Era sempre assim, ela cortava logo o que ganhava força com algo novo que criava.
Aprendera a bloquear pessoas em seu coração. Um com o outro, pra não sentir falta.
Barreiras que impunha, era a dependência que evitava.
No início, algo que não recordava, marcou: depender era perigoso.
Não havia encontrado, até aquele momento, alguém que lhe fizesse pouso.
Ela não queria, estava determinada. Dava a cada pessoa um lugar especial, único.
Mas dentro dela eram espaços tão pequenos, que se algum deles partisse ela não sentiria falta.
Se alguém ameaçava ocupar um lugar maior, ela fechava os olhos com força, como quando faltava luz e não queria ver. Assim inventava novas histórias, muito maiores e mais bonitas.
Sabia como ninguém barrar pessoas.
Pulando corda, chiquinhas saltitantes, repetia:
cresce, barra, corta, quem se importa?
Não vou sentir falta.
Segue inteira.
Inteira?
Ela era uma menina barrada. Feita de pedacinhos.




A.Beheregaray

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