domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ditadura do orgasmo.





Eu estava escrevendo sobre outro assunto, ai fui ler o post "Orgasmo e corporativismo feminino" blog do Salo e resolvi escrever sobre o tema. Já havia escrito algo em Ponto G ,

A sexualidade feminina parece um tema confuso ainda, não só para os homens, como também para as mulheres. Quando vamos tratar do assunto o primeiro ponto "G" a ser observado é que a sexualidade da mulher é diferente da do homem. Não apenas por questões fisiológicas, mas também por questões históricas, religiosas e culturais. Se no ocidente muitas mulheres ainda se escondem sob véus, por aqui a maioria deseja rasgar todos. Se por aqui tem muita mulher fingi orgasmos, por lá é preciso disfarça-los.
Lendo a campanha "Não finja orgasmo", fiquei com a impressão de que a responsabilidade pelo orgasmo feminino está nas mãos dos homens. E não está. Isso é dar poder a quem não tem, não completamente, pelo menos (sorte nossa).

O que as mulheres não entendem - por tabu, medo, puritanismo ou vergonha- é de que o orgasmo feminino está nas suas mãos, ao alcance dos seus dedos. Sim a masturbação feminina é o ponto em questão.

Masturbar-se é conhecer seu corpo. E por incrível que pareça o tema ainda é cercado de polêmica. Por exemplo, existem mulheres que não admitem que seus parceiros se masturbem na sua ausência. Está mesmas mulheres não devem se masturbar sem o consentimento do parceiro. Na crença de que partilhar o desejo, e o gozo é algum tipo de fidelidade. As pessoas relatam se sentir traídas ou excluídas quando isso acontece.

Antes de deixar que o outro te toque, é preciso descobrir onde você quer ser tocada. Existem muitas formas de atingir o orgasmo, das mais simples, as mais complexas e incomuns. Não existe um padrão. O consultório dos psicólogos é cheio de exemplos. Tem gente que se satisfaz da forma tradicional, papai-mamãe, e está tudo bem. Já outros precisam de mais adereços, condicionam o gozo a objetos ou posições, palavras.

Os homens são muito mais sensoriais. A visão e audição são importantes meios para atingir o orgasmo. Existem várias explicações para isso. Se alguns gostam de diálogos picantes durante a relação, outros podem ficar muito ofendidos.

O cara pode, cheio de más (boas) intenções escolher um filme pôrno para assistir com a parceira e acabar esfriando a noite. Ela pode não gostar de ver a cena, mas de sentir; ele pode querer acender a luz, ela apagar ; ela de lamber orelha e ele dedão; um de vinho, o outro cerveja.

Existem muitas possibilidades e combinações. No entanto é fundamental que a mulher conheça seu corpo, para que tenha posse dele, saiba o que lhe dá prazer para então poder dar as dicas ao sujeito. E diferente do que prega a campanha, acredito que, o homem pode ser fantástico de cama (abençoados sejam!) e mesmo assim a mulher não atingir o orgasmo. O contrário também é verdadeiro, o cara pode ter pouca experiência, ou ser ruim mesmo, e a mulher atingir um orgasmo lunar.

O que é isso? Dupla, química, pele, momento, auto-estima. São vários os fatores envolvidos. Para nós mulheres então, quando tudo isso rola, as vezes não é preciso chegar a cama para atingir esse tal de orgasmo.

Afeto está sempre envolvido, é verdade. Se a mulher se gosta ela vai se presentear com orgasmos, vai querer fazer feliz uma pessoa importante. Ela mesma. Não sei se por sorte nossa, ou azar, precisamos bem mais que um homem bonito para um orgasmo. Gentileza e carinho são palavras chaves. Se tiver química então, feliz da moça.

Hoje em dia ainda vemos as mulheres se debatendo com questões como ir ou não para cama com o cara na primeira vez. Bom, isso depende do cara, da dupla, do toque. As mulheres ainda estão presas entre o modelo antigo da mamãe e as novas-avassaladoras-devoradoras-mulheres-mulheres-modernas-de-múltiplos-orgasmos!!

Vamos meninas, libertem-se. Procure conhecer o seu desejo. Se você não tem orgasmos múltiplos, não se culpe, se tem aproveite. Se seu orgasmo só acontece através dos seus dedinhos, não se ache estranha, seus dedos são do bem! Se seu parceiro ama sua calcinha fio dental, não em você, mas nele, não estranhe também, a não ser que ele saia para o trabalho com ela, nessa área não tem regra e nem receita.

