quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Coisa lacaniana - 2010


Eu e Gisele temos a mesma convicção.

Preferimos os anos pares aos anos ímpares.

Os PARES são sempre melhores.

Contra toda lógica, sem dúvida alguma.

Então, que venha 2010!

Nacionalidades.


Meu ódio? É em alemão.
Meu cinismo? Bem inglês.
Minha sedução? Em espanhol.
Minha inteligência? Francesa.
Minha amizade? Brasileira.
Minha calma? É portuguesa.
Minha euforia? Italiana!
Minha dor ?Grega.

E meus amores? Meus amores são russos, muito russos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

KZ Bereich des Hasses.




Apenas uma passagem. Estreita, escura e úmida.
As escolhas me levam lá. Todos os caminhos convergem. 
Muitos movimentos, uma só saída.
Prisioneira do ódio.
Eu me tornei um cancêr e tenho me consumido. Violenta, me multiplico em ódios, milhares deles, que se reproduzem silenciosos em lugares enredados que não alcanço.
Multiplicam-se e transbordam.
Tenho pela vida uma ingratidão cega, e a vida, soberana, retribui.
Crava lenta no meu corpo em carne viva, suas garras afiadas.
A dor me corta, ajoelho, mas não lhe peço perdão.
Temo ter nascido ingrata.
Preciso de um grande acontecimento para me salvar. Que venha de frente, com fúria. Que se choque contra meu corpo, que me faça cair. E que no chão eu possa me contrair em dores. Que este grande evento provoque em mim as dores do parto. Que eu me contraia inteira para que então eu possa me parir de novo. Só assim estarei salva.
Mas a salvação não vem, e talvez nunca chegue. Tenho medo das poucas saídas que restam e dos úmidos lugares em que vive a liberdade.
Sou prisioneira de mim mesma. Sigo solitária nesta prisão a céu aberto. Estou cansada e lentamente me abandono. Talvez fique aqui, caída, e neste chão seco e apodreça.
Preciso desesperadamente voltar a acreditar. Preciso desesperadamente que alguém me escute e me abrace, de um jeito quente e firme. Preciso muito, mas talvez isso não aconteça.
Carrego comigo dezenas de talvez. Carrego junto ao peito. São eles que me mantém viva.
Eu não posso escutar o vento.
Ele não sopra aonde moro.
A maioria dos homens não nasceu. Eu também não.
Mas não ter nascido não alivia minha alma.
Meu corpo grita em contrações que nunca param.
Estou presa e não me expulso.
Minha carne é grossa e densa. E por não conseguir me libertar comecei a comer as paredes que me cercam.
É preciso ter coragem para nascer pelo único lugar possível. Forjada na dor, guardo secreta a esperança de ver à luz.
A sina que carrego é ter passado do tempo certo, estar na posição errada e para nascer terei que sair ao contrário.
Primeiro os pés que guardam todo o impulso dos meus músculos frágeis, então as pernas que se contorcendo pela passagem estreita, irão quebrar-se. Então o corpo será expulso, escorregadio e rápido, até parar preso pela cabeça que se nega...Mas eu não terei ajuda, ninguém irá me puxar do outro lado. Não há nada.
Restam apenas minhas mãos, e com elas me arranco neste último esforço. A vida me recepciona, e eu lhe respondo com um grito, um grito de dor.

Andréa Beheregaray

domingo, 27 de dezembro de 2009

Comunicação silenciosa.


"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."


Clarice Lispector

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NEGATIVA DE FREUD.




Eu não gosto. Eu não quero. Eu não tenho medo. Eu não lembro. Eu não sinto. Eu não posso. Eu não fantasio. Eu não tenho ilusões.
Eu não acredito no Freud.
E você?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Oração


Você reza?

Eu rezo. Todos os dias.

"Senhor, livrai-me da mediocridade, amém."

Dúvida.


Existe uma expressão que usamos quando temos medo:
"Mas, báh, estou me pelando de medo".
Mas, por que, alguém ao ter medo tiraria a roupa?
Tenho medo e fico pelado?
Para mim, ficar pelado combina mais com felicidade, tipo "estou me pelando de felicidade".
Agora, escrevendo, me ocorreu que, talvez, seja porque quando temos medo nos sentimos mais vulneráveis. Como se estivessemos pelados no meio de estranhos.
Estou em dúvida. Te ocorre algo diferente?
P:s Na foto parece que quem ficou com medo foi o tiozinho, but, tudo bem.

Teoria - fidelidade e ciúmes,



Eu tenho uma teoria sobre a questão da fidelidade e do ciúmes. É a seguinte.
O homem tem ciúmes "sexual" da mulher, e a mulher tem ciúmes "afetivo" do homem.
Quer ver?
Se um homem (raro e culpado) revela um infidelidade à mulher, ela pergunta:
_ Mas você gosta dela?
E ele, sabiamente, responde:
_Não significou nada, foi SÓ sexo.
Já, quando uma mulher revela uma infidelidade ( o que quase nunca acontece, pois infiéis são os homens), o sujeito pergunta.
_ Mas você transou com ele?
E nós, sabiamente, respondemos.
_ Claro que não, eu só me envolvi mas não houve sexo.
Nos dois casos, provavelmente, é mentira. Nos dois casos aumentamos as chances de perdão.

Perguntas absurdas.



