segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O homem certo na hora errada.



Depois, depois que você estiver cansado, que não estiver mais acomodado e que para terminar queira, de alguma forma, recomeçar.
Depois, quando você estiver sem dente, quando estiver bem carente e ninguém mais lhe quiser.
Quando tudo estiver quase acabado, seu corpo todo enrugado de quase já não saber.
Quando entre nós tudo já tiver sido dito, e nossa pele já não entrar em curto circuito quando o teu olhar me beijar.
No dia em que você usar dentadura, precisar caminhar de bengala, e já não for toda essa gostosura.
Depois que as águas estiverem baixado, e eu não mais reclamado por você não me pertencer. Então você ai poderia, tocar na minha porta e me encher de alegria.
De mala, sorriso e esperança, me abraçar feito criança e finalmente ser meu.
Depois que o tempo estiver passado, e você um velho acabado, aceita ser o meu namorado?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cabeça de Ovo.

Nessa história toda, alguém tem que morrer e certamente esse alguém não sou eu.
Exatamente cabeça de Ovo, essa você acertou. Se não sou eu, então é você!
Perfeito, pela primeira vez você conseguiu acertar uma resposta difícil. Ironia? Puxa, você está ficando bom nisso. Anda treinando no banho, heim?!Garoto esperto. Continue assim que você logo chega lá, afinal quem demorou 1 ano para identificar ironia no meu tom de voz, é realmente alguém de muito futuro.

Se estou mal humorada? Imagine...é o sol que hoje está muito quente. Não tem sol lá fora? Nossa Cabeça de Ovo, então, não sei. Talvez seja você. Você já imaginou que pode ser você?

Você e esse péssimo hábito de mentir para apaziguar a vida. Perceba, não é a mentira, que nem podemos considerar como tal, pois algo para ser considerado mentira precisa de fato convencer o outro. Necessariamente deve passar por verdade. É preciso crer. O que não acontece. O que realmente me deixa irada na sua tentativa de mentira é a ousadia. É em algum momento acreditar que eu acreditaria. Ingênuo ou ousado, no mínimo corajoso, admito. Sempre que você poe em cena seu teatro fico pensando, mas que tipo de mulheres o Cabeça de Ovo está habituado a se relacionar? Cabeças de Ovas, por certo. Ovas que se tivessem no cérebro metade do que tem nas ancas dominariam o mundo e ganhariam o Big Brother, seu grande sonho.

Nossa! Acertei um dos seus grandes sonhos? Como eu consegui? Segredinho...é que, enfim esse é o grande sonho de 10 entre 9 Cabeças de Ovo do mundo.

Tá certo, acordei azeda, assumo.
Te ter em minha vida é um insulto permanente.
Não acreditar-te e continuar a derreter entre teus dedos é o que me mata.

Oi? Eu disse mata? Não, não você ouviu errado. Mata uma Ova. Foi ata, o que eu disse.
Porque aqui, se alguém tem que morrer, justo seria que fosse você.
Escreveria: aqui jaz Cabeça de Ovo, um homem surdo, mentiroso, burro e apaixonante. Aqui jaz o homem que amei.
Mas não morra hoje, Cabeça de Ovo, amanhã, talvez, amanhã...

Com carinho, tua.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Medo de se apaixonar.





Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.




Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza.
Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz.
Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele.

Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Confissões de uma sedutora.

Minha vida inteira seduzi, por absoluto tédio.

Tédio de viver.
A ausência de sentido sempre me movimentou na direção do outro, sobre quem derramei meus encantos.

Em nome do tédio que é nada sentir, inventei amores.

Por desespero, curiosidade, teci enganos.

Traiçoeira, libertina

Criei mil véus de ilusões

No secreto desejo de ser por ele vencida.

Jogo a rede.

Não me prenda.
Outra vez.
Tenho tempo?
____________
Lou.Lou.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Quais são os seus desejos?

