Taberna.



20 de setembro de 2019.


Quem está fora não entende, quem nunca entrou nesta taberna se intriga.
Onde fica? Onde está esta Taberna de que tanto eles falam?Com certeza já passaram muitas vezes na frente, mas não viram. Porque é preciso saber ver.
Chego correndo na porta da Taberna. Deixo cair da bolsa agulhas e linhas coloridas que separei especialmente para este momento.Te encontro impaciente com meu atraso, mas logo te desmancha num sorriso, ao perceber que a demora se explica na bolsa.
E como tu já me conheces desde 2009, sabes que para nossos encontros escolho lenta, linhas e agulhas de qualidade.
"Te falei que ela vinha. Atrasa sempre por bons motivos, ela lenta, neste 10 anos aprendemos".Diz o Albano paciente.
Na Taberna todo mundo já sabe, quando mais se aproxima do coração mas lenta fico. Perco rápida o ar acelerado e fico silenciosa como manhã de chuva.
Tenho que te dizer das minhas condições, eu sei.
Puxo a agulha e vou registrando minhas condições com as linhas coloridas que escolhi.
Me conheces, então sei que já sabe quais são.
Em todas os nossos encontros na Taberna uma condição será sempre inflexível: café.
Servem café na Taberna? Creio que sim.
Do passado não pergunto, e isso cumpro com tranquilidade, é a lógica do inconsciente.
Porque todo fato, preenchido de afeto não tem tempo definido. Não passam, estão sempre.
E tu comunicas o que se faz urgente e vamos juntos tecendo...
E eu tecendo, faço esforço para não perguntar, de coisas que queria saber.
Da época da ditadura. Dita-dura e radicalidade. Eros e Tanatos. Você e este tempo extremo.
Mas como tecer é sempre lento, espero o próximo fragmento, o tom do retalho que forneces.
E faço tua escuta do inconfessável, e guardo suave em um caixa dourada.
E dos outros registros, todos no papel, guardo na bolsa.
Reconheço que estes limites que diz não conhecer, "graças a Deus", te deram a fluidez e a força necessária para te descolar autentico pelo vaidoso mundo acadêmico.
Ouvimos as vozes lá fora, ainda perguntam onde está a porta. Onde está a porta da taberna?
Sorrimos.
Poucos sabem, poucos saberão.
O que garante que não seremos muito interrompidos, apesar do burburinho, poucos irão encontrar a passagem.

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