Eu tenho uma técnica para lidar com gente inconveniente, e que te fazem aquelas perguntas absurdas.
Algumas pessoas não tem a mínima noção. Eu, as vezes, não tenho.
É que sou muito impulsiva e, em alguns momentos, a minha boca dispara na minha frente e tenho que sair correndo atrás dela concertando os estragos. Mas ai me retrato, dou direito de resposta, desaforada, ao outro e banco as consequências. Paciência.
Mas minha técnica é combater inconveniência com loucura.
Por exemplo, como tive meus três filhos muito cedo algumas pessoas me diziam coisas do arco. As velhinhas do prédio da minha avó são mestres neste assunto.
Uma vez, um ao me ver com as três crianças perguntou:
_Lindos teus filhos, são todos do mesmo pai?
Sorri, e respondi:
_ Claro que não. É um de cada pai, sabe. É que gosto de fazer novas combinações genéticas. Pra ver como é que sai a criança.
E sorrindo me fui! Mas "pelamordedeus"!
Acreditem, é um santo remédio. De nada adianta se ofender, ou tentar dizer ao outro o quanto a pergunta foi indiscreta e absurda. Loucura, meu bem, se responde com loucura.

Ato falho.



Eu A.D.O.R.O ato falho. Dos outros, claro.

Durante uma aula no pós graduação de Ciências Penais da PUC, um professor empolgado falava de casamento.

Eis que, no meio da conversa, ele foi falar que trocou alianças com a excelentíssima.

E de repente, não mais que de repente, ao invés de falar alianças falou??

ALGEMAS!

Eu era a única psicóloga da turma, do o resto era do direito, então ele me olhou rápido, espantando com o que acabará de falar. Arregalou sutilmente os olhos, como quem diz "calada".

Eu, em troca, sorri deliciada, pensando "coitado, está se sentindo preso".

Mas como canta Renato Russo sobre o amor "é o estar-se preso por vontade". Então, querido professor, encare isso como uma "liberdade assistida".

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009


Quando nada mais faz sentido,


só o amor é capaz de aquecer o homem


dentro deste imenso vazio que consome .

domingo, 20 de dezembro de 2009

Promessa de Natal


Sempre faço o natal na minha casa, e toda minha família comparece.

Fico feliz e no clima natalino até a entrada do quinto convidado.

Um estranho mal estar começa a invadir o ambiente, e quando, finalmente, o sexto parente chega estou mortalmente arrependida de, mais uma vez, ter feito a festa na minha casa.

E agora, para onde correr quando poucas, mas numerosas famílias, começam a invadir seu lar??

Minha primeira reação é emudecer , paralisar.

Todos eles, alegres e falando alto, vão entrando, acomodando seus presentes na árvore e procurando o melhor lugar para iniciar uma boa conversa. O mesmo assunto que discutiram no natal passado. Retomado com tal exatidão que sento que, poderia escrever minha parte no dialogo para o ano seguinte, e apenas levantar um cartaz. Sinceramente? Acho que eles nem notariam.

Os encontros em família seguem um roteiro. Minha vozinha, ressuscita uns três sujeitos nos primeiros quinze minutos de conversa, e nos outros quinze se delicia falando de doenças. Um coro, extasiado, segue minha nestes assuntos. É que alguns componentes do meu clã são, o que se chama, hipocondríacos. A coroação ocorre quando meu cunhado médico, chega! É então obrigado a ouvir uma série de sintomas, desconexos, e convocado a dar um diagnóstico. Eu poderia dar um diagnóstico ótimo, mas, no entanto, ninguém me consulta sobre tais sintomas.

Nesse momento da festa eu já me encontro muda e isolada no canto da sala. Assistindo.

O próximo assunto é falar mal do meu avô. Que hoje mora com a "outra".

O grupo se divide, a maioria apoia minha avó, alguns, geralmente os agregados, se arriscam a defender meu . E eu? Fico lá assistindo, estarrecida.

Eu não tenho nada para dizer, nada. Na verdade eu tenho, mas tenho certeza que, se falasse, eu acabaria com a festa. Minha é do bem, e uma das pessoas que mais amo na vida, então, por ela, não falo. Não precisa.

O que eu diria?

Bom, acho que eu diria que ninguém tem que se meter na vida deles, ou tomar partido. E que sim, o fez um monte de bobagens, mas veja, ficou casado 50 anos com minha avó, e 40 com a amante. Antes todos falavam mal dele porque o cara tinha duas mulheres, e agora que ele teve a coragem de romper e assumir a coisa toda, bom, todos continuam falando mal dele. Acontece que toda família, como qualquer grupo, precisa de um bode expiatório. Precisa ter assunto, falar mal de alguém, necessariamente. Se ele manteve duas mulheres, o que mais me parece é que seja digno de pena. Eu disse pra ele, "Credo , tu tens 100 anos de relacionamento (hoje 50 com cada uma delas), 100 anos de vida afetiva. Só de te olhar eu já fico cansada. Não me admira teus problemas cardíacos. Eu já tinha tido um colapso."

Mas a verdade, que não pode ser dita de jeito nenhum no natal, é que minha é apaixonada pelo meu avô. Paciência, ninguém quer admitir isso. É isso que eu diria para ela "vozinha, apesar de tudo isso que vc falou dele agora, você ainda é louca por ele". O fato é que as duas são. Conheci a tal da amante e fiquei perplexa de como ela paparica o velho. E fiquei olhando pra ele e pensando, o que que esse cara tem?! Bom mas isso é outro papo.

