terça-feira, 28 de julho de 2009

Travessias

“Já conheço os passos dessa estrada/, sei que não vai dar em nada,/ seus caminhos sei de cor...”

Esta manifestação poética do nosso cancioneiro me vem à lembrança quando tento este diálogo-narrativa contigo Andréa. Fico a cismar com algumas figuras que vão se formando a partir de tuas falas. Uma delas, ao reagires a possíveis reflexões acerca do ensandecimento das nossas formas narrativas do pensamento.Veja bem como te mostras. Começaste a sangrar ante a travessia que farás em um dos teus desafios mais recentes. Elegeu um poema, um não calar frente a momentos violentos do cotidiano. O olhar que manifestas já está comprometido desde sempre, faz parte, creio, dos teus arcanos primevos. Só por isto “escreves às cegas”, visto que amorosamente remiste a nós, pela palavra, ao denunciares o sofrido, o silenciado, o esquecido: “Quem passava no fim da rua não sabia que a água da chuva pode apagar a dor de um homem”. Assim fechas o poema, mas tua voz não cala com o sangue diluído pela chuva, continuas a escrever “às cegas. Quero que percebas como teu pensamento estético sedimenta a narrativa do teu pensamento: “a grande deusa Ananke, a própria Necessidade”, entregue a ti pelas mãos de Afrodite, a deusa do Amor, guiam os passos dados nas travessias que fazes, amorosamente e atenta às necessidades que te impulsionam na direção da alteridade, de um outro que sabes necessitado. A este movimento costumo chamá-lo de AMOR, e isto coloca-se tanto na tua narrativa quanto no desiderato que deste a ti própria ao colocar na tua vida o sistema prisional gaucho, lugar de falas reverberadas nos calabouços-moradia dos banidos, bandidos, excluídos, dos esquecidos... do homo sacer.
As travessias estão aí para passantes como nós, Andréa, Warat, Albano e tantos e tantos que não conjugam com o poeta que já conhece os passos dessa estrada, creio que nós não o conhecemos. Sei apenas que vamos, talvez na Esperança que outros também ousem AMAR, incondicionalmente a VIDA. E, que por amá-la, procuram resgatar “sentido” para a Palavra que nomeia sem reter, sem aprisionar, sem submeter, mas, a Palavra inscrita em cada um, desde tempos imemoriais.
Parece-me que buscamos no outro esta inscrição amorosa do desejo, tão vazio e tão pleno de sentido. Nomeado muitas vezes de felicidade, de alegria, de dor, de entrega, de renuncia, de posse. Nominamos tanto que esquecemos que a inscrição amorosa já ali está, esperando tão somente ser dita, porque, se não, mal-dita. Quero crer que nós, alquimistas, que buscam compreender os elementais da Palavra, devemos cultivá-la enquanto Universal que nos remete a outros planos do entendimento e que podem, quem sabe, iluminar os caminhos desta estrada de tão densa neblina, que é a estrada do Viver.
Carinhosamente
Albano Pêpe

Semi-aberto


Pessoas queridas!
Poucos sabem, mas esta semana comecei a trabalhar no presídio de Montenegro, o que tem me tornado, não só uma caminhoneira, como um ser isolado.
Lá a internet não funciona, nem meu celular. Portanto estou incomunicável!
Meu regime é o semi aberto, entro as 8h e saiu as 17h, de lá vou direto para o consultório e chego em casa tarde, caio na cama e só recobro a consciência pela manhã. Até que tudo se organize não estou com tempo para retornar chamadas e nem responder e-mails. TERRÌVEL essa vida de presídios!!
Breve adquiro um celular que funcione no presídio ( o meu não funciona, só o celular dos presos, do regime fechado!).
Maura!! Não te liguei por isso!!
Gabriel, responde a turma te aguarda!!
Warat e Albano, breve retorno!!
Beijos e saudades da minha vida de pessoa LIVRE!

sábado, 25 de julho de 2009

Albano e Warat, procurando o peixe roxo?


Albano,

Tua folha-virtual chegou até meu colo, através de Warat, e permaneci com ela por alguns dias para poder refletir sobre tuas palavras.
Nestes dias frios que seguem, só poderia te responder me aproximando do que sou, mais e mais. Os textos a que te referes, são textos muito particulares e que por muito tempo optei por não tentar entende-los, por medo de que se perca.
Explico: sou uma criatura que pensa, demais, sobre tudo e sobre todos, o que por um lado é bom e por outro me atrapalha. Por pensar demais acabo perdendo, ou me afastando, do sentimento que cada situação e pessoa trazem consigo. Sei bem do que se trata, Freud já descreveu faz tempo este mecanismo de defesa poderoso chamado intelectualização.
É através da escrita que me descubro. Com ela tenho acesso a locais escondidos do que sou, locais estes, que quando escrevo descubro estarem carregados de afeto e sensibilidade.
Quando então tocado na tua sensibilidade, pela minha, te questiona sobre se estamos ou não praticando ensandecidamente a forma narrativa de pensamento, te respondo: não sei! Não posso saber, me nego. Tenho medo de, ao tentar refletir sobre o que escrevo acabar perdendo a capacidade da escrita. Quero escrever as cegas. Quero escrever sobre o que sinto, o que sou. Não quero pensar, sob pena de me perder.
Gostei de ouvir o que pensas do que escrevo. Ouvir o que pensam da gente é oportunidade de se conhecer. Sinceramente não sabia que os meus textos eram visto como algo raro e delicado. Achei bonito. Me pareceu uma flor. Tu e Warat tem recebido os meus textos como pequenas flores. Sinto assim, vocês os acolhem. Me acolhem. Sou grata.
Acho que sim, falamos do real, colados no real. Estamos em tudo o que escrevemos, por isso, como diz Clarice, escrever é perigoso, uma denúncia de si mesmo.
Existe uma palavra em grego chamada Kalchaino que possui dois significados. Um destes significados é “procurar o roxo”. Os gregos extraiam uma rara tintura roxa de um molusco que só era encontrado no fundo do mar. Para encontrar este “peixe roxo” era necessário descer a grandes profundezas, eles associaram isto ao mergulho nas profundezas de si mesmos para trazer a superfície (consciência) valiosos tesouros da vida interior. O que nos leva ao segundo significado da palavra: procurar nas profundezas da mente.
O que desejo ao escrever? Desejo o Kalchaino.
E mais uma vez os gregos...Sou fortemente regida pelo árquetipo da Deusa Atena e seus princípios. Atena reina, e nunca deixa Afrodite e seu séquito de deusas permanecerem ao meu lado muito tempo. Uma deusa que acompanha Afrodite, a deusa do amor, é a “Grande Deusa Ananke: a própria Necessidade”. Quando escrevo estes textos cotidianos, que nascem das minhas vivências ou de vivências alheias, de que me apodero, é a Ananke que estou submetida. Através de Ananke, pelas mãos de Afrodite posso ter acesso aos meus tesouros.
Neste caminho, silencioso, de escuridão e calor, tenho encontrado almas afins. O que é rico, muito rico. Estamos eu, você e Warat, através da escrita em busca do peixe roxo?
Acredito que sim. Que os deuses nos guiem nesta busca corajosa
.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um homem morto.