Não envolvendo menores, crianças indefesas, entre dois adultos, consentido vale tudo.

Não finja orgasmo, é verdade, mas também não coloque ele no altar do sexo. Sexo é muito mais que isso, sexo é uma viagem, sozinha ou a dois, o orgasmo um fim de linha, ou reembarque. De qualquer forma aproveite o trajeto que, naturalmente, você chega ao ponto final.

Sacou?


Não tenho vergonha de dizer que estou triste,

Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:

Estou triste por que vocês são burros e feios

E não morrem nunca...


Mario Quintana.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Inverno...

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes de o ocidente se assombrar
Adriana Calcanhoto.

SC à SC

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dicas de mãe.

Crianças são lindas...
mas só não são perfeitas, porque não são infláveis.

Depois de exercer nossos instintos maternos e paternos, bastaria apenas "pizzz", murchar e guardar os pequeninos. E após uma boa noite de sono, enche-los novamente.

Mas como nem tudo é perfeito, ai vai uma dica para facilitar o sono dos bebezinhos...

E se a babá faltar, não há com o que se preocupar. Pendure o pequenino, mas não esqueça de colocar junto um amiguinho, para que seu filhote não se sinta sozinho.

Fora isso, vale lembrar, que o essencial é amar.

Muito.

Amores impossíveis.



"Fica estabelecida a possibilidade

De sonhar coisas impossíveis

E de caminhar livremente em direção aos sonhos."

Montaigne

Bem brasileiro.

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
Mário Quintana.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A queda!

Uma amiga ao ver essa foto escreveu que, a idade me cai bem.
Lhe respondi que isso é bom, já que com a idade muita coisa cai também!
E pensativa fiquei, aos 33, ainda não me apavorei.
Se existe a mulher moranguinho, e também a melância.
E eu o que seria?
Talvez a mulher bergamota, com a pele cheia de relevos.
Não olho no espelho, e com isso pouca coisa percebo.
Mas sei que também poderia
ser chamada de a mulher braile.
1000 furinhos a compor curvas,
Celulite também é cultura,
basta que entendas a escrita dos cegos.
O que será que contam os textos da minha pele?
Mas bom mesmo é não saber.
Evitar biquinis, se esconder.
Porque se a idade me cai bem,
o resto tem caido também!
*
*
*
P:S hahahaha...passei o dia cheia de rima!
Hoje estou auto-suficiente em piadas!
Muito estranha!

Exagerada, exagerada!




Esquecida e abandonada,
sem teu amor, não há mais nada
Estou morrendo aos pouquinhos
pela falta do teu carinho.
*
Um tiro no pé, melhor seria
do que uma vida sem melodia.
Volta logo se não eu morro.
Vem correndo prestar socorro.
*
1000 beijinhos irão curar
Essa saudade de te amar.
Pois já não sei nem respirar
se não me tocas com teu olhar.
*
Meu coração que só bate
no calor do teu abraço
tem batido devagar
triste, triste a te esperar.
*
Sem você não sei viver
Acho mesmo que vou morrer
Vesga, louca, desesperada.
Exagerada, exagerada...
*
E se você pensar em escapar
penso logo em te sequestrar
Amarro no pé da cama.
E quem condena mulher que ama?
*
Mas não fique preocupado
nem intranquilo ou assustado
Estou desarmada e medicada
É só saudade de mulher apaixonada.

Exagerada, exagerada!





Poeminhas


Amor de irmã e de prima
é sempre a melhor rima
Laços de amor e ternura
da infãncia a idade madura.
*
Amor que corre nas veias
Alegra dia de chuva, refresca em dias de sol
Amor igual ninguém viu
*
Alegria garantida
É amor para toda vida!


Carnaval Laguna -2010.

Olha que especial, quem encontrei em Portugal.

M & M.
Faculdade de Direito - Coimbra 2010.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Declaração de amor...

MEU PONTO "G" É VOCÊ...

Ponto G.



As coisas todas estão do lado avesso.

Nos dias de hoje amar está fora de moda , bonito mesmo a sexualidade escancarada, estampada, exposta. Hoje em dia ser romântico é cafona; jurar amor é brega; serenata não está com nada; amar é coisa de gente careta.