Mas depois de tudo isso, que assisto e nada digo, me tranco no banheiro. Fico lá 30 minutos, respirando, meditando e tentando reencontrar o equilíbrio. Escuto as vozes, todos procurando, a dona da casa. O bom de família é que eles te conhecem. Sabem que eu me encontro lá, no banheiro, o único lugar seguro da casa. Esperando ansiosa e deprimida o fim da festa.

E que antes eu disfarçava a angustia assistindo o especial de natal, mas agora não cola mais. Da minha angustia nem Xuxa, nem Roberto Carlos me salvam. Esse ano vou tentar não me trancar no banheiro, prometi a minha mãe. Sei lá, vou ficar esperando Papai Noel na sala. E vai que ele vem?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Em busca de sentido.






Dica de leitura.

Esse pequeno livro do Viktor FranKl vale muito.

Uma leitura relativamente fácil, texto pequeno, mas intenso.

Li na época da faculdade, quando as coisas ainda tinham sentido pra mim, li novamente no ano passado e agora, e, certamente vou reler em 2010, porque quando mais a coisa avança, menos sentido faz.

Mas para quem não sabe, vale contar algumas curiosidades da vida desse autor.

Judeu, perdeu toda a família durante a II Guerra. O destino da esposa sempre foi pra ele um mistério. Quando já estava com mais de 80, Frankl foi convidado, pela comunidade judaica, para vir a Porto Alegre. Já não palestrava mais fora da Europa, mas decidiu vir, pois segundo contam, ele disse que precisava vir, pois sentia que havia algo importante aqui.

Eis que, ao chegar no aeroporto, a irmã da esposa desaparecida o aguardava. Sobrevivente, morava aqui e quando soube da vinda de Frankl foi encontrá-lo. Acabou com as dúvidas de Frankl, que finalmente pôde conhecer os momentos finais da esposa.

A vida dele, como mostra o livro, foi carregada de "coincidências" deste tipo, o que Jung chama de sincronicidade.

Bom, vamos em frente, sempre em busca de algum sentido.

Divulgação




segunda-feira, 14 de dezembro de 2009


"Sem saber desatar os nós cegos é difícil aprender a fazer os bons laços."



Colhi essa frase linda no blog da Ana Valeska.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Teu olhar me tirou para dançar...

Teu olhar, na distância,
Captura
Me convida p`ra dançar.
*
O encontro com teus olhos
Forasteiros.
Denunciam teus desejos.
*
E a malícia dos meus, mais matreiros...
revelam aquilo que não vejo.
Captura.
*
Fecha lenta os teus olhos
Seresteira.
Arrepia minha pele com o toque do olhar.
*
E no canto da boca
te entrego com um sorriso
a vontade de dançar.
*
Diz mil coisas
o teus olhos atrevidos,
E eu te conto tantas outras, no encontro deste olhar.
*
Teus olhos brilham na promessa
Que respondo
no encanto dos meus olhos dançarinos.
*
Me despindo inteira
para teu olhos sorridentes.
Essa noite, teu olhar me tirou para dançar.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ajuda.


Preciso de ajuda para entender.
Me disseram que eu penso como um "homem".
É um elogio ou uma ofensa?
Afinal, o que isso significa?
O que vocês acham?

Interdição judicial.




Toda mulher em TPM deveria ser interditada judicialmente.

Dica de livro


"É verdade que, na nossa cultura, o sexual triunfou sobre a sedução e anexou-a como forma subalterna. Nossa visão instrumental inverteu tudo. Pois na ordem simbólica é a sedução quem está lá primeiro, sendo que o sexo ocorre apenas por acréscimo."
*
*
"(...) cada um seguiu uma regra que nenhum dos dois conhecia. A regra desse jogo que, como toda regra fundamental, deve permanecer secreta é que a morte não é um acontecimento bruto e, para se cumprir, deve passar pela sedução, vale dizer, por uma cumplicidade instantânea e indecifrável, por um único signo que talvez não tenha sido decifrado."
*
*
(...) todavia tudo guarda a leveza do acaso, do gesto furtivo, do encontro acidental, do signo ileível. Assim funciona a sedução..."
" O enfeitiçamento se faz daquilo que está oculto."
*
*
O segredo.
"Qualidade sedutora, iniciática, daquilo que não pode ser dito porque não tem sentido, daquilo que não é dito e que, apesar disso, circula. Assim , eu sei o segredo do outro, mas não digo, e ele sabe que eu sei, mas não levanta o véu; a intensidade entre os dois nada mais é que o segredo do segredo. Essa cumplicidade nada tem que ver com uma informação oculta. Ademais, se os parceiros quisessem revelar o segredo, não poderiam, pois não há nada o que dizer..."
Jean Baudrillard.

Gisele e o último véu.



