terça-feira, 30 de março de 2010

Mas o que é isso?


O que é esse padre? Jésus!
O padre Fábio de Melo é um lascivo, tem cara de pecador.
Acho o fim ele com aquela cara de sedutor cantando em nome de Deus.
Olha para essa foto!
Do tipo "Oi tudo bem , gata. Vem pra cá, entrega teu coração para Jesus".
Sem explicação. Se diminuir o som e ficar só com a imagem da pra dizer que ele canta qualquer coisa, menos música sacra.
Faz muita boquinha e "zolhinho". Estilo lobo mau.
É o Fábio Júnior de Deus.
A Igreja está apelando para não perder fiéis. Apelam para carência e o desespero da mulhereda sempre em busca de amores impossíveis.
Deve estar cheio de gente tentando converter o padre.
ABSURDO!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Lolita Pille,



Amor, isto é tudo o que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornificação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha. Bom, eu, eu o rejeito. Pratico e louvo o hedonismo mundano, ele me poupa."


- Trecho do livro Hell...


"A vida é uma sacanagem de merda e cada segundo de lucidez é um suplício."
- Trecho de Hell


"A hmanidade sofre e eu sofro com ela."

- Trecho de Hell


"Estou feliz com a minha infelicidade"
- Em entrevista à revista Trip


"Se os ricos não são felizes, a felicidade não existe"
- Trecho de Hell



"Nós representamos a comédia
da vida, mas estamos mais mortos do que vivos. Cadáveres animados."
- Trecho de Hell

domingo, 28 de março de 2010

Maldita felicidade.

O mesmo satisfeito quarentão, contava ao amigo de infância que não via algum tempo, o quanto estava bem.
Recém casado com a balzaquiana feliz, estava trabalhando com os irmãos na empresa da família, que, claro, estava faturando bem. Tinha uma linda camionete que custava cento e tantos, a balzaca, estabilizada, já tinha seus apartamento, ele o dele, portanto hoje estão bem de dinheiro. Uma mulher mais nova, gostosa, que não perturba e lhe deixa se divertir. O outro, que quase não falava, perguntou se o pai dele não tinha tido um problema de saúde. O pai dele? Não, claro que não, estava ótimo! Era gerente da firma que também estava ótima.
Quando avião ia decolar o sujeito resolveu voltar para sua poltrona. Quando ele levanta posso então olhar para o amigo que tinha participado daquele empolgado monólogo. Era um homem encolhido, com cara de dor de barriga. Me sorriu amarelo.
Perguntou quase sem voz o que eu ia fazer em Florianópolis.
Estudar, respondi solidária.
E você? Perguntei.
Estou separado a 1 mês, sou gaúcho, moro em Floripa e minha ex voltou para Porto Alegre. Veio com meu filho único, de 9 anos. Vim vê-lo.
Balancei a cabeça, pensei :
Filha da puta de quarentão feliz. Nem pode ouvir a tristeza do amigo.
Não disse.
Sai daquele avião convicta.
A felicidade alheia é uma merda!

A idade certa para casar fácil.


Semana passada fiz uma grande descoberta a melhor idade para casar.
Durante uma partida de futebol aqui em casa os homens conversavam. Dizia um deles que é solteiro e tem trinta e pouquinhos
_ Cara não dá para ficar com a mulher de 30, estão todas desesperadas para casar. Báh, colocam alta pressão! Só fico com as de 20 e pouco, estão mais tranquilas.
É verdade, quando se chega aos 30 e poucos e não se tem filhos, e se deseja tê-los, o desespero aumenta na medida em que os anos avançam.
Não esqueçam, se uma mulher tem 30 e poucos ela faz um calculo rápido de cabeça ficar+namorar+namorar sério+morar junto+casar+ter filhos: mínimo de 5 anos! Sendo muito positiva.
É que para sexo, amorizade e namoro não é preciso grandes critérios de seleção, mas para pai da prole, convenhamos, são necessários requisitos básicos, nem sempre abundantes no mercado atual. A escolha do pai das crias é, antes de mais nada, uma questão biológica.
Isso vale para os homens também, mas estes não estão pressionados pela validade e qualidade de seus óvulos.
Bom, durante um vôo fiquei ouvindo dois amigos conversando. Um deles feliz contava que estava casado.
_ Casei cara. com 40 anos, já fiz tudo o que eu queria, aproveitei bastante e resolvi que era hora. Depois o cara começa a ver que se não fizer isso vai ficar sozinho. Ela já estava estabilizada, uma guria legal, não incomoda, não se importa que eu vá surfar ou jogar meu futebol. Então um dia olhei pra ela e disse, " fulana a gente se dá bem, que tal casar?". Ela topou.
Adivinhem quantos anos tem a felizarda? 32, contou o quarentão, orgulhoso!
E eu pensando com meus botões, tão querida, tão permissiva a balzaquiana, é puro interesse uterino. Ela nem está muito preocupada por onde ele anda, desde que, claro, ele lhe forneça o precioso material para concepção. E ele se achando Ô cara, coitado.
Triste, real e dramático resumo, o casamento ideal é entre uma balzaquiana e um quarentão.
Ela pressionada pela natureza implacável e ele feliz aposentando as chuteiras. Receita certa de felicidade!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Buenos Aires

Para Luis,

Meu olhar sobre o mundo de Luis, no dia de seu aniversário - 2009;








"Afetos e prosa."

"La perla: das esquinas e outras histórias."




"Ritmos do coração."

