sábado, 31 de julho de 2010


"Achei um pouquinho mágico, mágico suave, você sabe - nós ali, lado a lado, falando praticamente das mesmas coisas."


Caio Fernando Abreu



"Fazia muito tempo que eu não tinha vontade de sorrir para nada nem para ninguém, então era extraordinário que ele conseguisse assim perturbar os cantos de meus lábios..."


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 28 de julho de 2010


A TPM passa e o estrago fica...


Gisele.

Meus pés com asas.


Mamãe me disse para por os pés no chão.
É que mamãe não viu, quando nasci,
as asinhas nos meus pés
que só abri quando cresci.

Mamãe, não dá...
É minha sina, parte divina,
minha maldição.


Um anjo torto
Atrapalhado
Minhas asinhas, defeituosas
Nasceram no lugar errado.


Bicho carpinteiro, sempre diziam
meu apelido estava errado
era cosquinha, e eu não sabia
Era o sapato, muito apertado


As malandrinhas demoraram para abrir
andava torto, bem que notavas
Botou botinhas
e o ortopé entortou minhas asinhas


É por isso mãe
que hoje voou, as vezes caio
Minhas asinhas ficaram tortas
E mesmo torta, só sei voar


Nunca consigo o chão tocar.
Levo a vida, sempre a pairar.
Não dá maezinha, é impossível
Nasci com asas.


É meu destino.
É meu destino voar.

"A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: 'Os homens mais fortes são os mais solitários'. Viu como pensa a maioria: 'Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?'. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar."


Charles Bukowski

Sempre Ana Terra. Muito do bem.


"Ana sentia-se animada, com vontade de viver. Sabia que por piores que fossem as coisas que estavam por vir, não podiam ser tão horríveis como as que já tinha sofrido. Esse pensamento dava-lhe uma grande coragem. Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra. A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto... Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve. E agora ela tinha enterrado o pai e o irmão e ali estava, sem casa, sem amigos, sem ilusões, sem nada, mas teimando em viver. Sim, era pura teimosia. Chamava-se Ana Terra. Tinha herdado do pai o gênio de mula."
Érico Veríssimo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010




Amar é reconhecer a falta.

Reconhecer a falta é assumir a necessidade.

Amar requer coragem exatamente por isso, pela coragem de se reconhecer frágil.

A força consiste na coragem da fragilidade, no movimento de entrega, na necessidade do outro.

Tudo isso implica o risco de sofrer. O risco da perda do objeto amado.

Forte é aquele que para amar assumi o risco de sofrer.

Mais forte ainda é aquele que sofrendo deseja amar outra vez, e mais outra, e mais outra.

Amar muito, intensamente, e se tudo desacontecer sofrer muito, intensamente.

É preciso coragem, muita coragem é o que é preciso.

Amar é lindo, mesmo que triste.

Amar é lindo, mesmo que doa.

Amar é vida, mesmo que um dia morra.




Ai.ai.ai.ai.

domingo, 25 de julho de 2010



Meu amor por você não sabe ser metade.
É impossível pedir ao fogo que quase queime.
É impossível pedir a água que quase molhe.
É impossível me pedir que quase viva.
Amor é tudo ou nada.
Amar é para quem tem coragem.
Amar é para pouca gente.

Desmontar a casa e o amor.


Despregar os sentimentos das paredes e lençóis.

Recolher as cortinas após a tempestade das conversas.

O amor não resistiu às balas, pragas, florese corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros, discos e remorsos.

Esperar o infernal juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhãante os destroços junto à porta:- pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:uma casa de campo,fotos em Veneza,um tempo em que sorridente o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modode despir-sede pentear-se.

Amou-se um sorrisoe um certo modo de botar a mesa.

Amou-se um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retiradacom suas roupas amassadas, tropas de insultos malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?

Gastou-se o amor no amor?

Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos outra derrota à vista:bonecos e brinquedos pendem numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?

Escolherá objetos, morará na praia?

Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo um corpo sai porta aforacom pedaços de passado na cabeça e um impreciso futuro.

No peito o coração pesamais que uma mala de chumbo.


Affonso Romano de Sant'Anna

sábado, 24 de julho de 2010


Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo.



José Saramago

"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões."


Graciliano Ramos

sexta-feira, 23 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

FFF.




"Adorava quando a vida sorria para ele. Mesmo que ela já estivesse meio banguela."

Fábio Fabrício Fabretti


Quando você sorriu banguela, reconheci, o dente que te faltava era o mesmo que eu perdi.
:)
Essa sensação colorida de que você sempre esteve.

O que o Caio F.A uniu, o homem não separa.

Café com o Caio na terra do Menino Deus, se sobrar tempo te levo para conhecer Porto Alegre, a cidade que fica em volta.