Se no passado pecado era gozar, hoje em dia pecado é não ter orgasmos múltiplos!
A coisa inverteu de tal forma que nada mais pode ser adiado, velado ou construído. O gozo, que para ser gozo tem que ser explícito, já pode ser comprado em prateleiras de farmácia.

Alias, a porta da farmácia virou praticamente a porta do paraíso. Lá é possível adquirir felicidade permanente em pequenas cápsulas, assim como o gozo eterno.

Para os homens, potência perpétua. O sujeito pode ter quase 100 anos, cego, surdo, desdentado, já não saber bem onde está, e nem em que ano, pode mesmo já estar recebendo alimentação por sonda, mas sua ereção estará garantida, gagá mas viril! E para as mulheres, já que ninguém descobriu mesmo onde fica esse tal de ponto G, é possível adquirir orgasmos múltiplos em cápsulas.
Claro que no meio disso tudo, o sujeito mais ativo da relação é, obviamente, o farmacêutico que goza com o gozo alheio.
Investimento hoje só na bolsa de valores. Investir na intimidade não está com nada. Levar para jantar, curtir uma boa música ao lado de alguém interessante, conversar, ir tecendo lentamente uma relação, tudo isso está fora de moda.
Devagar e lento inclusive são palavras praticamente desconhecidas. O negócio agora é não perder tempo. Tempo é gozo e gozo é pop.
Afinal, porque alguém que, pode sair por ai beijando todas e terminar a noite com um desconhecido(a), sexo prático de gozo fácil, trocaria tudo isso por "relacionamentos"?

Hoje o sujeito paga para não se incomodar, acredita. O que não percebe é que depois paga igual, ou a conta da farmácia ou a conta do analista, mas cedo ou tarde a vida manda a conta.

Gozo também é construção, e a incomodação também pode ser gozo. O prazer de turbulências amorosas e fascinantes incomodações ambulantes, só sabe quem já teve.
As pessoas não sabem mais gozar! Reduziram o gozo, ao gozo final do ato sexual. Gozo não se encontra no fim do processo, no gozo em si, o gozo está em todo o processo.
Está no prazer de descobrir o outro e de se descobrir nesse novo outro que se apresenta. Está no prazer de, ao invés de buscar muitas bocas diferentes, encontrar muitas formas diferentes de beijar.
A geração que chega, parece desconhecer o prazer de adiar um toque, para com isso perceber que um toque adiado se transforma em mil sensações diferentes, e com isso descobrir que as zonas erógenas estão espalhadas pelo corpo inteiro.

E quando se descobre isso, aprendemos também a usar o corpo inteiro. Um amor de corpo inteiro.

Porque no frenesi da noite que avança, embalados por sons tecnos disformes e muitas luzes que não permitem perceber o outro, enxergar o outro, o outro deixa de Ser (se em algum momento chegou a ser), e vira peito, bunda, coxa e balanço.
Em tempos de império virtual, menos o outro existe, é sempre o sujeito consigo mesmo, mais ninguém. O gozo de hoje é egoísta. Não se quer dividir gozo, construir gozo. Ele deve ser rápido, já, sem frustrações.
A redução do gozo é a redução do outro. Se não há reconhecimento do outro não há outro para me frustrar. Narcisicamente invisto e reinvisto em mim.

O ponto G não existe, é mais uma mentira que algum cientista contou. Mas acho bacana os meninos continuarem procurando. O que não perceberam ainda é que o ponto da questão não está no ponto, mas na procura. Procurem, procurem e procurem...

Meninas não se deixem reduzir. Contem aos meninos que, o ponto G é muito mais uma questão de fé que de ciência. O ponto G é como Deus, nunca ninguém viu, mas quase todo mundo acredita nele, tirando o Niet, e passam a vida procurando. Assim como Deus o Ponto G está em todos os lugares, está em você, está no outro. Da cabeça aos pés. Amplie seu ponto de vista.

Não desanime se Papai Noel não existe, nem o o Ponto G, ainda temos os farmacêuticos, o maior gozador de todos os tempos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quantos anos você tem?


Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?



Ai, o Confúcio me deixou confusia, não posso responder essa pergunta, sou uma mulher de muitas idades. No entanto jamais desço dos 15.

Vivo a maior parte do tempo entre os 30 e os 50, o que me torna uma pessoa mais ou menos adequada.