"Lugar cat-ivo"

"Futuras lembranças de um tempo bom."

"Caminhos."


"Beleza escondida para quem pode ver"




"Janelas da alma -cores."




Hahaha, olha só gente não vale criar mecanismo para promover a lambida!

Tipo eu te lambo, não porque te gosto, mas porque estou ansioso para receber de volta a lambida!"

Não vale, fica parecendo aqueles "adevogados" em palestra. Fazem um milhão de elogios aos palestrantes esperando de volta a retribuição. É muito primitivo isso. É técnica de autopromoção.

Enfim, do vazio e da vaidade ninguém escapa!

Compre um gato, compre um gato que ele te lambe.

Me divirto!

Clarice Lispector.
























Não posso colocar o livro inteiro, mas pelo menos alguns trechos...


"(...) lembrou-se de que lera que os movimentos histéricos de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a coisa ignorada que o estava prendendo - a ignorância do movimento único, exato e libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole. (...)apelara histericamente para tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara desprendendo-a da rede(...)".
*
"(...) olho-se avidamente de perto no espelho e se disse deslumbrada: como sou misteriosa, sou tão delicada e forte (...)"
*
"Encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não imaginei: eu existo"
*
"Mas seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor".
*
"Através de seus graves defeitos - que um dia talvez ela pudesse mencionar sem se vangloriar- é que chegara agora a poder amar. Até aquela glorificação: ela amava o Nada. A consciência de sua permanente queda humana a levava ao amar do Nada. (...) e aquelas quedas é que começavam a fazer a sua vida. Talvez fossem os seus "apesar de" que, Ulisses dissera cheio de angústia e desentendimento de si própria, a estivessem levando a construir pouco a pouco uma vida".
*
"Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta".
*
" A coragem de Lóri é a de não se conhecendo, no entanto prosseguir, e agir sem se conhecer exige coragem".
*
"Entrou em casa como uma foragida do mundo. Era inútil esconder: a verdade é que não sabia viver."
*
"_Meu mistério é simples: eu não sei como estar viva.
_ É que você só sabe, ou sabia, estar viva através da dor.
(...)
_Pois eu tive que pagar a minha dívida de alegria a um mundo que tantas vezes me foi hostil.
_ Viver, disse ela naquele diálogo incongruente em que pareciam se entender, viver é tão fora do comum que eu só vivo porque nasci.(...)
_Você ainda não se habituou a viver? perguntou Ulisses com intensa curiosidade.
_ Não.
_Então é perfeito. Você é a verdadeira mulher para mim. Porque na minha aprendizagem falta alguém que me diga o óbvio com um ar tão extraordinário. O óbvio, Lóri, é a verdade mais difícil de se enxergar."

SENSACIONAL!


"Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres"





Sensacional! O melhor livro que já li da Clarice Lispector. Lemos muitos fragmentos da Clarice por ai, e sabe aquelas frases que você achou as mais bonitas e fantásticas? Pois é, estão todas nesse livro.

Eu costumo marcar nos livros o que me interessa, e nesse livro não pude fazer isso, simplesmente por que teria que sublinhar páginas inteiras.

Como é comum em Clarice, o livro é uma viagem ao mundo interno. Sentimentos, sensações, conflitos, dramas existenciais, tudo isso explorado com beleza e maestria. Um livro inteiro sobre o mundo interior de uma mulher que não sabe viver e não sabe amar. Maravilhoso! Li devagar para que ele durasse o maior tempo possível. Interrompi diversas vezes a leitura para prolongar a sensação que o livro me causou.

A personagem se chama Lóri, uma professora primária que tem um relacionamento platônico com Ulisses um sábio professor de filosofia. Ulisses queria que Lóri aprendesse a viver para só então ter com ela um relacionamento amoroso.

Os diálogos entre eles são lindos. O capítulo (pág 88) em que eles se encontram no bar e caminham até a praia é lindo. Todo ele.

No meio do livro eu já estava apaixonada pelo Ulisses, apesar da sua lentidão de filósofo. Das certezas que o livro traz, toda mulher deveria ter um Ulisses na vida, toda mulher tem um pouco de Lóri na alma.

Fiquei pensando espantada: "Clarice, muito antes do meu nascimento já me previra inteira".

Clarice é feiticeira. Conhece como ninguém o universo feminino. A alma humana.
Ela é linda.
Olhos de gata, alma de bruxa.
Leitura OBRIGATÓRIA.

Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos quanto da certeza da sua ajuda.

Mudanças.


Uma heróna minha, a doutora Charlene Bell, diz que todo mundo tem um termômetro de dor que vai de zero a dez. Ninguém faz qualquer mudança enquanto não chegar ao dez. Nove não serve. No nove, você ainda tem medo. Só o dez vai fazer com que você se mexa e, quando chegar lá, saberá. Ninguém pode tomar essa decisão por você”.


Vicki Myron (com Brett Witter) in Dewey: Um gato entre livros .

quinta-feira, 25 de março de 2010

Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo.

A Sobra em cena.


Hahaha, R.E.D.I.C.U.L.O!

O que é isso afinal? Uma grande cena? Uma grande palhaçada?

Você sabe que eu sei. Afinal de contas toda essa encenação, todo esse imenso trabalho em construir um personagem. Tudo isso diz do teu secreto desejo de "ser alguém" para a posteridade.

Você reforça minha admiração pelo filha da puta honesto. Não que você não seja um filha da puta, por que és. E é inteligente o suficiente para saber que dessa ninguém escapa. Mas até tua filha da putisse é inventada.