O último véu Gisele, tirei pra você o último véu.
Nem tem mais nada que você não saiba, nada. Está tudo posto, tudo ai na sua frente.
Guardei por muito tempo. Sou uma mulher de poucos segredos e alguns mistérios, mas agora está tudo ai.
O que você vê?
Você sabe, eu sei, que é difícil ficar assim despida.
Como você disse, estou começando a viver, mas acredite um certo pudor é uma marca que carrego.
Gosto de estar com você Gisele. Gosto de como resgatamos as coisas puras que, por pressa ou distração, perdemos no nosso curto caminho.
Lembra quando nos conhecemos? Eu achava que você não era da nossa turma. E como você ficava brava e dizia indignada, "Andréa, eu sou sim!".
É que sempre achei você mais sábia Gisele, mais cheia de "conteúdo". E hoje você me disse que percebeu que sou nova ainda. Veja Gisele, não tem essa não, o ponto é que temos a mesma idade. Nascemos, tortas, aos 21 anos e como os cachorros cada ano nosso equivale a 10? Bom, isso nos dá, no mínimo uns 300 anos.
Grande coisa Gisele, com as mágicas da vida moderna, podemos carregar nossas marcas apenas na alma e no coração.
Hoje também te escrevo para que amanhã possa me ler, já que ficas triste quando não escrevo. Então escrevo, para que você fique feliz e me deixe recados eletrônicos cheios de boas risadas.
E te digo, é tão bacana te sentir assim, adolescente.
Seu café estava bom, sua casa carregada de livros, linda e seus estranhos gatos, especiais.
Obrigada pelos meus mimos.
O véu que hoje tirei, não tirei antes, não por você Gisele, mas por mim. Teria te mostrado antes, caso não me ferisse mais, mas ainda dói e arde.
Beijos aquarianos Gisele.
Para você, para Ana e para Cássia.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Convercê.






Já observou como todo mundo toma água direto da garrafa?
Você não toma?
Eu tomo. Adoro. Água bem gelada, direto da garrafa de pijama, em frente a geladeira.
Nem chega a dar remorso.
Não dá nada não.
É que sou insensível. Desde de pequena.
É que estou ficando velha, e sei lá, espera-se um pouco mais de sensibilidade dos velhos, não é mesmo?
Nada mais grotesco que velho grosseiro. Por que?
Sei lá, porque estão perto da morte e deveriam terminar a vida com mais dignidade.
Mais felizes. Se sabe, aproveitar os últimos dias intensamente.
Mas pensando bem, quem em sã consciência vive toda uma vida e termina ela feliz?
Olha se você não teve uma infância feliz, provavelmente não terá mais nenhum período da sua vida de felicidade.
Felicidade só é possível com rala memória e inconsciência, como os bebês e as crianças de pouca idade, ou os velhos com esclerose.
Não, pensando bem, natural chegar ao fim da vida deprimido e com cara de velho maluco, porque viver enlouquece.
Mas a natureza é sábia, lá no final, quando já não suportamos mais, ela nos rouba a memória e a razão, voltamos dóceis para inconsciência.
Eu? Oi? Oi?
Não, não, brincando com você, eu entendi sim sua pergunta.
É que dizer oi seguidamente é uma técnica que eu uso para despistar sujeitos sabe?
Sujeitos com quem eu não quero falar.
Áh tá, mas sim, você me perguntou se eu sou feliz.
É posso dizer que sim, nas sextas, é nas sextas, e nos dias de sol com vento fresco.
Mas especial mesmo são os dias de chuva pela manhã, principalmente quando não tenho que levantar...áh, isso é a gloria.
E claro, sou feliz quando bebe água na garrafa , de pijamas.
Sou feliz também quando deito na minha cama e o lençol está limpinho e sem nenhuma bolinha.
Ai que delícia, tiro as meias, sim porque pra ser bom tem que deitar de meias, e só então, embaixo do edredom, tirar as meias...áh, e sentir o lençol geladinho.
Isso me faz feliz também.
E quando está muito quente você coloca só um pé para fora, e ai a temperatura do corpo esfria.
São técnicas que desenvolvi ao longo dos anos...sei lá, tenho muitas.
Dormir sozinha ou acompanhada?
Depende, acompanhada o melhor mesmo é não dormir!
Mas a verdade é que marido mesmo só serve pra duas coisas, comprovado, dizem as pesquisas dos psicólogos ingleses.
Servem pra colocar a culpa, sempre, e pra esquentar a cama.
Se eu concordo?
Em parte, na verdade servem também pra matar baratas.
Não, no fundo só o primeiro marido é um engano, um erro necessário.
Sabe como é, você não casa com o cara porque ama, você casa com o cara que fecha melhor com sua loucura.
Casamento de neurose, a gente não casa com que vai nos trazer felicidade, balela, a gente casa com quem vai nos permitir adoecer, e a vida é tão insuportável que a gente casa pra ter em quem jogar a culpa pelo desespero de existir.
De ter que existir, acordar todo dia, pagar contas, cuidar da casa do corpo da cabeça.
Jesus!
Se sinto saudades?
Pouco, muito pouco. Na verdade eu tento.
Tento porque acho importante ter saudades, ter de quem sentir falta, ficar lá de perna pro ar, pensando no sujeito.
Mas nunca dura muito, porque, apesar de tentar eu quase nunca consigo e você sabe...os sujeitos são tão, tão...desinteressantes.
Tudo meio hibrido, invertidos.
Não, mas eu acho que vou sentir saudades, um dia, talvez, quando encontrar um homem mais homem que eu.
Pensando bem...acho que não.
Eu sinto saudades do meu cachorro, que morreu, e acho que já está de bom tamanho.
Bom, mas é isso, o que realmente me faz feliz é beber água na garrafa, deixar na geladeira e não impedir que os outros venham e bebam na garrafa babada.
Deve ser algum tipo de vingança, ressentimento por ter vindo ao mundo.
Pequena revanche familiar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Santa hipocrisia.



