segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aconteceu

Mar-jorie e Sabri...sim é LINDA!

"Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória

Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho

Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem

Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor..."

Adriana Calcanhoto

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Encontro amoroso


Albano e Warat,
O amor, palavrinha do impossível, rompe com a certeza, com a forma, com a lógica.Talvez por isso seja tão difícil falar sobre o amor. O homem, carente de ordem, tenta logo enquadrar este sentimento que não se deixa capturar por nenhuma explicação lógica. E talvez por isso também o homem moderno tema tanto o encontro amoroso.
Porque o amor, já disseram os poetas, não se explica, se sente. E o homem moderno tem medo de sentir.E tudo que a gente fale de amor, vai ser sempre tentativa. E mesmo assim falar de amor vai ser sempre fascinante.

E seguimos tateando...

O amor, poderoso sentimento, talvez seja tão difícil de explicar porque ele mesmo não exige.Este sentimento,que nasce do encontro amoroso, no encontro com o outro, não precisa de palavras para existir.Ele se faz no olhar do outro, no toque do outro, no corpo do outro.Desse outro que não se explica.

Eu te amo pelo que tu és, e quem tu és eu não sei. Mas o fato de não saber-te não altera o meu amor.Ou talvez pudéssemos dizer, eu te amo pelo que você me faz sentir, pelo que sou quando estou ao teu lado. Eu te amo porque você me revela.

O encontro amoroso desvela partes ocultas de nós mesmos. Partes que só vem a tona no encontro, que sem o olhar do outro permaneceriam desconhecidas.Alguns encontros são mais reveladores que outros, mais ricos, mais intensos. O encontro que transcende.

Warat chama de reservas selvagens, o que eu chamo de inconsciente, esses lugares profundos carregados de emoção, que no encontro amoroso se reconhecem, se percebem e então deságuam. Deságuam em um encontro de intensidades inconscientes.A psicanálise chama de projeção, concordo, mas acredito que vá mais além.

Mas para este tipo de encontro é preciso que se tenha isto. Intensidade não se dá, não se compra, não se empresta. E talvez por isso as pessoas tenham problemas.
Intensidade, inconsciente, afeto,tudo isso que caminha de mãos dadas perdem espaço na velocidade da vida moderna.
Diariamente vemos no consultório intensidade virar ansiedade. Inconsciente adoecer e virar sintoma físico, e afetos?A modernidade tem remédio para isso,seu slogan é "dope seus afetos".

Todo mundo quer ter sucesso,todo mundo quer ser feliz, todo mundo quer ser potente e assim não há espaço para o amor.Porque amor é ambivalente, felicidade e sofrimento, êxtase e agonia, prazer e dor.E se você quiser viver o amor terá que pagar o preso à Afrodite. Deusa, que impôs tantas tarefas para que Psiquê pudesse recuperar seu amado Eros. E hoje poucos querem pagar o preço.

Mergulhados em uma cultura de violência, nossas crianças adoecidas e medicadas, crescem embotadas nos seus afetos. Afetivamente atrofiadas.Amor, que também é aprendizado, passa fundamentalmente pelo auto-conhecimento.

A coragem de nos conhecermos, de nos aprofundarmos no que somos e descobrirmos do que somos feitos, com toda a dor e melancolia que o processo exige. E neste rico processo de enfrentamento pessoal, processo amoroso por si mesmo, é que nos capacitamos para o encontro amoroso.
E quando realizamos este mergulho, o raso, o covarde e o pouco já não serve. Queremos o muito, porque muito foi o que corajosamente fizemos dentro da gente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Vambora


Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...
Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...
Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...
Adriana Calcanhoto

terça-feira, 22 de setembro de 2009


Para me refazer e te refazer volto ao meu estado de jardim e sombra
fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado.
Em redor da sombra faz calor de um suor abundante. Estou viva.
Mas sinto que ainda não alcancei os meus limites, fronteiras com o que?
Sem fronteiras, a aventura da liberdade perigosa.
Mas arrisco, vivo arriscando.
Estou cheia de acácias balançando amarelas,
e eu que mal e mal comecei minha jornada, começo-a com um censo de tragédia
adivinhando para que oceano perdido vão meus passos de vida.
E doidamente apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza.
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
Clarice Lispector.
Água Viva.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Permita-se.
Aposte todas as suas fichas.
Jogue alto.
"...perder-se também é um caminho!"
(C. Lispector)
Roubado do blog da Érica

Denise

Denise,

Só hoje encontrei teu recado no post.
Estava relendo alguns, e este em que você escreveu, será meu tema de doutorado.
Um tema complexo e apaixonante.

Que bacana que vc curtiu o blog.
Nos vemos em Santa Maria?

Um grande beijo.
__________________

Olá Andréa,

Hoje, primeira vez no teu blog e já estou apaixonadaaa!
Esse post sobre o afeto e o combate a violência demonstrou-me a complexidade de não ‘coisificar’ pessoas – reduzir o humano e o afeto, ou completamente atrofiarmos a capacidade de sentir com o outro ou minimamente respeitá-lo.