Mas a idade ainda precisam se somar os humores, a temperatura e o período do mês, o que deixa as coisas um pouco mais complicadas.

Em manhãs de sol, não muito quentes de verão, costumo acordar com 18. Vou lá, tomo meu banho, meu indispensável e maravilhoso café preto e vou ler meu blog e meus e-mails. Sim por que eu escrevo e me leio!

Se o dia não esquentar muito e ninguém falar comigo, nem ousar me ligar antes das 10h, posso chegar ao horário de almoço ainda com 25. Mas se houver algum barulho repetitivo, como tortura chinesa, tipo tuc,tuc, caminhão do lixo, ou homens cortando a grama próximo a minha janela (como agora!) pulo logo para 123 anos!

Pela manhã você sempre vai tirar o melhor (bem melhor) e o pior (bem ruim) de mim. Ou porque eu demoro pacas para acordar, e fico sonâmbula até as 11h, ou porque tem sol e eu tenho 18 anos. Nunca me acorde. Para que alguém me acorde antes das 10h sem autorização e não ganhe uma facada eu tenho que amar muito a pessoa, e como amo poucas, não tente. Óh já devo estar com uns 84 agora, mas o barulho diminuiu e a idade logo diminue também.

Bom, mas vamos aos dias de chuva. Dia de chuva, café e melancolia. MARAVILHOSO. Só não sabe que é maravilhoso quem não sabe se deprimir. Se você for um pouquinho inteligente, não tiver em sua vida muitos desastres concretos, e um salário razoável, cerque-se de gente morta (Freud, Niet, Jung, Salomé, Girard, Beauvoir) tome um café bem quentinho, deixe cair uma ou duas lágrimas e escreva! Ou cante, veja filmes, como queira. Só não use roupas coloridas, evite falar com as pessoas e nada de sexo, que não combina. A não ser que seu parceiro (a) também saiba se deprimir com elegância, ai um sexo deprimido até rola, mas depois se isole na biblioteca. Não tem biblioteca? Mande a pessoa embora, cada que se deprima na sua casa, se não você está arriscando o suicídio. Devem ter notado que a depressão aqui é completamente burguesa.

Mas voltando a idade...em TPM, faça chuva ou sol, em TPM devo ter uns 500 anos. Certo. Meu ciclo fecha sempre com o final de semana, condicionei o corpo e ai que ele não me obedeça. Ai é só fechar as janelas e expulsar as crianças , que vão embora de bom grado. Escolho meu melhor travesseiro, chamado naná (sim eu tenho um naná) e um edredom fofinho, 3 filmes tristes, café e Legião Urbana. Eu evito com isso uma série de agressões, tentativas de homicídio com faquinhas de manteiga e arranhões. Porque depois, passada TPM, tenho que ficar concertando esse tipo de coisa.

Quando atendo no consultório tenho em torno dos 50 anos; em dias de praia, 25; nas amizades 3o e poucos e muita lealdade; quando bebo a idade cai na medida que o álcool sobe; como mãe sou rígida, oscilo entre 40 e 50; como filha tenho uns 60; no amor não sei dizer mas acho que sou meio estranha, se feliz nele você pode encontrar uma garotinha de 15, toda boba, se frustrada você pode encontrar um dinossauro de 2000 anos, tudo depende.

Mas hoje, especialmente no meu aniversário (sim hoje é meu niver, bem querida estou!), tenho 33, a idade de Cristo. Criei a fantasia de que na idade de Cristo a sua vida muda. Portanto decidi, esse ano minha vida vai sofrer uma grande mudança.

Bom como o horário de almoço está chegando, os terríveis homens da grama voltaram e eu já estou com mais de 80 agora, preciso encerrar este post.

Enfim, sou uma mulher de muitas idades.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quase-amor.


Parada embaixo da marquise cinza, observava Alfredo que lento caminhava pela chuva fina, daquela tarde que terminava.

A cada passo de Alfredo, aquela distância antiga, tão presente entre eles, ficava cada vez mais alta. Mesmo que retornasse, mesmo que desistisse e voltasse na direção de Amélia, ela sabia, aquela distância nunca mais desapareceria.