Nova York, 10 dez (EFE)

A garçonete Jamiee Grubbs, que revelou ter sido uma das amantes de Tiger Woods, pediu desculpas nesta quarta-feira a Elin Nordegren, mulher do golfista.
"Não posso descrever o remorso que sinto por tê-la ferido, além de sua família", disse Grubbs, de 24 anos, ao canal americano de televisão "Extra".
Grubbs, que teria mantido relações com Tiger Woods há três anos e em mais de vinte ocasiões, afirmou que se não tivesse revelado o caso com o golfista, "outra mulher o teria feito".
"Não o fiz antes por motivos superficiais e também por não querer ferí-la (Elin)", disse a jovem, que negou amar o golfista.
Nesta quarta-feira, o deputado democrata Joe Baca, da Califórnia, anunciou a retirada de seu apoio a um projeto para homenagear Woods em função do escândalo sobre a vida conjugal do golfista.
A desistência de Baca em seguir com a iniciativa ocorreu um dia depois do instituto de pesquisas Nielsen ter anunciado que os canais de televisão dos EUA não transmitiram um anúncio sequer com o atleta no horário nobre desde a semana passada, quando Woods confessou ser infiel à esposa.


Mas se os infiéis governam aquele país, porque não podem também aparecer no horário nobre?

E se não podem, vai sobrar pouca gente para participar de anúncios por lá. Se duvidar até esse democrata ai vai ficar impedido, o tal de Joe Ba(ba)ca.





Associação Psicanalítica de Porto Alegre - APPOA

Link com textos bem interessantes sobre angústia.
*

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

TPM TOTAL


Mergulhada até o último fio de cabelo em uma TPM infinita.

É impressionante o poder de uma TPM, ela acorda todas as insatisfações, disfarces e enganos de uma mulher. Tudo aquilo que a gente faz de conta que não vê, a TPM mostra.

O vazio, imenso vazio que se esconde e na TPM ressurge furioso.

Você, caminhando distraída na estrada, de repente vê surgir na sua frente um imenso buraco

E eu estou cansada, e cansada não me resta mais nada além de sentar na frente do buraco.

Eterna insatisfeita, é o que sou.

Tenho tudo que poderia desejar, e, no entanto, nada me serve.

Já fiz tudo o que queria, e aos 32 anos estou na crise da meia idade.

Ou estava antes e por isso fiz tudo e tanto?

Patética, perdida, desolada.

Imóvel, instável, frustrada.

E também não estou nem ai para o que os outros vão pensar.

Porque não gosto dos outros, gosto de poucos.

E isso não é porque sou seletiva e tenho um gosto diferenciado.

Não gosto dos outros porque sou chata, rabugenta, prepotente e ou outros me irritam.

Os outros e seus assuntos chatérrimos, os outros e seus papos de sempre.

Eu e os meus papos de sempre, minha lenga-lenga infinita.

As pessoas são chatas e mentirosas.

Todo mundo ralando, se fudendo e fazendo cara de gente feliz e potente.

Eu não gosto dos outros.

Eu detesto essa minha prepotência narcisista de não querer precisar de ninguém.

Sim, essa antiga fantasia de não precisar.

De ser só, livre e me bastar.

Eu detesto as minhas ilusões e fantasias.

Eu detesto quem consegue ter ilusões e fantasias e ser feliz por algum tempo.

Ilusões e fantasias são oásis em meio a esse deserto que é viver.

Alguns conseguem ficar lá, eu não.

E quando encontro um oásis desses na frente trato logo de colocar sal nele, destruir inteiro. Sou bruta. Quando destruo um oásis sinto um alívio imenso, maior do que quando encontro.

Trato logo de me dizer, "menina, isso não é pro teu bico, sai logo dai."

Condenada a ser mal amada meu destino é amar filha-da-puta honesto.

E só filha-da-puta honesto vai sentar ao meu lado.
Eu só acredito na honestidade de gente assim.

Não tenho saco pra vida afetiva.

Acho que vida afetiva gasta uma energia danada.

Melhor trabalhar. Ou comprar um homem pronto.

Só de pensar, cansei.

Mais fácil fazer doutorado, mas também estou sem tesão pra doutorado.

O que me resta? Resto. Vou virar planta.

O único lugar em que sou inteira é na pagina de um blog.

Todos os meus mil pedaços colados e repartidos por aqui.

Sou tantas em uma só, beiro a esquizofrenia.

Tenho múltiplos diagnósticos.

Do jogo da sedução a perversão instalada, tenho até meus dias de paranóia.

Sou uma filha medíocre da modernidade.

Falo pra tela vazia, toco o que está no ar.

Sem saber e sem querer saber.

Só não suporto minhas crises narcísicas.

O narcisismo pra mim é o mais infame dos diagnósticos.

Hoje estou um grão de arroz no meio do maracanã.
Pequena. Bem pequeninha.

Você nunca iria me achar. Você não ia querer nem me procurar.

A TPM um dia me mata.

Mas no fundo, bem no fundo do buraco, eu gosto da TPM.

É que quando caio, acordo.

"É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?