Já estou sua fã – conheci vc no café filosófico em Santa Maria gostei muito, pois Vino e Sofia foi algo como uma ‘meta-referência’ - muitos significados rsrsrsr – Entrei em contato com Albano e Warat ((que privilégio)) e como disse, hoje cheguei ao teu blog...Estarei frequentando mais vezes,

Um abraço
Denise

9 de Setembro de 2009 19:41

domingo, 20 de setembro de 2009

Fidelidade.


O problema da fidelidade.

Taberna.



20 de setembro de 2019.


Quem está fora não entende, quem nunca entrou nesta taberna se intriga.
Onde fica? Onde está esta Taberna de que tanto eles falam?Com certeza já passaram muitas vezes na frente, mas não viram. Porque é preciso saber ver.
Chego correndo na porta da Taberna. Deixo cair da bolsa agulhas e linhas coloridas que separei especialmente para este momento.Te encontro impaciente com meu atraso, mas logo te desmancha num sorriso, ao perceber que a demora se explica na bolsa.
E como tu já me conheces desde 2009, sabes que para nossos encontros escolho lenta, linhas e agulhas de qualidade.
"Te falei que ela vinha. Atrasa sempre por bons motivos, ela lenta, neste 10 anos aprendemos".Diz o Albano paciente.
Na Taberna todo mundo já sabe, quando mais se aproxima do coração mas lenta fico. Perco rápida o ar acelerado e fico silenciosa como manhã de chuva.
Tenho que te dizer das minhas condições, eu sei.
Puxo a agulha e vou registrando minhas condições com as linhas coloridas que escolhi.
Me conheces, então sei que já sabe quais são.
Em todas os nossos encontros na Taberna uma condição será sempre inflexível: café.
Servem café na Taberna? Creio que sim.
Do passado não pergunto, e isso cumpro com tranquilidade, é a lógica do inconsciente.
Porque todo fato, preenchido de afeto não tem tempo definido. Não passam, estão sempre.
E tu comunicas o que se faz urgente e vamos juntos tecendo...
E eu tecendo, faço esforço para não perguntar, de coisas que queria saber.
Da época da ditadura. Dita-dura e radicalidade. Eros e Tanatos. Você e este tempo extremo.
Mas como tecer é sempre lento, espero o próximo fragmento, o tom do retalho que forneces.
E faço tua escuta do inconfessável, e guardo suave em um caixa dourada.
E dos outros registros, todos no papel, guardo na bolsa.
Reconheço que estes limites que diz não conhecer, "graças a Deus", te deram a fluidez e a força necessária para te descolar autentico pelo vaidoso mundo acadêmico.
Ouvimos as vozes lá fora, ainda perguntam onde está a porta. Onde está a porta da taberna?
Sorrimos.
Poucos sabem, poucos saberão.
O que garante que não seremos muito interrompidos, apesar do burburinho, poucos irão encontrar a passagem.

Taberna


12 de septiembre del 2019


LLegue a la taberna en la hora marcada. La primera sorpresa fue mayuscula cundo vi el cambio de nombre del local. En el cartel anunciante ahora se leia: Taberna Doña Flor. Verifique, entonces ,que la anormalidad , los acontecimientos moderadamente excepcionales seguian formanmdo parte de mi cotidiano. Una marca patafísica que me resulta casi dificil de desprenderme. Ademas, no veo porque tendria que escaparme de ese destino si todo el mundo y yo me incluye en ese todo-mundo sabe que mi vida no es un rizoma de normalidades. Nunca me pasa y nunca me paso lo medianamente esperado. Lo que me parece algo mas que interesante,me parece algo bueno Ser normal fue siempre una cosa que me incomoda hoy y me incomodaba de un modo persistente.Resulta muy dificl,`para los que no son patafisicos, tornar razonable las cosas anormales.


Creo, Andrea, que mi primera anormalidad pasa y siempre paso,por no creerme obligado a escribir en serio, ser serio como form,a de ejercitar una docencia babaca. Nunca me sente delante de un a libreta de apuntos, una maquiina de escribbir o un teclado de computadora con los zapatos lustrados (o con botas manchadas de sangre). Nunca senti ,como la mayoria de los intelectuales que me rodan amenazando mi imaginario de toxicos de todo orden,la gravedad del inmstante de la escrita. Nada mas comico que la seriedad entendida como actitud docente inmaculada . Los que hicieron docencia conmigo, y se atrebiasn a escribir (pocos se atreben )necesitaban ritualizar, previamente,la necesidad de poner cara de circunstancias tsites y serias, como la que llevan los que van a un veloria para cumlir con una carga social irrenunciable Respete siempre la escrita como las voces orales que pronuncie y sigo pronunciando. No tengo mas respeto por la palabra escrita que por la oral. La diferencia es fruto de una estupides epistemica digna del saber erudito que pretende inscribirse en las practica suniversitarias que se simulan inteligentes. Fui siempre un personaje que se didico a disfrutar de uncotidiano cargado de excepcionalidades moderadas.Excentisidades excepcionales moderadas marcaron todos los momentos de mi vida. Todo lo que escrriibo se inscribe en el mismo registro de excepcionalidades excentricas ,puesto que entre el escribir, das lase y vivcir nunca note diferencias claras. Los limites siempre me fueron opacos ,gracias a dios. Como un fosforo al lado de una botella de nafta vivo ,escribo y pretendi ser profesor universitario. Muchas veces provoque incendios, menores y bastante grandes.No siempre supe bien como consegui apoagarlos. Quiero conservar esa actitud hasta que la muerte use el fosforo para incendiar mi cuerpo. El hombre de nuestro tiempo,escribio Cortazar cree facilmente que su informacion filosdofica lo salva del ealismo ingenuo. Pobres tontos, que no ven que es precisamente esa informacion que los enferma de realismo ingenuo.


