segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não, não estou de acordo com Clarice...


"O pessimismo passou, mas o bom propósito não: farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...
Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor."


Clarice Lispector
A questão é não exigir, mas o mínimo também não dá. Amar é bom, amar exageradamente é colorido, intenso e dói. Mas doer dói sempre e como diz Marcel Proust "Aqueles que amam e os que são felizes não são os mesmos". Então aceitando a dimensão de sofrimento que todo grande amor comporta, e todo grande amor, só é bem grande se for triste, já disse Vinicius de Moraes.
Para se ter um grande amor é preciso pagar o preço do sofrimento. Quanto mais amamos, mais precisamos do outro e mais temos medo de perdêr o objeto amado. Amor, necessidade, temor andam juntos.
Então se é para amar, o mínimo está fora de questão. Não dá para exigir, e o peso é o susto natural. Um dia assustamos um dia somos assustados pelo que pesa no amor.
Mas é tão bom morrer de amor e continuar vivendo... (não nem tanto, hehe).

2 comentários:

  1. Andréa:
    Concordo contigo, mas os versos da Clarice me fizeram lembrar de uma questão que considero fundamental: "preciso de ti porque te amo ou te amo porque preciso de ti?".

    Mudando de saco pra mala. Sabes da Michele?! Respondi ao mail dela, mas voltou... o blog dela não abre... Sinistro... Muuuito sinistro...
    Beijos!

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  2. (Nunca tive um filho), mas não seria uma espécie de amor de mãe? Gratuito mesmo...

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