Blog do Albano - Caminhos e conversas...




Estou perdido, ou pelo menos penso que estou, perdido no mato que pode ser uma floresta ou até mesmo uma cidade cosmopolita, ou um vilarejo até. Estou perdido mas sei que estou em algum lugar da América do Sul, e isto já é alguma coisa para tomar minha caminhada.Procuro um lugar chamado Yapeyu, que nem sei se existe. Ouvi falar dele através de dois amigos: um que é o Warat, que vive gritando aos quatro cantos do mundo que é patafísico, isto mesmo, patafísico. Às vezes creio que ele foi abduzido por algum extraterrestre, sei não!

O outro, ou melhor, a outra é a Andréa. Conhecemos-nos através de jornadas internetiano-cibernéticas e até chegamos a nos ver, ao vivo e a cores. Mulher sensual e enigmática, assim como são as fêmeas da nossa espécie.

Pois é, foi a partir dos relatos de ambos, o Warat falando de uma Taberna que fica em Yapeyu, onde ele afirme que vive ao lado dos xamãs Guaranis e que à noite costuma ir para a tal Taberna, cuja dona, a dona Doña que me parece ser aparentada da Lilith, aquela que Deus mandou para o inferno como castigo por ter seduzido Adão, até então prometido para uma tal de Eva, com vistas ao projeto demográfico de Deus para este pequeno planeta. Muito complicado para meu parco entendimento. Mas enfim, segundo ele a tal casa noturna seria conhecida como a Taberna de dona Doña.

Por outro lado, a Andréa colocou no frontispício da dita cuja, uma placa muito bonita com a efígie de uma mulher e com o nome Taberna Dona Flor. E ainda, segundo sua narrativa, havia encontrado na mesma, muitos amigos, dentre eles o Warat, este seu humilde narrador, o Alexandre, a Rosa, dentre outros. É né, sabem como são as coisas, eu não me lembro bem de ter estado lá, mas porre é porre. Se ela afirma, eu fico na posição cartesiana, que dizia que tinha – ele, Descartes - imensa dificuldade de distinguir sonho e realidade (ele jurava de pés juntos não confiar nos sentidos). Por outro lado, por que será então que eu quero ir à tal da Taberna dona Doña ou Dona Flor? Pouco importa o nome de fachada – fica parecendo mais tentativa de confundir a Receita Municipal de Yapeyu -, eu não tenho nada a ver com isso.

Com os ouvidos colados num aparelho MP3 –viva a modernidade – caminho há mais de anos, escutando Caetano Veloso (quero ver Irene dar sua risada) e me embrenhando mais e mais no meio do nada. Durante a noite escuto o piar das corujas, assim como o bater das asas (asas?) dos morcegos que cegamente fazem seus vôos kamikases. Durante o dia, vejo as cobras se esgueirando em busca de suas presas. Sol a pino ou lua cheia. Amanheceres e crepúsculos fascinantes e tão parecidos, que às vezes fico sem saber se está amanhecendo ou anoitecendo. Sei não! Andei dando umas cachimbadas que alguns xamãs me ofereceram pelo caminho. Fico me perguntando: serão eles os amigos do Warat? Eles me dizem que pode ser que sim. Por que será que os bruxos sempre falam por metáforas? Serão eles aparentados dos oráculos? Enfim...

Estou indo porque gosto de conversas triangulares, como assim define a Andréa nossas falações (dela, do Warat e minha) e, como eu gosto de triangulações, pois me cheiram a coisas proibidas e perigosas, como também de formas perfeitas, matematicamente perfeitas, tais como o triangulo, vou indo, se vou chegar, isto é uma outra estória.


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