Por que você é aquele tipo de gente que parece ser grande, especial. Mas para os poucos que conseguem olhar bem o que se vê é um sujeitinho recalcado e angustiado, que precisa desesperadamente de ídolos. E nessa angustia que é estar vivo, copia atento as sombras da parede, daqueles que já se foram. Cada movimento, cada detalhe, nada escapa.

Sonhando ser como aquela sombra grandiosa daquele que você tanto admira. E para um homem culto que não acredita em Deus, venera teu ídolo como a um santo. Ironias.

Sombra que fascina, dança na parede do teu vazio e você a imita cuidadoso, chegando mesmo a acreditar que a sombra é tua. Cego não quer ver que você é que é a sombra da sombra, nada mais.

E então você cria hábitos, estórias, amores e humores impostas pela grande sombra. E encantado agora acredita que tem uma vida! Parecida com a dele, então se te julgas semelhante a ele, e por isso te sentes grande. Engano, ele sombra, você sobra.

E nesse grande esforço em ser o que não é desperdiça a possibilidade de descobrir o que afinal de grande você realmente possui.

A cena é tua denúncia silenciosa da mediocridade humana, que, no final, é consciência que iguala a todos os homens.

Com a diferença que alguns negam, outros realmente ainda não sabem, e outros ainda, como eu, permanecem agarrados ao desespero de navegar nesse grande vazio que é viver.

Nem amar você consegue por si mesmo?

Ou ela que não merece ser amada pelo que é? E que por isso você desesperadamente a inventa? Por que ela não é, e então você dá aquela ajudinha para que ela, enfim, seja!

Você deveria saber disso, mas está tão desesperado em sobreviver mais uma noite.

Entendo tua dor. Ela me faz imaginar a escuridão dos teus abismos. Mas isso não te redime.

Pelo menos tua filha da putísse podia ser autêntica. Tu, óh grande homem, que vai morrer como todos os outros, e contra todos os teus esforços será esquecido como os demais. Tu que vai apodrecer como um qualquer, sabe que somos todos, cada um a sua maneira, grandes filhos da puta. Abençoadas todos as putas que exercem tantos trabalhos em nome das boas mães, abençoadas todas as filhas condenadas a suportar suas putas-mães.

E tu, como todos nós, não te escapa é um filha da puta, nascido da putaria dos teus pais. Não sabia? Por isso batizam os bebezinhos, que é para lavá-los dos pecados e baixarias do divino momento da concepção.

sabe bem que filha-da-putisse é condição biológica, assim como o amor. E que a moralidade é anti-natural, exercício desgastante que os homens inventaram para dar sentido. O desejo de atingir o inatingível. E se forçar demais acabamos que nem os padres que de tanto esforço para chegar ao topo da montanha da moralidade, acabam chegando no topo e rolando morro abaixo para o lado oposto.

Então deixa de ser covarde e palhaço. Tua vida de sucesso não passa de uma trágica comédia. Compras a plateia para que não possam te vaiar, aponta os holofotes para que eles ficam com a visão nublada. No final da cena, tu e os outros estarão no mesmo lugar, o lugar do nada. O lugar do humano, bem sabes.

quarta-feira, 24 de março de 2010


Nelson Rodrigues abriu os trabalhos.
Hoje acordei estragada.

Hoje eu odeio a maioria das pessoas.
Tirando a minoria e os bêbes, hoje eu queria mesmo é mandar todo mundo pra puta que pariu.




Eu respiro tentando encher os pulmões de vida
Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar
Ainda sinto por dentro toda a dor dessa ferida
Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar

Eu queria manter cada corte em carne viva
A minha dor em eterna exposição
E sair nos jornais e na televisão
Só pra te enlouquecer
Até você me pedir perdão

Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer
Que só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr

O que me dá raiva não é o que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos
Nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia

O que me dá raiva são as flores e os dias de Sol
São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós
São seus olhos e mãos e seu abraço protetor
É o que vai me faltar
O que fazer do meu amor?

Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer
Que só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr

Leoni.

terça-feira, 23 de março de 2010

Ahã...


"Vai tomar no cu, filho da puta"
Nelson Rodrigues.

''Mas tentamos de tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de sociopolíticos existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso:cama''



Caio Fernando Abreu

Ato e transgressão.

As manchetes dos jornais têm sido incisivas na repetição de uma pergunta: como anda o respeito ao outro? As notícias sobre a falta de ética na política, a violência urbana, o assédio moral e físico vivido e cometido por crianças e adolescentes no ambiente escolar ou familiar, nos lançam no universo da transgressão dos limites que uma lei simbólica poderia impor nas relações entre um sujeito e o conjunto da sociedade. Se o ato transgressor da lei nos assusta pela violência com a qual nos assalta, também nos questiona sobre nossa impotência em produzir respostas em atos consequentes. Vivemos uma disjunção entre o saber e sua respectiva produção em ato. Que estranho familiar é esse que invade o tecido social e nos leva à posição de meros espectadores de uma cena burlesca sem que possamos produzir nada mais do que palavras sem a devida consequência da ação? "Isso só pode terminar em pizza..." Não obstante a transgressão ter sua relação com o ilícito, ela nos permite pensar no ato que transgride como interrogante, desestabilizador, inovador. Ato criativo, marca autoral de um sujeito lançada ao outro, capaz de produzir brechas, fendas, buracos no discurso comum nos implicando cada qual no conjunto das representações sociais que compartilhamos e vivemos. Algo capaz de transformar o sobreviver em experiência transmissível, em viver. O que pode a psicanálise nos dizer sobre o ato transgressivo e o sujeito transgressor? Há algo que possa ser feito para transpor a disjunção entre ato e discurso nas relações sociais? A psicanálise tem contribuições a oferecer na leitura desse hiato, dessa descontinuidade entre a intenção do ato de fala, da produção do artista, da ação do político, e seus efeitos sobre os que escutam, os que olham e os que atuam - que somos todos nós. A temática é abrangente, delicada e instigante. É tempo de nos dedicarmos a este debate.
10/04 – Sábado
9h30min