Bueno retomando l mi encontro contigo en la Taberna, a mi llegada a ella te confieso que nunca entendi el cambio de nombre y nunca sabre si cuando me voy dee lla vuelve a llamarse Taberna da Dona Como lo voy a saber si yo tambien fui educado en el realismo ingenuo. Te pido por favor que no me aclares nada. Esas cosas anormales las acepto con plena alegria patafisica. Fue un encuentro muy bueno el que tuvimos la otra noche. Cumliste la primera parte del trato y no me preguntaste nada de mi pasado, de lo que precisdas saber para tu tesis.Eso fue muy bueno. Me permitiste llenarme de tus perfumes, tus oloes , esa anormalidad que tenes para conseguir que tu cuerpo comunique, con gran economia hablatica tus deseos. Lo unico que quiero confesarle a tu cuerpo,es algo que el ya sabe antes de esta confesion por escrito. Siento, como hace mucho tiempo no sntia, una atracción anormal por el.Una atraccion moderadamente excepcional,monstruosamente patafisica. Es una atraccionm mucho mas carnal que la que siento por Doña Flor. Eso es algo que ya intuia sentir la primera vez que t vi llegando a la Taberna,invadiendo con tus deseos la enerjia quieta de YapeyuEnfin, confesiones inconfesables de una anormalidad que empiesa a sentirse cansada. Te confieso que no es facil persistir en vivr anormalmente hasta el ultimo aliento de vida. Al ultimo segundo, al ultimo instante, en general se llega cansado,inclusive para los anormales radicales.


Biueno querida Andrea. quedo a la espera de tu primera carte pela web, ya que si tun no escribes mi escrita tendra que resegnarse a la inmovilidad y al silencio



Postado por Luis Alberto Warat

Gente velha.







Tem gente que nunca foi criança.
*
Tem criança que já nasce velha.
*
Pequenas coroquinhas, estas velhinhas.

Afetos e possibilidades.


Estava distraída quando encontrou.
Sempre fantasiou encontrar algo importante assim, de repente, sem alarde.
Sentada ao lado dele conversavam formalidades. Palavras que preenchiam o espaço vazio daquele percurso do trabalho para casa. O tempo, os políticos, a violência. Isso que se diz quando não se quer dizer nada.
Distraída não percebeu que estava sentada ao lado de uma possibilidade.
Uma possibilidade de amor, era o que ele era, percebeu de súbito.
Mudando,quase como reflexo a postura do corpo, afinal não se senta corcunda ao lado de uma possibilidade de amor,pensou:
Ele que até aquele instante nada significava, tornou-se então uma possibilidade de calor.
Como uma fruta verde que sem aviso, amadurece diante de olhos perplexos.
Para que a possibilidade não amadurecesse rápido demais até apodrecer inteira no banco ao lado, a moça disfarçou o tom da voz, que fina denunciava que agora, assim sem aviso, as palavras haviam ganho, feito magia, um sentido outro.
Com aquele recato que mantinha até o primeiro beijo, até o segundo copo, comentou suave que o dia estava quente, e ela cansada, nada conhecia da cidade, era nova.
Em que lugar poderia fazer uma boa refeição?
No mesmo ritmo desinteressado em que vinham conversando, a frase não ficou saliente, encaixou. E ele prosseguiu, claro, conhecia. Parecia satisfeito em auxiliá-la, conhecia vários.
Um lugar tranquilo, que pudesse ir sozinha, afinal, explicou, era nova e não conhecia ninguém.
O fim da linha se aproximava, após alguns segundos de pausa ele sugeriu companhia.
Estava combinado então, desinteressados se encontrariam à noite para que ele pudesse lhe mostrar a cidade.
Feliz a moça saltou no seu ponto. Ela tinha um encontro para aquela noite, pensou. O que lhe pareceu estranho. Quando acordou naquela manhã nada indicava que à noite sairia para passear com uma possibilidade.
No horário combinado lá estava ele. Ele, que durante aqueles poucos meses nada representou para moça, sempre escondido em suas roupas de trabalho, estava no ponto arrumado para um encontro. Ela, que distraída nunca havia dado importância para sua postura no ônibus de linha, estava ali arrumada para um encontro.
Surpresos, sorriram. E pelo sorriso, notaram, tinham um encontro.
Estava decidido, a partir daquele instante eles tinham um encontro.
Encontro de um homem com uma mulher.
Foi isso que ela pensou quando, já no fim do encontro,ele lhe beijo.
Um beijo de um homem e uma mulher.
Uma noite inteira de afetos e possibilidades.
Enquanto ela havia se mantido cega aquele homem normal do transporte, estava salva.
No entanto ela viu, e por ter visto agora estava condenada.
Olhando para aquela porta aberta descobriu que não poderia mais sair.
Estava preparada para o que viu?
Nunca tinha visto, e então aconteceu.
Não podendo retornar, soube que a porta não poderia mais ser fechada.
E depois de ver, sentiu.
Sentiu todo um mundo novo que se abriu. Tudo que sempre esteve ali e ela não viu.
E agora a salvação lhe seria negada. A possibilidade repentina se apresentou como um algo novo.
Abraçou com força sua possibilidade. E todas as palavras ganharam sentido, mas nada mais precisava ser dito.
Comunicação outra, eles sabiam.
Ela que nunca foi menina, naquela noite, ao encontrar o homem, sorriu para vida com um grande sorriso de mulher.
Desinteressados que estavam, descobriram, que é preciso saber ver, o amor pode estar ao seu lado.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Para Gisele.