Agora, olhando Alfredo partir na direção oposta de seu coração, Amélia percebia que ele nunca se aproximara tanto. Muito próximo ele estava daquela solidão antiga que, desde sempre, impedia Amélia de ter bons sonhos. Fazendo a curva, Alfredo tocava sem saber na sua escuridão. A pouca luz daquele fim de tarde não impediu Amélia de ver o quanto ele se parecia com ela. Ela e sua ruidosa solidão.
Aquela selvagem solidão que Alfredo nunca pode ouvir.
Nos longos anos que dormiu ao lado dela, Alfredo nunca percebeu a dor de Amélia em tempestade.

Amélia deu um passo a frente, para que a chuva apagasse suave a tristeza de seu rosto.
É que Amélia estava triste, não pela partida de Alfredo que não lhe doeu em nada, estava triste porque não sentir era o que atormentava.

Atormentava não doer de amor.

Era essa sua cruel realidade.

Baixinho perguntava, seria capaz um dia de não sentir alívio quando um quase amor partisse?

Pois era alívio que sentia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Quando fazemos tudo para que nos amem... e não conseguimos, resta-nos em último recurso, não fazer mais nada. Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado... melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não espontaneamente, mas nunca por força de imposição. As vezes é inútil esforçar-se demais... nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concebido. Quase sempre amamos quem nos ama mal e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de nada mais fazer.


Correio feminino


Clarice.

"No início eram muitas pessoas e poucos livros.

Hoje estou cercada de muitos livros e poucas pessoas.

O que constato me permite seguir em frente, aliviada."
Andréa.

“- Como eu ia dizendo, foi por causa disso que vim para cá. Foi um erro. Mas faço tantas outras coisas por esse mesmo motivo que não sei explicar! disse simples, perplexa. É como se houvesse um acontecimento que me espera, e então eu tento ir para ele, e fico tentando, tentando. É um acontecimento que me cerca - Ele me é devido, ele se parece comigo, é quase eu. Mas nunca se aproximou. Se o senhor quiser pode chamar de destino. Pois tenho tentado ir de encontro a ele. Sinto esse acontecimento como se sente uma aflição. E é como se, depois dele acontecer, eu fosse me tornar outra, acrescentou tranquila. Às vezes tenho a impressão de que meu destino é apenas ter um pensamento que ainda não tive.”


A Maçã no escuro

Clarice.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010


E te amo, e te venero, e te idolatro

Numa perplexidade de criança.

Vinícius de Moraes.

Pergunta aos cariocas:

Por que no Rio de Janeiro a chegada de um bebê ao mundo é um NAISCIMENTO e não um NASCIMENTO?
Já perceberam que lá eles "NAISCEM"?
Já ouvi até reporter incluindo este "I" no meio da palavra.
O Capitão NasIcimento deles não é o mesmo que o nosso. Enfim...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Histéricas para o bem






A mente é poderosa. Fato.

Quem já não ouviu falar na "gravidez psicológica"?

Pois acredite, é real. A mulher consegue criar um barrigão de 9 meses, sente os movimentos do bebê e tem, inclusive, as dores do parto. Foi através de um caso desses, com Bertha, que "engravidou" do seu médico, Breuer, que Freud desenvolveu suas primeiras observações sobre a histeria.

Bom, mas tudo isso para dizer, queridas amigas histéricas, que podemos usar nossos poderes para o bem. Se somos capazes de produzir um barrigão de 9 meses (!!), também podemos produzir uma barriga tanquinho de primeira!

Claro, como ninguém pensou nisso antes??

Dá até para criar um curso disso. Público não vai faltar.

"10 lições para se ter uma barriga tanquinho", por Bertha Pappenheim.

Terapia que nada, dói demais, o negócio é corpo sarado.

Subversão total dos ensinamentos do grande Freud.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O WELFARE STATE NÃO FOI RADICAL O SUFICIENTE


