Perdoai-os Freud, eles não sabem o que desejam...



Fetiches por pés e sapatos.

Faz tempo que minhas amigas pedem que eu escreva sobre o fetiche por pés e sapatos. Intrigadas, após suas noitadas com aqueles sujeitos com estranhas preferências sexuais.
Antes de tudo é preciso esclarecer que eu pessoalmente acredito que entre dois adultos, dentro quatro paredes, vale qualquer negócio, desde que consentido e entre ADULTOS. Porque na vida sexual existem coisas estranhíssimas e deve ser por isso que ela é vivida a portas fechadas. Amém, porque como diz Nelson Rodrigues, "Se soubéssemos dos detalhes da vida sexual das pessoas não falaríamos com elas.”

Mas voltando as meninas. Uma delas estava intrigadissíma com o cara que passou 30 minutos beijando e lambendo seu pé.
Pois é...dai vem o Freud. Outro esclarecimento, o Freud é froda, ele acaba com o divertimento de todo mundo, sem escapatória. Se você gosta de pé, é porque gosta de pé, se gosta de charuto é um problema também, dinheiro, chicotinho, tapinha, mordida, tudo está condenado ao fogo da loucura e da neurose. O fato é que Freud era um baita reprimido, gênio, mas reprimido, e que não podendo se divertir acabou com a festa dos outros. Mas tudo bem, trabalho dobrado, além de se libertar da culpa judaica precisamos também nos libertar das teorias freudianas.

Voltando. Para Freud não nascemos meninos e meninas, alá Simone, nos tornamos. Até os 5 anos não temos identidade sexual definida. Até os 5 ficamos pensando sobre, alguns a vida toda. Em uma determinada etapa as crianças, para terem um desenvolvimento sexual saudável, precisam fazer o reconhecimento da castração feminina. Reconhecer que as mulheres não têm o falo, desejado falo. Lembra aquelas historinhas de meninos e meninas pequenos no banheiro se observando? Pois é por ai.

Esse é um movimento psíquico importante. O menino percebe que a mãe não tem algo que o pai possui, e que por não ter algo que falta, deseja. Deseja o pai, e ai vem toda uma questão da inveja do pênis, dos dois lados. Reconhecer a castração liga-se a definição da posição sexual futura.

Algumas meninas se transformam, na vida adulta, em mulheres poderosas. Pra Freud umas castradas desesperadas em busca do falo perdido. Alguns meninos arrumam uma saída psíquica parcial, Uma dupla saída. Eles reconhecem a castração e ficam na posição masculina, de posse do pênis que as mulheres desejam, e isso faz com que estabeleçam relações hetero, a outra saída é que os meninos negam a castração nas mulheres, rejeitam, psiquicamente, a idéia que não somos possuidoras de falo, e deslocam.

O fetiche por pés e sapatos é resultado do deslocamento. Deslocam o falo de seu lugar de origem, anatômico, para os pés. Eles, com isso, podem perceber a mulher como castrada, parcialmente, e desejar o corpo da mulher sem pênis e lhes oferecer o que falta, e com isso ter relações com uma mulher reconhecida como tal, no entanto não abandonam a fantasia do pênis (pênis do pai, invejado), e deslocam. O pênis não está mais entre as pernas, mas foi deslocado para os pés.

O que o homem com adoração por pés e sapatos então adora?
Pois é, eles, PSIQUICAMENTE, adoram o pênis. Não é considerado homossexualidade, mas passa do lado, do ladinho (esse do ladinho é generosidade minha tá pessoal, porque Freud não é tão generoso).

Esses dias no GNT passou um programa sobre fetiches e o cara dizia assim, "adoro lamber pés, chupar pé sujo, melado" e eu pensando, meu Deus, perdoai-os pai, eles não sabem o que falam! O cara não tem a mínima idéia do que está falando, vamos lá substituam pés por...
Bah o cara morre de vontade de ir para cama com outro homem! Tá peguei pesado agora, mas olha, continuam todos homens, todos. É a saída parcial e dupla que os meninos arrumaram para continuar sendo homens, então tá valendo.
Dr.Sexo já provou na sua pesquisa que não existe apenas heteros, homos e bis, existe um leque de possibilidades, somos todos meio híbridos, relaxem. Não deem bola pro Freud, ele não é confiável, afinal ele nem gostava de sexo. Pra escrever a teoria dele ele ficou anos sem, assumidamente, e quem não gosta de algo não tem muita credibilidade pra falar (minhas amigas psicanalistas vão me matar!).

O único problema é se seu pé por feio, ai você está ralada, condena o pobre sujeito a impotência.

Meninas, é isso, não se assustem e façam outra leitura da coisa toda. Podemos pensar que é até um elogio, porque falo também é poder. E se ele acredita que você tem um, não interessa que não no mesmo lugar que ele, mas você tem o mesmo brinquedinho que ele, significa que ele te considera uma mulher forte, potente e não uma castrada qualquer e isso é um baita elogio. Eu pessoalmente não me importo, pois não acredito nem no Freud e nem na castração ,hehe.

No final é isso que movimenta todo o jogo amoroso, eles têm algo que nos falta e a gente, pela falta, quer, mas no fundo a gente não aceita e massacra os pobres que quase acreditam que quem tem somos nós, dai eles querem provar que os donos são eles...e por ai vai, desde os tempos das cavernas homens e mulheres lutam pelo tacapi imaginário e perdido.

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