Gisele, vale interpretar??


Tu bem sabes que ela não poderia fazer esse tratamento que recomendas...


Tu bem sabes.


Tenha um bom dia de trabalho. Nos vemos sexta.


Um beijo aquariano.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Conversas triangulares.





"Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente,


Que a morte não me encontre um dia, solitário sem ter feito o que eu queria."

Albano e Warat.

Enquanto lia teus textos esse trecho da música da Mercedez Sosa ficou girando na minha cabeça.

Confesso que tuas discussões com o Warat sobre o rito de despedida gradual me angustiam um pouco. Não havia me dado conta do porquê, mas no teu último texto, quando essa música veio, descobri.
Poder se defrontar com a finitude assim, com essa clareza e de cabeça erguida é tarefa para poucos. Por que poucos vivem a vida assim, de frente, conscientes. E quando sabemos que ao longo da nossa vida tivemos a coragem de vive-la de forma plena, então podemos realizar a caminhada do elefante com a alma tranquila.
E foi esse ponto que me pegou, "que a morte não me encontre um dia, solitária sem ter feito o que eu queria".
O fim é agora, a todo instante.
E tocou, talvez por isso tenha demorado tanto a te responder, tocou nestas minhas questões, pessoais e muito importantes.
Será que é esse o caminho?
Será que estou sendo corajosa ou me acovardo em desculpas articuladas?
Terei eu coragem de viver e me tornar o que sou?

E outras tantas que não cabem aqui no texto, que ficam para nossas conversas triangulares. Porque só nestas conversas é que quero mostrar isso. Porque é lá, tu sabes, o lugar.
E fora o amor de vocês dois, que adoro assistir.

Um beijo carinhoso.
Continuamos isso em Santa Maria.

sábado, 12 de setembro de 2009

Um amor bem clichê.


Vem que eu não tenho mais tempo. Vem logo, me beija e me leva pra junto de ti.
Vem que a vida não para. Que de olhos fechados eu sei, é felicidade o que sinto por ti.

Vem que eu já tive de tudo, que eu tenho muito e quando me abraças esse muito e nada, e nada é o que eu sinto se estou longe de ti.

Vem que eu tenho pressa. Que esse amor é urgente, que eu sei, você sabe, que é especial o que existe entre a gente. Que esse afeto não cabe na conta,e no nosso silêncio te digo que sim.

Vem que sem teu sorriso não faz mais sentido.
Que sem teu suor eu morro de sede.
E que eu só respiro se sinto teu cheiro.

Vem logo, ligeiro que já perdemos muito tempo.
Te apressa e vem viver esse amor bem clichê.


Andréa.

Aquela mulher.


Tinha os cabelos longos e sedosos, lembrava muito uma jabuticaba suculenta. E eu admirei a forma simples da mulher estar na vida.

A filha, para quem ela escolheu estar, era suave e delicada, e também um pouco triste. Dessas tristezas transparentes que carregam os pequenos que tem um adulto inteiro só para si.

E eu que nasci madura da cabeça de meu pai, nunca soubera o que é ser assim, simples e inteira como aquela mulher.

Os filhos que escolhi ter carregavam minha marca, doce mistura de quietude e selvageria.

Olhando para a mulher e sua menina pude ver inteiro o que já sabia. A vida que escolhi restava incompleta.

Plena de defeitos minha pele era feita de Cal.

Não sabia o que era ser mansa.

Nasci com sede. Sede de Sal.

Nunca soube amar o que a vida me deu.

Guardo escondido o ressentimento daqueles que vivem uma vida de promessas.

Tenho a alma irada, daqueles que vagam e nunca encontram.

Queria poder viver o que a pele de uma mulher me permitia. Nunca pude.

Sua uma mulher inacabada.

Guardo em mim todos os sonhos de amor.