Aniquilamento e desejo.


Unh...acabado, tudo acabado.
Corpo ereto. Mãos fechadas. Garras recolhidas.

Resta agora, apenas teu rosto, todo ele dilacerado e o gosto amargo do silêncio.

Teu sangue escorre, mas não me comovo.

Nenhuma pena teu sangue me provoca.

Porque quando tenho uma raiva assim, dessas bem grandes, e que quanto mais a gente pensa, maior fica, o melhor mesmo é rasgar.

Porque , você sabe, quando a raiva nasce ela vai gelando o sangue da gente.

O sangue gela, é raiva pura.

Gela e paralisa.

Quando a temperatura atinge níveis baixissímos, da ponto dos meus dedos saltam garras afiadas, que mais parecem navalhas.

Do extremo da mão, surgem, apontadas para o alto.

E antes que possas perceber as garras puxam em grande velocidade todo o corpo que, arqueado obedece a velocidade imposta pela ira, que voa.

Na direção do teu rosto amor, a mão que nada mais pode contra o ódio, movimenta com destreza rasgando a pele. As primeiras e mais violentas navalhadas atigem a parte mais macia e exposta do rosto do outro, as bochechas. Os olhos arregalados, na supresa do assalto, não esboçam reação. Então a testa, um enorme rasgo nos lábios contraídos, daquele nada que te tornas, apavorado.

Quando mais nada restar reconhecível, a não ser os olhos, perversamente poupados para que testemunhem perplexos as consequencias do meu ódio, o outro será deixado lá, estirado.

Sangrando, dilacerado e em choque, o outro levará as mãos ao rosto e sentirá, antes que os olhos concluam, todo estrago que minha ira é capaz de fazer.

Pronto, tudo resolvido, digo para mim mesma orgulhosa. Teve o que mereceu. Provocou, levou digo firme empurrando qualquer culpa para longe. Não há mais nada a ser feito e nem como voltar atrás, não posso mais reconhecer teu rosto entre todos os outros que circulam, você não significa nada mais.

E tudo isso que penso, no espaço de um segundo enquanto olho para você. Você não percebe, talvez nunca venha a saber, já dilacerei teu rosto muitas vezes. Muitas.

O que significa isso?

Não nada, nada sério. É só desejo, desejo e fantasia.

É o que acontece quando sinto saudades. Navalhadas de puro ressentimento.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Anonimamente


Mas tenho em mim uma coisa que você se esqueceu de dizer: a capacidade de amar anonimamente, sem pedir nada em troca, sem reconhecimento, sem perdão.



Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”


Valentim era, como eu, sozinho. Eu tinha sido traída por uma pessoa, ele pelo destino. Mas, ao contrário de mim, não conseguia deixar partir de verdade quem se fora.Eu sabia que era preciso tempo. Cada perda tem sua hora de acabar, cada morto seu prazo de partir, e não depende muito da vontade da gente. Ele não estava curado.(…)

Acordo com Valentim ao meu lado. Passo de leve a mão em seu rosto adormecido, acompanho com o dedo o contorno de sua boca, beijo seu ombro e me aconchego mais nele: aqui é o meu lugar no mundo. E o dele também. Do nosso jeito, estamos construindo – mais uma vez – a vida. A dor faz parte.


Lya Luft in “O silêncio dos amantes”
"Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico."



"E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."



Vai passar, tu sabes que vai passar.Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí,haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como: "estou contente outra vez...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Quem lembra?


Nesse momento férias "remember", estava lembrando da cena mais emocionante da minha vida, o resgate de bebês, em 1985, no grande terremoto que atingiu o México. Eu era pequena, e assistia impressionada todas as notícias. Hoje, minha grande frustração é não poder fazer parte de equipes de resgate. Fico maluca quando essas catástrofes acontecem e eu só posso assistir, impotente, pela televisão. O máximo que cheguei de trabalhar nessas situações foi nas enchentes de Santa Catarina. Emocionante...

