ZERO HORA - SEGUNDO CADERNO


12 de agosto de 2010 N° 16425


CAPA


Tesouro à mercê da boa vontade



Faltam recursos humanos e financeiros para digitalizar acervo de Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu deixou um acervo literário de mais de mil itens. Fazem parte desse material manuscritos e anotações – entre eles textos inéditos, correspondências, fotografias e fortuna crítica.

O tesouro foi cedido por empréstimo pela família do escritor ao Instituto de Letras da UFRGS, onde está à disposição apenas para pesquisadores.De acordo com a coordenadora do acervo, a professora Márcia Ivana de Lima e Silva, o plano é digitalizar todo o material para ser apresentado online ao público, mas não há verbas nem pessoal destinado para esse fim.


– Tenho combinado com meus orientandos que eles se responsabilizem pela digitalização do que vão usar em suas teses de mestrado ou doutorado. Assim, o que já foi digitalizado foi por improviso e graças à boa vontade desses alunos que escanearam o material. Não temos um programa ou recursos nesse sentido, nada institucional, infelizmente – comenta Márcia Ivana.


E isso que Caio tem sido alvo de renovado interesse. Seus livros foram todos reeditados ao longo da última década (em formato convencional pela Agir e em edições de bolso pela L&PM). Um volume, Caio Fernando Abreu: Cartas (Editora Aeroplano), foi publicado em 2002 coletando parte de sua correspondência – o autor foi um missivista prolífico e despachava cartas longas, minuciosas e cheias de afeto para amigos e colegas. Uma biografia foi publicada em 2008, Caio Fernando Abreu, Inventário de um Escritor Irremediável (editora Seoman), de autoria da jornalista Jeanne Callegari, e novas teses e estudos têm sido publicados sobre sua obra, dando conta do impacto que a literatura de extremos do autor teve sobre mais de uma geração de fiéis leitores.


Agora, alguns desses leitores se juntaram em um movimento para preservar a casa onde ele passou seus últimos dias em Porto Alegre, o sobrado de estilo colonial espanhol que pertenceu à família de Caio por décadas e que foi tema e cenário de algumas de suas crônicas porto-alegrenses. Localizado no Menino Deus, é uma construção em um amplo terreno em um dos bairros que mais têm apresentado valorização imobiliária, e está à venda ou para ser alugado (leia mais no texto abaixo).


Como a especulação na região já substituiu por edifícios de apartamentos muitas das casas antigas que davam feição ao bairro, o grupo de admiradores de Caio quer evitar que o mesmo aconteça com a casa que era dos pais do autor.


– Antes que a casa seja comprada por alguém interessado apenas no terreno, por que não poderia ser feito um centro cultural ali? Ou mesmo a colocação do acervo do Caio naquela casa? Seria uma pena que mais esse pedaço de memória se perdesse – comenta o escritor e professor Fábio Fabrício Fabretti, que participou, com Italo Moriconi, da organização do livro Caio Fernando Abreu: Cartas.


A ideia de que o sobrado, alugado pelo Estado ou mesmo pelo município, poderia ser o abrigo para o acervo é elogiada por Márcia Ivana:


– Os familiares do Caio, na condição de herdeiros, continuam sendo proprietários do acervo. E, se desse certo esse movimento, eles seriam os primeiros a querer que esse material voltasse para aquela casa. Só seria preciso que essa mobilização fosse incorporada pelo poder público de algum modo.

CARLOS ANDRÉ MOREIRA

Comentários

  1. Andréa, parabéns pela magnifica iniciativa.
    Vou divulgar no meu Blog também.
    Realmente, Caio merece, ele que tanto nos inspira e entende....
    Um beijão

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  2. Bela iniciativa!

    Esperamos que dê tudo ceto

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