AberturaLúcia Alves Mees - Presidente da APPOA "Desejo e transgressão"Eduardo Ely Mendes Ribeiro "Desabrigados da palavra"Ieda Prates da Silva
14h30min

"O que se ouve no que se diz"Norton Cezar Dal Follo da Rosa Júnior "Notas sobre um encontro marcado"Liz Nunes Ramos

segunda-feira, 22 de março de 2010

Caminhos.


Para Grazi Ribas.

Natural estar perdida...estranho mesmo é ser encontrada.

Mesmo os encontrados, os que "deram certo", os que atingiram, mesmo estes ainda estão perdidos. Porque não existe um caminho certo e um caminho errado. A vida é assim chão, estrada, caminhada. O percurso, árduo percurso, é feito de desvios, encruzilhadas, atalhos, retornos. Não há tempo certo para se fazer a trajetória, e nem apenas uma única direção.

Para alguns a estrada é repleta de buracos, para outros é íngreme, mas não acredite naqueles que falam em uma estrada reta, asfaltada, em que o sol brilha e o vento sopra. Esses são, bem sabes, os mentirosos ou os psicóticos que sabem bem construir ilusões.

E mesmo quando a gente segue encontrando, mesmo assim seguimos na direção do desconhecido.

Porque estar vivo é isso, seguir caminhando, caminhar procurando. Ser perdida é nunca parar de buscar. Ser perdida é apesar de tudo, caminhar. Ser perdida é condição. Os encontrados estão mortos.

Aquieta e aceita o teu fardo. Tu que comeste a rõma, sabe que apesar de florida a estrada é feita também de sombras e escuridão. E que neste escuro também tem caminho, também é possível encontrar.

A perdição é caminho de gente como nós. Mulheres como nós. Mulheres que enxergam na escuridão. Que enxergam quando não há luz, e no preto do fundo, podem ver caminhando ás cegas aqueles que se julgam "encontrados". São eles encontrados apenas por que estão impedidos de ver?

Talvez se fossemos homens. Talvez se fossemos cegas. Mas não somos. Então te assustas com essa energia que circula no corpo e explode no mundo. Que pode ser luz e também tempestade. E então te obriga a entrar em um estrada estreita cheia de buracos rasos, pois tem medo de onde essa energia toda pode te levar? Energia que é a mesma que pode ser a potência para teus sonhos mais altos, mas que os sonhos mais loucos com essa energia também podes realizar? E sabe lá onde tanta energia poderá nos levar.

Ser mulher na estrada da perdição é tormento, bênção e solidão. Todos os dias dúzias de nós tratamos logo de buscar o caminho dos achados. Estrada de gente achada é estrada mil vezes trilhada. Não é construída é dada. Não é particular, por isso é nada. É pra quem tem medo da vida, gente que quer caminhar sabendo onde vai chegar.

Sossega, me dá tua mão, que a única coisa que ameniza o caminho é amor e também carinho.

Vamos juntas, perdidas, nos encontrando pelas esquinas da vida. Que amizade é amor verdadeiro, aquele que mesmo na distância, acompanha o tempo inteiro. Que nos aquece quando temos frio, que nos apoia quando todo resto já partiu.

Vamos seguir caminhando e quando tudo estiver muito difícil, quando não encontrarmos a saída, vamos ficar juntas e permanecer unidas. Quero sentar ao teu lado e te lembrar que também estou perdida, que eu sei que dói muito, mas não temos saída a não ser continuar.

Nossa estrada é a estrada da perdição, ser perdida é nossa condição. A única certeza é que nossa estrada é carregada de vida, feita com muita emoção. Nossa estrada é de coração.