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Notem...


Desamamos

*
*
Desmama(e)mos.

CONSELHOS DURANTE UM TERREMOTO



A ruína nos dá lições de vida. Desabam prédios no centro da cidade do México num estrondoso terremoto. Racham pias, os espelhos se partem, água escura irrompe das paredes e tudo começa a afundar. Na rua os carros balançam igual gelatina, começa uma chuva apocalíptica de vidros e depois tijolos, ferro e pó, até que a morte se esconda sob os escombros.
Mas a todo instante nos chegam notícias de que bebês sobreviveram seis dias sob os destroços, casais resistiram sob os entulhos, e outros, apesar de desabarem inteiramente com os edifícios, chegaram ao solo intatos.
Então é lícito pensar que, embora muitos pereçam, a ruína nos dá lições de vida. Pois desabam os casamentos, os negócios, a saúde e os regimes, mas não se sabe de onde nem por que milagre surgem forças, propiciando o resgate e nos livrando do total aniquilamento.
Todos já estivemos e estaremos em algum terremoto. Um terremoto é quando a paisagem nos trai. Um terremoto é quando se quebrou a solidariedade entre o seu ponto de vista e as coisas. Um terremoto não é só quando o caos demoniacamente toma conta do cosmos. Um terremoto, eu lhe digo o que é: é a hora da traição da natureza. Ou da traição também dos homens, se quiserem. Um terremoto, minha amiga, é quando como agora você está se separando. Você me diz de soslaio, como que saindo, querendo-e-não-querendo conversar, você vai me dizendo que seu casamento está desmoronando. Você está embaixo da pele, com a voz meio sepultada lançando um grito de socorro, e aqui com a equipe de salvamento lhe posso apenas lançar a frase: a ruína nos dá lições de vida.
Terremoto é a hora da traição do amigo, que invejoso concorre como inimigo e lança fel onde a amizade era mel, e envenena a rima de seus dias sendo Caim em vez de Abel.
Por isto, há que afixar conselhos sobre a hora do terremoto. Como nos abrigos antiatômicos, nas indústrias do perigo, há que adiantar as medidas a serem tomadas quando o terremoto vier. Daí o primeiro conselho em caso de tal tragédia: não entre em pânico acima do tolerável. Lembre que todo terremoto é passageiro. Porque este é o sortilégio dos terremotos: nenhum terremoto é permanente, embora muitos e tanta coisa nele pereçam para sempre. Mesmo os mais profundos e autênticos cataclismos não duram mais que pouquíssimos, embora diabólicos, minutos. Vai ser terrível, mas vai passar.
Outro conselho: embora rápido e fulminante, nada garante que ele não torne a se repetir. Há que estar atento também para o fato de que esse movimento de terra é interior e exterior. O que desabou por cima não é tudo. É sintoma apenas do que se moveu por baixo. Naqueles terremotos do México, depois do primeiro e do segundo, as agências noticiaram um outro, mas que foi apenas subterrâneo. Diziam: é a acomodação das camadas geológicas. Incômoda acomodação é essa. Mas um terremoto autêntico vem mesmo das profundas e a superfície só vai se acalmar quando as camadas geológicas lá dentro se ajeitarem de novo.
Sobretudo, depois do terremoto há que aprender com as ruínas. Por que os engenheiros que me perdoem, mas a ruína é fundamental. É a hora do retorno. E se vocês me permitissem discretamente citar Heidegger, com ele eu diria que a ruína só é negativa para aquele que não entende a necessidade da demolição. Pois a tarefa do homem é refazer-se a partir de suas ruínas. Temos mais é que catar os cacos do caos, catar os cacos da casa, catar os cacos do país. Depois da demolição das fraudes, desmontando a aparência do ontem, poderemos nos erguer na luminosidade do ser. Ruína, neste sentido, não é decadência. Ao contrário: é a hipótese do soerguimento.
As ruínas do presente nos ensinam que um terremoto é quando não há mais o centro das coisas. E no México foi o centro, o centro do centro ¾ a capital, que foi arrasada. Mas aprendendo com a ruína, ali já nos prometem o verde. Já tracejam planos de jardins onde crianças e flores povoarão o amanhã.Amigo, amiga: terremotos ocorrem sempre e muitos aí perecem. Mas a função do sobrevivente é sobreviver reconstruindo.A ruína, além da morte, nos dá lições de vida.