Andréa.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


9 de setiembre del 2019


Querida Andrea :


Creo que me venciste y terminaré aceptando colaborar en tu tesis de doctorado sobre mi. En el fondo tus dragones ya sabian que terminaria aceptando. Te conozco desde el 2009, o sea ya casi diez años, desde entonces nuestros cuerpos se comunican sin precisar hablarse. La semiologia energetica, si bien la ciencia no la admite, existe. Es una semiologia muy refinada, tiene codigos de comunicacion no explicitos que no funcionan para todos los cuerpos. Los que hablamos ese lenguaje nos reconocemos inmediatamente miembros de esa comunidad linguistica. Muchas veces sin siquiere precisar del leve rozar de las manos. Una comunicacion sin signos, sin simbolos, unicamente hecha de designaciones energeticas. Lo mas atrapante de esta semiología es su permanente estado de lee indeterminacion significativa. Cuando los cuerpos se comunican saben exactamente lo que el otro cuerpo quiere decir, claro que queda un margen de duda, que termina tornando a la comunicacion encantadora, por no decir excitante. No tengo dudas que es una semiologia que peretenece al genero de las ciencias patafisicas. Claro que no es porque brinde soluciones imaginarias, que no viene al caso, aqui de lo que se trata es de sentidos imaginarios, comunicaciones imaginarias. Pero es una clara expresion patafisica ya que se trata siempre de comunicaciones o dialogos singulares, irrepetibles e incomunicables mas alla de los dos cuerpos que se hablan energeticamente. Por supuesto que la patafisica, como toda ciencia es aproximativa y no esta exenta de errores y equivocos. En el caso de la semiologia energetica mucho mas teniendo en cuenta que su condicion de sentido es el deseo (el deseo no es patrimonio exclusivo de la semiologia psicoanalitica, que hace del deseo un simbolo).


Te puede sorprender esta introducciòn tan fuera de lo esperable. Por algun lado es preciso comenzar. Ademas puede servir de alerta sobre las condiciones de tu tesis de doctorado, que nunca puede caer en el lugar comun de lo esperado.


Pense mucho sobre el modo en que podria ayudarte en tu trabajo sobre mi persona y mi obra. El mejor camino que encontre es el de darte unas claves autobiograficas, pero, obviamente, incomunes. Que quiero decir con esto? Pretendo desafiar, con mi actitud, tu semiologia energetica a mi direccionada y suministrarte datos sobre mi vida la mayoria correctos (es decir como yo recuerdo que sucedieron) pero otros que provienen de la fantasia de mis recuerdos (es decir cosas que no me sucedieron pero que podian haberme sucedido). Tu energia semiotica tendra que funcionar como condicion de verdad y de sentido. Esta es la primera condicion para aceptar colaborar con tu trabajo.


La otra condicion es que todo la que tenga que ver con mi contribucion a tu tesis tendrá que ser formulado por escrito. Eso no quiere decir que puedas permanecer en Yapeyu todo el tiempo que quieras. Lo que no podrás es tratar de hablar de tu trabajo en los momentos que pasemos juntos. Espero que sean momentos de placer y de presenta. No tengo tiempo fisico ni psiquico como para pretender disfrutar del pasado. Si caminamos disfrutemos de las callecitas de Yapeyu, si vamos a la Taberna da dona (que por señal es brasilera y explica por que le puso el nombre de Dona a su establecimiento) disfrutemos de la buena musica y del vino Copetti.


Tercero no me gustaria que Dona Dueña (asi la llamo en mi portuñol) interfiera en nuestro relacionamiento. Nunca hablaremos de ella. Existen algunas referencias personales que la semiologia energetica no acepta, bloquean la comunicación. Lo unico que te dire de ella es que es en mi vida una mujer rizomatica, una expansion vital de la sociologia de mis afectos, nada mas. Dada esa naturaleza solo funciona en mi como condicion de sentido de lo que es para mi una mujer que precisa ser descubierta. Funciona como una especie de mujer inevitable fundamental. La mujer inevitable gnoseologica. Metafora fundante.Bueno ese es el tripode ( tripe) de mis condiciones de orientaciòn o co orientacion. Tu puedes poner las tuyas que las acepto de antemano.


Independientemente del tripode ( tripe) de condiciones sigue firme mi idea de que tienes que robarme. Eso por una razon extremadamente pedagogico. Mis años de docencia me enseñaron que el profesor no puede ser pornografico al extremo de revelarlo todo. Un docente que queda desnudo delante de sus alumnos, sin secretos disponibles para ser robados, queda demasiado vilgar, pornografico. La pose de un secreta es una condicion tanto para despertar el deseo como la curiosidad por aprender. La docencia es un tipo particular de despertar el deseo.Un buen profesor tiene que saber como correr ese riesgo para hacer del acto de aprendizaje un momento de extremo placer. Los textos por escrito, el intercambio epistolar tambien tiene sus secretos (que lo diga Salomé).


Por ejemplo este primer movimiento en direccion a la construccion de mi escrita autobiografica en dialogo contigo, esta llena de secretos. Esta tambien es una escrita disponible para ser robado por ti. No te olvides, que detras de la tinta tambien existe semiologia energetica.