sábado, 20 de março de 2010

Amor cladestino


"Amor clandestino: um dia você vai ter um. Você solteiro e o outro casado, ou você casado e o outro solteiro, ou ambos casados. Não é um amor como os outros. Amor clandestino é amor bandido, fora dos padrões. Requer encontros secretos, sussurros ao telefone, algumas datas impossíveis de serem compartilhadas e muita saudade. Ou seja: é nitroglicerina pura! Nenhum desgaste do cotidiano, nada de sogra, cunhada e, melhor ainda, nada de filhos! É só os dois e aquelas horas contadinhas no relógio, impedindo que o casal perca tempo com qualquer outra coisa que não seja prazer. No entanto, as pessoas sofrem por causa destes amores. Se é tudo uma festa, qual é a bronca?
O amor clandestino, pra começar, é superestimado. Ele tem a cara dos contos-de-fada, dos filmes que passam no cinema, das cenas de novela. Vivenciamos uma idealização: o par perfeito, que vive entre quatro paredes e que ignora o que acontece do lado da porta da rua pra fora. Já que se vêem pouco, as palavras de amor transbordam, e como ao menos um dos dois é comprometido, o jogo da sedução é ininterrupto. O sexo é a estrela da casa, por causa dele a relação nasceu e se mantém. Não é um amor como os outros, e isso é tão bom que acaba se tornando um problema.
Terminar uma relação assim é acordar de um sonho. E persistir numa relação assim é um pesadelo. O amor precisa ser ventilado, sair pra rua, respirar ar puro. O amor precisa de duas pessoas em igualdade de condições. Acreditar que basta uma cabana é ilusão: o amor precisa ser testemunhado.
Amores clandestinos são tentadores para as pessoas vaidosas, que precisam certificar-se do seu poder de fogo, que necessitam conquistar e serem conquistadas. Quem não tem esta vaidade? Umas sufocam, outras topam a parada. Uns saem da experiência revitalizados, outros atolam. É muito difícil medir o verdadeiro amor diante de uma relação tão cheia de significados, com tantas armadilhas no caminho, com todo o ilusionismo que a sustenta. O que parece amor pode ser apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências. E o que parece apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências pode ser mesmo amor. Falta parâmetros para medir este amor intramuros. É o céu e o inferno de quem se atreve."



(Martha Medeiros)

Roubei da Luíza : http://milfacesdeluiza.blogspot.com/

"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher".


Os posts sobre orgasmo feminino ficaram se propagando pelo mundo virtual e ocupando corpo, mente e cama de alguns (des)conhecidos que passam por aqui.
A Luíza se senti provocada a falar no assunto e ontem postou esse texto bem interessante, que vale ser lido pelas meninas e pelos meninos também http://milfacesdeluiza.blogspot.com/2010/03/andrea_19.html.
Na mesma direção do que escrevi, fala da necessidade de se conhecer o corpo. Esse é um ponto importante.
Geralmente pessoas que negligenciam o corpo, expressam isso na falta de cuidado com ele; através de somatizações, que são emoções expressas no corpo, coisas pequenas como alergias, gripes, esses incômodos que nos fazem lembrar que ele existe (sabe quando a gente fica lá lendo, estudando, trabalhando horas e só para quando grita avisando que existe? Pois é...).Mas a mais importante questão, que eu nem mesmo consigo nomear, é o "trânsito" pelo mundo sensual.
Quem não conhece seu corpo, não está de posse dele. Quem tem pouca intimidade com seu corpo tem dificuldades de usá-lo. Como se alma e corpo não se encaixassem, você percebe o desconforto do outro com seu corpo.
A sedução está diretamente ligada a isso. Usar o olhar, gestos, a dança, e manter a luz acesa sem nenhum constrangimento. Porque tem gente que só se "solta" com a luz apagada. Solta o que? A imaginação, que libera o corpo. Para algumas pessoas o corpo pode ser uma prisão. Mentes brilhantes, intensas e que não se "soltam", não conseguem dar vazão a intesidade e expressar o que sentem através do corpo.
E ser solta não tem relação nenhuma com pessoas saradas e fatais. Ao contrário, o que muita gente descobre é que os "supostos" liberados, fatais, gostossérimos, são uns baita travados. Podemos descobrir espantadas que uma barriga tanquinho não serve para nada além do que apoiar o cotovelo pós-sexo, da mesma forma que uma barriguinha pode ter a curva exata para encaixar no seu corpo. Não acredito nos "gostosos", tanto quanto não acredito nos "corretos". Tudo reprimido, rsrs!
Nada é exato, e tudo é aprendizado que, como diz a Luiza, vem com o tempo. Mente e corpo precisam dançar.As vezes se desencontram, outras acertam o passo. O gozo, o orgasmo vem na esteira do processo de conhecimento e posse de si mesmo.Nada mais verdadeiro que a frase da Simone de Beauvoir :"ninguém nasce mulher, torna-se mulher".

sexta-feira, 19 de março de 2010

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Gaúcho Tri Grosso.


