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Mostrando postagens de Janeiro, 2010
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bald wieder

O homem certo na hora errada.

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Depois, depois que você estiver cansado, que não estiver mais acomodado e que para terminar queira, de alguma forma, recomeçar.
Depois, quando você estiver sem dente, quando estiver bem carente e ninguém mais lhe quiser.
Quando tudo estiver quase acabado, seu corpo todo enrugado de quase já não saber.
Quando entre nós tudo já tiver sido dito, e nossa pele já não entrar em curto circuito quando o teu olhar me beijar.
No dia em que você usar dentadura, precisar caminhar de bengala, e já não for toda essa gostosura.
Depois que as águas estiverem baixado, e eu não mais reclamado por você não me pertencer. Então você ai poderia, tocar na minha porta e me encher de alegria.
De mala, sorriso e esperança, me abraçar feito criança e finalmente ser meu.
Depois que o tempo estiver passado, e você um velho acabado, aceita ser o meu namorado?

Cabeça de Ovo.

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Nessa estória toda, alguém tem que morrer, e certamente esse alguém não sou eu.
E adivinha, ãhn?, ãhn? Se não sou eu é quem, se só tem uma pessoa e um alguma coisa outra nisso?

Exatamente cabeça de Ovo, essa você acertou. Se não sou eu, então é você!
Perfeito, pela primeira vez você conseguiu acertar uma resposta difícil. Ironia? Puxa, você está ficando bom nisso. Anda treinando no banho, heim?!Garoto esperto. Continue assim que você logo chega lá, afinal quem demorou 1 ano para identificar ironia no meu tom de voz, é realmente alguém de muito futuro.

Se estou mal humorada? Imagine...é o sol que hoje está muito quente. Não tem sol lá fora? Nossa Cabeça de Ovo, então, não sei. Talvez seja você. Você já imaginou que pode ser você?
Você e esse péssimo hábito de mentir para apaziguar a vida. Perceba, não é a mentira, que nem podemos considerar como tal, pois algo para ser considerado mentira precisa de fato convencer o outro. Necessariamente deve passar por verdade. É preciso crer. O que não…

Medo de se apaixonar.

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Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.



Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a…

Confissões de uma sedutora.

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Minha vida inteira seduzi, por absoluto tédio.
Tédio de viver. A ausência de sentido sempre me movimentou na direção do outro, sobre quem derramei meus encantos.
Em nome do tédio que é nada sentir, inventei amores.
Por desespero, curiosidade, teci enganos.
Traiçoeira, libertina
Criei mil véus de ilusões
No secreto desejo de ser por ele vencida.
Jogo a rede.
Não me prenda. Outra vez. Tenho tempo? ____________ Lou.Lou.
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Quais são os seus desejos?

Aniquilamento e desejo.

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Unh...acabado, tudo acabado.
Corpo ereto. Mãos fechadas. Garras recolhidas.
Resta agora, apenas teu rosto, todo ele dilacerado e o gosto amargo do silêncio.Teu sangue escorre, mas não me comovo. Nenhuma pena teu sangue me provoca. Porque quando tenho uma raiva assim, dessas bem grandes, e que quanto mais a gente pensa, maior fica, o melhor mesmo é rasgar.Porque , você sabe, quando a raiva nasce ela vai gelando o sangue da gente. O sangue gela, é raiva pura. Gela e paralisa. Quando a temperatura atinge níveisbaixissímos, da ponto dos meus dedos saltam garras afiadas, que mais parecem navalhas. Do extremo da mão, surgem, apontadas para o alto.E antes que possas perceber as garras puxam em grande velocidade todo o corpo que, arqueado obedece a velocidade imposta pela ira, que voa. Na direção do teu rosto amor, a mão que nada mais pode contra o ódio, movimenta com destreza rasgando a pele. As primeiras e mais violentas navalhadas atigem a parte mais macia e exposta do rosto do outro, as boc…

Anonimamente

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Mas tenho em mim uma coisa que você se esqueceu de dizer: a capacidade de amar anonimamente, sem pedir nada em troca, sem reconhecimento, sem perdão.



Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”
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Valentim era, como eu, sozinho. Eu tinha sido traída por uma pessoa, ele pelo destino. Mas, ao contrário de mim, não conseguia deixar partir de verdade quem se fora.Eu sabia que era preciso tempo. Cada perda tem sua hora de acabar, cada morto seu prazo de partir, e não depende muito da vontade da gente. Ele não estava curado.(…)
Acordo com Valentim ao meu lado. Passo de leve a mão em seu rosto adormecido, acompanho com o dedo o contorno de sua boca, beijo seu ombro e me aconchego mais nele: aqui é o meu lugar no mundo. E o dele também. Do nosso jeito, estamos construindo – mais uma vez – a vida. A dor faz parte.


Lya Luft in “O silêncio dos amantes”
"Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico."



"E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."



Vai passar, tu sabes que vai passar.Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí,haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como: "estou contente outra vez...

Quem lembra?

Nesse momento férias "remember", estava lembrando da cena mais emocionante da minha vida, o resgate de bebês, em 1985, no grande terremoto que atingiu o México. Eu era pequena, e assistia impressionada todas as notícias. Hoje, minha grande frustração é não poder fazer parte de equipes de resgate. Fico maluca quando essas catástrofes acontecem e eu só posso assistir, impotente, pela televisão. O máximo que cheguei de trabalhar nessas situações foi nas enchentes de Santa Catarina. Emocionante....

Notem...

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Desamamos
*
* Desmama(e)mos.

CONSELHOS DURANTE UM TERREMOTO

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A ruína nos dá lições de vida. Desabam prédios no centro da cidade do México num estrondoso terremoto. Racham pias, os espelhos se partem, água escura irrompe das paredes e tudo começa a afundar. Na rua os carros balançam igual gelatina, começa uma chuva apocalíptica de vidros e depois tijolos, ferro e pó, até que a morte se esconda sob os escombros.
Mas a todo instante nos chegam notícias de que bebês sobreviveram seis dias sob os destroços, casais resistiram sob os entulhos, e outros, apesar de desabarem inteiramente com os edifícios, chegaram ao solo intatos.
Então é lícito pensar que, embora muitos pereçam, a ruína nos dá lições de vida. Pois desabam os casamentos, os negócios, a saúde e os regimes, mas não se sabe de onde nem por que milagre surgem forças, propiciando o resgate e nos livrando do total aniquilamento.
Todos já estivemos e estaremos em algum terremoto. Um terremoto é quando a paisagem nos trai. Um terremoto é quando se quebrou a solidariedade entre o seu ponto de vista…

TV-memória.

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Estava aqui lembrando de duas séries que marcaram minha infãncia: Shõgun e V, a batalha final! Nossa! Não sei quantos anos eu tinha, uns 8, talvez. Shõgun me impactou. A primeira história de amor que resgistrei de forma consciente. Além do romance o Japão me fascinou, e fiquei intrigada com o fato das japonesas andarem, devagar e atrás dos homens! V, a batalha final. Alienigenas lagartos. Lembro que uma mulher teve um filho com um deles e o bebê nasceu com caracteristicas humanas e com uma lingua horrível! Bah, muito legal lembrar disso.

Amor pelo avesso.

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Fragmentos de verdade cortavam a distância.Trazia nas mãos pequenos espelhos que refletiam sons ácidos de fundo rosa. Tocavam com cuidado aquilo que não podia ser dito. Era difícil encontrar, e distraídos encontraram. E de um jeito novo, todo invertido, construíram juntos um espaço indizível. Lugar de encontro, daqueles que amam pelo avesso.

Três.

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Um Foi grande o meu amor não sei o que me deu quem inventou fui eu fiz de você o sol da noite primordial e o mundo fora nós se resumia a tédio e pó quando em você tudo se complicou
Dois se você quer amar não basta um só amor não sei como explicar um só sempre é demais pra seres como nós sujeitos a jogaras fichas todas de uma vez sem temer naufragar não há lugar pra lamúrias essas não caem bem não há lugar pra calúnias mas por que não nos reinventar * Três eu quero tudo o que há o mundo e seu amor não quero ter que optar quero poder partir quero poder ficar poder fantasiar sem nexo e em qualquer lugar com seu sexo junto ao mar Adriana Calcanhoto.