Confirmo nuestro encuentro de mañana a las 19 horas en la taberna de Dona.


Un beso

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DENÚNCIA violência no Barra Shopping de Porto Alegre.


Ontem fui jantar com uma amiga no Barra Shopping, o novo Shopping da Zona Sul e ela contou algo muito sério. Estava ela, em outro momento, entrando no shopping com o namorado e ouviu gritos. Logo ali, ao lado dos restaurantes que ficam de frente para o Guaiba construíram paredes altas de madeirinhas. São painéis de madeira que eles colocaram para tapar algumas partes.


Bom a questão é que do outro lado os seguranças espancavam um adolescente. Vários seguranças. E pela madeira vazada dava para ver. Eles começaram a gritar e rapidamente os seguranças dispersaram e "sumiram" com o guri.

Eles foram até a segurança reclamar e ligaram para a BRIGADA. A BRIGADA MILITAR não veio, porque será? Será que algum policial é segurança por lá?
O chefe da segurança deu uma longa explicação sobre os motivos daquela agressão.

O guri era um "drogado", havia atacado um casal que preferiu não dar queixa e também estava tentando furtar no Big.

E eu pergunto: E DAI?

Os seguranças agora são policiais (talvez) e juízes? Prendem, julgam, condenam e aplicam a pena.Tudo ali na hora, tão eficiente quanto a justiça chinesa.
Essa confusão de papéis é inadmissível. Não cabe a eles e ponto, não tem discussão.

Construíram o Shopping no meio da maloqueirada? Ao lado da vila Cruzeiro? Que encontrem outras formas de dar conta da violência que vem bater a porta.
Mas mais uma vez,

NÃO PODEMOS ADMITIR QUE NENHUM DISCURSO NOS CONVENÇA DE QUE A VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA, DE MUITOS CONTRA UM, SE JUSTIFIQUE.

NÃO PODEMOS, ATRAVÉS DO DISCURSO SOCIAL, AUTORIZAR QUE SEGURANÇAS E POLICIAIS AGRIDAM AS PESSOAS.
O QUE AS PESSOAS NÃO ENTENDEM É QUE VIOLÊNCIA NÃO TEM CONTROLE, QUE HOJE É ESSE SER "INSIGNIFICANTE" SOCIALMENTE, O DROGADO, O VAGABUNDO, O ZÉ NINGUÉM. SE ACREDITARMOS QUE ESTES PODEM APANHAR E MORRER, AMANHÃ A VIOLÊNCIA SE VIRA CONTRA NÓS, CONTRA NOSSOS FILHOS.

MEU FILHO VAI NESTE SHOPPING, SE UM DIA ELE, DE ALGUMA FORMA, TRANSGREDIR OU DISCORDAR DE ALGO POR LÁ, EU QUERO TER A GARANTIA DE QUE NINGUÉM IRÁ MACHUCA-LO, DE QUE EXISTEM MEIOS, EXISTEM LEIS, E ISTO TEM QUE SER SEGUIDO.

SE EU PERMITO QUE FAÇAM ALGO ASSIM COM O FILHO DOS OUTROS ENTÃO EU AUTORIZO QUE FAÇAM ISSO COM O MEU!

FICA AQUI MINHA INDIGNAÇÃO. DIVULGUEM!

ISSO ME FEZ LEMBRAR...


Maiakovski
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...
E SIGO PEDINDO, COMO MERCEDES SOSA "EU SÓ PEÇO A DEUS QUE A DOR NÃO ME SEJA INDIFERENTE"

quarta-feira, 9 de setembro de 2009



Warat, querido.

Demorei uma semana para elaborar teu convite. Fiquei surpresa e tocada por querer dividir comigo a construção da tua biografia.
Tentei não pensar aquelas bobagens que imaginas, da responsabilidade e da capacidade para fazer algo sim, mas pensei.
No entanto vou deixar essas coisas de lado, e para roubar-te memórias e criarmos juntos outras tantas, rogo aos deuses gregos apenas a coragem e sensibilidade necessárias para contar, junto contigo, tua vida.

Aceito teu convite, de todo coração.
Será uma honra construir contigo as cores da Taberna, seus cheiros, seus sons, tuas memórias e teus afetos. Um bom vinho e muito livros.

Espero ser uma boa ladra!

Um beijo bonito.


(Na foto, uma sugestão de placa para Taberna!)

A fuga do Desejo.


Acordou tarde, meu Desejo
Fez as malas, se alimentou e partiu.
Deixou para trás muitas coisas pelo chão
Um lençol de afeto vibrante, que usava na sua última noite
estava caído ao lado da cadeira.

Quando acordei, o sol já estava alto.
Do meu Desejo encontrei só vestígios.
Migalhas de amor estavam sobre a mesa.
Um copo de vida fresca que ele deixou pela metade.


Abri meus armários e fui conferir o que o Desejo me levara, depois da noite que vivi.
Cansada, naquele dia claro e calmo, percebi, que o Desejo ao partir, deixou vazio meu armário de vestir.


