Ponto G-isele.





Gisele e outras queridas fazem assim, lêem todos os posts mas não os comentam e depois me tecem milhares de comentários interessantes sobre sexualidade.

Gisele protestou contra meus textos sobre o orgasmo feminino e ponto G, e me fez perceber que, quando escrevo, muitas vezes não sou compreendida. Confesso porém que , as vezes, nem eu entendo bem o que escrevo, mas não é porque não entendo que vou me privar do prazer de escrever.

É que sempre fui assim, e tive que aceitar meu jeito impulsivo de pensar e sentir a vida. A escrita sempre foi organizadora. Não escrevo apenas aquilo que está altamente elaborado e pensando, eu elaboro enquanto escrevo, e não tenho problema nenhum em mudar de opinião na outra semana. Porque na maioria das áreas da minha vida é assim, eu faço, refaço, desfaço, sempre no contato com o outro. Preciso de interlocutores. Digo o que sinto, o que penso, o outro vem e aponta, concorda ou não e eu repasso o passo, sem problemas.

E acho isso fascinante, essa possibilidade de reelaborar e mudar de ideia com frequência. Por que, chavão moderno, a verdade tem muitas caras e ela não é absoluta, hoje estou de acordo, amanhã não sei.

Aqui no blog minha escrita é irresponsável, não no sentido pejorativo, mas no sentido de que não quero ter a responsabilidade de sempre escrever o bem pensado. O blog é guiado pelo sentido do prazer, um ponto G virtual. A escrita responsável vou deixar para o doutorado, ou para os doutores. Meu blog é meu playground, e levo muito a sério essa brincadeira.
Mas a Gisele fez uma lista de pontos Gs e vale repassar uns pontos polêmicos.

Então...vale dizer que eu acredito em pontos de intenso prazer, no homem e na mulher, e que nunca disse que era contra os múltiplos orgasmos, ou que eles não existiam; ou que os homens não devem se empenhar na cama para agradar suas mulheres, e vice-versa; o que digo e insisto, é que acho patético transformar a cama em ringue, ou que sexo vire competição por pontos atingidos. Não tem receita, não tem tempo certo, nem todas as mulheres gostam de preliminares, as rapidinhas tem seu valor, as longas também.

Insisto, o lance para mim é dupla! E não estou falando em estar apaixonada, amando ou sei lá, pode ser com um completo desconhecido. Pode ser até que você nem lembre o nome do benfeitor no outro dia, e ter rolado, quimica, dupla, samba, sei lá.
Até os orgasmos múltiplos tem muito caminho. E no consultório, tem muita gente se achando a última da lista por que tem dificuldades de obter orgasmos, já que para os outros parece tão fácil. Esses dias no super tinha uma revista que estampava a manchete da descoberta da pílula do prazer! Má vão pá...

Posso estar equivocada, mas as pessoas estão obcecadas em ter prazer, e se sentem culpadas quando não atingem...Tenho muitos pacientes que verbalizam isso "todo mundo é feliz, menos eu"

E onde as pessoas buscam confirmação da felicidade alheia? Nos sites de relacionamento!

Sempre digo aos meus alunos e pacientes para não esquecerem que a vida não é o orkut! Parece ridículo, mas quando estamos para baixo, essas felicidades estampadas parecem rir na nossa cara.

E alguns discursos pró-prazer contam a metade da história. Não quero reduzir o assunto, acho mesmo que nós mulheres não sabemos um terço da nossa sexualidade pois a muito pouco tempo começamos a nos autorizar. Estamos presas ainda em um monte de grilos básicos.

Lembrei-me do Doutor Sexo, não lembro o nome exato, mas é um professor americano que fala de sexualidade. Diz ele que existe um leque de possibilidades, e que circulamos entre 1 e 7. Isso é de mulher-mulher em um extremo, homem-homem em outro.

O que isso quer dizer? Não sei, mas penso que fala das possibilidades do prazer humano.

Que número você é? Em que ponto está seu prazer?

Você fingi prazer? Ou tem prazer em fingir?

Homem consegue fingir prazer? Potência? Performance?

Além do que a idéia de fingir é ricula. Se a pessoa pudesse ser filmada, tenho certeza, ficaria 1 mês isolada da humanidade. Caras e bocas...sei lá, muito estranho. É como comer algo ruim e ficar fazendo cara de gosto bom, ou ganhar um presente péssimo e fingir que gostou, sei lá sempre dá para notar aquela carinha de nojo e aquele sorriso amarelo.

Fato é, as mulheres são excelentes artistas e deveriam usar seus dotes para coisas mais úteis.

Vou na direção do texto do Moysés, http://somepills.blogspot.com/2008/09/simples-muito-simples-as-coisas-so-bem.html e insisto que a cama não deve ser mais um lugar para grilos. Se bem que fiquei pensando agora no Freud que, talvez, me diria ser exatamente a cama, a arena e tradução de todos os grilos, tá mas vá lá...continuando, a vida é dura, competitiva, neorótica e ainda estamos todos obrigados a gozar. Sempre.
E se a verdade tem muitas caras, o gozo também.
Obs: Gisele, escreva!




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