Semana que vem início meu trabalho no presídio, está semana estou em um curso, conhecendo um pouco dessa realidade. Pois é, mal comecei e já comecei a sangrar...este texto ficou lá, girando na minha cabeça, não é meu nem de ninguém. É a imagem inconsciente do que vem...Experiência, que tenho certeza vai me tocar profundamente.



Um homem morto



Caiu morto no topo da rua. Chovia.
Caiu morto, tinha um buraco no peito. Um buraco no coração.
E chovia.
O sangue, que escorreu da ferida, começou a descer pela rua.
Misturado com a água da chuva, escorria.
Seus olhos estavam arregalados.
E da boca caiu um risco de sangue.
Morreu de olhos abertos. De frente pra vida, olhando pra cima.
Morreu de boca aberta. Do grito de dor que sentiu.
Morreu com uma ferida no peito, escancarando no corpo a agonia que sempre lhe acompanhou.
Chovia, o sangue escorreu até o fim da rua, misturado na água perdeu o vermelho intenso.
Ele era vermelho intenso, por dentro e não sabia.
E quem passava no fim da rua não notou que na água da chuva havia sangue.
Quem lá passou não soube que no topo da rua morreu alguém, que sempre buscou em vida, o que a morte lhe deu.
Ele que sempre desejou, pelo menos no início, antes de abater-se, olhar a vida de frente, ter direito ao grito, ver reconhecida sua dor.Dor que agora sangrava.Mas quem passava no fim da rua não sabia que a água da chuva pode apagar a dor de um homem.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Andrea, o Warat é um medium


Andréa, me vejo diante de inimagináveis passagens de nível que se recortam e entrecruzam em vias enigmáticas e muitas vezes sedutoras. Nesta tranqüila solidão serrana do planalto gaucho, estou sendo levado a construir minha Argo com a matéria onírica que o Warat me remete todos os dias. E, tal argonauta, ouso, me apropriando de uma passagem ofertada pelo bruxo porteño-baiano, aproximar-me de ti, através dos textos que tens postado ao léu. Tua linguagem, conforme a recepciono, repousa no solo fértil da narrativa, constituindo-se em “um pensamento estético (que)assume o traçado e a tarefa de um pensamento narrativo”, como afirma Luis Inácio de Oliveira, um vate maranhense. Digo isto porque busco também na minha escrita recuperar algo de ancestral da linguagem. E que, se apresenta na tua, em um desnudamento raro e delicado. Mais uma vez me aproprio da fala de Luis Inácio, para me aproximar mais e mais do que quero te dizer. Ele comenta que “trata-se, pois, para essa forma narrativa de pensamento, da tarefa/desistência do articular e redimir pela palavra o sofrido, o silenciado, o esquecido, o não-idêntico, o resíduo do inconciliado (...)”. Pergunto-te, ao mesmo tempo que me pergunto, assim como ao Warat e a tantos outros que cruzam tais vias enigmáticas: será que não estamos praticando ensandecidamente tal forma narrativa de pensamento?


Creio que falamos do real colados no real, em um jogo mimético-poético que sente profundamente o que fala,pensa e vive, deixando espalharem-se pela natureza os elementais que somos no limite da nossa animalidade ancestral, jogada na vala comum do esquecimento em nome do processo civilizatório.


Loba, sereia ou poeta, assim como Warat te pensou, significa para mim o sincretismo da mimesis que se manifesta ao narrares delicados fragmentos do dia-a-dia. Fazes destes relatos a consagração da Vida, visto que os mesmos são pele, sensualidade. Dimensões estéticas de teus momentos-loba, de teus momentos-sereia, de teus momentos-poeta, que recuperam incansavelmente do esquecimento a experiência em sua finitude, em seu devir histórico.
Solto esta página para que ela voe como as folhas do plátano o fazem no outono, como um “passeio ao léu”, para que assim ela possa cumprir seu desiderato: repousar de forma momentânea e fugidia em teu colo.


Concluo, convidando-os para um brinde com alguém que recentemente, Warat o cronópio, homenageou com muita sutileza e fidelidade: Julio Cortazar. Porque, afinal de contas, foi ele, Cortazar quem nos deu mais uma nominação: Os Argonautas das autopistas.


Albano Pêpe

terça-feira, 21 de julho de 2009

Das coisas não ditas.