Clarice Lispector

Das pequenas coisas ®09/12/2009 por marjoriebier


Momentos toloslindos
de minha vida Clariceana.
Feminina essa minha veia.
Lispectorante.
Sopro quente em limo
de boca calada e errante.
Disfarça a minha farsa
de frágil datilógrafa romântica.
Sou mulher-Haia nessa estrada
De argamassa lisaásperacriante.
.
(à Clarice Lispector, poeta das pequenasgrandes coisas, falecida em 9 de dezembro de 1977)


Roubado da Marjorie.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Perdoai-os Freud, eles não sabem o que desejam...



Fetiches por pés e sapatos.

Faz tempo que minhas amigas pedem que eu escreva sobre o fetiche por pés e sapatos. Intrigadas, após suas noitadas com aqueles sujeitos com estranhas preferências sexuais.
Antes de tudo é preciso esclarecer que eu pessoalmente acredito que entre dois adultos, dentro quatro paredes, vale qualquer negócio, desde que consentido e entre ADULTOS. Porque na vida sexual existem coisas estranhíssimas e deve ser por isso que ela é vivida a portas fechadas. Amém, porque como diz Nelson Rodrigues, "Se soubéssemos dos detalhes da vida sexual das pessoas não falaríamos com elas.”

Mas voltando as meninas. Uma delas estava intrigadissíma com o cara que passou 30 minutos beijando e lambendo seu pé.
Pois é...dai vem o Freud. Outro esclarecimento, o Freud é froda, ele acaba com o divertimento de todo mundo, sem escapatória. Se você gosta de pé, é porque gosta de pé, se gosta de charuto é um problema também, dinheiro, chicotinho, tapinha, mordida, tudo está condenado ao fogo da loucura e da neurose. O fato é que Freud era um baita reprimido, gênio, mas reprimido, e que não podendo se divertir acabou com a festa dos outros. Mas tudo bem, trabalho dobrado, além de se libertar da culpa judaica precisamos também nos libertar das teorias freudianas.

Voltando. Para Freud não nascemos meninos e meninas, alá Simone, nos tornamos. Até os 5 anos não temos identidade sexual definida. Até os 5 ficamos pensando sobre, alguns a vida toda. Em uma determinada etapa as crianças, para terem um desenvolvimento sexual saudável, precisam fazer o reconhecimento da castração feminina. Reconhecer que as mulheres não têm o falo, desejado falo. Lembra aquelas historinhas de meninos e meninas pequenos no banheiro se observando? Pois é por ai.

Esse é um movimento psíquico importante. O menino percebe que a mãe não tem algo que o pai possui, e que por não ter algo que falta, deseja. Deseja o pai, e ai vem toda uma questão da inveja do pênis, dos dois lados. Reconhecer a castração liga-se a definição da posição sexual futura.

Algumas meninas se transformam, na vida adulta, em mulheres poderosas. Pra Freud umas castradas desesperadas em busca do falo perdido. Alguns meninos arrumam uma saída psíquica parcial, Uma dupla saída. Eles reconhecem a castração e ficam na posição masculina, de posse do pênis que as mulheres desejam, e isso faz com que estabeleçam relações hetero, a outra saída é que os meninos negam a castração nas mulheres, rejeitam, psiquicamente, a idéia que não somos possuidoras de falo, e deslocam.

O fetiche por pés e sapatos é resultado do deslocamento. Deslocam o falo de seu lugar de origem, anatômico, para os pés. Eles, com isso, podem perceber a mulher como castrada, parcialmente, e desejar o corpo da mulher sem pênis e lhes oferecer o que falta, e com isso ter relações com uma mulher reconhecida como tal, no entanto não abandonam a fantasia do pênis (pênis do pai, invejado), e deslocam. O pênis não está mais entre as pernas, mas foi deslocado para os pés.

O que o homem com adoração por pés e sapatos então adora?
Pois é, eles, PSIQUICAMENTE, adoram o pênis. Não é considerado homossexualidade, mas passa do lado, do ladinho (esse do ladinho é generosidade minha tá pessoal, porque Freud não é tão generoso).

Esses dias no GNT passou um programa sobre fetiches e o cara dizia assim, "adoro lamber pés, chupar pé sujo, melado" e eu pensando, meu Deus, perdoai-os pai, eles não sabem o que falam! O cara não tem a mínima idéia do que está falando, vamos lá substituam pés por...
Bah o cara morre de vontade de ir para cama com outro homem! Tá peguei pesado agora, mas olha, continuam todos homens, todos. É a saída parcial e dupla que os meninos arrumaram para continuar sendo homens, então tá valendo.
Dr.Sexo já provou na sua pesquisa que não existe apenas heteros, homos e bis, existe um leque de possibilidades, somos todos meio híbridos, relaxem. Não deem bola pro Freud, ele não é confiável, afinal ele nem gostava de sexo. Pra escrever a teoria dele ele ficou anos sem, assumidamente, e quem não gosta de algo não tem muita credibilidade pra falar (minhas amigas psicanalistas vão me matar!).

O único problema é se seu pé por feio, ai você está ralada, condena o pobre sujeito a impotência.

Meninas, é isso, não se assustem e façam outra leitura da coisa toda. Podemos pensar que é até um elogio, porque falo também é poder. E se ele acredita que você tem um, não interessa que não no mesmo lugar que ele, mas você tem o mesmo brinquedinho que ele, significa que ele te considera uma mulher forte, potente e não uma castrada qualquer e isso é um baita elogio. Eu pessoalmente não me importo, pois não acredito nem no Freud e nem na castração ,hehe.