Levou com ele aquele sorriso rosa largo que eu usava nas manhas de domingo.
Um toque delicado, acessório discreto para usar nas noites de festa? Também levou.
O brilho intenso, dos meus olhos escuros, levou todos, não restou nenhum.


Meus beijos coloridos, que guardava em uma caixinha perto das meias dançarinas, levou quase todos, deixou dois apenas.
O beijo noturno das crianças, e o beijo dos cachorrinhos.
As meias? Levou também, agora sei que não poderei mais dançar.


Meus pesados casacos, que usava diariamente nestes dias frios de inverno, o Desejo não deixou nenhum.
De um manto de arrepio brilhoso, que eu usava nas noites de festa, só restou um pouco de brilho no fundo do armário.


Deixou, porém, um longo cobertor de esperança, velho, que eu quase nunca usava, soberana que era até aquele dia.
Um cobertor bonito que cheirava a futuro, e que passei a usar todas as noites antes de dormir.

Depois de abrir todas as portas e janelas da grande casa e ascender todas as luzes, me tapava inteira com meu velho cobertor, e adormecia na esperança, que meu Desejo, traiçoeiro devolvesse o que era meu.

Lá de Santa Maria...

O fotolog do querido Albano
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e o blog da minha prima mimosa Carol
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OLHAR A MAIS

Para Andréa.

"Ganhei" o título do meu blog com a indicação de Andréa Beheregaray.
Uma menina doce, inteligente, que nos leva para outros mundos com suas palavras.
Uma menina como uma flor."



Para uma Menina com uma Flor


Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino,o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.



E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.



E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporteeu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.



E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta,e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.



E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena;é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.



E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha- a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."


Vinícius de Morais


Copiado do Blog da Érica , http://olharamais.blogspot.com/.

Érica querida,
Tuas palavras e esta imagem da menina são para mim um doce carinho.
Lindo teu blog, recheado de Clarice.
Muito obrigada.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A-chutti!

HÁ chuti?
Teu nome, um "chuti".
Tens impulso na identidade.
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Hehe, tive que brincar com teu nome.
Bem-vindo neste blog!

Provocação.



Para Albano,
Nunca estamos nus. Sempre estamos nus. Depende do olho. Do olho de quem vê.
Capturamos a nudez do outro? Ou o outro traduz na captura nossa nudez?
A provocação vem sempre de dentro.
É o outro fragmento, e nós?
Espelhos.

Mente livre.

Na esteira do Salo,



Rir do conhecimento e passar a mão na bunda do guarda?
Expressões máximas da liberdade!

Liberdade


Lendo o post de ontem no TPM, lembrei da célebre idéia defendida pelos integrantes do jornal Planeta Diário - fundado por ex-integrantes do Pasquim - e do fanzine de humor Casseta Popular, na década de 80, antes da fusão "Casseta & Planeta".


No Brasil pós-Ditadura a juventude vivia a época do desbunde (Cazuza), na qual se lutava contra toda espécie de veneno chamada caretice (Frejat).


Naquela efervescência, os Srs. do atual Casseta & Planeta gritavam: "Liberdade é passar a mão na bunda do guarda!" Disseram tudo.

As cores da Taberna.





Para Warat,

Ontem lendo teu texto fiquei sensibilizada. Muitas coisas me tocaram, mas não quero coloca-las em palavras. Quero deixar a palavra de lado, escolhi ficar com as cores, os sons, a música. Quero falar da Taberna.
Segue você pela estrada, na curva de Santo Ângelo você é surpreendido pela imagem de alguns índios guaranis.Lembra logo da tua Kiara. Mas os índios que encontras não são deste tempo, de agora. Índios fortes e antigos, todos com suas vestimentas de guerra, param e apontam, naquela direção tem uma taberna e uma Dona.

Você segue teu caminho e já ao anoitecer ouve a música alta e as risadas que vem de um prédio antigo ilumidado,fora, por um lampião. Uma placa de madeira talhada indica "Taberna da Dona".

Você entra e o que encontra te alivia a alma. Chão de pedra, algumas paredes de tijolos, outras paredes vermelhas,mesas rústicas de madeira e sobre todas elas, velas. Em todo lugar encontras livros, percebe que a Dona da taberna tem um grande estoque de vinhos, dos bons!
Uma grande árvore, no pátio está iluminada por pequenas luzes e muitas flores coloridas.



As pessoas danças e cantam.
Que música toca? Você escolhe.
Percebes emocionado que a sala está cheia de pessoas queridas. Pessoas de todos os tempos. Amigos que o tempo separou, alguns dos teus melhores amores estão lá, te sorriem.
Albano? Vem te receber com um forte abraço e sua teimosia Bahiucha de sempre. No pescoço de Albano alguns elefantes de madrepérola, deixam claro que está determinado na sua caminhada. Outros tantos amores amigos vem te receber. Alexandre, a rosa, surge sorrindo com uma taça de bom vinho nas mãos e beija estalado tuas bochechas. Também quero estar, escolhi uma roupa toda colorida para te receber. Nos abraçamos e essa energia que não queremos explicar, está lá, quase materializada.

