outro, penso toda esnobe.

Outra, não muito eficiente, mas que serve para acalmar você na frente do espelho e diante de uma gostosona, é um mantra budista de minha autoria: "corpo é matéria, malhação é futilidade, filhos de Apolo, vitimas da modernidade. Eu sou um ser espiritualizado. Eu, filha de Buda, elas bunda." Quando meu mantra não é muito eficiente, eu sento na areia antes de ir ao mar, e com areia no corpo ninguém nota nada.

Mas agora, balzaquiana que sou, encontrei uma nova forma de enfrentar as praias com meu corpo preguiçoso e nada malhado. O primeiro truque é escolher praia de família. Nada daquelas praias tipo Praia Mole (que de mole já basta você), Joaquina ou qualquer praia de surf, que onde tem surfistas tem gostosas. Não, não, praia de família ou praia mista, nos caso das solteiras. Bom eu escolhi uma mista, a praia Brava, e este ano meu truque é : nunca ir para praia sem os filhos!


Ir para praia sem os filhos o povo logo pensa : tá mal para 33.

quando as crianças começam a gritar mãe pra cá e mãe pra lá;

o povo logo pensa : tá bem pra quem tem 3!!


E a apoteose é quando meu mais velho chama "mãe". Dai o povo fica impressionado!


Amor de mãe é lindo, não vivo sem eles, principalmente na praia.

Comentários

  1. hahaha, adorei!
    No ano passado foi para um resort bem família e me senti a Gilese Bündchen.
    O truque dos filhos é infalível. Victória no auge dos seus 18 anos me deixa bem mais bonita! :)
    Mãe é mãe!!
    bjos querida

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  2. Essa é só mais uma das nossas semelhanças, rsrsrs
    Filhos lindos e enormes!
    Pequeno truque.
    Outra coisa que sempre levo para praia é um dos teus presentes, leio, leio e anoto.
    Te espero, em breve, para mais um sushi, sem os filhos!
    Beijos querida!

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  3. HAHAHA! O lance da filharada impressiona mesmo, vai por mim.

    Muito bom o text(icul)o, embora o excesso de modestia: rola total de tu ir ainda para as Praias MOLES, vai por mim (2). A fase da canga estilo mumia ainda esta longe desse corpo.

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  4. Tua fala é ambivalente, já que a canga que eu carrego foi tu que me deu de presente!!!!

    Mas obrigada pela força, e pela dica da mumia, verão que vem. Eu vou por ti (2), pode deixar.

    Beijos!!

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  5. Ai meu deus, preciso urgentemente de um filho. me empresta um Déia? hahahaha
    Oh modestinha, tu sempre foi a gostosa da turma, a que primeiro botou corpo e, além disso, tu tens um brilho que vai muito além disso tudo. Costumava dizer que tu tinha um "não sei o que" que os homens adoravam, ficavam doidos. Esse "não sei o que" é simplesmente essa força e sabedoria que tens.
    Grande beijo.

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