Gisele e o último véu.



O último véu Gisele, tirei pra você o último véu.
Nem tem mais nada que você não saiba, nada. Está tudo posto, tudo ai na sua frente.
Guardei por muito tempo. Sou uma mulher de poucos segredos e alguns mistérios, mas agora está tudo ai.
O que você vê?
Você sabe, eu sei, que é difícil ficar assim despida.
Como você disse, estou começando a viver, mas acredite um certo pudor é uma marca que carrego.
Gosto de estar com você Gisele. Gosto de como resgatamos as coisas puras que, por pressa ou distração, perdemos no nosso curto caminho.
Lembra quando nos conhecemos? Eu achava que você não era da nossa turma. E como você ficava brava e dizia indignada, "Andréa, eu sou sim!".
É que sempre achei você mais sábia Gisele, mais cheia de "conteúdo". E hoje você me disse que percebeu que sou nova ainda. Veja Gisele, não tem essa não, o ponto é que temos a mesma idade. Nascemos, tortas, aos 21 anos e como os cachorros cada ano nosso equivale a 10? Bom, isso nos dá, no mínimo uns 300 anos.
Grande coisa Gisele, com as mágicas da vida moderna, podemos carregar nossas marcas apenas na alma e no coração.
Hoje também te escrevo para que amanhã possa me ler, já que ficas triste quando não escrevo. Então escrevo, para que você fique feliz e me deixe recados eletrônicos cheios de boas risadas.
E te digo, é tão bacana te sentir assim, adolescente.
Seu café estava bom, sua casa carregada de livros, linda e seus estranhos gatos, especiais.
Obrigada pelos meus mimos.
O véu que hoje tirei, não tirei antes, não por você Gisele, mas por mim. Teria te mostrado antes, caso não me ferisse mais, mas ainda dói e arde.
Beijos aquarianos Gisele.
Para você, para Ana e para Cássia.

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