Amor cladestino


"Amor clandestino: um dia você vai ter um. Você solteiro e o outro casado, ou você casado e o outro solteiro, ou ambos casados. Não é um amor como os outros. Amor clandestino é amor bandido, fora dos padrões. Requer encontros secretos, sussurros ao telefone, algumas datas impossíveis de serem compartilhadas e muita saudade. Ou seja: é nitroglicerina pura! Nenhum desgaste do cotidiano, nada de sogra, cunhada e, melhor ainda, nada de filhos! É só os dois e aquelas horas contadinhas no relógio, impedindo que o casal perca tempo com qualquer outra coisa que não seja prazer. No entanto, as pessoas sofrem por causa destes amores. Se é tudo uma festa, qual é a bronca?
O amor clandestino, pra começar, é superestimado. Ele tem a cara dos contos-de-fada, dos filmes que passam no cinema, das cenas de novela. Vivenciamos uma idealização: o par perfeito, que vive entre quatro paredes e que ignora o que acontece do lado da porta da rua pra fora. Já que se vêem pouco, as palavras de amor transbordam, e como ao menos um dos dois é comprometido, o jogo da sedução é ininterrupto. O sexo é a estrela da casa, por causa dele a relação nasceu e se mantém. Não é um amor como os outros, e isso é tão bom que acaba se tornando um problema.
Terminar uma relação assim é acordar de um sonho. E persistir numa relação assim é um pesadelo. O amor precisa ser ventilado, sair pra rua, respirar ar puro. O amor precisa de duas pessoas em igualdade de condições. Acreditar que basta uma cabana é ilusão: o amor precisa ser testemunhado.
Amores clandestinos são tentadores para as pessoas vaidosas, que precisam certificar-se do seu poder de fogo, que necessitam conquistar e serem conquistadas. Quem não tem esta vaidade? Umas sufocam, outras topam a parada. Uns saem da experiência revitalizados, outros atolam. É muito difícil medir o verdadeiro amor diante de uma relação tão cheia de significados, com tantas armadilhas no caminho, com todo o ilusionismo que a sustenta. O que parece amor pode ser apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências. E o que parece apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências pode ser mesmo amor. Falta parâmetros para medir este amor intramuros. É o céu e o inferno de quem se atreve."



(Martha Medeiros)

Roubei da Luíza : http://milfacesdeluiza.blogspot.com/

Comentários

  1. Esses gaúchos são bons mesmo pra traduzir sentimentos em palavras! Tem uma tal de Andréa, Marta, Carpinejar... pra não falar da velha guarda! rs
    Fique sempre à vontade, amiga. Furto de uso não é crime! rs
    Beijos!

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  2. A arte é de quem precisa dela, Andréa! Assim como os amores achados, mesmo longe de casa, deviam ser de quem os achou ...

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  3. Amiga gurua, o novo layout do teu blog está lindíssimo! Adorei! Mas, não falando somente da beleza da forma, é deslumbrante o conteúdo! Amo te ter em minha vida!
    Grazi

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  4. Fernando, é verdade, achado não é roubado! Rsrrs, mas amores perdidos são um tanto sofridos!

    Luíza, fico lisonjeada, mas essa tal de Andréa é só uma perdida na vida...

    Amada, amada, amada...acho que estamos precisando uma da outra. Eu, tu e nossas urgências.

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