Encontro amoroso


Albano e Warat,
O amor, palavrinha do impossível, rompe com a certeza, com a forma, com a lógica.Talvez por isso seja tão difícil falar sobre o amor. O homem, carente de ordem, tenta logo enquadrar este sentimento que não se deixa capturar por nenhuma explicação lógica. E talvez por isso também o homem moderno tema tanto o encontro amoroso.
Porque o amor, já disseram os poetas, não se explica, se sente. E o homem moderno tem medo de sentir.E tudo que a gente fale de amor, vai ser sempre tentativa. E mesmo assim falar de amor vai ser sempre fascinante.

E seguimos tateando...

O amor, poderoso sentimento, talvez seja tão difícil de explicar porque ele mesmo não exige.Este sentimento,que nasce do encontro amoroso, no encontro com o outro, não precisa de palavras para existir.Ele se faz no olhar do outro, no toque do outro, no corpo do outro.Desse outro que não se explica.

Eu te amo pelo que tu és, e quem tu és eu não sei. Mas o fato de não saber-te não altera o meu amor.Ou talvez pudéssemos dizer, eu te amo pelo que você me faz sentir, pelo que sou quando estou ao teu lado. Eu te amo porque você me revela.

O encontro amoroso desvela partes ocultas de nós mesmos. Partes que só vem a tona no encontro, que sem o olhar do outro permaneceriam desconhecidas.Alguns encontros são mais reveladores que outros, mais ricos, mais intensos. O encontro que transcende.

Warat chama de reservas selvagens, o que eu chamo de inconsciente, esses lugares profundos carregados de emoção, que no encontro amoroso se reconhecem, se percebem e então deságuam. Deságuam em um encontro de intensidades inconscientes.A psicanálise chama de projeção, concordo, mas acredito que vá mais além.

Mas para este tipo de encontro é preciso que se tenha isto. Intensidade não se dá, não se compra, não se empresta. E talvez por isso as pessoas tenham problemas.
Intensidade, inconsciente, afeto,tudo isso que caminha de mãos dadas perdem espaço na velocidade da vida moderna.
Diariamente vemos no consultório intensidade virar ansiedade. Inconsciente adoecer e virar sintoma físico, e afetos?A modernidade tem remédio para isso,seu slogan é "dope seus afetos".

Todo mundo quer ter sucesso,todo mundo quer ser feliz, todo mundo quer ser potente e assim não há espaço para o amor.Porque amor é ambivalente, felicidade e sofrimento, êxtase e agonia, prazer e dor.E se você quiser viver o amor terá que pagar o preso à Afrodite. Deusa, que impôs tantas tarefas para que Psiquê pudesse recuperar seu amado Eros. E hoje poucos querem pagar o preço.

Mergulhados em uma cultura de violência, nossas crianças adoecidas e medicadas, crescem embotadas nos seus afetos. Afetivamente atrofiadas.Amor, que também é aprendizado, passa fundamentalmente pelo auto-conhecimento.

A coragem de nos conhecermos, de nos aprofundarmos no que somos e descobrirmos do que somos feitos, com toda a dor e melancolia que o processo exige. E neste rico processo de enfrentamento pessoal, processo amoroso por si mesmo, é que nos capacitamos para o encontro amoroso.
E quando realizamos este mergulho, o raso, o covarde e o pouco já não serve. Queremos o muito, porque muito foi o que corajosamente fizemos dentro da gente.

Comentários

  1. Querida Andrea la complejidad que carga de sentido a la palabra amor, de la que buscamos extrer una esencia de sentido, sin reparar que es una busqueda inutil, nos hace olvidar que todos los que aman , sacando a los psicoticos, son neuroticos,por lo que el otro del amor ocupa el lugar del terapeuta e exige transferencia , amar es perimir que alguien ,que no es nuestro terapeuta ocupe ese lugar.el amor termina cuando la tansferencia deja de producirse el resto de lo que te quiero decir supongo que tu cuerpo ya lo entendio Un beso bonito

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  2. Andrea,
    Quero ouvir o teu corpo falar, sem os jogos aos quais as palavras nos submetem. Deixar-se acontecer no silêncio delas. Tão somente fazer o que os gregos nos ensinaram, aceitar os devires, apenas...
    Nos perdemos, no mais das vezes nas florestas que as palavras produzem, no entanto, nossos sentidos pedem tão pouco...

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  3. Andrea,
    Adoro passear por aqui e sentir a intensidade dos teu escritos.
    Ah, o amor...
    Beijo grande, Flor.

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