No final é isso que movimenta todo o jogo amoroso, eles têm algo que nos falta e a gente, pela falta, quer, mas no fundo a gente não aceita e massacra os pobres que quase acreditam que quem tem somos nós, dai eles querem provar que os donos são eles...e por ai vai, desde os tempos das cavernas homens e mulheres lutam pelo tacapi imaginário e perdido.

Alguém ajuda o coitado...


Coquetel de lançamento.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009




albanopepe disse...

Homens e mulheres de honra existem, não são miragens que confundem nossos sentidos, embora que às vezes nos sentimos perdidos nas desertificações das cidades que habitamos. Mas tal tuaregs pessoas como você e eu são nômades que tanto podem migrar geograficamente em busca de um oásis qualquer. rizomaticamente sem sair do lugar, aceitando os movimentos descontínuos a que nos submetemos por aceitarmos viver em devires. "Dormimos um, acordamos outro" diria eu pensando em Fernando Pessoa.


Andréa, te leio tantas Andréas que nem podes imaginar. Cada movimento, cada sensibilização, cada resgate do cotidiano que deixa de acontecer assim que nós o vivenciamos e você: Joana D'Arc enlouquecida em busca da utopia que marca de tantas Andréas, a sua essência, não divina mas cósmica e que você a busca com tanta honra e dignidade: o mais belo legado para teus filhos, teus amigos e teus amores, todos evanescentes, todos eternos.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Homens de honra.



Pra recuperar os dias de aula perdidos por causa da gripe suína, aqui no sul, as crianças tem tido aulas aos sábados. Hoje é sábado, 6:40 já estava em pé, delicia. Mas como nada se perde tentei fazer algo bom no silêncio da manhã. Já assisti dois filmes até o momento. "Perfume de Mulher" e "Jornada pela Liberdade". Este último eu tenho em DVD e já assisti algumas vezes, hoje passou na televisão, vi novamente.

Jornada pela Liberdade foi inspirado em uma história real. O filme conta a vida e a luta de William Wilberforce, líder do movimento abolicionista britânico. Willian inicio jovem a batalha pela aprovação de uma lei que proibisse o tráfico de negros na Inglaterra. Conseguiu.

A história de vida dele é emocionante. Nos dias que quero uma injeção de ânimo e vida, coloco este filme e assisto o final. Me emociona sempre e no momento da aprovação bato palmas junto com a câmara. Sim, me empolgo em filmes.

Mas o que realmente me toca e sempre me vem a cabeça, e ao coração, é de que o mundo carece de homens de honra. O que quer dizer? Eu não sei bem, mas essa frase sempre aparece. Claro que sempre houveram homens de honra e homens medíocres em qualquer tempo e lugar, e os de honra sempre foram excessão. No entanto, hoje, em especial, no nosso tempo, o mundo parece ter sido dominado pelos homens medíocres. Homens medíocres, jovens medíocres, vidas medíocres...

Há muitas batalhas para serem travadas, no entanto a maioria das pessoas travam suas maiores batalhas com o negativo do banco. E não desconsidero aqui a necessidade de sobrevivência, só registro é que as pessoas transformaram isso em suas maiores batalhas. Desistiram das batalhas internas, aquelas que devem ser travadas dentro de cada um de nós. Batalhas contra nossos preconceitos, cegueira e ignorância. E essa já é uma imensa tarefa, porque só após alguma vitória interna poderemos nos lançar em outras arenas.

A arena da vida, que carece de gente corajosa e sensível. No filme há um discurso interessante que fala disso, de que quando pensamos em grandes homens pensamos em homens como Napoleão, homens de violência que tem as mãos manchadas de sangue, não pensamos em homens de paz. No entanto, honra e coragem podem ser encontrados em campos de batalhas bem menos visíveis. A vida é feita de pequenas batalhas diárias. Todos os dias elas são travadas por pessoas comuns que conseguem manter a dignidade apesar de tudo, sem desesperar. Pais que conseguem se fazer presentes e ter coragem de impor limites, apesar da falta de tempo que a necessidade de trabalho lhes exige. Mães que educam sozinhas, corajosamente, suas crianças sem perder a ternura, homens que conseguem manter o respeito mesmo quando são seguidamente desrespeitados. E passam isso adiante, sem o medíocre jeitinho brasileiro, sem desculpas, sem pegar o caminho mais fácil.

É assustador quando se vive em uma sociedade em que o maior feito de um sujeito é conseguir participar do BIG BROTHER! É assustador ver o que nossas crianças tem almejado ser, e estimulados!

Nasci no tempo errado ou no planeta errado. Estava quase trocando, mas o Albano sugeriu que eu não mudasse ainda. Vou tentar ficar um pouco mais. Ainda existem algumas batalhas para serem travadas, se não por mim, em nome dos meus filhos.

Honra e coragem. Parece estranho, ridículo, utopia?

Mas tente, e repita em voz alta, honra e coragem, honra e coragem, honra e coragem.

E vai que a gente lembre o que significa?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O dia em que fui miss.


Um dia eu fui miss, pasmem!

É verdade que fui uma miss de mentira, mas isso foi só um detalhe técnico do enredo.

Aos 15 anos eu vivi uma pequena aventura em uma cidade do interior aqui no sul. Na época eu estava no 1a ano do segundo grau. Encontrei no bar da escola algumas conhecidas, entre elas havia uma menina que não era da escola. Discutiam um problema em busca de uma solução urgente. Então me contaram, haviam acertado de viajar no outro dia para o interior com essa menina, iriam desfilar em um evento. A questão é que uma delas não poderia ir mais e o grupo estava desfalcado. No meio da conversa me convidaram para substitui-la.