Gaúcho tem uma linguagem tão, tão, "faca no osso". Não, não é faca na bota, é faca no osso mesmo. Porque tem som de faca no osso, osso da perna. Oco, duro, áspero e forte. Som de faca que raspa, no osso.
Porque por aqui o outro é TU, o que é diferente de ser VOCÊ.
Porque VOCÊ quando dito faz a volta no corpo do outro e só ai toca. TU não, TU é na cara, um cuspi no olho do outro, um tapa na testa. "Óh, tu, tu mesmo."
TU chega junto, de frente. Por aqui, TU, pega no tranco.
Como falar de amor com TU? Tu tem cheiro de mato, amor de capim.
Falar de amor, exige VOCÊ. VOCÊ que enquanto se pronuncia abraça a cintura do outro. O braço vai, faceiro, dando a volta na guria enquanto o interessado diz VO....estica,estica...CÊ. Tá feito o laço suave no CÊ. Que pode também fechar no duplo: SE??
Vai lá, abraça o outro enquanto diz VOCÊ.
Tá, agora tenta no TU...
Conseguiu? Não, claro (tem o não escuro também, mas nesse caso ele é bem claro).
TU é uma ejaculação precoce da palavra, que não consegue abraçar pois empurra.
Para falar de amor a melhor língua mesmo é o espanhol. Língua feita para falar no ouvido.
O sujeito pode ser um estranho, você lá passando, distraída, e ele fala em espanhol com aquela voz rouca - sim espanhol é para ser falado com voz rouca. Você nem entendeu o que ele disse, mas já está capturada, envolvida pela sedução da língua. O bom uso da língua.
Depois vem o francês, falar de amor em francês também rende. Antes do sujeito verbalizar já faz biquinho. E quem resisti a biquinho de quem se ama? Fora que se alguém faz um biquinho para você de surpresa, é involuntário, fazemos biquinho de volta. Quase como um aperto de mão.
Agora a última língua para falar de amor é o gaúches. Não dá, escute o sujeito demonstrando interesse:
"Bah guria, tri afim de ti"; "eu te amo"; "Tu me ama?".
Tu, te, tri - baita empurra-empurra!
Bem diferente do doce e suave VOCÊ.
"Eu amo você"...aiai, tem cheiro doce, suave, textura de pano de seda, escorrega na pele.
E essa rudeza começa na infância. De pequeno. Todo mundo aqui já nasce GURI ou GURIA, nada da meiguice de um MENINO E MENINA. Desde cedo acostumamos nossas crias a aridez da palavra. Nossas crianças são piralhos, piás, piás de merda. Tudo dito com muito amor e orgulho "nossos piás", "o piá é bom", "minha piá". Que som de piá é som de cascudo na cabeça.
Além de piá, são também maloqueiras. Que é quando bixo pega, a mãe grita logo "o guri, deixa de ser maloqueiro!". Palavra essa que tem cheiro de terra, nariz escorrendo e piá fedorento de calça puída. Mas não qualquer calça, calça de maloqueiro é feita de tecido ruim e tem cheiro, fedorentos.
Nossas crianças tem cheiro de chão, que jogam bolita e dão canelada. A briga de guri por aqui é tri agressiva. E se o guri não revida o pai logo diz "se não revidar, te capo em casa" . O complexo de castração nasceu nos pampas gaúchos. Gurizada traumatizada, se pelam de medo de perder o tico (aqui tudo com T), "Te Tiro o Tico Tchê!".
Tri grosso esse povo. Tu não acha??
Mas nem tudo está perdido. TU também tem tom de pegada, coisa firme. Laça a guria e diz no tranco "É tu que eu quero. Quer ser minha guria?", no alvo! Flechada direto no coração que só gaúcho sabe dar.

terça-feira, 16 de março de 2010








O que Clarice já sabia, meus dias eram de Lóri , muito mais do que de Sofia.

"Ela é mais que um sorriso tímido de canto de boca, dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer. Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter. Ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive."


Caio Fernando Abreu

"Não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade."
.
Caio F.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Tema para doutorado na Inglaterra.

COTAS PARA REPÓRTERES LOIROS.




Os psicólogos ingleses fazem pesquisas absolutamente inúteis. Por exemplo, a última que vi era sobre infidelidade masculina. Concluíram os sábios cientistas que: homens com QI mais alto traem menos, o que significa que homens burros traem mais. Além de inútil é idiota. Poderiam ter concluído que homens inteligentes escondem melhor sua escapadas, exatamente por terem mais inteligência. O mais sensato seria concluir que inteligência não determina o grau de fidelidade de um homem, pois mil fatores estão envolvidos nessa questão.
Dai fiquei pensando que tipo de sujeito conclui esse tipo de coisa.
Se eu morasse na Inglaterra faria meu doutorado para investigar uma dúvida antiga. Por que afinal não existe repórter moreno no Brasil? Não, porque além de todos morenos (observem), eles tem o rosto "quadrado", estilo leão.
Alguém conhece algum repórter loiro??
Minha conclusão, talvez fosse de que pessoas loiras não transmitem credibilidade, portanto não podem ser repórteres. Será algum tipo de preconceito?
Minha sugestão acadêmica seria uma proposta de cotas para repórteres loiros.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Pessimismo romântico;


Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro. Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí­ uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida caminha para dentro da sua vida estúpida… Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua. O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração. Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor”



Neil Gaiman, Personagem Rose Walker in The Sandman #65 .

Nu feminino.

Eu acho lindo fotos artísticas de mulheres nuas. O nu feminino é uma das mais belas imagens que conheço. Bom, era só isso que eu queria registrar. A Carolina aqui parece uma pêra-loira.


Gosto de armar quebra-cabeças. Nome errado. Eles não quebram a minha cabeça. Ao contrário, põem a minha cabeça no lugar. Nome mais apropriado deveria ser “junta-cabeças”. Todas as atividades que implicam arrumar, armar, juntar, montar, tecer têm uma função terapêutica. Elas ativam processos organizatórios das emoções e das idéias. Juntando as peças do meu junta-cabeças sobre a mesa vou juntando as peças do meu junta-cabeças interno.