A porta fechou e tudo ficou em silêncio.
Era um desses silêncios altos,
Ela passou a mão nos cabelos, olhando na direção daquele som.
Deu um giro, sentou...
Ela sabia, desde de o dia anterior, que estava em apuros.
Soube assim que o relógio marcou um minuto a mais do combinado.
Quando aquela sensação antiga de abandono invadiu seu coração.
Sabia também que aquilo não era verdade,mas não importava, o fato de não ser real não diminuía sua dor.
E doía, doía, doía, uma dessas dores ocas.
Naquela noite ela aprendeu a odiar ponteiros, que marcavam lentos, o talvez,
Naquela manhã quente de verão detestou também o sol que veio buscá-lo.
Ficou ali sentada, naquele quarto claro, sozinha.
Sabia que estava em apuros,que dias tristes viriam, de desorganização e silêncio.
Sempre viveu sua dor assim, toda pra dentro, de forma silenciosa.
De olhos fechados.
Um vazio que não sabia,ele faria falta...seu cheiro e sua mão, seu carinho, o toque nos cabelos...
Seu abraço forte,seu corpo atento ao corpo dela.
A cada movimento, que mesmo dormindo ele acompanhava.
Deitou novamente e começou a repassar seus gestos, imagens, momentos.
Começou a esfriar, tapou-se.
Sabia que breve tudo aos poucos se apagaria,e que por mais que ela forçasse a memória, nada iria impedir o esquecimento.
Tirou a blusa, cheirou-a, nenhum cheiro.
Sentindo então escapar no ar a última prova de que ele estivera ao seu lado.
Doía, doía,doía...ela se abraçou com força, dizendo vai passar, calma, vai passar.
Não naquele instante...mais pra frente, talvez.
E coisas desconexas iriam começar a acontecer,sentimentos sem nome, flaschs sem cor, seu sorriso,uma ou duas lágrimas por dia...
Ela então faria café, para que o cheiro preenchesse a casa,
e também usaria roupas bonitas, para que ninguém notasse sua dor.
Muitos cobertores...
E compraria também alguns travesseiros para ocupar a cama vazia.
E tudo passaria aos poucos...
Ela esqueceria, talvez, de como ele era comum, mundano e quente.
Esqueceria o quanto combinavam, e de como ele sempre lhe fora familiar desde o primeiro instante.
Real, palpável e sensível. Com todas as culpas, grilos e sonhos de uma pessoa cotidiana.
Esqueceria de como poderia ter sido ele, com ele, para ele.
Um corpo que lhe fez pouso,
De como ele lhe dizia sério, "acho que estás muito longe..." e ela então sorria.
Afastava-se de propósito, só para vez ou outra ser por ele resgatada.
O sono chegava aos poucos, e antes que tudo se apagasse voltou a ouvir sua voz,a voz rouca e doce que contava histórias e faziam contas.
Ele adorava fazer contas, havia feito da sua vida um cálculo.
Prós e contras,
Ela não conseguia nunca ouvir até o fim, perdia-se antes na curvinha arrebitada de seu queixo.

Mas ele não sabia.
Não sabia também que muitas vezes ela teve vontade de discordar, mas não o fez, pois o tempo entre eles era precioso e ela queria aproveitar.
Vontade de dizer que não acreditava naquela "felicidadezinha" inventada, ou temia muito acreditar.
Que não concordou quando ele fez do amor uma matemática triste do seis por meia dúzia.
Disse sério, que todo amor tinha vantagens e desvantagens, qualidades e defeitos.
Ela fez que sim, mas não era naquilo que acreditava.
Sabia que o amor podia ser mais intenso, mais completo, mas não ousou dizer.
E que essa era apenas a desculpa que ele encontrará para a acomodação, que no fim atinge a todos nós.
Sim, porque quanto mais o tempo passa, mas lentos nos tornamos.
A vida vai pesando aos poucos, assim como as mudanças.
Ela queria ter dito, antes que a porta fechasse, de que ela não se importava.
Que seus valores eram outros, que o dinheiro era bom, o fim, não o caminho.
De que tudo que ele estava vivendo e sendo, só lhe interessavam seus suspiros e seus prazeres.
De que tinha muito medo de não vê-lo mais.
Medo de que a memória apagasse seu abraço,e de como isso iria deixá-la mais pobre.
Ela não pode dizer também, antes da porta bater, uma porção de coisas boas.
De como tudo ia perdendo o som quanto ele lhe beijava, quando ele ia deslizando a mão pela sua cintura e derretendo geleiras dentro dela. Geleiras antigas.
Puxando ela contra seu peito,
Roubando todos os espaços, todo o movimento, ia lhe dizendo coisas...que lhe faziam esquecer quem era e onde estava.
E de como isso turvava sua visão e ela não sabia mais...
Pensou que não havia lhe dito, que tudo aquilo era só com ele,toda aquela entrega.
De mais ninguém.
E de como amava ser toda dele, só dele.
E que só ele conhecia todos os caminhos, todos os carinhos, daquele corpo nu.
Mas a porta fechou, e ela não disse, e talvez, nunca lhe diga.
E que o sono sempre vem,
Que o sonho é o que se tem, quando não se pode estar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Clarice! Adoro essa!!


COMER GATO POR LEBRE


Você já comeu gato por lebre? perguntaram-me devido a meu ar um pouco distraído.

Respondi:- Como gato por lebre a toda hora.

Por tolice, por distração, por ignorância. E até às vezes por delicadeza: me oferecem gato e agradeço a falsa lebre, e quando a lebre mia, finjo que não ouvi. Porque sei que a mentira foi para me agradar. Mas não perdôo muito quando o motivo é de má-fé.


