TPM TOTAL


Mergulhada até o último fio de cabelo em uma TPM infinita.

É impressionante o poder de uma TPM, ela acorda todas as insatisfações, disfarces e enganos de uma mulher. Tudo aquilo que a gente faz de conta que não vê, a TPM mostra.

O vazio, imenso vazio que se esconde e na TPM ressurge furioso.

Você, caminhando distraída na estrada, de repente vê surgir na sua frente um imenso buraco

E eu estou cansada, e cansada não me resta mais nada além de sentar na frente do buraco.

Eterna insatisfeita, é o que sou.

Tenho tudo que poderia desejar, e, no entanto, nada me serve.

Já fiz tudo o que queria, e aos 32 anos estou na crise da meia idade.

Ou estava antes e por isso fiz tudo e tanto?

Patética, perdida, desolada.

Imóvel, instável, frustrada.

E também não estou nem ai para o que os outros vão pensar.

Porque não gosto dos outros, gosto de poucos.

E isso não é porque sou seletiva e tenho um gosto diferenciado.

Não gosto dos outros porque sou chata, rabugenta, prepotente e ou outros me irritam.

Os outros e seus assuntos chatérrimos, os outros e seus papos de sempre.

Eu e os meus papos de sempre, minha lenga-lenga infinita.

As pessoas são chatas e mentirosas.

Todo mundo ralando, se fudendo e fazendo cara de gente feliz e potente.

Eu não gosto dos outros.

Eu detesto essa minha prepotência narcisista de não querer precisar de ninguém.

Sim, essa antiga fantasia de não precisar.

De ser só, livre e me bastar.

Eu detesto as minhas ilusões e fantasias.

Eu detesto quem consegue ter ilusões e fantasias e ser feliz por algum tempo.

Ilusões e fantasias são oásis em meio a esse deserto que é viver.

Alguns conseguem ficar lá, eu não.

E quando encontro um oásis desses na frente trato logo de colocar sal nele, destruir inteiro. Sou bruta. Quando destruo um oásis sinto um alívio imenso, maior do que quando encontro.

Trato logo de me dizer, "menina, isso não é pro teu bico, sai logo dai."

Condenada a ser mal amada meu destino é amar filha-da-puta honesto.

E só filha-da-puta honesto vai sentar ao meu lado.
Eu só acredito na honestidade de gente assim.

Não tenho saco pra vida afetiva.

Acho que vida afetiva gasta uma energia danada.

Melhor trabalhar. Ou comprar um homem pronto.

Só de pensar, cansei.

Mais fácil fazer doutorado, mas também estou sem tesão pra doutorado.

O que me resta? Resto. Vou virar planta.

O único lugar em que sou inteira é na pagina de um blog.

Todos os meus mil pedaços colados e repartidos por aqui.

Sou tantas em uma só, beiro a esquizofrenia.

Tenho múltiplos diagnósticos.

Do jogo da sedução a perversão instalada, tenho até meus dias de paranóia.

Sou uma filha medíocre da modernidade.

Falo pra tela vazia, toco o que está no ar.

Sem saber e sem querer saber.

Só não suporto minhas crises narcísicas.

O narcisismo pra mim é o mais infame dos diagnósticos.

Hoje estou um grão de arroz no meio do maracanã.
Pequena. Bem pequeninha.

Você nunca iria me achar. Você não ia querer nem me procurar.

A TPM um dia me mata.

Mas no fundo, bem no fundo do buraco, eu gosto da TPM.

É que quando caio, acordo.

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