Mentiras sinceras.


Ela achava graça. Via claramente agora. Olhando para ele, sorria. Ele perguntava se ela acreditava. Acredita? Ela sorria. O fato é que nunca acreditava nele. Não,não é verdade, acreditava sim, mas só metade. É assim,metade daquela verdade que ele, em pé, convencido lhe contava. Não duvidava da outra metade, apenas não acreditava. E ele, orgulhoso ficava feliz em compartilhar com ela, mulherzinha pequena, mas teimosa, suas verdades. E tudo que dizia era só metade, ela sabia. Acostumado que era em contar suas travessuras, não percebia no olhar da mulherzinha a graça. Mansa como uma gatinha, branca como uma boneca, a mulherzinha respeitava todo homem que acreditava nas suas mentiras. Mesmo que ela pudesse perceber, não importa, se a mentira era desconhecido do mentiroso ela então sorria, e respeitava. A questão é que ela o conhecia, as duas metades, poucas vezes tinha visto de forma tão clara um dividido. Gostava de ouvir, gostava porque sabia assim, no ato, do que se tratava. Como se de fora visse claro, o que o outro só mostra no escuro de si mesmo.

De pé, a outra metade, a escondida, mas verdadeira, parecia apenas a imagem de um garotinho, calças curtas, triste e com o nariz sempre escorrendo. Um menino que não colava. Escapava sempre, porque...bom...
Não importa, gostava dele, metade, ao menos, essa ranhenta e abandonada. A verdadeira.
Mas o que que mais gostava era de fazê-lo crer que ela acreditava...

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