2.10.85


Affonso Romano de Sant'Anna.
Porta de colégio e outras crônicas. São Paulo, Ática, 1995.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

TV-memória.

Estava aqui lembrando de duas séries que marcaram minha infãncia: Shõgun e V, a batalha final!
Nossa! Não sei quantos anos eu tinha, uns 8, talvez.
Shõgun me impactou. A primeira história de amor que resgistrei de forma consciente. Além do romance o Japão me fascinou, e fiquei intrigada com o fato das japonesas andarem, devagar e atrás dos homens!
V, a batalha final. Alienigenas lagartos. Lembro que uma mulher teve um filho com um deles e o bebê nasceu com caracteristicas humanas e com uma lingua horrível!
Bah, muito legal lembrar disso.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Amor pelo avesso.


Fragmentos de verdade cortavam a distância.
Trazia nas mãos pequenos espelhos que refletiam sons ácidos de fundo rosa.
Tocavam com cuidado aquilo que não podia ser dito.
Era difícil encontrar, e distraídos encontraram.
E de um jeito novo, todo invertido, construíram juntos um espaço indizível.
Lugar de encontro, daqueles que amam pelo avesso.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Três.


Um
Foi grande o meu amor
não sei o que me deu
quem inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou

Dois
se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só sempre é demais
pra seres como nós
sujeitos a jogaras fichas todas de uma vez
sem temer naufragar
não há lugar pra lamúrias
essas não caem bem
não há lugar pra calúnias
mas por que não nos reinventar
*
Três
eu quero tudo o que há
o mundo e seu amor
não quero ter que optar
quero poder partir
quero poder ficar
poder fantasiar
sem nexo e em qualquer lugar
com seu sexo junto ao mar
Adriana Calcanhoto.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Confesso.


Aquele dia, em que você disse que eu ganharia um soco, confesso, foi a declaração de afeto mais doce que já recebi de você.

Férias.


"A escolha das férias, com seu calendário complicado, em tal ou qual data em que eu esteja disponível, favorece extraordinariamente essas primeiras reivindicações."


Barthes.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O AUSENTE



Ajo como sujeito perfeitamente desmamado; sei me alimentar enquanto espero, de outras coisas além do seio materno.

Essa ausência bem suportada nada mais é do que o esquecimento. Sou, intermitentemente, infiel. Essa é a condição de minha sobrevivência; pois se não esquecesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória (como Werther).


Fragmentos de um discurso amoroso.


Roland Barthes.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Reunião docente.



Frutífera reunião docente. Dela ficaram algumas conclusões importantes. Das longas horas de papo, o papo é sempre furado. Incrível como três pessoas inteligentes e interessantes não consiguem falar nada de útil. E claro, segundo eles, a culpa é minha (?!?!).

Fica registrado que:


1) o lugar mais próximo da felicidade para um homem é perto de um lixo.

2) que homens de bigodinho possuem milhares de fungos e bactérias, em função da umidade e dos alimentos presos no seu bigode "imbejável".

3) o Gabriel está ansioso pela décima nona edição dos vídeos e hits do mestrado.

4) que todos estão com saudades de jogar "verdade e consequência" com a Leandra.

5) que todos nós gostamos muito do Bizotto.

6) que eu tenho amnésia.

7) que eu estive presente nos melhores momentos do mestrado, no entanto não lembro.