ACHO INTERESSANTE quando leio criminólogos de quilate de Massimo Pavarini, David Garland e Jock Young destilarem, simultaneamente, sua nostalgia do Estado de Bem-Estar Social e sua descrença em soluções estruturais para problemas de segurança pública. Acho uma contradição dolorosa. Uma observação antes da análise: esses autores são fundamentais em Criminologia e não raro estou toda hora me referindo às suas obras nas minhas aulas. Reconheço sua importância fundamental. Porém também tenho críticas.Todos esses autores, por exemplo, fazem questão de criticar a idéia de que a redução da desigualdade social é um fator capaz de reduzir a criminalidade. Para tanto, usam o argumento de que, apesar dos bons índices sociais do final da década de 70, o crime aumentou.Creio que esse argumento é uma falácia. Dizer que "apesar da redução da desigualdade econômico-social, cresceu o delito" não significa, por si só, que a desigualdade social não tenha reduzido os índices possíveis de crime caso a desigualdade fosse ainda maior. Convido os doutores a comparecerem ao Brasil e conhecerem seus índices nada agradáveis de violência, especialmente violência letal. Portanto, é uma armadilha cavada pela direita (como tantas outras da década de 80) dizer à esquerda que deve jogar no mesmo tabuleiro, ou seja, que é preciso deixar de lado a "questão social" e partir para a disputa em torno das políticas de segurança pública. (Mais uma vez: não tenho nada contra as políticas de segurança, ao contrário; porém, ao mesmo tempo, me recuso a não pensar além disso tudo, pois se trata de mero paliativo, sem qualquer chance de alcançar a raiz dos problemas.)Por que, então, não ocorre a correlação? Ora, sabe-se há muito mais tempo que os anos 60 (portanto, muito antes dos movimentos de 68) que os problemas humanos não são exclusivamente de raiz econômica. A violência não se exerce apenas pela via da exploração do trabalho. Racismo, machismo, etnocentrismo, etc., são formas de violência exercidas sem necessariamente corresponderem a estruturas econômicas. Portanto, diminuir a desigualdade material não significa, automaticamente, reduzir toda cadeia de violência social. Há relações irredutíveis a este esquema, que não são imediatamente atingidas pelas mudanças vinculadas a "classes sociais". Logo, o fracasso do Welfare não deve ser atribuído ao esforço desnecessário (como fazem crer os defensores do mercado), mas à sua falta de ambição.Se, por um lado, diminuir a "privação material" não significa, automaticamente, diminuir a violência humana, disso não pode ser deduzir mais nada salvo o que foi dito. Ou seja, dizer, como dizem Pavarini ou Garland, que não é possível fazer a correlação não significa que seja possível não a fazer. Tudo indica, ao contrário, que reduzir a privação material, além de ser uma forma direta de reduzir a violência (a privação já é uma violência), igualmente proporciona condições para reduzir outros tipos de violência. É possível que a própria estrutura do Welfare - inspirada em princípios de justiça distributiva - tenha sido uma das causas dos movimentos emancipatórios nele surgidos e que não raro se voltaram contra o próprio Welfare. É que a ansiedade por justiça não se interrompe e, uma vez aberta a possibilidade, a imaginação humana não tem limites. Por isso, todos os arranjos políticos que propõem a emancipação têm de estar preparados para ser destruídos ou profanados.Isso também revela um erro de avaliação nostálgico de Young acerca dos movimentos de 68. A visão idealizada que tem do Welfare (conquanto muitas vezes o critique) o cega para o simples fato de que provocar o vazio é provocar o novo. Se o espaço foi deixado vazio e disso se aproveitaram os conservadores, é porque a disputa política por hegemonia foi perdida naquele momento. Cabe a nós retomá-la. Não, porém, reivindicar o retorno a uma estrutura que caía de podre que estava. Quando leio uma proposta radical e absolutamente fundamental - como a da Andréa no TPM acerca das "políticas do afeto" -, todos esses criminólogos me parecem mansinhos querendo dizer "viu como nós não somos radicais? Nossas propostas são para o cidadão de bem também!".A causa da violência é a própria violência; ou seja, a violência funciona como um processo ininterrupto e sem limites, analogamente ao que ocorre em um incêndio (nesse ponto, creio que René Girard é uma leitura obrigatória). Quanto mais fogo jogamos, maior o incêndio. Perguntar "de onde vem a violência?" é um tanto quanto redundante, pois ela sempre esteve aí. É ela e seus círculos viciosos intermináveis que nos governam. Nossa tarefa é dela escapar, com ambição.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.
Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
Te amo. Birosquinha.

Primeiras experiências amorosas.

Reiterando...




