O fundamental.


Estou aqui trocando os canais...64, Divã, paro.

Já assisti, não li, paro sempre. Sempre tem algum trecho interessante. E entre uma leitura e outra, fico com a atenção "flutuando" lá no filme.

Pescaria de palavras... "Fundamental".

"O que é fundamental nunca é dito, não é mesmo?". Lilia Cabral, linda, indaga a seu ""Armani".

É verdade Lilia, paro para ouvi-la. Ela então fala dessa questão fundamental, a dificuldade das pessoas em dizer o que sentem.

Penso. Os problemas de comunicação, áh, os problemas de comunicação. Ninguém diz o fundamental, mas por que afinal? Todo mundo diz por ai, com tanta facilidade, tanta merda e o fundamental que é bom mesmo, ninguém diz.

E o fundamental pra mim? Bom, a Lilia descobriu ali com a perda da grande amiga, e aquele papo de tudo o que eu queria dizer e não disse. Essa eu aprendi cedo, bem cedo, em dose dupla.
Quando adolescente perdi, em um intervalo de 6 meses duas pessoas importantes, com as quais eu estava, na minha arrogância adolescente, "brigada". Supondo que houvesse tempo, supondo que daqui a pouco mais nos acertaríamos. Minhas suposições estavam erradas. Não temos tempo, viver é agora, não existe depois. Aprendi.

E com isso aprendi a expressar o que importa, portanto, tentar comunicar as pessoas o que eu sinto. E eu que já nasci com poucas travas na língua, expresso. O que implica encontros e desencontros, amor e confrontos. Por que além de expressar o fundamental aprendi também a não deixar meus conflitos para amanhã, e isso significa, algumas vezes, entrar em confronto com quem eu amo.

Não tolero os silêncios. Aquilo que fica circulando tenso e ninguém tem coragem de dizer, eu digo. Se eu tenho um problema com alguém eu digo, porque aprendi, o amanhã é uma ficção. Por que só existe a possibilidade de acerto se as coisas forem conversadas, se não me (des)acertar com o outro na hora que a coisa rola, amanhã não sei se estarei ali para resolver. Algumas coisas precisam de um certo tempo para amadurecer e serem comunicadas, é verdade, já outras vão amadurecer no encontro com o outro, que, as vezes, pode ser tenso.

Não temo o conflito, temo o silêncio que impede o encontro. Pra mim impede, é parcial. Você lá, sofrendo, fantasiando um monte de coisa e o outro, da mesma forma. Bom, comunica, rompe com a fantasia, resolve ou não, mas segue em frente.

Ensino isso aos meus filhos, a vida é hoje, amanhã não sei. E acredito, firmemente, que onde há afeto existe uma malha que sustenta os conflitos. Se a malha rompe, talvez não houvesse afeto suficiente. O afeto tem que comportar conflitos e discordânicas.

Não quero lamento no meu caixão "ai eu queria tanto ter dito isso a ela, o quanto a amava, o quanto ela era importante, ou pior, queria ter me desculpado...,blá,blá,blá". Também não quero fazer isso no caixão de ninguém. O momento é agora, sem malas de culpa ou mágoas. Fala agora ou se cale para sempre. Não posso te ouvir do céu. Fato.

E convenhamos, na era da virtualidade, só não diz o fundamental quem não quer. Tudo bem que ao vivo tem mais valor, mas óh, escreve, fecha os olhos e aperta, dai não tem volta. Foi. e você não vai se lamentar no caixão, vai pensar, "eu disse, ufa". Eu digo, digo mesmo. vou


Voltando da minha viagem mental, escuto a Lilia dizer para o silencioso psicanalista:


Você fuma?
Você bebe?
E essa, quem é essa, sua namorada?
Você trepa também Lopes!!!

Você existe!!!!
Sim!!!!!!!!! Hahahahha

Atravesso o ar com minhas gargalhadas, apesar de não parecer, os psicanalistas trepam!

Graças a Deus!! Freud alertou, não trepar adoece.

O filme acaba ao som de "Pra rua me levar" da Ana Carolina. Perfeito.

E eu? Acabo caindo no choro. Coisas de Divã.





"Vou deixar a rua me levar

Ver a cidade se acender

A lua vai banhar esse lugar

E eu vou lembrar você...


É! Mas tenho ainda

Muita coisa pra arrumar

Promessas que me fiz

E que ainda não cumpri

Palavras me aguardam

O tempo exato prá falar

Coisas minhas, talvez

Você nem queira ouvir..."
É isso então, beijo para o Lopes que deixou de lado sua "imparcialidade" e foi na exposição da ex-paciente, com a namorada. Por que sem afeto não dá, Lopes?

Comentários

  1. "Viver é agora, aprende".
    Quando existe AFETO de fato, a gente segura qualquer barra, se lança no precipício e só vai ver o estrago depois, ah, masssssss depois, é depois, não é mesmo?
    Não dá pra ser imparcial, distante e amar ao mesmo tempo, tem que se jogar, se quebrar, se arrebentar, mas viver, não dá pra ser feliz amanhã, porque do amanhã ninguém sabe de nada.
    Perfeito este texto. LINDO.

    Beijos

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  2. "AMIGA ADOREI SEU BLOG!!!ACHEI ELE INTERESSANTISSÍMOOOOOOOO!!!!!!!PARABÉNS ELE É HIPER INTELIGENTE...COM ASSUNTOS BEM DIVERSIFICADOS...DE HOJE EM DIANTE TE SEGUIREI OK.BEIJOS MEUS!!"

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