Rubem Alves in Ostra Feliz Não Faz Pérola

Procuro nos búzios e no horóscopo o resto da minha dignidade. Tento ser mais cética, mais durona, mas sou totalmente tendenciosa quando alguma coisa diz que eu posso ser feliz. É sempre mais fácil culpar o autosabotamento com signos do zodíaco ou algo que se preze, do que entender que você, independente de onde marte esteja neste exato momento, gosta de arrancar as próprias penas apenas para ver aonde dói. Gosta de se cutucar para ver aonde sangra, aonde incomoda, que parte do seu corpo sente mais falta dele, em que momento do dia você perde a razão, fica sem ar, o porquê grita tanto internamente ao ponto que se deita exausta de tanta coisa que é sua, mas que você não sabe lidar, e por isso é fácil apelar para o impalpável e para todas as superstições existentes para que tirem a culpa que você carrega de querer tanto ser como os outros, mas não é.
O amor que tanto se proclama, dessa busca e espera infindável, "que chegue e será bem vindo, que será esperado" que some em alguns meses, que se sobrepõe na esquina por um outro qualquer, por essa falta, esse buraco no estômago, essa fome de se sentir amado, de se sentir querido, de se sentir seguro, quando amor é nada além da sensação de estar caindo e não saber onde se segurar.E por isso eu culpo toda e qualquer manifestação esotérica, pelo meu amor volúvel que vai para qualquer pessoa que me desperte algo que valha terminar o dia, e sendo assim é mais fácil despejar em alguma coisa impalpável a minha incapacibilidade de ser como o resto das pessoas.Porque eu nunca tive motivos para acreditar em nada que dure para sempre. Porque eu sempre fui tocada pelas mais diferentes formas de vida e por qualquer frase um pouco mais inteligente, porque dói entender que a posição da lua não interfere no quanto eu morro um pouco todos os dias. Porque eu acredito em tudo e isso de não descartar nada, me faz voltar para casa depois de me apaixonar a cada esquina, e querer uma cama só.Eu me machuco pra saber onde dói, mas hoje sei exatamente que parte de mim sente mais falta dele. Tudo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sentido...


E o post abaixo não faz sentido?? E o que importa??


"...E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado..."

Saudades do que não existiu.

Na minha vida passada, vivi entre partidas e chegadas.
Foram muitas as idas e vindas, e, na plataforma da estação, muitas vezes deixei meu coração.

É dessas certezas estranhas. De quando encontramos algo e isso sempre nos pertenceu.

Saudades do que não existiu, disse o poeta.

Mas tudo existe sempre, porque existe dentro da gente.

E o que a gente sente, é o contrário do concreto. E ao contrário, se contrário, o de fora, não existe e o que vale é o que se sente, então a verdade é que nunca se mente.

A mentira, toda ela, guarda o desejo de verdade, que o de fora e o de dentro um dia se encontrem e possam então ser chamados de realidade.

Então eu sei, porque senti, que a estação foi meu lugar de chegar e de partir.

No abraço quente, dos amores que tive, antecipei saudades.

Foi lá, antes do trem chegar, que a angústia do talvez, veio comigo embarcar.

Cada encontro, uma mala de alivio.

Cada beijo, a dúvida de um nunca mais.

A estação me ensinou a amar com urgência.
Antecipar a nudez de um amor que nunca fica.

A plataforma foi palco de minha vida.

Sinto uma saudade incrível quando escuto o barulho do trem.

Dos amores que tive, e não mais terei.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dores do amor - por Warat.


"Se renuncias às dores do amor, deixas de ser um peregrino. Tua vida deixa de ser um rio que vai até o oceano, transforma-se em um charco estancado. O estancamento narcisista"



O amor é algo muito raro de acontecer, de acordo a mensagem de Osho. A relação amorosa é um dos mistérios sagrados da existência. O encontro desarmado que duas reservas selvagens podem expressar uma para a outra. Duas flores secretas que se revelam mutuamente.Uma revelação muito forte, já que se tem que dar tanto através dos sentidos, que as reservas selvagens podem transmitir pelos corpos e as palavras, como pelas coisas que cada um pode roubar do inconsciente amoroso do outro (a zona mais nobre da reserva selvagem, a que unicamente se chega viajando nos silêncios).


No momento em que duas reservas selvagens se encontram desarmadas, um novo mundo é criado, inscrito um devir de diferenças no tempo. Nesse novo mundo, ambos se transformam.Quando alguém consegue amar, já não é mais a mesma pessoa. Juntamo-nos para criar uma relação, e essa criação nos cria como diferentes, (re)cria-nos no mais profundo. Um outro silencioso se apodera de nosso corpo mostrando-lhe o inédito que escondia como uma semente de mostarda (como diria Osho) que o outro do amor impulsiona a crescer.


O encontro de dois mundos selvagens em reserva é algo muito complexo. É a mais complexa das místicas. O lugar mágico mais complexo. Os conflitos que unicamente a magia pode resolver.Os dois que se encontram vêm carregados com um longo passado, geralmente de adições, que resiste a ser desarmado. Ante a cada possibilidade de amor, a armação de defesas tende a crescer, a fortificar-se.No começo de um caminho que leva para o amor, os encontros são periféricos. As reservas selvagens não intervêm, observam a distância.


Quando uma relação cresce em intensidade e intimidade, então as reservas começam a aproximar-se, a encontrar-se mais e mais. Isso pode começar a ser chamado amor.A periferia nunca é uma zona de amor. Quando duas periferias se aproximam, dá-se um encontro entre conhecidos.


A grande maioria das pessoas se engana, confunde os conhecidos com o amor. Uma grande falácia com um triste final, no mínimo, de desilusões.Para amar é preciso encontrar o outro em sua reserva selvagem. Algo duro, que não é fácil, obriga cada parceiro a passar por uma revolução que o transforme, porque se queres encontrar a alguém em tua reserva, terás que permitir que essa pessoa chegue a tua reserva. Tua reserva selvagem terá que voltar a se desarmar, terá que ficar absolutamente desarmada. Algo que traz muito risco.

O amor é doloroso porque nos deixa sem armaduras, vulneráveis, o amor nos coloca no risco, fora dos cálculos, fora dos portos seguros.Podes evitar as dores do amor evitando o amor. Estarás renunciando a viver.


