As cores da Taberna.





Para Warat,

Ontem lendo teu texto fiquei sensibilizada. Muitas coisas me tocaram, mas não quero coloca-las em palavras. Quero deixar a palavra de lado, escolhi ficar com as cores, os sons, a música. Quero falar da Taberna.
Segue você pela estrada, na curva de Santo Ângelo você é surpreendido pela imagem de alguns índios guaranis.Lembra logo da tua Kiara. Mas os índios que encontras não são deste tempo, de agora. Índios fortes e antigos, todos com suas vestimentas de guerra, param e apontam, naquela direção tem uma taberna e uma Dona.

Você segue teu caminho e já ao anoitecer ouve a música alta e as risadas que vem de um prédio antigo ilumidado,fora, por um lampião. Uma placa de madeira talhada indica "Taberna da Dona".

Você entra e o que encontra te alivia a alma. Chão de pedra, algumas paredes de tijolos, outras paredes vermelhas,mesas rústicas de madeira e sobre todas elas, velas. Em todo lugar encontras livros, percebe que a Dona da taberna tem um grande estoque de vinhos, dos bons!
Uma grande árvore, no pátio está iluminada por pequenas luzes e muitas flores coloridas.



As pessoas danças e cantam.
Que música toca? Você escolhe.
Percebes emocionado que a sala está cheia de pessoas queridas. Pessoas de todos os tempos. Amigos que o tempo separou, alguns dos teus melhores amores estão lá, te sorriem.
Albano? Vem te receber com um forte abraço e sua teimosia Bahiucha de sempre. No pescoço de Albano alguns elefantes de madrepérola, deixam claro que está determinado na sua caminhada. Outros tantos amores amigos vem te receber. Alexandre, a rosa, surge sorrindo com uma taça de bom vinho nas mãos e beija estalado tuas bochechas. Também quero estar, escolhi uma roupa toda colorida para te receber. Nos abraçamos e essa energia que não queremos explicar, está lá, quase materializada.

Feliz que está tu não percebe o olhar atento da Dona da Taberna, que te observa. Então ela vem na tua direção. Ela já sabia da tua chegada. Estava te aguardando faz tempo.

Nesse taberna, colorida, musical regada pelo melhor vinho,cheia de livro, preenchida por discussões vibrantes, tu, feliz tem certeza, encontrou a Dona da Taberna e ela é encantadora.



Você a beija e diz: "Para mi el lugar en el mundo el cuerpo de una mujer".

Comentários

  1. Santo Ângelo... a terra que me pariu...

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  2. Em torno de um caldeirão, dois bruxos e uma bruxa se encontram. Olham para o óleo fervente n'água e os fetiches mergulhados naquele caldeirão e profetizam: nós, que já nos sabemos desde sempre, sabemos que nossas almas se atravessam e que dizem em unissóno os mistérios, nós somos o triptico em um, somos a loucura dos visionários, somos o lugar da perdição e do desejo. Sabemos onde, quando e com quem nos encontraremos. Nas tabernas, nos becos escurecidos, nos porões e calabouços da vida. A todos estes lugares silenciados ofertaremos a palavra preenhe de gozo.
    És uma bruxa ancestral, assim como somos aqueles que te viram pela primeira vez, nos territórios nunca dantes desbravados.

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