segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dia da Ofensa.


Loucura é não poder exercer a loucura.


Permita que sua companhia seja temperamental, intensa, passional. As consequências são generosas. Ela suplicará o esquecimento com mimos, sexo e delicadeza. O perdão é sempre mais veemente do que o rancor.


Fabrício Carpinejar.


Zero Hora 30/05.

"Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase, e quando vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra. Nenhum muro mais."


Anaïs Nin

Se para outras mulheres o flerte é uma segunda natureza, uma rotina insignificante, para ela, doravante, é um campo de investigações importante que deve ajudá-la a descobrir aquilo de que é capaz.
Milan Kundera - A insustentável leveza do ser

Detalhes técnicos da vida moderna.




Carros foram feitos para facilitar a vida, deveriam ser, basicamente, fonte de prazer.

Por isso, os carros deveriam se autoabastecer, autoestacionar e auto-concertar.


Carro é feito para isso, entrar, girar a chave e andar.


O resto deveria ser detalhe, porque já temos problemas demais para administrar.







Véia dramática ou veia dramática?




domingo, 30 de maio de 2010


''Ela é mais que um sorriso tímido de canto de boca, dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer.

Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter.

Ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive."

Caio Fernando de Abreu



























"Era uma menina. Embora não quisesse, quase desvairada na negação indireta, recusando atitudes e palavras que, justamente por afastadas, sublinhavam a sua condição. (...) Ah, como recusam sua densidade; como supunham ultrapassá-la quando, na verdade, sequer chegavam a sua periferia. "


Caio Fernando Abreu

sábado, 29 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Canibais



Hoje em dia as pessoas se comem : "comi fulana, comi beltrano".

Definitivamente não sou deste tempo. Não sou comida, sou pessoa.

Tempos de canibais, em que tudo pode ser consumido, até as pessoas.

Te liga, tua fome é outra

Não é de corpo, é de afeto.






Saudades elefantes...



Eu tenho saudades que são saudades de elefantes
Essas saudades são bem grandes, gordas, cinzas, empacadas.
Chegam e teimam em não partir.
Algumas vezes, meus elefantes, vem sozinhos, noutras chegam aos montes, uma "elefantéia de saudades".
Entram gordos, arrombando portas, sentam bem no meio da casa.
Gosto dos meus elefantes.
Não reclamam, não gritam, nem desesperam, apenas surgem e ocupam um espaço imenso.
Ficam lá, tranquilos, denunciando faltas, apontando ausências com suas trombas esquisitas.
O única coisa possível a fazer é dizer aos donos dos meus elefantes
"Tenho uma saudade elefante de você".
Então eles partem, para outro dia retornar
Lembram sempre, meus gordinhos, que afeto não foi feito para economizar.
Que amor elefante a gente tem que comunicar.
Minhas saudades elefantes tem o tamanho dos meus amores.
Meus elefantes são imensos!
É que não sei amar pequenininho.

terça-feira, 25 de maio de 2010


"Você sabe que não sou mulher de arrependimentos, de olhar pra trás, essas coisas. A gente tem que mirar no alvo e atirar, pronto, foi. A flecha não volta. Se acertamos ou erramos, não tem volta. Foi assim que levei a vida sempre..."

Caio Fernando Abreu.

"Ela lhe contou histórias, ele a ensinou a voar...

Amavam-se, mas ele não queria crescer..."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010


"Devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades, mas enquanto força criativa."


Michel Foucault

sábado, 22 de maio de 2010




Eu vou te dizer o que fazer, mas você tem que seguir tudo a risca, sem deixar nenhum detalhe passar despercebido - você confia em mim e eu em você, vamos ao planos: Compre aquele vestido amarelo na loja da esquina, vá ao salão de beleza, pinte as unhas de uma cor nunca usada antes - que tal azul?! Lave os cabelos e deixe-os secar, quero você natural. Vá ao encontro dele, enfim...


