Saudades do que não existiu.

Na minha vida passada, vivi entre partidas e chegadas.
Foram muitas as idas e vindas, e, na plataforma da estação, muitas vezes deixei meu coração.

É dessas certezas estranhas. De quando encontramos algo e isso sempre nos pertenceu.

Saudades do que não existiu, disse o poeta.

Mas tudo existe sempre, porque existe dentro da gente.

E o que a gente sente, é o contrário do concreto. E ao contrário, se contrário, o de fora, não existe e o que vale é o que se sente, então a verdade é que nunca se mente.

A mentira, toda ela, guarda o desejo de verdade, que o de fora e o de dentro um dia se encontrem e possam então ser chamados de realidade.

Então eu sei, porque senti, que a estação foi meu lugar de chegar e de partir.

No abraço quente, dos amores que tive, antecipei saudades.

Foi lá, antes do trem chegar, que a angústia do talvez, veio comigo embarcar.

Cada encontro, uma mala de alivio.

Cada beijo, a dúvida de um nunca mais.

A estação me ensinou a amar com urgência.
Antecipar a nudez de um amor que nunca fica.

A plataforma foi palco de minha vida.

Sinto uma saudade incrível quando escuto o barulho do trem.

Dos amores que tive, e não mais terei.

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