Maldita felicidade.

O mesmo satisfeito quarentão, contava ao amigo de infância que não via algum tempo, o quanto estava bem.
Recém casado com a balzaquiana feliz, estava trabalhando com os irmãos na empresa da família, que, claro, estava faturando bem. Tinha uma linda camionete que custava cento e tantos, a balzaca, estabilizada, já tinha seus apartamento, ele o dele, portanto hoje estão bem de dinheiro. Uma mulher mais nova, gostosa, que não perturba e lhe deixa se divertir. O outro, que quase não falava, perguntou se o pai dele não tinha tido um problema de saúde. O pai dele? Não, claro que não, estava ótimo! Era gerente da firma que também estava ótima.
Quando avião ia decolar o sujeito resolveu voltar para sua poltrona. Quando ele levanta posso então olhar para o amigo que tinha participado daquele empolgado monólogo. Era um homem encolhido, com cara de dor de barriga. Me sorriu amarelo.
Perguntou quase sem voz o que eu ia fazer em Florianópolis.
Estudar, respondi solidária.
E você? Perguntei.
Estou separado a 1 mês, sou gaúcho, moro em Floripa e minha ex voltou para Porto Alegre. Veio com meu filho único, de 9 anos. Vim vê-lo.
Balancei a cabeça, pensei :
Filha da puta de quarentão feliz. Nem pode ouvir a tristeza do amigo.
Não disse.
Sai daquele avião convicta.
A felicidade alheia é uma merda!

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