As dores do amor são criativas, levam-te a um maior dar-te conta, transformam-te. Se renuncias às dores do amor, deixas de ser um peregrino. Tua vida deixa de ser um rio que vai até o oceano, transforma-se em um charco estancado. O estancamento narcisista.


Um rio permanece limpo porque flui. O fluir do rio outorga-lhe virgindade. Todos os amantes são virgens.O homem moderno perdeu a coragem de entrar nessa aventura chamada amor. O homem aprendeu a linguagem da ciência moderna, esquecendo-se da linguagem do amor. A linguagem da intimidade que nos envolve, que nos revela o rosto original do outro.


A palavra intimidade, diz Osho, vem do latim intimum. Significa teu centro mais profundo. Esse centro pode ser um cosmos ou um caos (quando estamos desintegrados e não sabemos aonde ir).A intimidade assusta, dá medo, porque o outro pode aproximar-se e descobrir que em nosso centro só existe o caos.A intimidade é permitir que o outro entre em tua reserva selvagem, que te veja ainda nas coisas que tu mesmo não consegues ver.


Amar é mostrar-se vulnerável ao outro com a absoluta confiança de que o outro não tentará aproveitar-se da tua vulnerabilidade para converter-se em teu amo. Essa é a arte do amor, a mais esplendorosa alquimia que pode imaginar-se. O amor é uma arte, a maior da existência, também a mais difícil de praticar. A flor dourada é a mais difícil de criar. O amor como luxo, não como necessidade. Um estado da alma, não um fazer. Meu corpo inunda de felicidade, é o vazio.


Trechos do texto de Luis Alberto Warat.

domingo, 7 de março de 2010


É difícil me iludir, porque não costumo esperar muito de ninguém. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça, não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar.


Caio Fernando Abreu..

sábado, 6 de março de 2010

A maldição do mais gozar.


Eu estou falando...deu agora no Jornal da globo: 500 milhões de reais gastos em remédios para ereção, só no Brasil! Pico de vendas aos sábados e domingos, quando os homens vão para "balada". O que disse o entrevistado? Me sinto o dono da boate. Efeitos colaterais: dor de cabeça, rubor facial, diarreia, entre outros, mas os rapazes estão felizes. As meninas lá na festa, faceiras e os rapazes com a mágica do desempenho no bolso. Confundem ereção com desempenho, que "posição de sentido" não é sinônimo de qualidade.
E mais, vicia. A questão é que vai sobrar para os terapeutas. Sujeito chega lá, viciado em ereção. Chega coitado, com livro na mão, sombrinha, casaco. Humilde, sempre algo para esconder seu vício. Vício que lhe atormenta e teima em lhe saltar das calças. Sua queixa? Buscou tratamento pois já não pode pegar ônibus sem ser acusado de tarado; perdeu o emprego por circular nos corredores sempre corcunda, tentando esconder suas vergonhas; foi acusado pelo zelador de andar armado no condomínio.
E a patroa? Aquela que se encantou na balada? Largou o infeliz desesperada, concluiu que casou com um devasso. Ou pior, se sentiu incapaz de satisfazer o parceiro. Pois é, e nos no consultório? Teremos que ter almofadas para emprestar ao viciado. Para que possa se acomodar na cadeira. Poderá dizer com autoridade "a vida é dura".
Pois é...é dura. É a maldição do mais gozar. Estão piores que os padres, esses pobres meninos, viciados em gozo eterno.
Fiquei confusa agora:
Eles não tem ereção por que não temos orgasmos múltiplos, ou não temos orgasmos multíplos por que eles tem dificuldade de ereção?
Nos temos o Ponto G e eles o ponto V, de viagra.
É acontece.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Típica mulher moderna em busca de salvação.

Os antigos? Porta da igreja.
Os modernos? Porta da farmácia.
Os modernos-cultos? Porta da livraria.
*
*
Critico os que buscam a salvação nas prateleiras das farmácias, gostaria de ser diferente desse tipo de gente iludida que acredita em salvação comprada. Ignorância maior, salvação de fora para dentro. Mas a verdade intragável que carrego comigo em segredo e que, hoje venho aqui confessar, é , também pertenço a esse tipo de gente medíocre. Quando cruzo as portas das livrarias o faço como quem atravessa as portas de uma igreja. Estou em busca de salvação. Silenciosa caminho na direção de um milagre. O grande livro da revelação. Os grandes nomes, os grandes homens, os já vivido. É para ele que dirijo minhas orações racionais. São eles que detêm as chaves. Basta prestar atenção aos sinais. Me concentro, repasso títulos, um deles vai servir.
E ansiosa compro meu passaporte para felicidade. Dessa vez vai, tenho certeza, esse livro, estou sentindo, vai mudar a minha vida!
Devoro ávida, mais um, mais uma vez.
Mais uma vez não deu... Mais uma vez me negaram a salvação. Duas ou três frases de impacto, gotas de vida, não salvam, mas sustentam mais uma noite.
Hoje foram cinco os passaportes falsos que comprei.
Um dia eu, e todos esses ingênuos preguiçosos que ai estão, vamos entender que felicidade não se compra, que a salvação é ardúa, para dentro, sem atalhos, sem escapes. Que vem em pedaços, é construída, mora dentro e é única.
Queria muito ser diferente desses idiotas patéticos. Queria, mas não sou.

Eu amo você.

Eu não sei dizer. O que quer dizer. O que vou dizer...
Eu amo você.

Zeca Baleiro.