Segundo a psicanálise, as primeiras experiências amorosas são determinantes. Eu lembro claramente das minhas...
Este na foto ao lado foi meu primeiro namoradinho, o Chiquinho. Por influência dos adultos, ou enamoramento nosso, eu o Chiquinho, que éramos vizinhos, namoramos por um longo período.
O Chiquinho era um bom partido, apesar de não ter profissão, era gentil e simpático.
O irmão do Chiquinho namorava a minha irmã. A área de serviço da casa deles era de frente para nossa área. No verão tomávamos banho de tanque, nós duas no tanque de cá e os dois no tanque de lá.
Sorriamos, conversávamos, namorávamos a distância, cada um no seu tanque. Fui feliz com o Chiquinho e aprendi com ele uma lição básica, a distância é essencial para a saúde da relação.
Depois do Chiquinho veio o Márcio, também vizinho. Nosso romance não durou muito, tínhamos 5 anos. Um dia, enquanto brincávamos de esconder, o Márcio me perguntou:
_Tu toma mamadeira?
_Sim,respondi.
_Então não quero mais namorar contigo.
_Tá bom.
Assim, simples e fácil! O Márcio me ensinou que ser direto e franco quando alguém não preenche nossas expectativas facilita muito e torna os rompimentos bem menos traumáticos.
Eu preferi a mamadeira ao Márcio, ele não era culpado por isso, eu não era culpada, talvez a mamadeira fosse a culpada, mas o importante é que não culpei o Márcio por não me querer, sem drama, sem culpas, simples como uma mamazinho.
Depois do Chiquinho e do Márcio, é verdade que as coisas foram ficando menos simples. Aprendemos a complicar o simples na medida que crescemos, e a isso chamam maturidade.
Passei a fazer coisas estranhas, dizer o contrário do que queria e me comportar de forma contraditória,obrigando o sujeito a adivinhar meu desejo.
No jardim de infância brincávamos de pega-pega, descobri nesta época quão boa estrategista eu sou, quando tudo parece perdido eu encontro uma saída. Bom, no pega-pega, lembro bem, veio um menino de cada lado e eu estava embaixo do escorregador, eles vieram correndo, sorrindo perversamente com cara de já ganhei. Eu? Escapei rapidamente por baixo da estrutura! Eles acharam que ia ser fácil me pegar? De jeito nenhum. E o que aconteceu? Foram pegar as meninas mais fáceis e a esperta aqui ficou a ver navios...
Cresci, compliquei mais as coisas e, de tanto escapar, me tornei praticamente uma analfabeta emocional. Se hoje, intelectualmente estou a caminho do doutorado, emocionalmente não cheguei ainda ao ensino médio.
Mas sou uma aluna aplicada e resolvi resgatar as lições que aprendi com o Chiquinho e com o Márcio do meu baú de memórias afetivas. Como mulher e como terapeuta está é uma tarefa de que não posso me furtar.
A distância é sagrada, e não estou falando de distância física apenas, estou falando de espaço, individualidade. Cada um no seu quadrado. Isso mantêm o respeito, permite a gentileza e alimenta o erotismo.
Quanto a ser direta...isso passa pelo processo de autoconhecimento. Quando sabemos o que queremos, quando não esperamos que o outro nos salve de nossas culpas, nossas carências e de nosso vazio, as coisas tendem a ficar mais fáceis. É simples, porque se estamos mais tranquilos com isso, também não entraremos na furada de salvar ninguém. Cada um que se vire com o que é seu, o que não significa dizer que não apoiaremos o outro nos seus momentos de dor e angústia, quer dizer apenas, que não teremos a pretensão de salvá-lo.
O que você quer com o outro? E o que o outro pode te oferecer?
Relacionamento sério? Amorizade? Sexo? Colinho? Fantasia? Suporte?Derivados?
Se o que você quer fechar com o que o sujeito pode, então vai, se não troca de Chiquinho.Só não espere encontrar tudo isso com o mesmo sujeito. Não se iluda.
Desta forma, a distância imposta pelo tanque, se mantem naturalmente.
E por fim, não fuja quando quer ficar, diga o que você quer dizer, não faça o pobre mortal adivinhar o que você está pensando ou sentindo, provavelmente nem ele sabe o que está sentindo (lembre-se os homens são mais lentos nesse ponto).Espante a culpa, libere o corpo - Áh me empolguei agora- cante, conecte-se ao SEU desejo e beije, beije, beije.
E quando a coisa apertar, busque uma mamadeira ou tome um banho de tanque!
E beijos para o Chiquinho e para o Márcio, obrigada meninos.
P:S E meninos, azar o de vocês, não sabem o que perderam!