Eu?? Claro, não tenho nada para fazer amanhã mesmo.
Detalhe, na adolescência meu apelido era Fafá de Belém, e vocês imaginam o motivo e eu tinha 10 quilos a mais do que tenho hoje, ou seja, era uma adolescente gordinha. Mas como sempre fui abençoada com uma boa dose de autoestima nunca me importei e embarquei para meu dia de miss com duas desconhecidas.

Aventureira e livre, sempre gostei de pagar pra ver. Algumas horas de viagem depois desembarcamos. O organizador do evento era irmão de uma das meninas, foi nos buscar na rodoviária. Assim que entramos no carro ouvimos no rádio o anúncio do evento e a participação ilustre da miss Rio Grande do Sul, Miss Porto Alegre e miss não sei o quê!

O organizador avisou que iríamos direto ao "magazine" da cidade para escolher as roupas do desfile. Cortesia do maior magazine da cidade, e patrocinador.

Vambora! Chegamos lá a loja inteira a disposição das misses. Realizada escolhi um vestidinho preto para disfarçar as formas adolescentes arredondadas.

Uma arrumou a outra, numa época em que chapinha não existia e eu ainda não possuía um kit maquilagem salva-vidas.

Quando chegamos ao evento, surpresa, o lugar estava lotado!!
Ficamos em uma sala separada, era um concurso de beleza. Depois de desfilarmos, seríamos juradas da competição.
As meninas estavam muito nervosas, e uma delas comentou " vocês não devem estar nervosas, tem muita prática ?", e eu respondi " Você nem imagina, mas empre dá um friozinho na barriga..."

O palco era imenso, o salão lotado, não dava para desistir e no auto-falante o anúncio Andréa Be-alguma coisa (nunca acertam) miss Porto Alegre! Hahahaha...

Lá vamos nós, pensei.
Deste momento glorioso só lembro que havia uma turma de meninos que aplaudiam eufóricos o a fato de eu estar de vestido curto em um palco tão alto. Quando estou nervosa faço tudo no automático. Além dos meninos não registrei mais nada.

Depois disso vieram as meninas. Havia uma linda, certamente a mais bonita, mas era muito antipática. Entrou com ares de já ganhei. Anotei esse detalhe".
Os jurados estavam reunidos para decidir, e claro ela havia sido bem pontuada. Quando começamos a discutir o tema, defendi a idéia de que uma mulher precisa ter mais que beleza, tem que ser simpática e ter um "tcham" a mais. De que a antipatia da candidata diminuía a beleza dela e que o título tinha que ir para outra menina.

Pasmem, todos concordaram! Descobri ali o poder de persuasão e manipulação que move as mulheres, invejosas ( naquele caso eu) hahaha.

Prazer à parte o momento do anúncio. A antipática levou um choque! E eu me diverti com a reação dela e fiquei feliz com a felicidade da outra menina que ganhou, porque não sou tão malvada assim. Alegria de uns, tristeza de outros.

Pra fechar, bati muitas fotos com patrocinadores, autoridades e fãs... muito engraçado! Nunca vi estas fotos, nem quero. Aproveitamos a noite entrando em vários lugares, comendo e bebendo de graça.

Adorei ser paparicada, e voltei da viagem convicta que o povo acredita em qualquer coisa, e se impressiona fácil, basta um título qualquer. E se impressionam tanto que negam a realidade completamente, porque de miss só tinha o fundo branco do olho!

Uma observação.



Tem uma situação em que gordura é fundamental.
No abraço.
O melhor abraço é o abraço de gente gordinha, sem dúvida.
O abraço do gordinho faz com que a gente se sinta automaticamente amado. Eu me sinto amada quando abraço gente gorda. É um aconchego, não há escapatória, o outro nos envolve inteiro.
Já abraço de gente magra é de uma aridez dramática. Osso batendo, nada encaixa, desajeito.
Os magros não foram feitos para abraçar, parecem ter sempre pouco a oferecer. Os magros não foram feitos para o amor, os muito magros não foram feitos nem para o sexo. No máximo podemos lhes dar um carinho nos cabelos ou um tapinha nas costas, de pena.

As mentiras da Pitty


Hoje, na estrada, ouvi uma canção da Pitty que dizia assim: "não espere eu ir embora pra perceber que você me adora". Puxa, dai fiquei pensando que algumas mulheres tem essa mania, um tanto dramática, de usar essa frase com os homens que lhe interessam. Uma mistura de ameaça e profecia, geralmente no final dos relacionamentos, "olha fulano você vai se arrepender e vai perceber que me adora, mas ai eu não vou te querer mais!".

Ah sei lá Pitty, relaxa o fato é que se o sujeito não"percebeu" antes que te adora não vai ser com sua partida que isso vai acontecer. Na verdade quando você for embora ele vai ficar bem aliviado. É que a gente tem isso de querer ser especial e insubstituivel, mas não somos, e como diz o Camus "Não há grandes dores em grandes arrependimentos, nem grandes recordações.Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores." O que pode ser um tormento ou muito libertador. Isso nos permite não cair nessa cilada de achar que, por insistência, teimosia ou burrice, faremos um homem gostar da gente. Isso não existe, só serve para mulher masoquista.