Quando faltam as estrelas.


Restam poucos lugares seguros. O céu está azul escuro, não há mais estrelas no alto. A vida tem sido tão vazia e solitária. Está muito frio agora. Tenho desejado a tanto tempo seu abraço. Você disse que voltaria. Desde então tenho te esperado. Estou cansada. Uso roupas de lã para manter-me aquecida. Minhas mãos estão quentes.
Tem chovido muito desde que você se foi. Sinto seu cheiro. Não apenas quando fecho os olhos ou cheiro suas roupas, sinto seu cheiro ao longo do dia, no meio da tarde ou quando a noite começa. Não é sempre, mas quando ele antecipa teu corpo, fecho os olhos suspendendo os sons na esperança de te materializar. Mas ele tem se tornado tão raro. Sinto seu cheiro e isso tem me mantido calma na escuridão. E se eu não puder mais senti-lo? E se isso também escapar no ar? O tempo apaga as memórias, começa diluindo as amargas até que numa noite apaga também as doces. E então você acorda e não tem mais nada. E nem mais nos sonhos o amor é possível.
Evito novos movimentos na tentativa de impedir novos registros. Mantenho o corpo intocável. Tenho sentido tanto a sua falta. A falta do teu corpo, pouso, e nosso jeito de fazer amor. Não sei amar sem sua presença, não sei viver sem teu olhar. Meu desespero mudo não te alcança. Todas as coisas boas, tecidas. Tem sido difícil seguir em frente. Não há mais lugares seguros na minha rua. Está chovendo e estou sozinha.
Você disse que tudo daria certo. Você disse. Está chovendo e você não voltou.

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