Restam poucos lugares seguros. O céu está azul escuro, não há mais estrelas no alto. A vida tem sido tão vazia e solitária. Está muito frio agora. Tenho desejado a tanto tempo seu abraço. Você disse que voltaria. Desde então tenho te esperado. Estou cansada. Uso roupas de lã para manter-me aquecida. Minhas mãos estão quentes. Tem chovido muito desde que você se foi. Sinto seu cheiro. Não apenas quando fecho os olhos ou cheiro suas roupas, sinto seu cheiro ao longo do dia, no meio da tarde ou quando a noite começa. Não é sempre, mas quando ele antecipa teu corpo, fecho os olhos suspendendo os sons na esperança de te materializar. Mas ele tem se tornado tão raro. Sinto seu cheiro e isso tem me mantido calma na escuridão. E se eu não puder mais senti-lo? E se isso também escapar no ar? O tempo apaga as memórias, começa diluindo as amargas até que numa noite apaga também as doces. E então você acorda e não tem mais nada. E nem mais nos sonhos o amor é possível. Evito novos movimentos na tentativa de impedir novos registros. Mantenho o corpo intocável. Tenho sentido tanto a sua falta. A falta do teu corpo, pouso, e nosso jeito de fazer amor. Não sei amar sem sua presença, não sei viver sem teu olhar. Meu desespero mudo não te alcança. Todas as coisas boas, tecidas. Tem sido difícil seguir em frente. Não mais lugares seguros na minha rua. Está chovendo e estou sozinha. Você disse que tudo daria certo. Você disse. Está chovendo e você não voltou.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Celular pai de santo.


Meu celular estragou.

Estragou, estragado só recebe ligações.

Celular pai-de-santo.

Acho que, como eu, ele não gosta de trabalhar em dias de chuva.

Não posso condenar, apenas aguardar o sol.

Acho que aqui em Poa vamos todos virar sapo - saco.






"Deve existir uma espécie de bazar onde os sonhos extraviados vão parar."


Chico Buarque

domingo, 18 de julho de 2010

Na terra da Anita G.


E o que mais sentia falta, da sua vida na cidade pequena, era dos bailinhos, aqueles em volta da praça que o povo todo se enfeitava para frequentar.

Guardava essa imagem. Mas danada mesmo era a saudade de dançar no salão do Blondem com o tio que tinha. Foi ele que lhe ensinou a dançar. Ele na sua altura infinita.

O tio dançado com a tia. Imagem marcada no tempo.

As pessoas estão desaprendendo a dançar. Não sabem mais dançar justinho, com pé de vento, voando por todo o salão.

Um grande amor tem que saber dançar.

Um amor que saiba dançar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010



Espero mesmo encontrar um homem assim, forte, mais homem que eu, quem sabe.

Se não, prefiro me relacionar com macacos. O macaco, aquele que tem mentalidade de uma criança de 6 anos, parece bacana pra caramba. Sincero, engraçado, leal e primitivo. Gosto muito de macacos, e de pessoas fortes. Gosto mesmo.

Enquanto isso vou ficando aqui. Eu e meu macaquinho imaginário, tenho força suficiente pra nós dois, em troca, você me coça.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Inferno..




Pensei em você, pensei com raiva, pensei e disse, que vá para o quinto...!


Reconsiderei, pensando bem...que vá para o quarto! Que vá para o quarto! Comigo.

Sutileza.


Eu gosto muito dessa delicadeza no trato, essa coisa tipo cristal que as pessoas parecem estar perdendo.

Não aquela educação ensaiada, ou o beijo na tia, obrigado pelo olhar descontente da mãe.

Gosto mesmo dessa sutileza amorosa que cheira a cuidado. Que se você não vem, avisa, se você vem primeiro, deixa passar, abre a porta, puxa a cadeira, e então sorri.

Por que sorrir de verdade, leve, suave é de uma delicadeza infinita. Aquela coisinha algodão que está lá, bem simples, bacana e que toca com todo cuidado.

Penso mesmo que a delicadeza no trato, a educação miudinha é coisa de gente que tem tristeza na alma, mas não perdeu, por isso, a paixão pela vida.

Aquele que viu, aquele que sabe que viver é delicado, viver exige um cuidado e olha para o outro sabendo disso. Por que essa tristeza do triste, de quem já sentiu muita coisa, e tem no peito um buraco olha o buraco do outro, e trata com educação. Melhor mesmo seria, dizer que o triste trata a si mesmo e ao outro com delicadeza e emoção. Que educa-ação é palavra apertada, colada na obriga-ação e o triste já sabe, já viu que emoção não exige esforço, ela brota no peito e deságua no outro.