8) que falei coisas absurdas e no entanto não lembro (!).

9) que sou "muito boa" porque fiz uma pessoa muito inteligente se sentir culpado por uma história absolutamente absurda, sem pé nem cabeça, beirando a esquizofrenia, a negação da coisa, e que claro eu não lembro.

10) que o Gabriel já escolheu o doutorado e que o Moysés "matou a pau " na seleção de doutorado.
11) que nosso caixão será mantido fechado.

12) que homens que, quando estão com as suas namoradas, mulheres e derivados, mudam a forma de se comportar são medíocres.

13) que o Gabriel tem uma pergunta para Maura e que a Maura tem uma pergunta para o Gabriel.

14) que o ciúmes é primitivo e sempre vence a inteligência.

15) que o Gabriel é muito implicante.

que os dois se "escutam" e perturbam motoristas enquanto estes dirigem.

E que o mestrado valeu muito, por tudo isso que está ai.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Trechos...







__Eu acho que estou acostumada que as pessoas me decepcionem. Eu acho que estou brava com você por tentar me tirar disso.
__Eu acho que você é a minha garota.

Porque o amor não se importa.

Quem disse que para amar é preciso conhecer?

Digo que amo precisamente por não saber.

É de silêncio e mistério que o amor é feito.

As explicações serão sempre tentativas, impossível dizer. Só tenho a possibilidade de rabiscar. Imprecisos contornos.

Porque o que importa não está lá onde a razão alcança. O que importa escapa a forma e se esgota na palavra.

O que me apaixona se esconde naquilo que não posso ver. Está em tudo aquilo que não sei de você.
Está em tudo aquilo que não sei, mas posso sentir quando fecho meus olhos e me entrego ao movimento do teu corpo. Na paz que sinto no silêncio do teu abraço.

Comunicação primeira, o sentido no invisível.

É porque o amor não se importa com aquilo que sabemos.

Porque o amor é feitos de sons e silêncio e de tudo aquilo que não sei.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mesmo triste, estou feliz Gisele.






Gisele, sou uma mulher que não cola.

Gisele me disse surpresa que nunca havia visto alguém que, mesmo tão triste, por fora conseguia se manter razoável.

_Nunca vi alguém deprimida conseguir se manter assim, bonita.

Vocês percebem que Gisele só dá aos feios o direito a dor. Então expliquei para Gisele, o que sei, ela já sabia, é que nada do que sou do lado de cá, combina com o que sou do lado de lá.

Eu sou alguém que não cola Gisele, por mais que eu tente, não dá. Você tem razão, a parte de fora não cola com a parte de dentro. Quem vê de longe não tem a mais vaga idéia das alegrias e dos tormentos que correm nas veias.

Meu corpo, fragmento desconectado da minha maternidade. Minha baixa estatura é oposta aos altos incêndios que me consomem, e minha ternura não combina com meus ódios homicidas.´

Meu puritanismo ridículo é totalmente contrário aos meus impulso de sedução.

Minha paralisia de anciã que deseja a morte, não cola nos frenéticos movimentos que faço em direção a vida. Um pedaço caseiro de quase esquecer o mundo, o outro forasteiro, ama a estrada.

De um contradição ingênua, nenhuma das minhas partes cola na outra.

Mas se você me olhar bem no fundo, Gisele, na escuridão dos meus grandes olhos, verá minha tristeza. A mesma que vejo nos teus.

Como eu, tu também és assombrada pelas tuas tristezas, e mesmo assim te mantens toda arrumada, toda bonita. Tu e teus olhos verdes.

É que o que nos atormenta, não nos dominou. Nossa beleza acaricia suave nossa dor, e nosso rímel é sempre a prova d´água.

Gisele, vamos brindar 2010, por que mesmo tristes somos felizes.

Volte logo da tua Santa Maria, quero te ver.


Beijos aquarianos.