Mas a variedade do assunto está exigindo uma enciclopédia. Por exemplo, quando o gato se imagina lebre. Já que se trata de gato profundamente insatisfeito com a sua condição, então lido com a lebre dele: é direito de gato querer ser lebre.
E há casos em que o gato até que quer ser gato mesmo, mas “lebresse oblige”, o que cansa muito.
Há também os que não querem admitir que gostam mesmo é de gato, obrigando-nos a achar que é lebre, e aceitamos só para poder comer em paz com tempos e costumes.

Num tratado sobre o assunto, um professor de melancolia diria que já serviu de lebre a muito gato ordinário. Um professor de irritação diria uma coisa que não se publica.
Tenho mesmo vergonha é de quando não aceito lebre pensando que é gato.(Há um provérbio que diz: é melhor ser enganado por um amigo do que desconfiar dele.) É o preço da desconfiança.
Mas na verdade, quando aceito gato por lebre, o problema verdadeiro é de quem me ofereceu, pois meu erro foi apenas o de ser crédula.Estou gostando de escrever isto. É que várias lebres andaram miando pelos telhados, e tive agora a oportunidade de miar de volta. Gato também é hidrófobo.


CLARICE LISPECTOR
*
*
*


Que procuras ?

Tudo.

Que desejas ?

Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação ...

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !

Estandarte triste de uma estranha guerra ...

Quero solidão.



Cecilia Meirelles

Menguele, Hitler e Jung...


Início deste ano, fui em uma reunião na escola dos meus filhos, escola católica.
Não temos religião, ensino para as minhas crianças que a melhor religião é o amor, pratique o amor e tudo dará certo.
Quanto a Deus, vida após a morte e todas essas questões, eles perguntam e eu respondo que não sei, se tivermos sorte tudo isso talvez exista, ou azar, enfim. Eles ficam meio frustrados, mas, faz parte. Coloquei eles nessa escola pois lá não circulam freiras e padres, só na mantenedora, e de todas essa tinha bons professores, escolhi muito pelos professores.
Bom, houve uma reunião de entrevista inicial para que as coordenadoras pudessem conhecer as crianças. Os dois meninos, um de 14 anos e o outro de 10, as duas coordenadoras e eu. Quando elas perguntaram a religião respondi que não tínhamos, mas a grande família tinha uma orientação espírita. Reunião interrompida por protestos, o mais velho se declarava ateu e o mais novo gritava que eu não acreditava em Deus por isso não podia ter religião.
Como estavam empolgados discutindo, e não paravam, levantei a voz:
Ok, discussões religiosas em casa!
Fato é que desejo sempre que estas reuniões terminem logo.
Mas o melhor estava por vir. A coordenadora da 5a série, inocentemente perguntou ao meu filho de 10:
_ Tu gosta de ler?
_Sim! Já li muitos livros e agora tem 3 que quero ler...
_ Que bom, que livros são estes?
_ Eu quero ler sobre a vida do Menguele, e do Hitler também, áh e do Jung.
Hahaha, fiquei rosa! Sim meu filhote mega loiro, tem Rheinheimer e Wendhausen no sangue. Como explicar que meu pequeno germânico, aos 10 anos, quer ler sobre a vida de Menguele e Hitler??
Lentamente disse, bom, é que leio muito sobre Segunda Guerra e tenho diversos livros e filmes sobre o assunto e quando ele era pequeno , nunca o ameaçamos com o bicho papão, ameaçávamos com o Menguele!
Hahaha, é fato, tudo verdade, mas ficou péssimo, as duas ficaram boquiabertas diante da família de descrentes e, ainda por cima, nazistas!!!
Que horror!
As crianças são perigosas!
E vale dizer que OBVIAMENTE não temos nada de nazistas.

domingo, 19 de julho de 2009

Sirenas, lobas y poetas.


Cheguei de viagem hoje e tive uma grande surpresa quando fui ler o blog do Warat.


No blog, Warat e Albano sobre como me imaginam, a partir do que escrevo.
Sereia, loba ou poeta?
Fiquei sem palavras...

Fico feliz quando o que leio me toca, transforma e possibilita encontro e reflexão.
Por isso, fico feliz que o que escrevo toque as pessoas de alguma forma.
Estou lisonjeada.
E só posso dizer, muito obrigada.
Obrigada por estarmos tecendo cumplicidades.


Sirenas, lobas y poetas.

Albano me escribio un email donde declara que quedo apasionado por la poesia de Andrea Beheregaray texto do armario de setembre de 2008 (http://wunschelrute.blogspot.com/Texto do armario.Me quede muy feliz por que yo comparto la opinion de Albano, creo que Andrea tiene una sensibilidad muy a flor de piel, a flor de sus palabras .Ella, segun manifiesta en el poema no se reconoce sensible , lo que viane a reafirmar aun mas esa sensibilid que brota en cada una de sus palabras.con albano estamos tejiendo en mi blog un duialogo que va tomado en cada entrega rumbos inesperados ,con Andrea pasa algo parecido pero difeente. Estamos teniendo unddialo entre el blog de ella y el mio .


Al subir textos del blog de ella (TPM ) al mio creo que ellos se redefine y adquieren la dimension de un curisos hipertexto donde llueven las coincidencias . Albano y Andrea son los grandes interlocutores virtuales del blog de la Casa warat,que mudaron y redefinieron muichas de las coloraciones del mismo El blog cambio mucho desde sus intervenciones.La poesia de Andrea esta llena de coloraciones surrealistas que me atrapanDesde su poesia(ni Albano ni yo conmocemos personalmente a andrea) Albano se imagina a Andrea como una sirena silenciosaYo,por el contrario me la imagino, acompañada en su interior por una loba parecida con la que acompaño la vida de Clarice .