Quando encontrá-lo, abrace-o demoradamente. Olhe-o nos olhos. Respire fundo e se sente. Se ele te elogiar - sorria. Se ele não -o fizer - sorria mesmo assim. Depois diga, fixamente em seus olhos - Eu não estou disposta a sofrer, desculpa. Eu te amo, mas eu tenho que ir. Eu tenho sonhos, mas não agora. Um beijo. Até um dia. E saía de lá com humildade. Depois telefone. Se tiver forças, continue amiga dele - se não tiver, não tem problema. Você agora é livre e amores e amigos não vão te faltar. Agora durma, Carmem. O dia amanhã será cheio.




Caio Fernando Abreu

Você não deveria entregar seu coração a um homem que não consegue dormir abraçado.



Essa é a única questão filosófica realmente importante sobre os assuntos do coração.


Andréa Beheregaray

You're Beautiful



You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
I saw your face in a crowded place,
And I don't know what to do,
'Cause I'll never be with you.




James Blunt.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Reticências em excesso é covardia


Uma questão de ponto.

As pessoas finalizam suas frases e suas falas com algum tipo de ponto.

Exclamam (!), interrogam (?), finalizam (.).

Mas existe sempre o uso reticente (...) das misteriosas reticências.

Já escrevi aqui uma vez, que as reticências são o espaço da imaginação.

Dentro delas cabe um mundo. Fadas, anjos e também muitos demônios.

É preciso usá-las com moderação.

Desconfio que quem faz muito uso de reticências é porque não sustenta o que vem depois delas.

Para alguns assuntos da vida o uso demasiado de reticências é apenas uma prolongação, tentativa de levar para os penaltis.

Um não se posicionar infinito. O desejo que o outro diga aquilo que não se tem coragem de dizer, complete o que não se tem capacidade para completar.

Tentativa de não se responsabilizar e nem se comprometer, "não foi eu quem disse, foi você" ou "não era bem isso que eu queria dizer".

Mas então diga infeliz!?. , sem reticências. Pare de ser frouxo e se posicione, pergunte, exclame, finalize, defina seu ponto.

Ou então vá...
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VÁ À MERDA!

Pronto falei, e ponto final.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Óh, impossível, meu bem.




Dia desses alguém me disse "sou autoditada nos assuntos de sexo e relacionamento."

Se existe algo que não existe, é isso.

Impossível, meu bem, até criança sabe o porquê.

E, se é preciso explicar, mais grave fica.

O sujeito andou fazendo qualquer outra coisa, mas com certeza não foi sexo, e muito menos "relação".


Era outra coisa, qualquer outra coisa.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Charme do inverno?


As pessoas se vestem melhor no inverno, lugares que ficam mais charmosos com o frio, um bom vinho, uma lareira, bom para namorar. Enfim, o inverno tem um charme especial, não é mesmo?

Não, não é mesmo.

Isso depende de sua conta bancária.

O inverno é charmoso, desde que você tenha dinheiro suficiente para comprar roupas bonitas, bancar o bom vinho em frente a uma lareira e pagar para curtir estes tais chiques e bons cenários de frio. O inverno é bom para quem tem ar condicionado para aquecer sua casa, para quem anda de carro quentinho, sai da casa direto para o automóvel. O inverno é bom para quem não passa frio nem fome.

Não acho o inverno charmoso para quem tem casa de chão batido, para quem tem pouca roupa, pouco dinheiro ou qualquer pouca outra coisa. Não acho o inverno charmoso para quem tem que acordar cedo para trabalhar, na chuva e no frio, pegar o ônibus lotado com outros desafortunados. Não acho o inverno bacana para quem tem a casa alagada em dias de temporal. Para quem estuda em escolas precárias em que o frio entra. Nem para quem tem filhos doentes acometidos por doenças respiratórias e precisam enfrentar as filas dos decadentes postos de saúde ou hospitais lotados no nosso país.