Feliz que está tu não percebe o olhar atento da Dona da Taberna, que te observa. Então ela vem na tua direção. Ela já sabia da tua chegada. Estava te aguardando faz tempo.

Nesse taberna, colorida, musical regada pelo melhor vinho,cheia de livro, preenchida por discussões vibrantes, tu, feliz tem certeza, encontrou a Dona da Taberna e ela é encantadora.



Você a beija e diz: "Para mi el lugar en el mundo el cuerpo de una mujer".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

ALTERIDADE


Para entender a alteridade é preciso SENTIR a alteridade.
O reconhecimento da alteridade é resultado da capacidade empatica, portanto amorosa.
Sem isso resta apenas uma palavra esvaziadade SENTIdo.







Quer entender a violência?

Então vamos falar de AMOR.

Políticas Públicas para o Afeto.



Quando se deseja combater a violência, é só de violência que se fala, fato. Pouco se ouve,, no entanto sobre o afeto, capacidade de vínculo e sensibilidade. A violência manifesta se dá por diversos motivos, porém o que se encontra na base de muitos casos é uma grande atrofia afetiva.

Atrofia esta, que faz com que o Outro fique destituído de características humanas, e estando destituído, o outro deixa de ser sujeito e se torna "coisa" apenas.







A capacidade empática, que é a capacidade de me colocar no lugar do outro e imaginar como ele se sente, é um impeditivo do exercício da violência. Se o outro deixa de ser sujeito e vira "coisa" a empatia não se faz necessária. Eu não preciso ser empático com uma cadeira, me preocupar se ela está cansada de sustentar, ou se eu a estou machucando.


No entanto a preocupação com os "afetos" dos profissionais envolvidos no "combate a violência" é muito pouco discutido. Hoje, e talvez sempre, aqueles que trabalham com violências passam por um processo de DESSENSIBILIÇÂO profunda. Para se combater a violência do outro, ocorre um incremento maciço das violências do combatente.

Porque a violência se retro-alimenta. Ou diria, se RETO-ALIMENTA? Em termos de estrutura psíquica a fase anal diz muito "das violências".

Então, quando vamos falar de afetos?

Claro que quem trabalha diretamente exposto as violências acaba, por uma questão de saúde mental, acionando mecanismos de defesa para proteger o Ego do sofrimento. No entanto, com a total ausência de cuidados aos afetos dos profissionais, acaba ocorrendo uma dessensibilização extrema, que cobra um preço alto do individuo, na vida pessoal e social.

Desde que me formei trabalho com policiais militares que buscaram ajuda por problemas afetivos, problemas com suas companheiras e família.
Dessensibilizados que estavam, foram perdendo a capacidade de envolvimento saudável e prazeroso nas suas vidas pessoais.

O estresse do trabalho foi sendo absorvido, aqueles que não sofriam uma dessensibilização extrema apresentavam síndrome do pânico, alcoolismo e ideações suicidas. A psique sempre cobra um preço.

Mas claro,entrar no quartel falando de afeto é pedir para ser ridicularizada. Ninguém quer doer. Na nossa sociedade se paga muito bem para não doer, muitos remédios para não doer, relações superficiais para não doer. Por que um profissional, que tem que se expor a violência e não recebe nenhum apoio social e institucional, vai querer doer?

Respeitando a demanda do sujeito, é preciso aguardar até que dor seja insuportável e então possamos iniciar, em terapia, um processo de sensibilização, de resgate.

Porque a farda gruda, sempre digo isso para meus pacientes quando eles relatam diálogos com suas mulheres. Fica difícil diferenciar se quem está falando é o homem de uma mulher, discutindo a relação, portanto afetos, ou se aquilo é um policial dando uma batida e fazendo averiguações.

Um policial me disse que é possível saber o tempo de um policial na corporação pela simpatia demonstrada. Os novos sorriem, são simpáticos e atenciosos. Um ano depois isso já não existe, estão endurecidos, a farda grudou.

E alguém sabe o que há embaixo desta farda?
A imagem de um centauro.
Quíron o curador ferido, meio homem, meio cavalo.Fantástico!
A imagem do curador ferido diz muito. O homem que faz a opção por uma profissão de combate a violência, proteção e cuidado. No entanto Quíron tem uma ferida e é por causa dela que ele se torna um cuidador. A ferida lhe dá a capacidade empática. Porém se esta ferida não for cuidada, aos invés de cuidar da ferida dos outros, o Quíron irá produzir feridas.
Observem as viaturas, o Centauro está lá.

É preciso falar de afeto, trabalhar a sensibilidade. A pessoa que se dessensibiliza pela violência irá produzir violência.



Os fortes também precisam de cuidados. Os homens violentos também sofrem.
É preciso criar Políticas Públicas do Afeto.
É preciso falar de amor.

Sobre os 40 anos e os pôneis velhos.

Bate os 40, a memória começa a falhar, a visão a nublar; a pele se cansa, descansa e desaba; o cabelo exige dez vezes mais cuida...