Una loba que tiene unas garras muy particulares, que cuando tocan les brota poesia. Albano me debe una caracterización más minuciosa de lo que es ,para el, una sirena silenciosa.Las que yo trabaje(el se refiere a ella en su email) son bastante impiadosas del amor de un hombre.,que seducen con su canto para deborarlos.Me imagino que las silenciosas tiene otra actitud.Vivimos en territorios que desbordan inaccesibilidades.Territoriso de sonidos inaudibles.Los surrealistas nos enseñan que los sonidos inaudibles se escuchan en el mas profundo silencuio.Por eso supongo que esas sirenas nos deben ayudar a escuchar las voces inaudibles que nos constituyen .

La figura de la loba me resulta mas atractiva que la de las sirenas, (tendria que entender mejor de donde proviene el encanto de Albano ) en primer lugar las lobas alimntaron a niños abandonados en las selva, les dieron un cariño que los desperto a la vida(sensual y sin iluminaciones racionalistas ) Las lobas son ,entonces ,nutientes afectivas,Incluso algunas funfdaron civilizaciones , como la loba que amamto a Romulo y Reme La loba es juna imagen mitica de lo nutiente,de la hembra que nutre y da vida desde lo afectivoLas lobas nunca deboran , y mucho menos a criaturas indefensas.Las lobas retasrdan lo mas que pueden para que la inocencia no conozca su imposible.El peligro de las lobas es que pueden retardar demasiado nuestra necesidad de sentir la presencia del otro ,descubrir las intimidades del mundo que pretende seducirnos desde el momento en que nacemos.Los senderos son asperos en los campos de concentracion nunca se escucho el canto de un pajaro Desconfiemos de la perfeccion de las generocidades vulgares y de las verdades proclamadas sin reparos.Nadie rejuvenece por la crueldade .Las sociedades y las formas de convivencia estan demasiado viejas.Enfermas de poder.Solo el amor las rejuveneceranel punto de no etorno esta demasiado proximo eso ,Albano me preocupa.

No sabemos quienes somos .Esa es la obscuridad y la inaccesibilidad más absoluta Las sirenes y las lobas, en eso se parecen, son maestras de la iluminacion ,son como ani,añlidades zen , que solo responden a nuestras silencios . a nuestra pasion por lo iomposible. Esa angustia de Camus de quer que lo imposible sea.

Po el momento creo que lo que las lobas me enseñaron es que la unica respuiesta a todos los silencios es el aprendizage del amor.algo que sabemnos fingir pero sin entender ese sentimiento constittutivo.Creo que para aprender a sentir el amor es preciso entender una contradiccion absurda.

Es necesario alcanzar una silenciosa serenidad para poder desplegar mi locura silenciosa y albergar la tuya( la del ser amado)Pecisamos aprnder a sentir la frgancia del silencio serono y al mismo tiempo loco (me rfiero a la locura surrealista constitutiva del amor ).
Pero ALbano tenemos que entender que el hartazgo es mala compania para las lobas y las sirenas Ellas detestan la frustración (Albano te dejo con una frace de Osho el secreto para no ewstar harto ni frsutrdo es no esperar nada Vivir hasta la muerte con los ojos bien abierots llenos de una sorpresda adánica .

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Paixão pela vida


A história de vida do pintor Amadeo Modigliani, retratada no filme "Paixão pela vida", é um dos meus filmes preferidos.

Fantástico, simplismente fantástico!

Tudo. Tudo.Tudo.

Modigliani foi um pintor intenso, transgressor, perturbado e divino.

Viveu em Paris, contemporâneo de Picasso, Diego Rivera e Vitrillo.

O filme retrata a ligação de admiração e ódio com Picasso, considerado um artista mercenário.

Estes artistas conviviam em uma região famosa de Paris, o bairro montmartre, lugar de artistas e prostitutas, até hoje. O bairro é fascinante, era nele que Edith Piaf cantava para ganhar a vida, e é nele também que fica o famoso cabaré Molin Rouge.

Mas voltando a Modigliani.

FANTÁSTICO, já falei. O filme conta a tumultuada e intensa relação de amor de Modi e Jeanne Hébuterne, mae de sua filha.
Bom, paro por aqui. Assistam vale muitooooo.
Depois de Lista de Schindler este foi o filme em que mais chorei.
Na verdade quase morri desidratada.
Sério! Nossa!
E a fotinho retrata meu encontro, no cemitério Père Lachaise- Paris- com Modi e Jeanne.
Fiquei emocionada, adorei conhecer este túmulo. Père Lachaise é o cemitério mais pop do mundo. Modi é vizinho da Edith Piaf, o máximo. Lá também estão Abelardo e Eloise, Jim Morrison, Alan Kardec, entre outros.
Esse filme me deixa aquela impressão de que nasci na época errada. Queria ter vivido lá...




A Déia é um ser especial... acompanho direto suas teorias pelo www.wunschelrute.blogspot.com
Ela tem uma teoria jóia sobre caçar leões... e outra sobre "se economizar" e "economizar o outro".
Alexandra Kunze.
Roubei lá do orkut da Alexandra essa fotinho. Não sabia que ela estava acompanhando o blog, achei graça, minhas "teorias". Acho que sim, essas teorias que invento para tentar entender o mundo, as relações e as pessoas.
Invento e acho graça, me divirto. Afinal é o que nos resta, rir em meio ao caos.
E a Alexandra?
É uma dessas almas raras, especiais, que comunica no olhar toda sua doçura e força, de leoa.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sartre e Simone



Minha última aquisição literária.