Confesso.

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Aquele dia, em que você disse que eu ganharia um soco, confesso, foi a declaração de afeto mais doce que já recebi de você.

Férias.

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"A escolha das férias, com seu calendário complicado, em tal ou qual data em que eu esteja disponível, favorece extraordinariamente essas primeiras reivindicações."

Barthes.

O AUSENTE

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Ajo como sujeito perfeitamente desmamado; sei me alimentar enquanto espero, de outras coisas além do seio materno.
Essa ausência bem suportada nada mais é do que o esquecimento. Sou, intermitentemente, infiel. Essa é a condição de minha sobrevivência; pois se não esquecesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória (como Werther).

Fragmentos de um discurso amoroso.

Roland Barthes.

Reunião docente.

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Frutífera reunião docente. Dela ficaram algumas conclusões importantes. Das longas horas de papo, o papo é sempre furado. Incrível como três pessoas inteligentes e interessantes não consiguem falar nada de útil. E claro, segundo eles, a culpa é minha (?!?!). Fica registrado que:

1) o lugar mais próximo da felicidade para um homem é perto de um lixo. 2) que homens de bigodinho possuem milhares de fungos e bactérias, em função da umidade e dos alimentos presos no seu bigode "imbejável".3) o Gabriel está ansioso pela décima nona edição dos vídeos e hits do mestrado.4) que todos estão com saudades de jogar "verdade e consequência" com a Leandra. 5) que todos nós gostamos muito do Bizotto. 6) que eu tenho amnésia.7) que eu estive presente nos melhores momentos do mestrado, no entanto não lembro.8) que falei coisas absurdas e no entanto não lembro (!). 9) que sou "muito boa" porque fiz uma pessoa muito inteligente se sentir culpado por uma história absolutamente ab…

Trechos...

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__Eu acho que estou acostumada que as pessoas me decepcionem. Eu acho que estou brava com você por tentar me tirar disso. __Eu acho que você é a minha garota.

Porque o amor não se importa.

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Quem disse que para amar é preciso conhecer?

Digo que amo precisamente por não saber.
É de silêncio e mistério que o amor é feito.
As explicações serão sempre tentativas, impossível dizer. Só tenho a possibilidade de rabiscar. Imprecisos contornos.
Porque o que importa não está lá onde a razão alcança. O que importa escapa a forma e se esgota na palavra.
O que me apaixona se esconde naquilo que não posso ver. Está em tudo aquilo que não sei de você. Está em tudo aquilo que não sei, mas posso sentir quando fecho meus olhos e me entrego ao movimento do teu corpo. Na paz que sinto no silêncio do teu abraço.
Comunicação primeira, o sentido no invisível.
É porque o amor não se importa com aquilo que sabemos.
Porque o amor é feitos de sons e silêncio e de tudo aquilo que não sei.
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Ao nascer ganhamos o direito sagrado ao suicídio.

Mesmo triste, estou feliz Gisele.

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Gisele, sou uma mulher que não cola.
Gisele me disse surpresa que nunca havia visto alguém que, mesmo tão triste, por fora conseguia se manter razoável.
_Nunca vi alguém deprimida conseguir se manter assim, bonita.
Vocês percebem que Gisele só dá aos feios o direito a dor. Então expliquei para Gisele, o que sei, ela já sabia, é que nada do que sou do lado de cá, combina com o que sou do lado de lá.
Eu sou alguém que não cola Gisele, por mais que eu tente, não dá. Você tem razão, a parte de fora não cola com a parte de dentro. Quem vê de longe não tem a mais vaga idéia das alegrias e dos tormentos que correm nas veias.
Meu corpo, fragmento desconectado da minha maternidade. Minha baixa estatura é oposta aos altos incêndios que me consomem, e minha ternura não combina com meus ódios homicidas.´
Meu puritanismo ridículo é totalmente contrário aos meus impulso de sedução.
Minha paralisia de anciã que deseja a morte, não cola nos frenéticos movimentos que faço em direção a vida. Um pedaço caseir…