Enfim, o inverno é charmoso para quem pode, o que significa, poucos. Para grande maioria o inverno não passa de um tormento.

Garota da Vitrine.


Certas noites sozinho, ele pensa nela. E certas noites sozinha, ela pensa nele. Certas noites, isso acontece ao mesmo tempo. E Rey e Mirabelle se relacionam sem saber. Mas Mirabelle, sentindo a reciprocidade do seu amor pela primeira vez, afasta-se dele. E enquanto Jeremy oferece ainda mais seu coração, Mirabelle retribui na mesma medida, (...) pois o que ele oferece a ela é terno e verdadeiro.

Ao ver Mirabelle se afastar, Rey sentiu uma perda. Como é possível, pensou ele, sofrer por uma mulher que manteve à distância para não sentir falta dela quando fosse embora? Só então percebeu o quanto querer só uma parte dela fez os dois sofrerem. E como não poderia justificar seus atos, exceto por, bem... "A vida é assim".


Trecho do filme "Garota da Vitrine"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Grávida.


Acúmulos.

Estou cheia, cheia delas, de palavras.

Estão aqui transbordando. Pelas frestas, pelas arestas, começo a vazar.

Saem pela ponta dos dedos, crescem, viram ramos, fazem flor. Todas ansiando ganhar forma, virar palavra no papel e não palavra solta, que palavra solta voa no vento.

As palavras que moram em mim não gostam de virar vento perdido, palavra que passa. As palavras que me habitam, anseiam antes materializar-se no branco vazio da folha.

A folha que espera, ganha sentido e cor quando deságuo sobre ela. A palavra que brota e ganha forma agora sente que pode voar.

Se barro a palavra que mora mim ela fica ressentida. Tenta nascer à força.

E palavra ressentida é sempre perigosa, costuma voltar-se para quem lhe gesta.
Nasce com raiva e ganha forma de lança, perde a beleza, vira rancor.

Palavra barrada, em mim, vira ventania, tempestade que devasta, não floresce, destrói.

Vira arrependimento.
E como amo as palavras vou deixá-las surgir, livres, coloridas, as vezes, afiadas.

Palavra de bons ventos.

Deixar fluir o pensamento, que quanto mais as deixo nascer, mas grávida eu fico delas.

Andréa Beheregaray

domingo, 2 de maio de 2010

Lindo!!!!!

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
nao se teria partido
ou se partisse colavacom
cola de maresia
eu amava e desamava
surpreso e com poesia

Adriana Calcanhoto.

sábado, 1 de maio de 2010

Necessária tristeza.



Sigo pulando meus abismos.
É preciso aprender a ser triste.
A tristeza é bonita. Bonita para quem pode ver.
É lá que se encontram tesouros, no silêncio dos dias tristes.

Nosso tempo comete muitas injustiças contra os homens tristes.
Não falo da tristeza extrema, falo da tristeza necessária.
Você não consegue perceber a tristeza dos outros até descobrí-la dentro de você.

Mas não se engane, os tristes não andam cabisbaixos, chorando, com olhar perdido, arrastando-se e se lamentando pela vida. Esse é mais um dos erros que cometemos com os tristes.

Apesar de terem olhos com maior propensão a vagar, os tristes, muitas vezes, são aqueles de quem você menos suspeita. Os aparentemente felizes, os que obtiveram sucesso na vida, os que sorriem, os que não param nunca, os que você tem como modelo.

Uma alma triste pode manifestar sua profunda tristeza através de grande agitação.
Vemos nascer uma geração triste. Nossas crianças hiperativas. As crianças denunciam os homens e esse tempo doente.
O movimento externo é a tentativa desesperada de camuflar o movimento interno da alma.
A alma chora de muitas maneiras. A agitação pode ser uma lágrima motora, a doença do corpo pode expressar a dor da alma, o comer em excesso pode ser seu desejo de tamponar a angústia, a busca pelo corpo perfeito pode ser apenas a forma que você encontrou para se distrair da tristeza que habita todo corpo.