Estava louca por este livro, já faz algum tempo ele estava na minha lista de desejos, quero conhecer melhor a história deste casal.
Comprar livros e filmes pela internet é minha nova paixão. Adoro chegar em casa, depois do trabalho, e ouvir alguém dizer "chegou uma coisa para ti". Fico feliz como criança no natal. Toda semana chega, e a fatura do cartão de crédito deixa claro essa nova alegria.
Mas este livro me deixou especialmente feliz, vamos ver agora, vou começar a degustá-lo, junto aos outros dois que estou lendo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Comunicação primeira


A lógica esmagando a sabedoria da comunicação primeira. Instintiva.
O bebe seguro no colo da mãe, que reconhece pelo cheiro.
Amadurecendo neste embalo de amor, que palavra não explica.
Inconsciente, é nutrido na comunicação primeira, dos sentidos.
Toque, cheiro, sons, no ritmo do coração.
Desaprendemos a sentir o mundo, buscando ansiosos entender através da lógica, que mutila.
Na experiência amorosa redescobrimos o valor desta comunicação primeira.
Lógica desnecessária aos amantes.
O mistério preservado no encontro.
A individualidade que mantém o encanto.
O importante é dito no silêncio.
Reconhecimento antigo.
O essencial visto de olhos fechados.
A distância que une e a intensidade que rompe os limites do tempo.
Mergulho profundo neste aroma,sons do coração.
Comunicação primeira.
Da mulher com seu amante.

Texto do armário - setembro de 2008



Tenho escolhido viver só com aquilo que toca.
Talvez pela dificuldade de sentir, quero estar agora apenas com aqueles que, mesmo sem saber ou entender, me ajudam a sentir...
É verdade que essa forma de estar no mundo tem me deixado um tanto solitária e silenciosa. Mas, de repente, perdi o interesse pelas pessoas, e egoísta tenho ficado apenas com aquelas que me ajudam a entrar em contato com o que ainda desconheço em mim.
De alguns eu gosto muito, de outros nem tanto, outros ainda, tenho certeza que os inventei. Alguns de vocês, quero, ainda, (des)cobrir.
É um momento bem egoísta, é verdade. Só me interessam os que têm dores, os sujos, as grandes sombras, sobras.
Ta tudo tão redondo, tão bonitinho, colorido. E eu estou bem, tudo bem. Dia de inverno com sol.
Talvez por isso vocês me interessem. Os com dor.
Desculpa colar na dor de vocês, é que careço de desespero.
Não acredito em gente feliz. Não acredito na felicidade de vocês.
Que loucura repousa no fundo da minha felicidade?
Vou interromper a terapia. Por uma questão de sanidade.
Ainda não aprendi a usar as vírgulas, nem crase.
As vírgulas, me disseram, se usa naquele momento em que se respira quando falamos.
Na pausa. Pausa? Não tenho.
Falo rápido, sorrio muito, sinto pouco. Não tenho pausas. Minha pausa é o inconsciente, mas tenho sonhado pouco, muito pouco.
Ontem sonhei com um maremoto (esperança).
Teve um dia que sonhei com um beijo (surpresa) e essa noite sonhei que dava mamadeira a ovelhinhas.
Inércia afetiva.
O médico me perguntou:
Bebe? Não.
Fuma? Não.
Usa algum tipo de droga? Não.
Pressão alta? Bem baixa.
Depressão? Não.
Bem normal... Bem normal...
Terrível esses dias felizes. Nem isso desencadeou uma crise. Nada. Branco.
Ontem sai de casa sem carteira de motorista. Bebi bastante e dirigi por um longo tempo na esperança de ser presa por um policial truculento (sem fantasia).
Queria a crise. Prisão por desacato. Choro. Nada.
Passei a tarde lendo Caio e Vinho do Porto. Caio, caio, caio...nada.
Então vim até aqui me expor para vocês, que tem dores e talvez, entendam do que sou feita. Correndo o risco de parecer bizarro.
Mas quem já me sentiu um pouquinho, não vai se espantar, nem me recriminar.
Escolhi não mandar este e-mail para quem recrimina.
Não importa, tenho uma teoria sobre a reputação.
Re-puta-ação. Construí-la é isso, andar de ré fazendo uma puta ação.
Para quê? Para que acreditem no que não somos.
Então tá. Não importa então.
Quando encontra-los farei de conta que nunca escrevi isto, e vocês, vão sorrir por dentro (sorrir pra dentro, desperdício de felicidade) e vão pensar. Louca!
Engano, normal demais, bem normalzinha.
Quero desesperar. Quem sabe ano que vem.
Preciso voltar a sentir Clarice.
Estou com saudades de Clarice.
Eu gosto de vocês. Acredito só em alguns.
Andréa B
setembro/2008

domingo, 12 de julho de 2009

Des-construções de uma professora novata.




