Aquela mulher.


Tinha os cabelos longos e sedosos, lembrava muito uma jabuticaba suculenta. E eu admirei a forma simples da mulher estar na vida.

A filha, para quem ela escolheu estar, era suave e delicada, e também um pouco triste. Dessas tristezas transparentes que carregam os pequenos que tem um adulto inteiro só para si.

E eu que nasci madura da cabeça de meu pai, nunca soubera o que é ser assim, simples e inteira como aquela mulher.

Os filhos que escolhi ter carregavam minha marca, doce mistura de quietude e selvageria.

Olhando para a mulher e sua menina pude ver inteiro o que já sabia. A vida que escolhi restava incompleta.

Plena de defeitos minha pele era feita de Cal.

Não sabia o que era ser mansa.

Nasci com sede. Sede de Sal.

Nunca soube amar o que a vida me deu.

Guardo escondido o ressentimento daqueles que vivem uma vida de promessas.

Tenho a alma irada, daqueles que vagam e nunca encontram.

Queria poder viver o que a pele de uma mulher me permitia. Nunca pude.

Sua uma mulher inacabada.

Guardo em mim todos os sonhos de amor.


Andréa.

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