O triste que tem a pele sensível, tocado por tudo que é ível - do invisível, indizível,incrível e chá quente, que não é ível, mas é bom, o triste então é sensível a tudo que no mundo está. Por isso essa delicadeza. E até quando estabanado o triste é de uma atrapalhação estranha, não bruta, desengonçada. O triste atrapalhado dá vontade de abraçar. É como um triste feio, daqueles tipo bichinho da maçã, você olha pra ele,e de tão feio, sorri. O triste feio é de um encanto só.

Então meu amigo, toca a vida com cuidado, que grosseria é coisa de triste revoltado que, por ser machucado, sai por ai maltratando. Um Quíron torto, ao contrário. Então meu amigo deixa tua estupidez no armário que viver exige coragem e muita delicadeza.

E isso tudo só pra dizer que eu gosto muito de delicadeza no trato, isso diz do quanto de amor você traz no peito, pela vida, pelo outro, por você.

segunda-feira, 12 de julho de 2010



Até você chegar, não havia percebido as luzes.

Será que foi o seu abraço que acendeu assim, tudo, tão de repente?

"(...) eu o quero forte, claro, límpido, sólido, fundo. Leva tempo? Leva tempo."


Caio Fernando Abreu

CASILLAS, CAMPEÃO DO MUNDO.

Casillas, campeão do mundo, protagonista da vitória espanhola e de uma história de amor.
Todo mundo viu, emocionado, enquanto dava uma entrevista para namorada Sara, não se segurou e "tascou" um beijo na sua pequena.
Típico espanhol, emotivo, passional, sangue quente, romântico e campeão do mundo!
Feliz da Sara, feliz da Sara...
Coisa mais querida!
Ai,ai,ai,ai...que lindo, que fofo, que mimo, que querido, que, que,que..."suspiros".
Viva la España!

sábado, 10 de julho de 2010

Das coisas invisíveis.


Caminhava distraída sobre um chão repleto de estrelas quando descobriu.

Ela que sempre havia desejado em voz alta, aprendeu que é preciso desejar bem baixinho, bem baixinho...
7
Entendeu quando, sem querer, tropeçou no fio do mundo.
*
Um fio, com cheiro de flor, que mantinha o manto azul do céu atado à beirinha verde da terra.

Descobriu espantada que os deuses escutam, atrás do manto estão todos lá, ouvindo.

Os deuses escutam!

Todos os dias, ao acordar, repete bem alto, só para lembrar.

Cuidado mocinha! Cuidado com o que você deseja.

E vai que eles acontecem?

É preciso ter muita certeza para desejar bem alto.

E você sabe, a certeza mora na casa do impossível, já os deuses...

Os deuses existem, e escutam.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ana Bacana Carolina.

Tá rindo é?
"Ah...vamos dando risada que a vida nos chama não dá pra chorar
A minha oração é bem curta pra não entediar
E vamos que vamos... e vamos que vamos que dá
E vamos que dá...
E vamos que dá..."

"Meu Deus! Meu Deus! Como tudo é esquisito hoje. E ontem era tudo exatamente como de costume! Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando eu levantei hoje de manhã? Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: Quem é que eu sou? Ah, essa é a grande charada."



Alice no País das maravilhas.

Viver as vezes me dá um cansaço...

e uma saudade imensa da minha infância, do meu mundinho de criança, cheio de pequenas bonecas e bolinho de chuva.

Ser gente grande dá um trabalho danado.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aniversário de Frida Kahlo.


"Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo."


''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''


"Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?"

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dicionário Ordinário

Duas dúvidas...



1.Por que falamos "fulano" é magro de ruim?

Definhar de ódio, seria esse o motivo?

O contrário seria gordo de bom?

Bondade é gordura?

"Ruindade", magreza?

É isso?






2.O que significa "mocoronga"?

"Tu é uma mocoronga", algo do tipo "tu é uma moscona"?

Usamos para dizer que uma pessoa é devagar ou bocaberta.

A única certeza que eu tenho é de que, mocoronga, é prima-irmã do mondongo.

"Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias."


Caio Fernando Abreu

"Eu me aproximo pelos olhos, mas o que me convence a permanecer é o som da voz. Quero um amor capaz de conduzir o escuro."

Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 2 de julho de 2010


"Eu escolho um homem que não duvide da minha coragem,

que não me acredite inocente,

que tenha a coragem de me tratar como uma mulher."


Anais Nin

quinta-feira, 1 de julho de 2010


É engraçado como, as vezes, uma palavra pode mudar tudo assim, de repente.

Enchendo de afeto meus dias.
8
Pequenina, leve, simples e bem bacana.

É que palavra também é carinho.
7
Aquieta, aquieta até não mais se ouvir som.
8
Inesperada, é só calor.
j
Palavra assim, abraça.

Tem cheiro de cuidado e tem cheiro de amor.

"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."


Caio Fernando Abreu