Existem os sem-teto
Existem os sem-terra
os sem-lugar, os sem-amor e existem os sem referencial intelectual.
Os sem-teoria.
Pois é, este é o meu drama.
Fiz toda faculdade estudando Psicanálise, durante o curso vi muito pouco das outras teorias psicológicas, de Jung, 15 dias. No último semestre nada me agradava, deixei tudo de lado e fui investigar melhor a psicologia analítica.
Quando me formei optei por fazer pós graduação no Direito. Depois de passar 6 meses aprendendo, apenas a falar a língua dos caras, essa língua que o Direito fala e ninguém entende,talvez nem eles, escolhi o mestrado.
O mestrado no Direito, em Ciências Criminais, tive a oportunidade de passear pela História, Antropologia, Sociologia, Criminologia, muitas "gias", e a minha pequena psicologia foi diminuindo cada vez mais.
Recentemente estive em um evento em Florianópolis "intercultural", isto é, cultura de todos e de ninguém.Muito rico, foi possível discutir a função-missão do ser professor com profissionais da física, administração, antropologia de vários lugares do mundo. Um professor da UFSC disse algo que a muito vinha pensando. Falou sobre a interdisciplinariedade. Disse ele que o profissional que deseja dialogar com outros saberes precisa horizontalizar seu conhecimento para depois verticalizar. Adorei isso, pois é verdade, precisamos aprofundar o conhecimento na nossa área para então abrir. Um "núcleo duro" de conhecimento. Disse então meio aborrecida,meio desesperada " a questão da psicologia é que quanto mais dialogamos,menos sobra deste núcleo duro". Fato que a psicologia possui um núcleo frágil.
Sou toda descontrução teórica...o que é um drama, sei de tudo um pouco e nada me serve o suficiente. A vantagem que tenho encontrado em ser uma sem-teoria é que a psicologia não me quer e o direito não me entende.
Explico: não sendo mestre em psicologia fica difícil dar aula nesta faculdade, o Direito me acolhe,sou uma novidade engraçada e obrigatória, pois assim quer o MEC.
No meio disso, tentando decidir meu doutorado excludente, tenho tido prazeres na docência.
Dou aula de " Psicologia aplicada ao direito" e no segundo momento "Antropologia aplicada ao Direito" , então depois de construir minimamente algo na psi desconstruo metade quando começo a falar de Antropologia.
No final da primeira aula de Antropologia uma aluna chegou e disse "achava que os psicólogos eram loucos, agora acho que os antropólogos são muito mais!".
Baita elogio! Baita,pensei, as aulas estão funcionando.
Disse para eles, com a delicadeza de uma estranha recem chegada "O Direito é esquizofrenico e um tanto narcisista, mas temos muito o que conversar..."
Talvez seja isso, tenha como missão desconstruir. Lançar sobre os alunos do Direito a maldição da dúvida, ou a bênção. Qual será a missão do professor? O des-construir constante.

Meu amigo Moysés.

O mestrado me deu alguns presentes, a amizade do Moysés foi um deles.
Não posso falar muito dele, porque ele é um cara discreto.
Mas posso falar de algumas memórias,
Daquela, por exemplo, em que me afoguei em uma piscina de caipirinha e que lembro, vagamente pois me afogava, da voz preocupada do amigo que me oferecia água.
Ou de todas as vezes que com muita paciência me assistiu chorar depois de beber. Sim porque sempre choro, é quando descubro que sou triste.
Mas para não apresentar apenas memórias alcoolizadas, quero dizer que a amizade dele tem um valor imenso.
E tem valor porque estar com ele é ter a oportunidade de uma conversa franca, intensa e ácida, quando não estou me afogando isso é possível.
Fechando, sei que não gostas, mas uma parte tua que me diverte, quando te percebes conservador e fica furioso.
Sei que odeias, mas adoro isso.
Afinal o reverso do homem genial e livre é um pequeno burguês conservador,
hahaha...não me odeie!
Ideal de vida

“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.É pouco, é muito pouco.”


Clarice

sábado, 11 de julho de 2009

Mentiras sinceras.


Ela achava graça. Via claramente agora. Olhando para ele, sorria. Ele perguntava se ela acreditava. Acredita? Ela sorria. O fato é que nunca acreditava nele. Não,não é verdade, acreditava sim, mas só metade. É assim,metade daquela verdade que ele, em pé, convencido lhe contava. Não duvidava da outra metade, apenas não acreditava. E ele, orgulhoso ficava feliz em compartilhar com ela, mulherzinha pequena, mas teimosa, suas verdades. E tudo que dizia era só metade, ela sabia. Acostumado que era em contar suas travessuras, não percebia no olhar da mulherzinha a graça. Mansa como uma gatinha, branca como uma boneca, a mulherzinha respeitava todo homem que acreditava nas suas mentiras. Mesmo que ela pudesse perceber, não importa, se a mentira era desconhecido do mentiroso ela então sorria, e respeitava. A questão é que ela o conhecia, as duas metades, poucas vezes tinha visto de forma tão clara um dividido. Gostava de ouvir, gostava porque sabia assim, no ato, do que se tratava. Como se de fora visse claro, o que o outro só mostra no escuro de si mesmo.

De pé, a outra metade, a escondida, mas verdadeira, parecia apenas a imagem de um garotinho, calças curtas, triste e com o nariz sempre escorrendo. Um menino que não colava. Escapava sempre, porque...bom...
Não importa, gostava dele, metade, ao menos, essa ranhenta e abandonada. A verdadeira.
Mas o que que mais gostava era de fazê-lo crer que ela acreditava...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Barquinho de papel e o meu amor...


E quando você percebe que o tempo todo esteve amando errado?
De que não era daquele jeito, daquela forma, naquele tom.
Na direção inversa?

De que até então as águas corriam na direção contrária, e de que por correr na direção contrária todo movimento acabou sendo absurdo e inútil.
Como chuva que inconformada de de cair tenta ingenuamente chover pra cima.
Mas não era possível... necessário desaguar, seguir caminho, fluir na direção do vento.
Em vão, olhava para nada pensando que em vão amara.
Mas que amor assim, relação, encontro, desejos e todas essas coisas doces e tristes não podem ser antecipados,
Afetos profundos e quentes feito barquinho de papel postos na corrente.
Frágil.
Percebia, perplexa, como quando vemos pela primeira vez algo grandioso e que brilha, que aquele jeito de amar, tinha outro nome.
Aquilo não era amar, era defender.
Um pouco de chá quente...
Viu uma margarida nascer na sua mão.

Quando pouco é muito...





Percebeu...


para eles bastava pouco


um quarto, uma cama, pouca luz e água,


porque amar dá sede.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


Será que sou romântica?