E tudo isso nos diz que passamos tempo demais tentando escapar do sofrimento ao invés de encará-lo. E encarar a angústia existencial é essencial, não só para o processo de auto conhecimento, como para o processo amoroso.

Só os tristes sabem amar de verdade. O amor dos que não entraram em contato ainda com sua tristeza é que nem verniz, brilha um tempo mas não se sustenta. Amar exige tanta coragem quanto exige o sofrer. Os tristes amam melhor porque são capazes de reconhecer e acolher no ser amado a tristeza. Ama sem muito fiasco pois reconhece a falta como constituinte e por isso sabe que o outro não está ali para tapar buracos mas, talvez, para segurar a sua mão quando o buraco for muito grande. O triste sabe fazer poemas e sabe dizê-los também. Mas o triste não apenas fala o poema, ele sente o poema. O abraço dos tristes é acolhe(dor) e profundo, diferente do abraço dos alegres que é superficial e rápido.

Amar um triste pode ser uma experiência reveladora. Existe uma dimensão amorosa e sexual que só os tristes conhecem. Se você nunca viveu isso, com certeza não vai entender o que falo. Os tristes, quando amam, atingem o que eu chamo de terceira dimensão no amor. A terceira dimensão só pode ser atingida a dois, nunca sozinho.

Ocorre quando o corpo está em paz com o prazer e essa paz liga o corpo a alma através do desejo sexual. Não é o sexo culpado e vulgar tão presente na nossa cultura, é de outra ordem. É o sexo sagrado. Mas não confunda sagrado com religião e seu puritanismo pecaminoso. Sagrado no sentido de mergulho de alma, existência. Então, quando isso ocorre o sexo não se esgota na carne, e também não vai residir no que há de platônico em você. Ele será o encontro disso, carne e alma que juntos criam um terceiro espaço de prazer. Espaço que só os tristes conhecem.

A tristeza é valiosa. A arte e todas as suas manifestações nascem da alma que chora. A tinta da caneta ou do pincel é lágrima com cor.
Assumir a dor é demonstração de grande força e não fragilidade como o senso comum acredita.

Não é simples conviver com a tristeza da alma, é aprendizado. É difícil, mas a vida é difícil o que não quer dizer que não seja bela.
É possível ser alegre, mesmo sendo triste. É possível ser feliz mesmo em sofrimento.
Existe beleza na tristeza.

A tristeza torna sua alma sensível aos outros. O respeito as diferenças nasce da alma sensível a dor. A alma que sofre e não camufla isso, cresce em silêncio e respeito a dor do outro. O respeito, que nada mais é que capacidade empática, nasce do reconhecimento da dor em si mesmo, para então ser vista e respeitada na dor do outro.

A luta pelos direitos humanos é uma luta por respeito a dor. Se não respeitamos a dor dentro da gente somos incapazes de respeitar a dor alheia. Porque quando reconheço o sofrimento da alma e aceito essa dimensão existencial eu me torno um guardião do outro. Não vou violar o outro. A violência, que se manifesta pela violação do outro, é o profundo ressentimento de alguém que, por não saber sofrer, atua sua dor. E em um mundo que nega profundamente a dor, aqueles que sofrem e denunciam isso, se tornam alvo da raiva daqueles que não querem ver.
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Eu acredito na felicidade que é regada na consciência da angústia.
Eu acolho o desespero que mora em mim, por isso posso abraçar você nas noites de sofrimento.
Eu respeito sua dor, porque em silêncio tenho me esforçado para lidar com a minha e sei o quanto é difícil.
O desespero de estar viva tem me ensinado a amar a vida e as pessoas.
Eu amo os tristes. Eu os reconheço de olhos fechados.
Eu sei da sua tristeza.
Saiba de meu amor por você.