Gizele-jaca.

Fiquei pensando Gizele, na aspereza e no nosso encontro.
E em todas as nossas meias-conversas, que nunca são inteiras por falta de tempo.
De como você inverte as falas para melhor se entristecer.
E de como, quando você faz isso, preciso segurar na tua mão de forma firme e doce e te repetir pausadamente, que não é isso Gizele, você entendeu errado.
Das suas verdades duras, quero que saiba, que são imprescindíveis.
Que você sem elas, é só metade, é quase, e quase você sabe nunca me interessou.
Que é desse encontro, frente à frente, áspero e doce de que somos feitas.
Nascemos ásperas Gizele, assim quis a vida, e disso ninguém nos salva.
Nascemos jacas maduras e desconfiadas. Ásperas, doces e suculentas, claro.
Nosso amor é rude, não sabemos ser rosas, mas sabemos ser fortes.
Eu não quero amiga-rosa, eu quero amiga-jaca.
Não acredito em gente rosa.
Não acredito em gente feliz.
Esse tipo de gente é quase, e quase é morno, é médio. E você sabe, nossa inteligência não permite.
Em todos os encontros o que tem valor, para mim, são os encontros-jaca.
Você é uma das melhores jacas que já encontrei!
Dura e áspera, porque se sabe doce e frágil por dentro.
E de tão frágil a jaca pecisa construir toda aquela aparência por fora... .
Uma jaca é densa, afiada e pesada, e quem quiser comê-la Gizele, tem que necessariamente dar conta dessa aspereza, desse aspecto duro e nada delicado, que toda jaca possui.
Nosso núcleo é doce e suave, e isso só descobre que tem inteligência suficiente (ainda bem que são poucos), e claro, tem também os desavisados que nem desconfiam que uma jaca certeira pode ser fatal.
Estamos na vida Gizele, inteiras, fragmentadas
Nascemos jaca madura e nosso amor é afiado.
Um amor pra quem se atreve. Amor desconfiado.
Somos atrevidas Gizele, e esse é nosso maior valor.
e eu te amo, sua jaca!

Musiquinha pra você cantar ai no trabalho...
Corta-Jaca (Chiquinha Gonzaga/Machado Careca)

Neste mundo de misérias quem impera é quem é mais folgazão
É quem sabe cortar a jaca nos requebros de suprema, perfeição, perfeição
Ai, ai, como é bom dançar, ai!
Corta-jaca assim, assim, assim

Mexe com o pé!
Ai, ai, tem feitiço tem, ai!
Corta meu benzinho assim, assim!
Esta dança é buliçosa tão dengosa que todos querem dançar
Não há ricas baronesas nem marquesas que não saibam requebrar, requebrar
Este passo tem feitiço tal ouriço
Faz qualquer homem coió
Não há velho carrancudo nem sisudo que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre no Flamengo por certo se há de render
Não resiste com certeza este jeito de mexer ---
Sou gostosa
Que dá gosto de talhar

Sou a JACA saborosa que amorosa faca está a reclamar para a cortar
Ai, que bom cortar a JACA, sim, meu bem, ATACA!!!

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