Quando era pequena tinha uma vitrola vermelha. Na minha vitrolinha, além das histórinhas infantis, tocava muitooooo Roberto Carlos!
Essa foto traduz a paixão infantil pelo músico. Tinha 4 anos! Hoje, sentada nos meus 32 anos olho essa foto e fico imaginando o motivo pelo qual uma garotinha de 4 anos gostava de ouvir Roberto Carlos.
Sabia todas as músicas do rei. Lembro deste dia, da foto, e de como estava feliz. É, talvez, porque as canções não toquem a lógica, é ao coração que elas falam...
Bem breguinha a querida. Me acho tão querida quando pequena que sinto não poder me dar uns beijinhos. Queria ter sido minha mãe, só para me dar um colinho.
Minha música preferida? Amava "Outra vez".AMAVA.
A letra: "Você foi! O maior dos meus casos.De todos os abraços.O que eu nunca esqueci.Você foi! Dos amores que eu tive.O mais complicado. E o mais simples prá mim...Você foi! O melhor dos meus erros .A mais estranha história. Que alguém já escreveu. E é por essas e outras. Que a minha saudade. Faz lembrar. De tudo outra vez...Você foi! A mentira sincera. Brincadeira mais séria. Que me aconteceu. Você foi! O caso mais antigo. E o amor mais amigo. Que me apareceu...Das lembranças. Que eu trago na vida. Você é a saudade. Que eu gosto de ter. Só assim! Sinto você bem perto de mim. Outra vez...Me esqueci! De tentar te esquecer. Resolvi! Te querer, por querer. Decidi te lembrar. Quantas vezes. Eu tenha vontade. Sem nada perder...Ah! Você foi! Toda a felicidade.Você foi a maldade. Que só me fez bem. Você foi! O melhor dos meus planos. E o maior dos enganos. Que eu pude fazer...Das lembranças. Que eu trago na vida. Você é a saudade. Que eu gosto de ter. Só assim! Sinto você bem perto de mim. Outra vez....
E tinha também aquela das Baleias, ai que coisa angustiante aquela música, ora ouvia a historinha da baleia que comia o pai do Pinóquio, ora o Roberto me contava da terrível caça as baleias.
Essa fotinho me fez refletir sobre meu romantismo. Olhando, não parece restar dúvida de que fui uma menininha romântica. Dai me pergunto, em que momento isso se perdeu?
Hoje realmente não sei quem sou. Fico atenda as impressões dos outros. Apontamentos.
Algumas pessoas me chamam de afetivamente "estranha". Seguidamente me acusam disso.
Meu amigo G.B disse que sou uma mal amada.
Outros acreditam que sou doce. Será?
Minha mãe diz que sou "fria". Não diz direto,insinua.
Já me chamaram de arisca. O que concordo, já fui bastante.
Agressiva! Um pouco.
Mas nunca me disseram que sou romântica.
Talvez não seja nada disso, ou talvez seja tudo isso, misturado.
O fato é que ser romântica dói, e eu só gosto de doer em dias de chuva.
Ser romântica é arriscado.
É que ainda não me resolvi em relação ao amor, esse intenso, de reconhecimento e encontro. Esse grande amor que Roberto canta.
Os amores são banais e cotidianos. Grandes amores? Cada século foi testemunha de 2 ou 3, o resto é invenção. Uma forma de driblar a solidão e ausência de sentido da vida.
Olho para foto e acho, bom, que em algum momento eu tenha sido assim, uma romântica inocente.
O romantismo perdeu lugar no nosso tempo.
Ainda sei de cor todas as músicas do Roberto.
É talvez eu seja uma romântica as avessas.
Uma romântica as avessas.
Tenho aprendido a olhar de forma mais doce.
O medo já não é constante.
A única certeza é que me engano bem.
Amo pra dentro, em silêncio. Isso me faz parecer estranha.
Que meus amores são raros, muito, mas intensos.
O que me aquece nos dias de frio.
Frases românticas que nunca direi...
Vou parando por aqui, no máximo,
"que seja doce."

Minha vida?


meio-termo


meio-temo


meio-temos


meio o que Deus quiser

terça-feira, 7 de julho de 2009

Calçadas Catarinas...



Faz anos uma dúvida me perseguia.
Afinal, por que os catarinos fazem calçadas TÃO, TÃO estreitas???
Por que eles fazem calaçadas tão pequenas?
Enfim, semana passada, essa dúvida antiga terminou.
Não era nenhuma das hipóteses que havia pensando.
Fiquei feliz em descobrir "A" resposta.

domingo, 5 de julho de 2009

Para Moysés,,,




Dos amores que tecemos a amizade ocupa um dos lugares mais bonitos,




No blog do Moysés, amigo querido http://somepills.blogspot.com/


Tem tanta coisa legal que a gente lê que dá vontade de reproduzir... Só que a Andréa se puxou demais. Apesar de não ser nenhum Warat, queria reproduzir aqui um poema do blog, com a ressalva da minha mutilação ao estilo belamente concretista com que ele se insinua.


Tecendo Amores.

A função do amor?


Amortecedor.


Amor tecer dor?


Sim, (e)ternamente.

A Beheregaray

sábado, 4 de julho de 2009

Ouro pra mim



Tudo junto
No meu caso rolou de uma vez só
De repente o que era já não era mais
Mudou tudo no amor
Outra cara
Outra forma de ver e sentir
O que antes eu não entendia
Agora é ouro pra mim
A cabeça mudou
Outra cara e eu tô fora e não vou mais sair
O que eu não precisava agora é preciso
Amor é assim
Lindo!
Tô que nem criança
Tô de alma limpa
Com você por perto
Vou mais longe ainda
E hoje eu quero luz de sol e mar
Nova renovada a força eu to feliz da vida
Sob seu dominío vou mais longe ainda
E não tem nada fora de lugar
Myllena

você me tirou pra dançar sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão, sem música pra acompanhar.

*

você me tirou todo o ar pra que eu pudesse respirar

Foi só por um segundo, todo o tempo do mundo, e o mundo todo se perdeu

*

Ficou só você e eu.


Maria Rita